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C. A. Faraco: ''Nota-se um enorme cuidado em 'ignorar' o galego para evitar conflitos com Espanha''
Quarta, 26 Outubro 2011 02:00

261011_farac Galizalivre - Nos últimos tempos estám a ser várias as pessoas a divulgarem no Brasil que a Galiza é a origem da língua portuguesa.


Em 1998 aparecia na revista Çopyright o artigo de Júlio César Barreto Rocha "O Brasil fala a língua galega", e desde então, a reivindicação galega do Brasil não parou. Em abril deste ano, José Carlos da Silva, colaborador do PGL no Brasil, publicava um texto com o mesmo título na Revista Pessoa. Se a reivindicação lusófona da Galiza está a criar contradições nos governantes portugueses -que evitam entrar em confronto com Espanha e, ao mesmo tempo, introduzir um elemento perigoso para o seu relato nacional-, no Brasil está a gozar de grande simpatia, por ser um jeito de recorrer à comunidade lingüística comum -galeguia- sem passar polas alfândegas portuguesas que ainda ressoam a colonialismo -lusofonia-. Falamos sobre estes temas com Carlos Alberto Faraco, linguista brasileiro e professor de língua portuguesa da Universidade Federal do Paraná, do qual foi reitor durante os anos de 1990-1994, que está a realizar um grande trabalho de difusão do galego.

Neste ano 2011 celebraram em Curitiba o VII Congresso Internacional e o XX Instituto da Associação Brasileira de Lingüística. Você falou junto Xoán Carlos Lagares da situação da nossa língua na Galiza. Que tal foi a recepção entre o público da questão galega?

A recepção foi muito positiva. Houve, em primeiro lugar, uma espécie de descoberta do galego porque o prof. Lagares fez suas apresentações em galego e os alunos se surpreenderam ao perceberem a irmandade das duas línguas. Por outro lado, como o curso discutia políticas linguísticas, a situação do galego ocupou a maior parte do tempo e motivou boas discussões, ampliando o interesse dos alunos pela língua.

Tem comentado que a raíz das suas intervenções a imprensa brasileira se interessou muito polo galego. Fale-nos um pouquinho deste interesse.

Como sabem, pouca gente conhece, no Brasil, o galego. Assim, quando divulgamos que trataríamos da língua no nosso curso durante o Congresso da Abralin, muitos jornalistas me procuraram em busca de mais informações e sempre saíram muito surpresos ao conhecerem um pouco da história da nossa língua. É possível perceber que os jornalistas, quando alertados para a questão, têm uma recepção muito positiva ao tema.

No Brasil ainda hoje é muito desconhecida, mesmo nos âmbitos acadêmicos, a origem galega da língua brasileira. Quais são as razões desta situação de "esquecimento"?

Penso que há várias razões. Primeiro, porque no imaginário da cultura brasileira há uma ideia de que somos uma sociedade monolíngue, que fala apenas uma língua em todo o território nacional (justamente o português). A segunda razão é que, desde a Independência em 1822, o Brasil teve, durante muitos momentos, dúvida quanto à língua hegemônica do país. Que nome teria ela? A questão permaneceu sem solução política até que, na Constituição de 1946, estabeleceu-se que o governo designaria uma comissão de filólogos para esclarecer a questão definitivamente. E esta comissão definiu, então, que a língua "nacional"era o português. Uma terceira razão seria o fato de que, durante muito tempo, parte da elite intelectual brasileira buscou em Portugal as referências normativas, identificando a língua exclusivamente com Portugal. Em geral, as pessoas desconhecem completamente a história da língua e acreditam que ela surgiu com o reino de Portugal. Nem sequer o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, conseguiu expor esta história com a devida clareza. Assim, antes de "esquecimento", eu diria que é uma questão de generalizada ignorância.

Na Galiza vemos no conceito de lusofonia uma peça importante para a salvação da nossa língua no nosso país. Porém, no Brasil, por vezes tem-se denunciado as suas ressonâncias colonialistas. Há já escritores como Pepetela que têm reclamado o nome de "galeguia" como um conceito menos conotado para referenciar a nossa comunidade linguística. Que opina você desta questão?

De fato, o termo lusofonia carrega para muita gente pesos muito negativos. O termo galeguia diz muito mais, mas acredito que seria de difícil aceitação. Pelo menos por ora. Vale a pena insistir nele como um gesto de esclarecimento da história da língua. Mas há inúmeros embaraços políticos para adotá-lo. Nota-se, entre os diplomatas e políticos, um enorme cuidado em "ignorar" o galego para evitar conflitos com o governo da Espanha. Ou seja, as razões de Estado parecem prevalecer nesta questão. Penso que uma forma de nos contrapormos a esta perspectiva redutora é intensificarmos as relações culturais, buscando estreitar laços entre as entidades culturais e universitárias de fala galego-portuguesa.

Neste sentido, que poderia supor a "descoberta" da Galiza como origem da língua portuguesa para o Brasil?

Penso que será uma oportunidade de "descoberta" das raízes linguístico-culturais do nosso país e poderá, de um lado, quebrar uma ideologia estreita que ainda existe no Brasil sobre a língua; e, de outro, ampliar nossas relações culturais, incluindo sempre a Galiza nas nossas preocupações com a língua.

Agradecemos-lhe muito a sua amabilidade ao nos conceder esta entrevista. Para finalizar acrescente qualquer questão que ache de interesse e esquecêssemos nas perguntas.

Eu é que agradeço a oportunidade de conversar sobre nossa língua e as questões que nos interessam como grande comunidade linguística.
Comentarios (0) - Categoría: Opinión - Publicado o 27-10-2011 23:17
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