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| UNTURA |
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poema de Talis Andrade
Cantar cantar
cantigas de amor
cantigas de amigo
O canto entorpece
a dor O canto
enxuga o pranto
que se sente
pelo amor ausente
Cantar cantar
cantigas de amor
para a amante
cantigas de louvor
para os amigos
O canto alegra
a vida
que a felicidade
é compartida
Vem cantar comigo
minha amiga meu amigo
que não existe
prazer solitário
A felicidade é solidária
advém da relação
de um corpo
com outros corpos
da nossa satisfação
com tudo que floresce
no círculo de um jardim
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| NEGROS |
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poema de Solano Trindade
Negros que escravisam
e vendem negros na África
não são meus irmãos
Negros
Senhores na Ámerica
a serviço do capital
não são meus irmãos
Negros
opressores em qualquer
parte do mundo
não são meus irmãos
Só os Negros oprimidos,
escravizados
em luta pela liberdade
são meus irmãos
Para eles tenho um poema
grande como o Nilo.
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| Poema de Fernando Monteiro |
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“E para que ser poeta em tempos de penúria?”
Insepulta jaz a pergunta acima
e bem acima do motivo
supostamente íntimo
visto no verso de um dos últimos poemas de Roberto Piva.
A inquirição, franca, fende a fina porcelana de cera dos ouvidos. |
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| Los ángeles de Sodoma |
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poema de Roberto Piva
Yo vi a los ángeles de Sodoma escalando
un monte hasta el cielo y sus alas destruidas por el fuego
abanicaban el aire de la tarde.
Yo vi a los ángeles de Sodoma sembrando
prodigios para que la creación no
perdiera su ritmo de arpas.
Yo vi a los ángeles de Sodoma lamiendo
las heridas de los que murieron sin
alarde, de los suplicantes, de los suicidas
y de los jóvenes desaparecidos.
Yo vi a los ángeles de Sodoma, creciendo
con el fuego de sus bocas saltaban
medusas ciegas.
Yo vi a los ángeles de Sodoma desgreñados y
violentos aniquilando a los mercaderes,
robando el sueño de las vírgenes,
creando palabras turbulentas.
Yo he visto a los ángeles de Sodoma inventando
la locura y el arrepentimiento de Dios.
Lixo, lixo, lixo:
afirmou três vezes, o Roberto
Pedro da não-negação pívia,
no vôo de Gavião livre
acima da poesia brasileira
do avestruzismo afundando
no tapete vermelho
dos prêmios paulistas
que nunca foram para as mãos
paulistanas desse ímpio gentil,
suave no convívio
porém feroz na recusa
de comércio literário
& negócios do filth.
Tardia lição de um pária,
a pergunta posta no lixo
basta como indagação direta,
resta como interrogação pura
de dentro para fora da sua vida:
para que ser poeta em época
de bosta blindando tímpanos?
FERNANDO MONTEIRO
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| QUEIMEI OS NAVIOS |
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poema de Nei Duclós
Queimei os navios, minha flor do Lácio
Última do cerrado e o tempo frio
Já estive acompanhado, hoje estou vazio
Alimento o fogo no terraço
Trouxe do litoral vela e pergaminho
para estender impérios no varal
Inventei o trono onde havia trilha
lei substantiva em saga adverbial
Hoje tenho sal, tenho minério
domino o coração do território
Não volto nesta vida, sou o berro
que no veio submerso se perdeu
Sou garrancho em verbo traiçoeiro
carranca da palavra em puro breu
A CRIAÇÃO
A Nei Duclós
Um poema
mensagem dos anjos
Inspirada revelação
Alma
corpo
sangue
respiração
Flor que se abre
vôo de pássaro
no papel
TALIS ANDRADE
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| BIOGRAFIA |
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poema de Nei Duclós
vivo no mundo da Lua
esta é minha biografia
em cada fase flutua
peça de ourivesaria
um colar de prata nua
um crescente de ametista
corrente fosca minguante
estojo no plenilúnio
guardo no lado oculto
praias inconfidentes
sereia presa em tarrafa
mapas longe do desenho
subo com os pés no monte
como gás neon no vento
pelo luar eu transponho
obituários do tempo
calo quando perguntam
onde meu olhar se planta
brilha a testa do ciclope
voa a louca na varanda
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| PORTUGAL |
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Poema de Manuel Alegre
Este verde azul cinzento
Este sol esta bruma este
Sabor a Atlântico por dentro
Do vento oeste.
Este não haver regresso
Do verbo navegar.
País do avesso
Só mar.
PORTUGAL
Este verde azul ceniciento
Este sol esta bruma este
Sabor a Atlántico por dentro
Del viento oeste
Este no haber regreso
Del verbo navegar.
País del adverso
Sólo mar.
Traducción:Verónica Aranda
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| STRANGERS IN THE NIGHT (INGEBORG BACHMANN) |
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por Julieta Viñas Arjona
En noviembre, y todavía en diciembre
así tengo que reír, esto fue
toda una vida para mí,
el teléfono ha
empalidecido, ha sonado de otra manera,
los cigarrillos me han
quemado los dedos,
y luego, los pájaros son cielos con
sus gritos hacia el sur.
Hemos hablado externamente
y siempre se me ocurría
Jerusalén, la mía,
Qué crueldad
rasguñar mi piel,
dar en el corazón
ya no soy yo.
Hablo y río y hablo.
Ya no me pueden dar.
Mas los pájaros con sus
gritos terribles.
He depositado
un sentimiento y
tenía el último.
Qué cansada estoy y cómo me río
y me muestro allí, donde los pájaros
han escrito, y no digo nada,
no queda nada por decir, no queda nada.
Sólo en noviembre, y hasta en diciembre,
he escrito tu nombre en la nieve y
he dado gritos de alegría.
Fueron los mejores tiempos.
No soy yo quien ha de dar las gracias,
el invierno temprano ha
tenido suerte conmigo, con
nosotros dos, quizá.
¿Dónde estás? No es ninguna pregunta.
Ya sé. Soy vieja
y también sabia, la tumba está excavada,
nada engaña.
Juventud, la luz enterna,
no la he visto nunca
mas abogo por ser joven.
Abogo por ti.
A mí me han regalado por un par de semanas
lo que es la juventud y lo he sabido, no
formo parte de ella,
Yo quisiera ser joven, porque nunca lo he sido,
sólo me han aceptado, tras catástrofes,
y me toleran.
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| Ainda Clarice Lispector |
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Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.
Clarice Lispector(Perto do Coração Selvagem)
MORTE DE CLARICE LISPECTOR
Enquanto te enterravam no cemitério judeu
de S. Francisco Xavier
(e o clarão de teu olhar soterrado
resistindo ainda)
o táxi corria comigo à borda da Lagoa
na direção do Botafogo
E as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós
Ferreira Gullar
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| Clarice Lispector |
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MEU POETA JORNALISTA
Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
Este texto é para ser lido de baixo para cima.
A autoria continua desconhecida, embora circule
pela internete com a assinatura de Clarice Lispector.
Apesar de não ter escrito versos, Clarice Lispector publicou crônicas que parecem mais poemas em prosa.
O que vale aqui é a oportunidade do desmentido.
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