Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

O autor solicita comunicar-lhe qualquer uso ou modificaçom da sua obra no email de contacto aqui sinalado.

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Índio Branco


O alfabeto, os livros, o teatro escrito, as doutrinas, os manifestos, foi isso que interrompeu a comunicaçao.

Os sinais já nao sao os da comunidade. Tagarelam, cada qual para si, cada qual no seu sítio, como pássaros. Tagarelam; e entretanto outros sinais, os sinais malditos da dominaçom e da escravatura, unem seus esforços e rebentam os olhos e os tímpanos.

Palavras novas, terríveis palavras que adejam no ar das cidades, em busca de presas. Palavras gigantescas que cobrem as paredes de cem metros de altura, assim, sem mais, com as suas letras vermelho-sangue. Palavras uivadas pelos altifalantes nos corredores das avenidas, e as suas consoantes rolam como os estrépitos do trovao.

Palavras que entram para dentro do corpo, e saltam e voltam a saltar, desencadeando os mecanismos da alma.

Como esquecê-las? Como as nao ver, nao as ouvir, quando por toda a parte no espírito reina o silêncio? Estao abolidas as defesas.

As palavras ávidas de rapina esvoaçam constantamente pelo ar, e fixam nos olhos dos homens as suas ratonas pupilas amarelas, astros funestos cuja luz distila o sono.


J.M.G. Le Clézio, Índio branco, Fenda Ediçoes, Lisboa, 1989.

Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 27-10-2008 10:37
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Os melhores e os piores ofícios na Galiza


A ver se conseguimos eleger entre todo o mundo que queira partiicpar os melhores e os piores ofícios nos que trabalhar na Galiza.
De momento vam estes:

Os mais desejados:

1. Crebeir@ na Costa da Morte.
2. Surrealista de garda.
3. Domador/a de pulgas.
4. Ecografista.
5. Arqueólogo no Courel
6. Responsable de urbanismo municipal con escrúpulos
7. Labreg@
8. Catador profissional nas festas do verao.
9. Bibliotecaria da facultade de história de Santiago.
10. Profesora de Filosofía (em galego) nun instituto.
11. Fareira em qualquer das ilhas
12. Gaiteiro.
13. Regueifeiro.
14. Catador de viños do país.
15. Artesán do cartón pedra.
16. Poteiro (de augardente)
17. Peiteador de lámpadas.
18. Panadeiro diurno (o que fai o pan para os panadeiros normais).
19. Xastre de Tarzán.
20. Amonestador de preguiceiros.
21. Técnico instalador de sacapuntas eléctricos
22. Furtivo.
23. Promotor imobiliário respeitoso com a natureza.
24. Linguista no gabinete de Taurino
25. Vicepresidente.
26.Ex propietario de Fadesa (o que estará a rir Manolo Jove...)
27. Condutor de bicicletas
28. Primeiro speaker en galego do xogo dos camelos e as boliñas nas feiras.
29. Concursante do Cifras e Letras
30. Pantasma nun castelo ou santuario
31. Mestra de unitária no Courel
32. Activista na liberación de animais
33. Especialista-transformador/a de soños em realidades
34. Ecoloxista radical (de raíz)
35. Papador de ovos fritos de "plastilina" amasada cos pés polo meu fillo
36. Cultivólogo de pergaminos
37. Trodavor displéxico
38. Mezclador (en xeral)
39. Utopista de peaxe
40. Inventor de costumbres
41. Gandul
42. Sexador de gaitas
43.
44.
45.
46.



...

Os ofícios mais detestáveis:

1.Fodechinchos.
2. Cura, monja, bispo, etc.
3. Aristócrata: conde, infante, etc.
4. Ecologista acrítico liberado graças a umha subvençom do governo responsável da desfeita ecológica.
5. Empresario das canteiras.
6. Galegobilingüe belixerante
7. Capador
8. Logopeda de Presidente da Xunta.
9. Escritor neofalante reintegracionista.
10. Presidente da Xunta
11. Polícia (verde, gris, -azul- o marrom, a polícia sempre é repressom)
12. Granjeira de produtos transgênicos [sejam animais, sejam vegetais]
13. Avogado.
14. Rexistrador da propiedade (allea).
15. Carceleiro.
16. Sindicalista vendido.
17. Pregoeiro oficial de festas
18. Garda anti-furtivos da Xunta.
19. Promotor imobiliário normal
20. Cabeleireiro de Iñaki Anasagasti.
21. Capitán de gaseiro de Reganosa
22. Tesoreiro da Cidade da Cultura
23. Militar da BRILAT
24. Subsecretário de Asuntos Poéticos da Conselharia de Cultura
25. Verdugo
26. Expropiador de leiras e minifundios varios
27. Xornalista feixista
28. Monitor nunha campaña da Secretaria Xeral de Política Lingüística.
29. Cazador/a
30. Desecador de animais
31. Ecoloxista a soldo dun partido político
32. Currante em precário
33. Colgador de calzóns a domicilio
34. Hipocomística con bola de cristal
35. Adivinho amnésico
36. Plañidera ou vecinha con tempo libre
37. Despertador
38. Paracaidista das festas alleas
39. Cuñado, sogra, interventor...
40. Dummie para instrumentos de tortura
41. Bolseiro (ou pelador de bananas)
42. Extra no show dos Tonechos
43.
44.
45.
...

E tu que ofícios desejados e detestáveis eligirias?

Fazemos um TOP 100?









Comentários (37) - Categoria: Geral - Publicado o 22-10-2008 12:29
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Pippi Lansgtrumpf Mix


1. Techno



2. Folck.



3. Punk



4. No 1º Congresso Internacional sobre Astrid Lindgren em Frankfurt.




5. O tema original em sueco.
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 19-10-2008 10:38
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Livros na Carpa do Circo?


Ahá, nas Jornadas Literárias de Passo Fundo, no Brasil!

O que seria de nós
Sem a magia da arte
Sem a ilusão que revela
As mais secretas verdades?

O que seria de nós
Sem a magia da arte
Sem a beleza que empresta
Asas pra felicidade?

Vêm poetas a ensinar
O idioma das estrelas
E noite adentro à janela
Todos conversam com elas.


...

Fam falha mais palhasos nas nossas feiras do livro.

O éxito da literatura na pequena vila de Passo Fundo, segundo José Eduardo Agualusa, vem da mao da festa:

"Qual é o segredo de Passo Fundo?
É tao simples quanto o Ovo de Colombo: a festa. A poesia, por exemplo, mostra-se na sua forma mais dinâmica -dita pela actriz e poetisa Elisa Lucinda, cantada â maneira dos repentistas populares do nordeste, por António Nóbrega, ou recriada ali mesmo, em cima do palco, com a participaçao do público"


J.E. Agualusa, A substância do amor, Lisboa. 2000




Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 17-10-2008 10:27
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Vampiros


No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas á chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores á força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas

Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhe franqueia
As portas á chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada


No último concerto de Zeca Afonso em 29 de Janeiro de 1983, no Coliseu de Lisboa.
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 15-10-2008 19:30
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GranPurismo: poesia contemporánea



Pardeconde


Isto vai para a miña aldea, para que vexas, Pardeconde.
Cando era neno sempre ía eu para alí,
tiña un abuelo que sempre me quixo tanto a min,
só cunha bicicleta era feliz,
cun cadelo e escopeta de balíns,
éche así, foi un tempo, ben,
ben entretido como as pelexas do Valiente co Malvino,
como pasaron da segunda,
e comprar Phoskitos,
e xogar con Heman,
Javier tiña o castillo,
os vellos sempre estaban para botar partidas,
e o meu vello sempre me pingaba calderilla,
tomaba sete cocacolas, ai, miña barriga,
e chorei cando morreu o can da Guillermina,
eramos outros, xogábamos no souto,
xogabamos ao couto,
xogabamos cos outros,
xogamos ao balón e se rebota contra a pedra,
vai parar ao pozo ou ao corral da Campecha,
ao corral do Cesáreo ou á ventana da Amalia,
ao poleiro abaixo onde o José das sandalias,
e date conta de que os balóns sempre baixan lanzados,
se te descuidas tes que ir para as da fonte buscalos,
sempre fomos algo brutos eiquí,
sempre levo de recordo máis dunha cicatriz,
sempre fomos todos guapos e que podo dicir,
que máis dunha moza pudo ser actriz, éche así,
nada inventado, todo verdadeiro,
a nosa nave era un castiñeiro,
xúroche rapaz que a súa madeira aínda cheiro,
e o que non quería subir era un pildeiro.

Somos de Esgos, non somos modernos,
sei que houbo un tempo no que non había teléfono,
e para que queres tal cacharro do demo?,
se aquí toda a xente sábeche falar a berros ?cago en Díos?.

E se vacilas pola calle non che teño medo,
que os de aquí sómosche duros tal como penedos,
que vaian de malotes, de chulos ou locos, fuck you,
eiqui a xente limpa o cu con toxos.
Xa veras cando chegan festas do San Pedro,
e as orquestas e os xitanos que venden enredos,
xuntaranse todos os vellos e os nenos,
e os da comisión pasan para pedir para o peto,
e ten cuidado se a túa moza baila,
que aquí roubámosche a cadela como o cura en Niñodaiga,
eiquí celebran festas por todo e por nada,
pero tes dereito a telas se traballas, rapaz.
O conxuro recitado onde o Amado,
e todos van á barra como un raio,
que esta festa éche super-fértil do carallo,
se contas nove meses moitos nacemos en maio.

E os domingos ir a misa aguantar,
que digo que os que che saben beber tamén che saben rezar,
unha resaca do carallo do rapaz que nunca deu polas de diante e as detrás, que va,
noites inolvidables no alto da Cruz,
unha pandilla de rapaces chea de espírito,
saber quen lle gusta quen, charlas de tu a tu,
E apagar os cigarriños cando vías unha luz.

Este é o meu sitio a miña terra,
unha casa na aira de arriba onde vive a miña abuela,
son o fillo do Amado, o neto da mai Celia,
o meu primeiro cego serio pilleino en Maceda.
E sei que moitos pensan que isto xa está olvidado,
eu seguirei ladrando como o can do Laureano,
que son auténtico, único e orixinal, como a callada do Carranchá.

Ei, ei... que pasa oh, esta merda xa acabou, ou que?

Ponme esa instrumental outra vez que aínda lle hai que facer un refrán a esta xente, ostia, veña, aí está, moitas grazas.

Ei, ei, Pardeconde, estades preparados para o estribillo?

E xa fai tanto tempo que non paso por alí, e cada fun nunca me arrepentín, estea en donde estea, eu sei ben de onde, ¡que carallo! ¡po! ¡po! Son de Pardeconde.
E xa fai tanto tempo que non paso por alí, e cada fun nunca me arrepentín, estea en onde estea, eu sei ben de onde, ¡me cago en Dios! Son de Pardeconde.(bis)

Isto foi todo, falándoche do meu pueblo, da miña aldea, nunca me olvidarei de naide, escoita ben:

Javi Ferreño, Javi Blanco, Ana, Susana, Abel, Claudio, Bruno, Montse, Joseciño, Diego, Daniel, Dani, Iván, Severino tamén, Gloria, Manolito, Carmén, e toda a mafia da aira de arriba tamén, Tamara, Mari Carmen, Sito, Javi, Antonio, Amelia, Rosa, Sebe Agustina, tío Antonio, Amalia, Tía María, tamén, Odilo, e o Eliseo e a Isabel, tamén o José a Milagros, Eladio, María Belén e a Maruja tamén e o Juan Carlos, e a Beatriz e o Ricardo, e o Alberto e o Toño e o Roberto, a Venita o Lauréano, o Pepe e a Merecedes, todos volo merecedes, e para non olvidar o Juan e a Pilar, e todos os que son do outro lugar, o tío Amado, a tía Antonia, Alyes, Amadora, a xente de Babilonia, todos os meus primos de Lisboa, un hora, e o Chaparro e o Gandolas, todos na miña mente, nunca me olvidei, xa nos vemos cando pasarei, que esteades vivos ou mortos eu sempre me recordo, oh, Granpurismo, coñecido como Carlos Abad Garridos, a familia dos Abades, esta éche a merda, si, un verdadeiro gallego, que descanse en paz José Garrido Pequeño...

...

Ei, que aqui tes o tema completo -o poema enteiro- para baixar: aqui

E aqui, GranPurismo
Comentários (8) - Categoria: Geral - Publicado o 14-10-2008 18:52
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Um cesto de maçás


- Isso é im-po-ssí-vel.

- Que me apostas?

- Que nom, que é impossível...

- Que si, ho, que si, 10 quilos.

- Entre as duas?

- Si.

- A ver, explica-mo...

- Que entre ela e mais eu comemos 10 quilos de maçás em dez minutos.

- E como dis que se chama?

- Luisa.

Marcos chegara da Corunha habia tres dias. Seu pai era de aqui e sua nai, dumha aldeia do lado. E a Rosa caia-lhe bem, aínda que fosse um pouco raro. Falava pouco e andava seguido com um livro na mao.

- Que les?

- A vida de Van Gogh?

- Estava tam tolo como dim?

- Tu estás pior...

E ao lado do rio Rosa dixo-lhe aquilo, que entre Luisa e ela comiam 10 quilos de maçás de umha sentada. Um cesto.

- E Luisa?

- Está arriba.

- Conheço-a? Veu ao rio estes dias?

- Nom, case nunca baixa. Está arriba.

- E que apostamos?

- Um bico?

- Só um bico?

- Hai muitas clases de bicos.

- E se ganho eu?

- O que queiras.

- O que...?

- Ahá.

- Feito.

Subirom.

- Eih, onde ides? Preguntarom os outros rapaces, que estavam comendo gelados na terraza ao lado do rio.

- Imos onde Luisa...

- Dade-lhe saúdos.

- Estám a rir..., dixo Marcos.

- Dá igual. Que lhes dean.

- E as maçás?, perguntou Marcos quando chegarom arriba.

- Meus pais tenhem-nas no alpendre. Colhemos um cesto.

Eram do país, verdes e coloradas ao mesmo tempo.

- Son muitas... É impossível come-las todas em dez minutos.

- Vem...

- Ides comer todo isso entre as duas?

- Fixemos um trato, nom?

- Ahá.

- Pois vem, anda.

- Mira que se perdes...

- O que queiras...

Rosa colheu a Marcos da mao. Andarom tres casas e pararom onde um portal verde.

- Sshhh... Vive aqui. É mui tímida. Nom fagas ruído.

Abriu a porta de madeira e entrarom. Estava escuro e a Luisa deu-lhe toda a luz do dia.

- Trouxem-che maçás, pequena.

Rosa mordeu numha e Marcos olhou como em cinco minutos a égua comia o resto, de tres em tres, a eito.

- E agora vem aquí, dixo-lhe Rosa, e fixo-lhe assi com a mao e sentou na palha... E dixo:

- E da-me o que me deves.


....

2006
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 13-10-2008 23:48
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A recta dos coelhos


Marcos, 34 anos.

Gosto de ir á recta de X. É um lugar tranquilo, mui mui tranquilo. É umha recta dum quilómetro mais ou menos ali no alto de X, antes de chegar a X.

Umha vez ou duas ao ano eu digo na casa: Vou á recta dos coelhos. E colho o coche e o cesto e umhas luvas e alá vou.

Adoito chegar aló na madrugada, bem tarde, a partir da umha ou as duas.
As noites mais escuras som as melhores.

Colho, paro o coche ao princípio da recta, nom fai falha apagar o motor, e aguardo fumando um cigarro.

Com a última calada, ras, cinco, dez, vinte, sesenta por hora? E os coelhos começan a aparecer como tolos diante das luzes.

É toda umha técnica, que fum conseguindo ano tras ano, a de saber destelhar com as luzes, saber cambiar das curtas ás longas, pim, pam, pim, pam, para que, num momento dado, o coelho quede cego e paralisado polo fogonazo dos faros.

Os olhos do coelho relampam com toda a luz dentro e a noite fóra e plas!, esse ruidinho amortiguado contra o morro do coche.

Aparco, apago o motor, ponho as luvas, apanho a lanterna e ponho-me a buscar o coelho. Para o cesto!

Ás vezes aparece aginha, no asfalto, ou na beira. Outras tarda em aparecer, num prado, ou entre as giestas.

Hai coelhos que nunca aparecem. Um mistério.
Volto ao coche e conduzo até a outra ponta da recta. Prendo num cigarro e aguardo escoitando a rádio. E com a última calada, outra volta.
Luzes e acçom!

Tenho apanhado bem de coellos nessa recta, uuuii!. Umha noite cheguei aos catorce!
Parece mentira, animalinhos, como quedam paralisados com os olhinhos brilhando para ti.
Se me paro a pensa-lo..., um pouco bruto si que som.

Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 09-10-2008 10:39
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Nom sempre podes conseguir o que queres...


(...)

Fum á manifestaçom
para receber a minha justa dose de malos tratos
cantando vamos liberar as nossas frustraçons
se nom o fazemos, estouparemos como um fusíbel de cincuenta ampérios

Mais nom sempre podes conseguir o que queres
nom sempre podes conseguir o que queres
nom sempre podes conseguir o que queres
aínda que se o intentas algumhas vezes
poderias atopa-lo
e conseguir o que necessitas


(...)


Um pulso contra a injustiça
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 09-10-2008 00:48
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Encontro de Nov@s Escritor@s


Mesa "Cartografías literarias do novo século".



Mesa: "Presenza e invisibilidade das/os escritoras/es na sociedade actual".




"A literatura. Internet e novas tecnoloxías".




"Literatura, sociedade, nación"




Recital: A mantedora foi Antía Otero e os artistas Estíbaliz Espinosa, María Lado + Lucía Aldao, García (Dios Ke Te Crew), Enma Couceiro, Celso Sanmartín e O Leo

...

Desde O levantador de minas, abrigado!
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 08-10-2008 23:54
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O rinoceronte de Dürer


Dürer pintou o primeiro rinoceronte
que chegou a Europa,
a Portugal, no século XVI.

Dürer pintou na Alemanha
um rinoceronte que nunca viu diante,
que só puido imaginar
a partir dumha carta
com umha descriçom de quatro linhas
que enviarom desde Lisboa.

Nom vaiades pensar
que antes de Dürer
os rinocerontes tinham esse corno
por riba do nariz.
Nanai.

Dürer desenhou-lhe um corno
ao rinoceronte
porque tinha muita imaginaçom
e o gravado quedou tam bem
que desde aquela todos os rinocerontes
som como os pintou Dürer,
com um corno aí
no méio da cabeça.

Que curioso.
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 08-10-2008 01:40
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Se abres um livro?


Se abres um livro
si, pode que nom gostes del.
Fecha-o!

E abre outro
e segue buscando.
Confia.
Como as mulheres
e os homes,
nom todos os livros som iguais.

Se abres um livro de poesia
coidado,
pode que nunca voltes ser @ mesm@.

Melhor.

Se abres um livro de pintura
pode que as formas dos teus sonhos cámbiem.

Se abres um livro de fotografia
talvez aprendas a deter o tempo.

Se abres um livro de história
vai ser mais difícil que te enganem os tipos de gravata
que saem pola tv.

Se abres um livro de viages
poderás marchar a...

Se abres um livro sobre política
ao melhor descobres por que papá nom tinha raçom
aquel dia.

Se abres um livro de filosofia...
uf, se abres um livro de filosofia...
pois como se abres umha coca-cola
e te pos a pensar
qué fago eu com umha Coca-Cola na mao.

Se abres um livro sobre a natureza
talvez atopes um ouriço cacho
a viver ai dentro, no teu peito.

Se abres um livro de aventuras
pode que o teu corpo gere adrenalina,
se che dilatem as pupilas,
aumente o teu ritmo cardiaco,
o teu cerebro produza dopamina
e chegue a criar adicçom:
daquela estás perdid@.

Se abres um livro pode que aparezas tu.
Precisamente tu,
a gente que conheces
e a que aínda nom conheces.

Se abres um livro pode que todo cámbie.

Se abres um livro pode que já nada siga igual.

Pode...
se abres um livro.


Comentários (9) - Categoria: Geral - Publicado o 03-10-2008 19:24
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Foliada em Barna


O vídeo, de Bocixa e Raquel Rei.

O programa, AQUI!
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 03-10-2008 11:28
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Osmogénese na Volta Grande do Courel


Isto contou-no-lo Lois o Zurdo, que vai ter umha nena em março que se vai chamar Estrela:

Quando Ro e mais eu chegamos ao Courel e mercamos a palheira da Barreira, que está no cimo da aldeia de Soldom, na Volta Grande, ninguem nos dixo que na casa havia um fantasma. Foi despois quando o descobrimos, a noite das psicofonias e os psicocheiros.

O senhor Manolo tinha umha dessas tardes faladoras e o livro da vida aberto e contou-nos sobre a bruxa de Torbeu, que tinha, como todas as bruxas, um calcetim dumha cor e outro doutra; e falou-nos dos banhos de ar, que seica se te pos espido num lugar onde haja corrente, esse banho de vento é mui bom para o peito, e falou-nos do tio Pepe, que no 64 estava picando lenha e entrarom-lhe as ganas, entrou na palheira a fazer de ventre e já quedou ai, contra o fondo, anicado morreu dum infarto; e aínda despois Manolo sacou o fonendoscópio que foi mercar a Lugo a umha farmácia, porque el é afeccionado a escoitar os corpos por dentro, como outra gente merca telescópios para olhar os astros, e despois de me escoitar atentamente e dicer-me que sonava forte como um becerro, dixo que ia preparar umha lata de sardinhas para cear e alá marchou.

Rozio e mais eu entramos na palheira. Daquela aínda montavamos dentro a tenda de acampada que mercaramos no Eroski, porque chovia polo lousado abaixo, e prendiamos um lume contra umha esquina para espetar um chourizo e ceavamos á luz do candil alógeno que mercaramos no Leroy Merlin, e despois abriamos os sacos de inverno, que aguantam os 5 baixo cero, e a durmir.

Era a terceira ou cuarta noite e já começavamos a reconhecer alguns dos sons da Volta Grande do Courel, como os uhú, uhús da avelaiona, essa palabra nova que aprendim numha guia de aves de Galiza e que vem sendo o que antes conhecia como curuxa, aínda que a curuxa realmente fai seeeesssss, ssssseeeeessss, ou algo assi, e é mais grande e branca. E mais conheciamos o ruído do vento e da chúvia. E o siléncio.

Durmiamos quando espertamos. Puf, como fede, dixo Ro com os dedos no nariz. Abofé, dixem eu. Cheira a?, puagh. Escoita?

Um arrepio entrou-nos no corpo. Era um gemido. O ruído dalguem que, fóra da tenda, aí ao lado, a menos de dous metros, estava a fazer força, como se estivesse levantando umha pedra pesadissima.

Nheeeeeegh, nheeeeeegh, aaaaaaah!

Ou era mais bem como se alguem estivesse a fazer de ventre com esforço.

Quem está aí fóra? Tatexei eu. A resposta foi outra vez o nheeeeeeeeeegh, nheeeeeeeegh, aaaaaahhh!

Era tal, um home a fazer de ventre. Quem anda aí, dixo Rozio. Vamos saír!, e incorporei-me e abrindo a cremalheira da tenda, raaaaaaas! botei a cabeça com a lanterna na fronte que mercara no Decathlon e olhei a esquina de onde vinha o ruído.

Nada. Nom havia nada nem ninguem. Saím da tenda, Rozio tamem, com a lanterna de mao que mercamos em Coronel Tapioca. Olhamos bem a palheira e, uuuuhhuú, uuuuhhhuú, só escoitamos o siléncio e o ulular da curuxa, perdom, da avelaiona.

Quando olhei a Rozio tinha os dedos fazendo pinça no naris. Tenho medo?, susurrou. Pois eu mais, dixem em baixo. Como fede?, puagh.

Entramos na tenda e aló quedamos os dous com os olhos abertos e cheirando aquel olor a excremento, que pouco a pouco desapareceu pouco a pouco.

De manhá quando vimos ao Manolo já nos dixo Que, pola cara que tedes, esta noite conhecestes o fantasma do tio Pepe, eh?... Pois tranquilos que nom trae mal ningum, aparte do fedor. É um caso típico de osmogénese, que vem sendo como lhe chamam os livros ao olor que producem as ánimas. Probe tio Pepe!

Isto conto-lho á gente que dorme aqui por vez primeira, dixo-nos o Lois o Zurdo á luz do candil alógeno o dia do San Miguel,...porque o fantasma do tio Pepe pode aparecer a noite menos pensada... Assi que nom vos asustedes muito. O Courel é assi...

E antes de bocejar e apagar a luz, dixo Lois o Zurdo: Como dicia um poeta que nom me acordo como se chamava num livro que merquei no Corte Inglés: Courel dos tesos cumes que ollan de lonxe, eiqui séntese bem o pouco que é un home!



....

Aqui podedes escoitar o som da AVELAIONA
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 01-10-2008 20:55
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Diego


Tem mais talento
para escreber poesia Diego A.
de 4º da ESO,
que muitos reconhecidos poetas
de qualquer parte do mundo.
Mas el o ano que vem
-se saca o título-
talvez deixe de estudar
e pode que nunca volte abrir
um livro.
Diego passa dos livros.
É que som tam... ,
dixo um dia.
Onte escrebeu
um poema na aula de literatura
e a gente aplaudiu-lhe
e puxemo-nos de pé.
Diego é um crac.
Nom sabemos o que perdemos!
Comentários (4) - Categoria: Geral - Publicado o 24-09-2008 20:36
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O dentista independentista


Era-se umha vez um dentista que vivia no Kurdistam. Era um dentista independentista. Um dia, por azar, conheceu em internet um dentista independentista do País Basco.

Os dous dentistas independentistas seguirom buscando e atoparom umha dentista independentista em Córsega e outra no Quebec e outro na Bretanha e outro na Galiza... E seguirom buscando e um dia já eram mais de 50 dentistas independentistas de todo o planeta.

Puxerom-se de acordo e organizarom o 1º Congresso Internacional de Dentistas Independentistas em Barcelona para reivindicar o direito de autodeterminaçom para os povos do mundo.

Reunirom-se milheiros de dentistas independentistas de todas partes mas, ah!, o governo espanhol acusou-nos de associaçom ilícita e colaboraçom com banda armada e o Tribunal Supremo ordenou a sua ilegalizaçom polo que desde esse dia está proibido ser dentista e independentista ao mesmo tempo.

Apesar disso, ou precisamente por isso, cada vez hai mais dentistas independentistas no mundo.



Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 22-09-2008 17:19
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Himno galego beatbox




Carlinhos Gende: genbeat



Obrigado, Román!
Comentários (6) - Categoria: Geral - Publicado o 21-09-2008 21:32
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Vida e Obra do arroaz Gaspar.


Onde poderás ler cousas como...

Gaspar dá unha clase de educación ambiental
O Gaspar segue arriscando coas hélices
Gaspar aprendendo cos mergulladores
O Gaspar ao redor da Powerboat
Gaspar na Conferencia Internacional de Irlanda
Gasparen Corcubión
Gaspar visita o norte de Portugal
O Gaspar, brincalhao de Leixoes...



Um caderno da Coordinadora para o Estudo dos Mamíferos Mariños (C.E.M.MA: Embaixada do mar

Comentários (3) - Categoria: Geral - Publicado o 19-09-2008 00:21
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Na Cochikeira


Cerceda,
umha vila que fede a lixo e represom
Sogama
caciquismo
As Encrobas
resisténcia
Zënzar

beat box
na cochikeira
com nitram e carlos gende.

Que é a Cochikeira?

....

Roman contou-nos estas cousas tam interessantes nos comentários:

No CPI de Cuntis funcionaron moi ben Carlinhos Gnede e Martin Prego Loureiro (gorxa de Machina).

Na língua de todos

Nel interpretaron unha versión moi chula do himno, cun toque reague, que é semellante á de Gende e que colguei en Goear (antes podíase baixar da páxina do concurso 321Click do Concello de Vigo):

321Click

Myspace de Gende: genbeat


Umha aperta, Roman!
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 18-09-2008 10:14
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Begoña Paz: Poética


Desde Poéticas para afinidades
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 17-09-2008 22:16
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