Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

O autor solicita comunicar-lhe qualquer uso ou modificaçom da sua obra no email de contacto aqui sinalado.

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Toca um instrumento exótico on line


Como soa umha gota, um balafom, um jembé, umha tambura, um cymbalum?

Pois move o rato e pom a orelha: aqui

.....

Abrigado pola parola entre castanhas a Che, d´Os trasnos de Moscoso
Comentários (3) - Categoria: Geral - Publicado o 06-11-2007 12:33
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Calcetíns de gas butano

...Ver o touro colher o matador

isso é o melhor

as lámpadas em caixas

um cao velho escarbando

os cacahuetes numha bolsa de papel

isso é o melhor

matar cascudas

un par de calcetíns limpos

o valor natural que vence o talento natural

isso é o melhor...



Charles Bukowsky

........

Um agasalho Made in Galiza
Muac!

De aqui.

Comentários (2) - Categoria: Geral - Publicado o 05-11-2007 21:22
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Marina Colasanti, um texto


Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma.

Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.

E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos.

E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.

Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.


..............

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis.

Outros textos aqui.

E este, aconselhado por Puri a Rocio e por Ro a mim, sobre mulheres que tecem e destecem: A moça tecelá
Comentários (2) - Categoria: Geral - Publicado o 04-11-2007 19:08
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O acompanhador


Eu som acompanhador e, que queres que che diga, cobro um tanto fixo e logo as dietas, e gusta-me porque ando dum lado para outro e vejo mundo e assi.

Som um bo acompanhador. Recolho a alma no cemitério, digo-lhe Vem comigo e chamo-lhe polo nome, Vem comigo, e já nos ponhemos em caminho.

Onte por exemplo acompanhei umha alma desde Santiago. Chegamos á estaçom de bus, merquei dous bilhetes e viaxei com o defunto, case sempre deixo que o morto vaia ao caróm da janela para que veja um pouco de mundo e assi.

Suponho que á gente lhe estranhará ver-me falando com o asento vacio, é o meu trabalho. Conto-lhes cousas, digo-lhes os lugares polos que passamos quando me dá tempo a ler os nomes, falo-lhes de como está o mundo, que se vai chover, e assi.

Ao chegar a Cedeira falo com um taxista que já me conhece de moitas vezes ter feito esta viage comigo e os defuntos e o taxi leva-nos despacinho, eu digo-lhe Despacinho, por favor, e o taxi leva-nos despacinho a San Andrés de Teixido, Vai de morto quem nom foi de vivo, e gusta-me ver as égoas e os poldros na montanha e guardo siléncio porque a alma já está chegando ao seu destino e porque um acompanhador tamém tem que saber calar.

Quando chegamos eu digo-lhes Sorte, adeus e fago-lhes um sorriso e assi. O venres que vem tenho que ir buscar umha alma perto de Portugal, agora nom me acordo do nome do sítio, ali um dia derom-me a comer umha fruta riquísima que se chama mirabel e que dim que trouxerom de Alemanha.

Agora estou aforrando para um coche, se todo vai bem, e aprobo o carné de conducir, em abril já o tenho, já me vejo falando-lhe ás almas com a música do cd de fondo.


Comentários (4) - Categoria: Geral - Publicado o 02-11-2007 13:48
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Contra o Plano Acuícola da Xunta


Moita informaçom aqui: Artabra 21

Mais info em arredemo

E na Rede Litoral Vivo




Comentários (8) - Categoria: Geral - Publicado o 31-10-2007 12:49
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Biblio-sofá


Eu quero um assi.
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 30-10-2007 15:31
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Cosmopolitas e cosmopaletos


Olá, sou madrileño, assim com eñe, chamo-me Cristóbal e atendendo ao pedido do amigo Séchu Sende vou expor a minha história como excepçom que confirma a regra.

Pode ser que me engane, mas polas referências que tenho depois de 15 anos a veranear na Galiza, devo ser o primeiro madrilenho que fala galego.

A motivaçom que me levou a falar galego nom foi ideológica, nem cultural, nem social... Nom, foi umha motivaçon também excepcional: eu comecei a falar galego por razons grastronómicas. Explico-me.

Os primeiros Veraos na Rias Baixas descobrim que quando entrava num bar ou restaurante acompanhado de amigos galegos ? ou galegas ?, no momento de pedir, um deles levantava a mao e dizia-me: «Sssh, tu cala, que já pido eu». E claro, pedia. Um pincho de tortilha, ou uns choquinhos ou umhas xoubas ou o que fosse.


Ao princípio pensei que se tratava de umha questom de boa educaçom, mas depois comecei a compreendê-lo, especialmente quando cheguei a botar-lhe umha olhadela ao tique da conta. Por isso as primeiras palavras que dixem em galego fôrom: «um café com leite, por favor». E desde aquela descobrim que a diferença entre pedir
un café con leche com sotaque de Móstoles e pedir um café com leite com sotaque de Ribeira podia ser de 50 céntimos. E nom digamos nada da
minha surpresa quando comecei a deixar de pedir em castelhano as nécoras e os percebes!

Nom tardei em dar-me conta de que um madrileno a falar galego é cousa inaudita neste país e graças à minha capacidade para imitar os sotaques e traços dialectais. Se estou em Mogia,
por exemplo digo «a chuleta com mutas patacas, por favor», como se fosse dali de toda a vida. Conseguim alviscar essa Galiza que contados veraneantes madrilenos pudérom ver nunca.

Aliás, cheguei a compreender os muitos significados que a palavra madrilenho tem neste país e que os meus vizinhos os fodechinchos nem podem imaginar.

Quando Aznar eliminou as iniciais das matrículas dos carros sentou-me bem, porque o vou negar? Era a forma mais rápida de deixar de ser um fodechinchos motorizado. A mim pessoalmente
a matrícula dava-me vergonha...

Tenho um colega em Boiro que, entre Junho e Setembro, quando vê um carro a fazer umha manobra irregular, como coar-se-lhe rapidamente
na praça que estava aguardando para arrumar o carro, di em voz mais ou menos alta, segundo as circunstáncias, «madrilenho tinhas que ser», ainda que na matrícula nom apareça já o M da
capital de Espanha e o carro seja do Porrinho ou de Lalim.

Os madrilenhos sempre nos gavamos de que Madrid é a capital da gente cosmopolita. Cousa curiosa pois, segundo as definiçons do dicionário, cosmopolita vem significar «que se considera cidadao de todos os países» ou ainda «que se acomoda aos usos estrangeiros». Enfim. Aseguro-vos que, salvando as excepçons, ? já dixem
antes que nem todos os madrilenhos somos iguais ?Madrid é a capital dos cosmopaletos.

Os cosmopaletos nom aprendêrom a dizer «bom dia» ou «chamo-me Tal», ou «tens lume?», ainda que
levem vinte anos a veranear na Galiza, porque ainda continuam a pensar que o galego é um dialecto e a Galiza umha regiom da Espanha.

Os cosmopaletos contam chistes de cataláns
tacanhos, bascos brutos e galegos parvos.
Os cosmopaletos roubam berberechos nas praias e quando lhes chamam a atençom dizem que «o mar é
de todos». Para os cosmopaletos só há umha cousa melhor que comer barato no Verao, que é comer de gratis numha festa gastronómica. Os cosmopaletos
normalmente só falam espanhol, idioma que como todo cosmopaleto sabe, hablan muchísimos millones de personas en el mundo.

Quando um cosmopaleto viaja a Portugal tem complexo de superioridade, e quando vai à França, de inferioridade. O cosmopaleto sempre
acaba dizendo «yo es que soy cosmopolita
» ou «una cosa es la libertad y otra el libertinaje» ou «a los catalanes y a los vascos había que...», porque os cosmopaletos sempre se esquecem, intencionadamente, dos galegos. Para
os cosmopaletos a Galiza nom é o país onde nom vivem os galegos, nom, para os cosmopaletos Galicia é um lugar onde vivem galeguiños, assim,
com eñe. E galeguiñas, claro.

Enfim, volvendo ao meu caso pessoal. Quero despedir-me, como bom madrilenho, depois de todo, levando a contrária a Castelao, que escreveu aquela frase de «? Yo no siento la necesidad de hablar gallego / ? Porque essa necesidade nom se sente no bandulho ». Nom. Ponho-me como exemplo de que algum dia os madrilenhos descobrirám a necessidade de falar galego quando venham comer e botar a sesta à Galiza, para que o marisco lhes saia um pouco mais barato.

Claro que antes tenhem de aceitar dar o passo de se fazerem passar por galegos no momento de pedir no bar ou no restaurante, cousa que de um
ponto de vista antropológico implica mudar a castiza chularia pola enxebre humildade ? se continuamos a falar com tópicos ?, cousa abofé difícil para os madrilenhos que continuam
a pensar que veraneam en províncias e que os galegos somos simplesmente paletos de segunda. Porque o cosmopaleto madrilenho joga em primeira
divisom.

.................

Publicado n´O Pasquim, nº 2, suplemento humorístico do Novas da Galiza
Comentários (8) - Categoria: Geral - Publicado o 30-10-2007 15:13
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Made in Galiza na prensa

Autobombona:

A primeira, aqui.

E a segunda, acó.

Comentários (4) - Categoria: Geral - Publicado o 29-10-2007 19:43
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ESCHER


Ai vai umha animaçom criada a partir dum desenho de Escher

E aqui a página oficial de Cornelius,, para @s amig@s.

Isto tambem é curioso, a banana e o círculo vicioso:



Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 28-10-2007 21:59
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Ler deve ser proibido


Cuidado, ler pode volver as pessoas perigosamente mais humanas...

Comentários (6) - Categoria: Geral - Publicado o 25-10-2007 18:56
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Mecaches!


Umha de cal e outra de areia...

Na revista Protexta, Eloy García escrebe, entre outras cousas:

- Em Made in Galiza... "Hai de todo agás esa cousa estraña que chamamos literatura"

- "No mellor dos casos as historias producen un leve sorriso (...) pero por desgraza, a meirande parte das historia non tiran por este camiño, senón polo das branduras máis obvias"

- "Ás veces un pregúntase se libros como este terían sentido nalgún outro lugar do mundo".


Em fim... Nom chove a gosto de tod@s!

Obrigado!
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 25-10-2007 11:49
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Nao há estrelas no céu!


Não há estrelas no céu
Não há estrelas no céu
A dourar o meu caminho
Por mais amigos que tenho
Sinto-me sempre sozinho

De que vale ter a chave
De casa para entrar
Ter uma nota no bolso
Para cigarros e bilhar

A primavera da vida é bonita de viver
Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover
Para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar
Parece que o mundo inteiro se uniu para me tramar

Passo horas no café
Sem saber para onde ir
Tudo a volta é tão feio
Só me apetece fugir

Vejo-me a noite ao espelho
O corpo sempre a mudar
De manha ouço o conselho
Que o velho tem para me dar

Refrão

Vou por aí às escondidas
A espreitar às janelas
Perdido nas avenidas
E achado nas vielas

Mãe o meu primeiro amor
Foi um trapézio sem rede
Sai da frente por favor
Estou entre a espada e a parede

Não vês como isto é duro
Ser jovem não é um posto
Ter de encarar o futuro
Com borbulhas no rosto

Porque é que tudo é incerto
Não pode ser sempre assim
Se não fosse o rock and roll
O que seria de mim?

Refrão

Rui Veloso

Comentários (5) - Categoria: Geral - Publicado o 24-10-2007 11:28
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A Casa, de Vinicius de Moraes


Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
Na rua dos Bobos
Número zero




Imprescindíbel para os nenos e as nenas da casa!

E aqui a história da cancioncinha!

Esta é casa que originou ésta música de Vinicius de Moraes:

Comentários (9) - Categoria: Geral - Publicado o 23-10-2007 21:45
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Franco Battiato / Nómadi




Em La Bola de Cristal


Nomadi Lyrics

.............

Nómadas que buscam
os ángulos da tranquilidade
nas néboas do norte,
nos tumultos civilizados
entre os claro escuros
e a monotonia
dos dias que pasam

Caminhante que vas
em busca da paz no crepúsculo

Darás con ela
ao final do teu caminho

Longo o transito da aparente dualidade
a poalha de setembro
esperta o vacio do meu cuarto
e os lamentos da soidade
aínda se prolongam
como um estranxeiro nom sinto ataduras do sentimento

E marcharei da cidade
esperando um novo espertar

Os viaxantes vam em busca de hospitalidade
em aldeas soleadas,
nos baixos fondos da imensidade
e despois dormem sobre as almofadas da terra

Forasteiro que buscas
a dimensom insondábel
darás com ela, fora da cidade,
ao final do teu caminho.

Comentários (9) - Categoria: Geral - Publicado o 23-10-2007 17:50
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O corvo


O home da camisa branca espertava com um corvo no cabeçal da cama e barbeava-se com o corvo no ombro.

O corvo olhava o seu reflexo dentro das culheres na cocinha e quando o home da camisa branca prendia a tele o corvo voava e pousava nela suavemente.

Quando saía da casa sabia que o corvo saía com el da casa tamém. E sabia que estaria arriba se olhava o ceu. Quando o home da camisa branca chegava á casa á noite o corvo aguardava que sacasse a chaqueta e pousava outra vez no seu ombro.

Fregava a taça e a culher com o corvo no ombro, fazia a ceia com o corvo no ombro, o corvo seguia-o despois ao sofá, e quando as vozes da tele soavam como a vários quilómetros de distáncia, o home da camisa branca erguia-se corvo no ombro.

Lavava a cara com o corvo no ombro e deitava-se fechando os olhos mirando o corvo aos pés da cama.

O home da camisa branca durmia. E nos seus sonhos o corvo, o corvo nom podia entrar.

......


Contigo, Annabel
Comentários (5) - Categoria: Geral - Publicado o 23-10-2007 17:32
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Apresentaçom em Ferrol, em Artábria!


Sexta-feira 26: Apresentaçom de Made in Galiza, às 22 horas.

Dentro do seu programa de setembro/outubro, no seu noveno aniversário.

Vemo-nos no local social!
Comentários (6) - Categoria: Geral - Publicado o 21-10-2007 21:10
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Língua e psicologia social


Por exemplo:

Entre os atributos e apariéncias observábeis numha persoa e que construem a sua identidade social está a língua.

?Si hombre si, el presidente de la comunidad de vecinos, ese de pelo cano, ese que habla gallego?.

Em determinados contextos falar galego está marcado fronte a umha suposta normalidade: falar castelám.

Mesmo hai gente que interpreta que quem fala galego o fai porque vem da aldeia ou´"é" dum determinado partido político.

Isso som preconceptos e os preconceptos criam estigmas.

Um estigma é um atributo desacreditador. E os estigmas construem-se socialmente.

A persoa estigmatizada sente que um atributo determinado (falar galego, ter acento galego) a converte em menos apetecíbel ou menospreçada, ou supóm um defecto ou desavantage diante dos demais.

Olho: Um atributo que estigmatiza a um tipo de posuidor (diglósico: a nossa tía galego-falante fala español com o médico porque ?o galego vale menos?) pode confirmar a normalidade doutro (eu, que non sinto por ningures esse ?menospreço? ) e, por tanto esse atributo nom é nem deshonroso nem ignominioso de seu. Evidentemente.

A persoa estigmatizada pode chegar a nom ter sensaçom de persoa normal, sensaçom de que nom encaixa, non é aceptada polos outros. Pode chegar a minusvalorarse a si mesma.

Como resposta ante esta situaçom a gente que se sente estigmatizada?

Ás vezes intentando corrigir o seu "defecto". No caso da língua a operaçom de cirurgia adoita ser a deserçom lingüística.

O resultado muitas vezes nom é a adquisiçom dum estatus ?normal? para a língua que fala, senóm a transformaçom do ?eu?. (eu=yo)

Por exemplo: pais e nais galego-falantes que evitam transmitir aos filhos e filhas o que consideram estigma e aprenden-lhes a língua ?normal?: o espanhol.

Mais dumha vez tenho visto rapaces e rapazas galego-falantes em saídas de estudos que, quando se atopam em situaçóns nas que consideram que a sua língua se converte num estigma ?por exemplo diante de gente desconhecida, num comércio-, ocultam o estigma: cámbiam o Eu polo Yo, o galego polo castelám.

Em fim, que tristemente o processo de colonizaçom lingüística de vários centos de anos aínda segue mui activa entre nós dunha forma invisíbel: a nossa psicologia social.

Por isso, umha das fontes mais valiosas da reflexom e a acçom para o cámbio social da língua na Galiza está nessa ciéncia.

Quanta gente está a abordar o processo de normalizaçom desde o enfoque da Psicologia Social -e desde outras ciéncias sociais- na Galiza?

Made in Galiza é fruto da minha impoténcia como filólogo, e dumha procura autodidacta e intuitiva de soluçons prácticas ao conflito sociolingüístico cotiám, quando me dei conta -como muita outra gente- de que despois de saír da faculdade diante da palavra estigma pouco mais podia fazer que umha análise gramatical.

E que havia que procurar outros caminhos.




Comentários (8) - Categoria: Geral - Publicado o 16-10-2007 18:04
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Xan Castro Huerga (1)


?Querería chamarvos á cara
filhos de puta,
pero respeto? demasiado as vosas faces
porque sei da natureza onde vivimos;
mais non por iso deixo que me invada
e me instalo na añoranza do perdido,
que aínda que inútil
vos digo
que non hai nada máis grande neste mundo
que a honra na derrota.?


Xan Castro Huerga, 1972-1995.
A cas dos mortos, inédito.


Companheiro de Serán-Vencello.
Grande!








Comentários (5) - Categoria: Geral - Publicado o 16-10-2007 07:23
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O homem ou é tonto ou é mulher


Um livro de Gonçalo M. Tavares

Eu gostei imenso d´O senhor Brecht:

"Hesitaçao

O homem no meio da escada hesitava há vários dias entre subir e descer. Os anos passavam e o homem continuava a hesitar: subo ou desço?
Até que certo dia a escada caiu."



Este é o caderno persoal de Tavares: ...em construçom!

Comentários (4) - Categoria: Geral - Publicado o 14-10-2007 18:58
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Sobre Made in Galiza






































Entre o conto e o ensaio...

...no Cartafol nos libros de vieiros

E algo sobre o humor social e a alegre rebeldia em
A cara risoña da lingua
Comentários (5) - Categoria: Geral - Publicado o 10-10-2007 12:26
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© by Abertal

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