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'Estamos fartos de saber que o povo galego fala un idioma de seu, fillo do latim, irmao do Castellano e pai do Portugués. Idioma apto e axeitado para ser veículo dunha cultura moderna, e co que ainda podemos comunicar-nos com mais de sesenta millóns de almas (...) O Galego é un idioma extenso e útil porque -con pequenas variantes- fala-se no Brasil, en Portugal e nas colónias portuguesas'.

(Castelão - Sempre em Galiza)



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Treinar e Adestrar ou a imposiçom da ignorância

A interdisciplinariedade é um elemento interessante a ter em conta em todo o momento, mas ainda é muito mais ao tratarmos sobre assuntos da língua, tanto da sua história, como do seu lugar dentro da família românica ou em relaçom ao seu Córpus.

Muitos de nós (por evitar-me o radicalismo de dizer «Todos nós») estamos fartos de saber quantas as incoerências, quantas as irregularidades e faltas de lógica há nas normas RAG. Todas e todos, cada um desde o seu âmbito científico e/ou laboral, poderíamos acrescentar umha grande bateria de argumentos que deitariam por terra umha grande quantidade de formas normativas usadas polos média galegos, pola administraçom, polos lideres políticos e ainda pola gente do comum contaminada por esse engendro populista que faz acreditar a muitos na existência em Galiza dumha língua «de seu» tam original e isolada como o éuscaro. Como se isso fosse o «non plus ultra» do mundo da linguística, da filologia e da reivindicaçom da singularidade dos povos.

Todos conhecemos as «originalidades» da norma RAG quando nos propom (ou impom?) construções léxicas como «Esoxeno» ou «Osíxeno» tam habituais nos livros de texto dos nossos alunos de física ou química (1), contando com que os rapazes e as raparigas de primária e secundária nom conheçam o facto da importância que tem a etimologia para o léxico científico, como nos tem comentado tanto o nosso amigo e companheiro Carlos Garrido.

Umha língua que opta por formas como «Esoxeno» e «Osixeno» nom é umha língua que poda servir para transmitir conhecimentos científicos porque deturpa a comunicaçom. E é que essa filosofia linguística é umha dessas típicas teorias científicas (por chamar-lhe algo) que umha vez expostas, exprimidas, fracassadas e superadas nom podem nem devem ser lembradas nunca mais na história se nom é como exemplo do absurdo para as gerações futuras.

Lembro, com isto que vos conto, o que lhe aconteceu a um amigo a quem umha conhecida editora isolacionista lhe ofereceu fazer um livro de contos infantis com aproximadamente cem mil palavras por 3.000 Euros. O meu amigo, respondeu numha humilde comunicaçom telefónica com o responsável que nom podia aceitar esse trabalho porque no galego RAG nom havia cem mil palavras.

A minha actividade laboral diária envolve-se no ensino relativo à matéria que chamamos Educaçom Física, e isto, ainda que nom pareça, também tem pensamento e teoria científica, com umha nomenclatura determinada, com conceitos claros e concisos, hipóteses, pensamento e filosofia. Essa que tam difícil é de exprimir e que tanta dor de cabeça faz ter a quem se atreve a penetrar nela. Conceitos como o de «Adestrar» ou «Treinar» venhem-se-me facilmente à minha cabeça e à minha boca quando tenho de comunicar com os meus alunos. E difícil é, porque adequar a minha fala espontânea a umha realidade normativa imposta faz-se habitualmente difícil até o extremo de ver como se movem os fios ocultos quando se me escapa algum «lusismo».

Quando Tério Carrera ou Manolo Pampín, e sobre tudo os seus assessores linguísticos (de os haver) dizem que Arsénio Iglésias, David Vidal ou Fernando Vázquez som «adestradores» seguramente nom conhecem que para os teóricos da Educaçom Física como José Maria Cagigal (entre outros muitíssimos), «adestrar» implica só desenvolvimento motor. Algo que nom é coerente com a ideia de preparaçom para o desporto de competiçom que precisa de técnicas, tácticas, estratégias, que a sua vez implicam umha planificaçom, inteligência na acçom que tenta poupar esforços e conseguir com isso o maior e mais vantajoso sucesso a respeito do concorrente.

«Adestrar» é simplesmente trabalhar a parte mecânica de tal forma que o ser humano necessita outra forma de preparaçom para a competiçom. Assim em francês usa-se a palavra «entraîner», em inglês «to train», em espanhol «entrenar» e no resto do nosso domínio linguístico «treinar». Esta forma deriva do latim popular TRAGINARE derivado à sua vez de TRAGERE como alteraçom de TRAHERE (levar de un lugar afastado a outro mais próximo).

É umha forma léxica que denota e implica umha preparaçom racional e planificada com a finalidade de conseguir um objectivo mercê a umha preparaçom prévia e umha educaçom do desportista mediante umha metodologia com importantes elementos pedagógicos e portanto exclusivamente humanos. Por outra parte «adestrar» vem de AD DEXTRARE, quer dizer, fazer destro, hábil, com conotações puramente mecânicas e motoras.

O treinamento implica aspectos qualitativos enquanto o adestramento só quantitativos, mecanicistas, parciais e limitados ao aspecto físico.

Evidentemente a comunicaçom dos comentaristas da TVG vai destinada majoritariamente para gente formada, informada ou desinformada em qualquer cousa excepto na teoria da Educaçom Física... mas os que sim estám ou estamos minimamente formados e somos professores devemos por imperativo legal seguir as normas RAG. E em caso de discrepância aplicar-se-ia primeiramente o artigo primeiro do regulamento nom escrito do ensino: «A norma RAG sempre tem a razom», para em caso de vir à cabeça algo de filosofia e portanto de discrepância, imediatamente aplicar o artigo segundo: «A norma RAG nom se discute».

Digo-vo-lo eu que o sufro.


*Nota:

1. «Eso-xeno» viria significar seguindo a etimologia algo assim como «estrangeiro de dentro» onde Eso=adentro e Xeno=estrangeiro. Quando se for escrita à forma portuguesa, espanhola, francesa, inglesa, etc... «Exogeno», significaria «originado fora»: Exo=fora, Genos=origem.


Comentários (0) - Secçom: Língua - Publicado o 26-01-2009 14:32
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