
vento áspero sobre os botes
os bodes marinhos cortam as amarras
marram para uma tela suja
em golpe de avatares suspensos
reconheço os andantes de outros séculos
em trabalhos de miração e fuga
clarividentes apenas
os peixes que não saem do mar
ao esfregar a mão com alface
na alga mais breve e fina da salsugem
um rosto dissoluto evoca a guerra
as prisões de ventres insubmissos
submersos
agita o mundo graduado
a estepe líquida, perdido lar
o vento neurótico levanta os restos,
estas areias de cada amor mortas
lá vai o bote, a vagina activa
zolter frolina |

um velho na carroça d'asturies aparece
soa extramundi, de ovniedo,
carapaça uma gutural acenação
morde as árvores ao para trás
de espaldas nunca perde a vista
nunca vê
a mari vai entre as uvas
cegando as palavrinhas entre lábios
ao fraterno animal porco e sonoro
zoroastram as felicidades sem tempo
o camuflado da paisagem ignora
seu civil, o país
e as moscas parvejam de encontro
à idade do carbono.
metem as filhas as ligas
no temporal de fazer caminho,
são azedas estas mamas
que brilham no postal
com carimbo do negócio
luas, o motor não pega
leonor teixo |

encontrei um namoro na berma, ia só
na minha cabeça, um esquisso para abandonar
a carreira do enjoo
falam, remoem, passam, a curva
é um cilindro sobre a naturalidade
natur, o homo natur, o esquecido
vai em zomba pelo vidro que nos vê
aos encapsulados que sombreiam
os estômagos de lidar com a família
Pagam bilhete e pouco
morrem
zolter frolina |