nos dias que correm, é um pouco utópico afirmar categoricamente "só gosto de ti", como verdade única e absoluta. será a emoção ou a ilusão dum momento etéreo, porque ao fim ao cabo, a sociedade em que vivemos estimula a satisfação do prazer imediato sem grande reflexão sobre o porvir. mas, como já dizia o poeta "eles não sabem que o sonho é uma constante da vida", logo a utopia também...
Sentado no cais
a ver ao longe o mar
e a ponte sobre o Tejo
se tudo é tão bonito
é por causa de ti
e deste meu desejo.
Afinal vale a pena
não pensar em mais ninguém.
Só gosto de ti
porquê não sei
mas estou bem assim
e tu também
Além vai o paquete
ultrapassa o navio
lá vão eles viajar.
Se tu aqui estivesses
estavas como eu
gostavas de os ver passar.
Afinal vale a pena
não pensar em mais ninguém.
a amizade é daquelas forças estranhas que só conseguimos percepcionar verdadeiramente nas longas ausências ou presenças. funciona um pouco como a saudade... mas, realmente, é tão bom (re)descobrir uma amizade assim, como a tua e a minha...
Vale a pena ver
castelos no mar alto
Vale a pena dar o salto
pra dentro do barco
rumo à maravilha
e pé ante pé desembarcar na ilha
Pássaros com cores que nunca vi
que o arco-íris queria para si
eu vi
o que quis ver afinal
É tão bom uma amizade assim
Ai, faz tão bem saber com quem contra
Eu quero ir ver quem me quer assim
É bom para mim e é bom pra quem tão bem me quer
Vale a pena ver
o mundo aqui do alto
vale a pena dar o salto
Daqui vê-se tudo
às mil maravilhas
na terra as montanhas e no mar as ilhas
Queremos ir à lua mas voltar
convém dar a curva
sem se derrapar
na avenida do luar
sérgio godinho ao vivo no teatro maria matos
é tão bom
Ainda não foi desta que Portugal conseguiu um lugarzinho no topo das votações do Festival da Eurovisão, mas, verdade seja dita, será que vale a pena ainda ter esperança num acontecimento deste tipo?!
Bom, discussões à parte, e aproveitando a maré do momento, anda por aí um grupo que participou no festival da canção deste ano, de nome Lisboa Não Sejas Francesa. Apesar deste projecto de Miguel Majer e Ricardo Santos (produtores e compositores dos Donna Maria) ter sido estreado anteriormente ao festival (concretamente, no dia 9 de Maio no Café Concerto em Pombal), foi a partir dele que ganhou notoriedade, conquistando as listas de rádios nacionais e internacionais, e com uma crescente projecção mediática.
"Porto de encontro" foi o tema de apresentação, e a respectiva versão de estúdio já se encontra à venda no site Música Online, tendo entrado directamente para o 4º lugar na sua tabela de vendas.
A candidatura do Património Imaterial Galaico-Português volta a ganhar côr e expressão, sendo de louvar o admirável trabalho e esforço da associação Ponte... nas ondas! contra ventos e marés, sobretudo da falta de vontade política das instituições nacionais que mais deveriam se interessar em preservar a nossa cultura.
Aproveitando a celebração do Dia das Letras Galegas, a 17 de Maio, desenvolveram, juntamente com os estúdios Casa de Tolos, uma nova prova de criatividade e de como, efectivamente, partilhamos uma mesma cultura e língua, reivindicando e recordando o nosso património comum, o qual deve ter o maior reconhecimento internacional. Desta forma, reclamamos que os poderes políticos inscrevam o património imaterial galaico-português na Lista Representativa do Património Imaterial da Humanidade, tal como foi aconselhado pela própria Unesco.
Crianças da Galiza e Portugal, Vozes da Rádio e Guadi Galego cantam "Ponte ao meu lado" a uma só voz, pondo em evidência que a fronteira natural do rio Minho, mais que separar-nos, cria pontes de união e de convivência, e que cabe ao nosso esforço individual nesta sociedade globalizada a preservação deste nosso legado cultural.
A ponte serve para atravessar
A ponte serve para ligar
a terra que a água desuniu
os dois lados do mesmo rio,
A ponte serve para nos juntar
A língua serve para falar
A língua serve para beijar
Quem nos fala ao coração
E nos segura a mão
A língua serve para nos juntar
Refrão:
Ponte deste lado,
A ponte que me leva aí
Põe-te ao meu lado
E fico pertinho de ti
Dizem que o vinho do Porto, quanto mais velho, melhor. A música de Janita Salomé parece entrar no mesmo sistema de amadurecimento, apresentando-nos este ano o seu mais recente trabalho "Vinho dos amantes", sonoramente coerente e bem estruturado. Nele somos convidados a sermos partícipes dum banquete etílico de melodias rurais e urbanas, que tanto nos situam no sossego alentejano do Redondo, vila natal do músico e compositor, como recordam a aridez do norte de África ou geografia urbana de Coimbra.
De feito, as referências ao vinho e aos seus efeitos são o eixo central deste disco, que se assume como uma ode à vida, de preferência embriagada pela poesia, virtude e amor, transformando cada segundo e sentido numa intensidade plena de emoções, que o vinho agudiza como unha hipérbole natural.
E é também de poesia que este disco é feito, reunindo palavras delicadas e sarcásticas em torno do "néctar dos deuses", escritas por poetas sempre actuais: Camilo Pessanha, Hélia Correia, José Jorge Letria, Charles Baudelaire e António Aleixo, entre outros.
Por outro lado, este disco é um explorar de novas sonoridades, o humor e a melancolia portugueses, mas sem perder a musicalidade que mais e melhor o define, ou seja, o jeito próprio de cantar do Alentejo e as evocações arábico-andaluzes. Aliás, é de referir que Janita Salomé vem desenvolvendo um importante labor de recolha da tradição musical alentejana, plasmada na sua vasta carreira musical, desde Melro (1980), passando por Cantar ao sol (1983), Lavrar em teu peito (1985), Olho de fogo (1987), A cantar à lua (1991), Raiano (1994), Vozes do sul (2000) e Tão pouco e tanto (2003), tendo colaborado com destacáveis músicos portugueses, tais como Zeca Afonso, Júlio Pereira, José Mário Branco e Brigada Victor Jara, entre outros, aclamado pela crítica e ganhador de vários prémios.
Venha vinho diz o dito popular, e venham mais discos do Janita!
Sara Louraço Vidal, 2007
Alinhamento
1. Maçãs de Zagora
2. A Estrela do Vinho
3. Escadinhas do Alto
4. Embriagai-vos
5. O Vinho dos Amantes
6. Fragmentos
7. No Banquete
8. Ode ao Vinho
9. Quadras
10. O Mapa Errante
11. Caminho III
Produção musical: Janita Salomé e Mário Delgado
Produção executiva: Janita Salomé e Vachier&Associados
Gravado, misturado e masterizado por Artur David no Estúdio Praça das Flores entre Maio e Agosto de 2006.
“Disco de Cabeceira” é um trabalho de cuidado com o sentir e o cantar português. Inteiramente composto com letras do poeta Valter Hugo Mãe (à excepção de uma parceria com Ana Deus), este é um registo para nos acompanhar longo tempo, fielmente, com o gosto que se dá a um livro que mantemos entusiasticamente para leitura cuidada.
Entre o romantismo delicado e o rock divertido e enérgico, a paleta deste trabalho cumpre com frescura um atractivo e moderno momento. Num espectro abrangente, onde encontramos verdadeiros hinos, como “À Força da Nossa Voz” ou ?Sempre a começar?, canções de amor, como “(Diz) A Verdade” e “Espero que você parta o seu coração” também, ou o pop irónico de “Jack, O Estripador” e “A virgindade da Isabel”, Disco de Cabeceira é composto por doze temas que dificilmente passarão despercebidos do grande público.
A estreia a solo do músico vilacondense Paulo Praça faz-se no seu tempo de maturidade estética e no auge das suas capacidades interpretativas.
Após um já longo percurso como elemento fundador dos Turbo Junkie, Grace ou Plaza, ou como convidado em projectos de renome, como é o caso dos GNR, Paulo Praça aposta no seu peculiar modo de compôr e cantar em português, assumindo uma desenvoltura muito nova, alcançando um pop-rock ágil e seguro que certamente marcará muita gente.
(diz) a verdade paulo praça
disco de cabeceira
som livre, 2007
a princesa que não quis ser salva paulo praça
disco de cabeceira
som livre, 2007
Teresa Salgueiro decidiu sair dos Madredeus para se dedicar aos seus projectos a solo, mas mantém-se disponível para colaborações futuras com o grupo português, afirmou hoje a cantora à agência Lusa.
«Foi uma decisão ponderada e tomada em mútuo acordo com o grupo», sublinhou Teresa Salgueiro, recusando falar no fim do projecto, surgido há 22 anos e que se afirmou como um dos mais importantes da música portuguesa.
«A partir deste momento todas as decisões sobre o grupo são do Pedro [Ayres Magalhães], mas de futuro mantenho-me ao dispor para eventualmente cantar, dentro da minha disponibilidade e da conveniência do grupo», assinalou.
Teresa Salgueiro decide sair por não ter disponiblidade para se dedicar a tempo inteiro aos Madredeus, quando está envolvida em três projectos diferentes.
«Os Madredeus são independentes e exigiam uma grande entrega e disponilidadade que hoje não posso dar», disse.
Teresa Salgueiro anuncia a sua saída dos Madredeus numa altura em que intensifica a sua agenda de concertos de promoção dos dois álbuns que editou em nome próprio, "Você e Eu" e "La Serena".
Além destes dois projectos, Teresa Salgueiro é ainda uma das solistas do álbum "Silence, Night and Dreams", do compositor polaco Zbigniew Preisner, e integra o elenco do concerto de apresentação ao vivo, domingo, no Barbican Center Hall, em Londres, com a participação da Orquestra Sinfónica de Londres.
Este anúncio de Teresa Salgueiro surge também no final de um ano sabático, que os Madredeus iniciaram em 2006.
Em Outubro do ano passado, Pedro Ayres Magalhães, fundador e principal compositor dos Madredeus, anunciou que o grupo iria parar por um ano «para pensar e reorganizar» as suas actuações.
Na altura, o músico garantia que o grupo não iria acabar, mas apenas reduzir o ritmo de actuações e edições discográficas que mantinha desde os anos 1990.
Apesar da saída dos Madredeus, Teresa Salgueiro diz que ficará «sempre ligada» ao grupo que a deu a conhecer nos anos 1980.
«Estou muito grata ao grupo por ter participado nesta extraordinária aventura que foram os Madredeus», subinhou.
César Prata apresenta-nos o seu novo projecto "Rotunda", que podemos acompanhar e escutar no seu blog.
Poderemos sair ou entrar onde quisermos, ou mesmo continuar às voltas; quer procurando a melhor saída, quer descobrindo coisas sempre novas.
Para já ficam dois temas: Comboio (a vapor) e Ó, ó, menino, ó .
->->->->->-> Comboio (a vapor) [César Prata]
César Prata: bandolim eléctrico, programações, samples e viola braguesa.
Saca-Sons [participação (muito) especial]: adufes
->->->->->-> Ó, ó, menino, ó (Canção de embalar) - Nozedo de Cima [Trás-os-Montes]
César Prata: bandolim, flauta de bisel contralto, fauta de bisel sopranino, programações e voz.
Hoje foi um dia nostálgico. Ou melhor, na verdade, uma manhã...
acordei cedinho para resistir-me ao sedentarismo diário, e lá fui eu ao ginásio combater a preguiça e algumas gorduras acumuladas. até aqui nada de especial, bem pelo contrário. o engraçado foi à saída das instalações, quando deparo-me com uma sessão de pilates, ou algo parecido, ao som da "Canção do Mar" na voz da Dulce Pontes. Confesso que foi uma sensação estranha, porque não é propriamente um cenário que idealizamos para ouvir um fado. Mas fiquei contente e com uma pontinha de orgulho nacionalista. E se isto não bastava, ao virar da esquina passo por uma loja, que eu não percebi de quê, que vende bandeiras de Portugal por 4 euros!!!
Tendo em conta que tudo isto ocorreu na Corunha, foi um pouco surpreendente...