Avante Galiza!
'Estamos fartos de saber que o povo galego fala un idioma de seu, fillo do latim, irmao do Castellano e pai do Portugués. Idioma apto e axeitado para ser veículo dunha cultura moderna, e co que ainda podemos comunicar-nos com mais de sesenta millóns de almas (...) O Galego é un idioma extenso e útil porque -con pequenas variantes- fala-se no Brasil, en Portugal e nas colónias portuguesas'.

(Castelão - Sempre em Galiza)



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Valentim Paz-Andrade, Letras Galegas 2012

Semelha quase impossível conseguir dedicar um 17 de Maio (aka Dia das Letras Galegas) a um escritor que nom tenha mostrado o seu apoio à estratégia reintegracionista para a língua.

Vai aí umha escolma de frases de Valentim Paz-Andrade, a quem lhe dedicaram a ediçom de 2012:

“dada la identidad estructural que conservan el portugués y el gallego, recíprocamente inteligibles. Se trata de una lengua con la cual pueden entenderse millones y millones de personas, aunque lo hablen con distinto acento o escriban de forma diferente cierto número de vocablos
(Galicia como tarea, 1959, 2-3, 139)

“no puede parecer razonable cualquier tendencia que reduzca el problema a la rehabilitación literaria de una lengua retardada en su forma escrita, haciendo caso omiso, o poco menos, de la evolución que experimentó durante siglos de uso múltiple y pleno, fuera del área de origen
(Galicia como tarea, 1959, 2-13, 146)

“Sô desrespeitando o resultado histórico de tan fecunda andadura se pode deixar de comprender que hoxe pouco representa o destiño autónomo da fala galega. O que importa, por enriba de todo, é o destiño conxunto da lingua galaico-portuguesa. A integración e desenvolvimento d-un dos grandes dominios lingüísticos da civilización atlántica”
(O porvir da lingua galega, 1968, p.121)

Dunha mais chea interpenetración do galego no portugués, ou as avesas, sô ventaxas comúns poderán colleitarse [...] Da doble conxungación do mesmo verbo poderían agardarse ainda acentos endexamais ouvidos”
(O porvir da lingua galega, 1968, p.130)

“¿O galego ha de seguir mantendo unha liña autónoma na sua evolución como idioma, ou ha de pender a mais estreita similaridade co-a lingua falada, e sobre todo escrita, de Portugal e-o Brasil? Os termos da cuestión non deben ser tomados no senso de que o galego, pra marchar en maior irmandade formal co portugués, teña que deixar de ser o que é
(O porvir da lingua galega, 1968, p.131)

“la identidad con la lengua de Portugal había de arrancar forzosamente de los orígenes./ Ni aún bajo el período de mayor depresión social y cultural de Galicia resultó oscurecida la idea de tal unidad primigenia. Las pocas figuras que descollaron sobre el nivel de su época no dejaron de proclamar ‘que el idioma gallego y el lusitano son uno mismo’
(La marginación de Galicia, 1970, 8: 101)

“La circunstancia de que la evolución morfológica entre la rama gallega y la lusitana no haya sido sincrónica representa menos de lo que parece”
(La marginación de Galicia, 1970, 8: 103)

unha lingua que aínda se fala hoxe no grande sertao, como se fala na Galiza
(A galecidade na obra de Guimarães Rosa, 1978, II: p. 104)


Comentários (2) - Secçom: Língua - Publicado o 17-05-2012 10:07
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Murguia, lusista convencido
O investigador Ernesto Vázquez Souza desenterrou dos arquivos da Real Academia Galega um texto manuscrito de Manuel Murguía, que corresponde aparentemente ao rascunho incompleto do prólogo de um livro sobre o cancioneiro popular galego. Nele, Murguía manifesta-se claramente partidário de escolher a ortografia portuguesa para o galego como "ortografia nacional". Aqui o texto:

'Había llegado a ser para mi, cosa de verdadero empeño, la publicación del presente libro. Aparte de su importancia manifiesta y el influjo que espero que ejerza bajo varios conceptos, como lo había anunciado tanto tiempo ha, no pasaba día sin que me recordase el compromiso contraído. A pesar de ello, graves inconvenientes me impedían arriesgarme, siendo el primero y principal el deseo que tengo de que, como cosa de la musa popular, y por esto mismo obra nacional, su ortografía, agena á los caprichos de la que cada autor que escribe en gallego tiene para su uso, fuese lo que se dice nacional tambien, y si tanto pudiese alcanzarse, definitiva. Esperaba por ello que la Academia Gallega en la cual pusimos todos tantas esperanzas, se decidiese y publicase, la verdadera ortografía de nuestro romance, ó cuando menos la más aceptable. El fracaso experimentado de la Academia en su creación, nos dice bien claro que ya no la tendremos jamás, y por lo mismo que en la cuestión de la ortografía, seguiremos por largo tiempo en la amable anarquía á que nos tiene condenados la voluntariead y á veces la ignorancia de los que escriben en el idioma gallego. Dispuesto a salvar tan grave escollo, hube de decidirme por lo más racional. El gallego y el portugués, me dije, son uno mismo en el origen, gramática (1) y vocabulario. ¿Por que no aceptar la ortografia portuguesa? ¿Si nos fue comun en otros tiempos, por que no ha de serlo de nuevo? Solo un total olvido entre nosotros, de la lengua hermana, pudo hacer que se alcanzaran y prevaleciesen la especial confusión con que escribieron y escriben el gallego; atendiendo los unos, como es justo, al origen de las voces, atendiendo los otros á lo que da de si la fonética, y en fin mermando los mas sin tino inconsciente ambos sistemas. Para evitar tan grave inconveniente y sobre todo para echar de una vez las bases de una ortografía con la cual podamos y debamos conformarnos, me decidí por de pronto á seguir la portuguesa, modificada en aquella parte a que puede sin peligro asimilarse á la que usamos. Un docto amigo mío el Sr. Don Florº Vaamonde, que se encargó de esta tarea, y el fue quien copió como conviene las composiciones que forman el presente volumen. A el pues los aplausos'.


Informaçom extraída do livro 'Guerra de Grafias. Conflito de Elites', de Mário Herrero Valeiro.
Comentários (2) - Secçom: Língua - Publicado o 16-01-2012 21:57
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Greve, folga ou tanto tem?

Nom é a partir de discussons e argumentos filológicos que se legitima ou impom um critério na padronizaçom de qualquer língua em posiçom subsidiária, como a que a nossa ocupa em relaçom ao espanhol. Existem numerosíssimos casos no mundo semelhantes ao galego que assim o certificam.

A planificaçom da variante minorizada sempre é decidida por factores políticos no seio da comunidade afectada, e nom por intrincadas explicaçons filológicas cujo cientifismo está fortemente carregado de ideologia. Flandres, Porto Rico e o Quebeque, por exemplo, decidírom que falam holandês, espanhol e francês, e nom “idiomas independentes”, enquanto na Córsega parece ter-se optado pola ruptura com o italiano, apesar de falarem umha forma do dialecto padrom no vizinho Estado. Sérvios e croatas passárom em poucos anos de falar a mesma língua servo-croata a decidir que falavam dous idiomas diferentes. Em todos esses casos, som orientaçons políticas as que determinam por onde irá a língua.

Com as suas particularidades, a questom lingüística galega nom é diferente de outras. Será a nossa consciência e a vontade politicamente expressadas que permitirá construir umha língua nacional ou, no seu caso, deixarmo-la esmorecer, como aconteceu no seu no caso da língua irlandesa.

Vejamos um pequeno exemplo de como a falta de soberania ou de critérios autónomos está a orientar a planificaçom do corpus léxico-semántico na Galiza. É um caso concreto relacionado com a actualidade destes dias, em que todos os meios de comunicaçom da Galiza falam da jornada de luita operária prevista para este 29 de Setembro.

Efectivamente, referimo-nos àquilo que nos países de língua portuguesa se chama 'greve', vocábulo de origem francesa que denominava a praça onde se reuniam os operários e desempregados da capital francesa na altura em que se desenvolvêrom as primeiras mobilizaçons operárias naquele país. Segundo o magnífico dicionário de português brasileiro Houaiss, a palavra incorporou-se ao português no século XIX, através de um procedimento habitual na transferência lexical entre línguas: o conceito novo chega com a correspondente etiqueta atribuída no ámbito lingüístico que o divulgou.

Assim acontece hoje com a terminologia informática procedente do inglês, por exemplo, ou, no passado, referindo um caso conhecido, com a palavra castelhana 'guerrilla', popularizada durante as invasons francesas e exportada a partir do ámbito castelhano, como empréstimo, para outros muitos idiomas, incluído o português.

No caso da 'greve', a origem do conceito é dupla, pois se as primeiras greves parecem ser originárias da Revoluçom Francesa, a sua generalizaçom aconteceu no século seguinte, na Inglaterra da Revoluçom Industrial. É por isso que algumhas línguas utilizam hoje termos originários do francês 'grève' (português, romeno, turco, euskara...), outras do inglês 'strike' (alemám, polaco...) e um terceiro grupo desenvolveu vocábulos próprios, como o italiano ('sciopero', do latim 'ex-operare' literalmente 'fora do trabalho'), ou o espanhol ('huelga', literalmente 'descanso').

No caso do galego, sabemos que historicamente temos padecido um grave défice na incorporaçom de neologismos, em funçom das condiçons precárias em que o galego subsistiu na Galiza. Nom tivemos como habilitar palavras novas que acompanhavam conceitos novos, porque carecíamos, como comunidade lingüística, da soberania lingüística imprescindível para isso. Praticamente todo o novo vocabulário entrou através do espanhol... incluída a 'huelga'.

Sim, a 'huelga', pois é assim que os falantes naturais de galego denominárom e, em muitos casos, ainda denominam, esse novo conceito próprio da vida laboral trazido polo capitalismo industrial. Os nossos avós ou pais, proletarizados com a sua incorporaçom às fábricas em cidades como Ferrol ou Vigo, utilizárom directamente a forma espanhola e só a consciência do novo nacionalismo galego conseguiu, muitas décadas mais tarde, socializar a adaptaçom actualmente consagrada no galego isolacionista: 'folga'.

De facto, se consultarmos os dicionários de galego elaborados desde o século XIX e até os anos 70 do século XX, veremos que o verbete 'folga', encontramos praticamente em exclusiva o sentido patrimonial desse termo, o que ainda hoje reconhece qualquer falante natural de galego: o 'descanso' ou 'espaço de tempo que se está sem trabalhar', sem qualquer conotaçom reivindicativa.

Também aparecem, por exemplo no Diccionario Enciclopédico Gallego-Castellano de Eladio Rodríguez González (1958-1961) ou no Dicionario Galego-Castelán de X. L. Franco Grande (1972), expressons idiomáticas que incluem esse substantivo, como 'andar de folga' ou 'botar umha folga', equivalentes a 'divertir-se' ou 'entreter-se'. No entanto, ao contrário do que acontece com qualquer dicionário espanhol, em que 'huelga' figura sobretodo com o único sentido com que é utilizado hoje, nos dicionários galegos nom aparece nem umha explicaçom do sentido “laboral” do termo, nem umha só frase feita que relacione o termo 'folga' com a acepçom que tomou a partir da galeguizaçom em falso do termo espanhol.

Os defensores da orientaçom contrária a um padrom reintegracionista, costumam argumentar que é perfeitamente legítimo que o galego faga as suas próprias habilitaçons semánticas, o que no caso da 'folga' simplesmente a fai ganhar umha nova acepçom. Afirmam também que é mais lógico fazer isso que adoptar umha palavra de origem estrangeira nunca registada na Galiza até que o reintegracionismo a propujo, como é o caso da 'greve'.

Porém, a essas razons podem opor-se argumentos de maior peso que questionam a sua validade:

- O primeiro, o facto de que, contrariamente ao que sucede no caso do espanhol, em galego a acepçom originária do vocábulo 'folga' está muito viva, ou, por melhor dizer, estava muito viva até que, nas últimas décadas, a pressom do espanhol fijo com que fosse caindo em desuso nos novos falantes, em favor do 'descanso' ou do '[dia] livre'. A acepçom nova, proposta inicialmente com a melhor intençom no sindicalismo galego para traduzir literalmente a “huelga” espanhola e posteriormente incorporada ao padrom isolacionista, favorece a definitiva desapariçom da acepçom patrimonial, por um motivo evidente: ambas acepçons som demasiado próximas nos contextos de uso e originariam contínuas ambigüidades se fossem utilizadas em simultáneo.

Repare-se para comprovar isso, num exemplo tam simples como o seguinte: “Amanhá temos folga”. É o vosso dia 'de descanso' ou 'ides paralisar a actividade laboral em defesa dos vossos direitos'? Difícil saber... É um facto que hoje a acepçom patrimonial do termo 'folga' está em quase absoluto desuso, como resultado de umha adaptaçom semántica aos valores que a palavra 'huelga' tem em espanhol, e para evitar confusons. Naturalmente, em Portugal e no Brasil nom aconteceu isso, porque, enquanto 'folga' mantivo o seu sentido patrimonial, o termo neológico para o conceito novo foi incorporado a partir do francês: 'greve'.

- O segundo argumento parte do facto nom menos evidente de que, além de em galego, é só em espanhol que o étimo latino 'folicare' deu, através de umha evoluçom regressiva, um termo com dous valores semánticos: o patrimonial e o novo. Da mesma forma, nas duas línguas, a acepçom histórica caiu totalmente em desuso, ficando o seu lugar preenchido polas mesmas formas: 'descanso' ou '[dia] livre'. Bem curioso que em nengumha outra língua tenha acontecido isso, o que é mais do que um indício de estarmos diante de um decalque semántico.

Evidentemente, esse decalque semántico, analisado isoladamente, nom tem maior gravidade. Até poderíamos aceitar a perda da acepçom patrimonial, porque a perda e mudança de significados fai parte da história de qualquer língua, tal como o recurso aos empréstimos de línguas próximas. Só que, no caso do galego, existe umha sistemática tendência que aponta nessa mesma direcçom de maneira progressiva e acelerada, ao ponto de desfigurar a integridade da língua. É isso que está em jogo, na hora de optarmos entre critérios reintegracionistas ou isolacionistas. Os primeiros marcam a nossa soberania como comunidade lingüística, enquanto os segundos nos empurram para umha hibridaçom acelerada que atinge todos os planos da realidade material da nossa língua: a fonética, a lexical, a semántica, a morfossintactica...

No caso da 'folga', estamos portanto diante de um espanholismo de tipo semántico, pois ninguém duvida que essa palavra é perfeitamente galega. Mudou foi o seu significado, acomodando-se à realidade semántica do espanhol, seguindo umha tendência generalizada que, cada vez mais, dá preferência em galego a termos 'nom marcados' em relaçom à língua dominante. Daí que se tenha sacrificado o sentido tradicional de 'folga' em favor do que nos identifica com a lógica interna do idioma do Estado. No fundo, estamos a comentar um fenómeno que pom em evidência a extrema fraqueza do processo normalizador do corpus do galego.

Regressando ao ponto de partida, reafirmamos que, com efeito, o debate sobre qual deve ser a orientaçom da padronizaçom galega é muito mais político do que filológico.

Se só aspirarmos a que nos deixem subsistir em precário, com umha língua autonómica e peculiar, mas fortemente dependente do espanhol, entom a orientaçom padronizadora oficial dos últimos trinta anos pode servir-nos.

Se, polo contrário, quigermos exercer a nossa soberania plena como comunidade lingüística, entom deveremos apostar na restauraçom completa da integridade do idioma. Nesse labor imprescindível de autoconstruçom, seria suicida esquecermos que, como já sentenciou Manuel Murguia em tempos do nosso Rexurdimento, “nunca, nunca, nunca pagaremos aos nossos irmaos de Portugal que tenham feito do nosso galego um idioma nacional”.


Um artigo de Maurício Castro.
Comentários (0) - Secçom: Língua - Publicado o 30-09-2010 00:13
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'Falantes Recuperados', o sector olvidado

Levava já bem tempo querendo escrever este artigo, mas juntam-se três problemas: sou um fopeiro e tenho o blogue a monte, nom tenho tempo nem ganas de escrever um artigo desta índole, nom penso que seja quem de me expressar correctamente e fazer um resumo claro e conciso do conceito. Mas, que caralho! a botar-lhe colhões!

Por que este artigo?
Porque estou já bastante farto da bipolaridade da sociedade -zômbica- galega, porque nom encaixo em nenhum dos grupos-tipo do mundilho nacional galego e tampouco em nenhum dos grupos-tipo do mundilho alheado galego, e porque acadei -por fim- um estado de ataraxia que me levou a ter a mente suficientemente despejada para descobrir que a minha postura mental-socio-política galeguista nom é incompatível com o meu hedonismo.

Sim, vale, mas deixa de dar a chapa e vai ao tema, que caralho é isso de 'falantes recuperados'?
Que caralho é? Pois um grupo esquecido, um sector social completamente esquecido por todos aqueles que tanto gostam de se masturbar mentalmente com o tema da língua galega -como é o meu caso-.

Para saber o que é um falante recuperado primeiro hai que saber o que é um paleofalante e um neofalante. E aqui algum escachará a rir porque som conceitos tam amassados que já mesmo cheiram a râncio... e o chiste está em que lho perguntas a qualquer persoa na rua e seria mesmo estranho que alguns tivessem umha vaga ideia sobre o tema.

Na Galiza diz-se que um paleofalante é umha persoa que falou galego toda a sua vida... o de 'paleo' (do grego 'palaiós', antigo) vem-lhe mui acaido, pois a maior parte deste grupo som velhos. Este conceito nom o poderíamos aplicar em Portugal ou no Brasil, mas sim em Timor-Leste ou Goa.

O oposto -aqui o tema da fodida bipolaridade- seria um neofalante. Um neofalante na Galiza vem sendo umha persoa que sendo já grandinha -adolescente- dá em falar galego -intenta-o- por umha causa desconhecida -sim... interessou-se na política e descobriu o mundo do nacionalismo-. O conceito de neofalante (corrijam-me se erro) nasceu na sociolinguística catalã, mas nom é o mesmo no seu país que no nosso, e explico-o:
- Um senegalês com estudos chega à Catalunya, aprende catalám -num desses cursos que lá existem e cá nom-, e ascende socialmente -tem acesso a um trabalho melhor e é bem visto polos seus vizinhos-. É um neofalante, e isso prestigia-o.
- Um galego educado em castrapo -assumamo-lo dumha puta vez, aqui quase-ninguém sabe falar castelhano- remata o bacharelato e vai estudar a Santiago -cidade que posteriormente nomeará Compostela-. Como já levava no corpo o formigo do galeguismo decide pôr-se a falar galego com toda a gente, e assim pode ligar no Avante. O galego vale-lhe pra fazer amigos nos garitos e conhecer gente do mundilho nacionalista. É um neofalante, também conhecido como 'bloqueiro' por boa parte da sociedade, e só lhe dará quebradelas de cabeça.

Ninguém mais fala galego? Fiuh! Estaríamos aviados! Claro que nom, existe muita mocidade que fala galego de sempre também, principalmente nos núcleos pequenos de populaçom. E existem também Falantes Recuperados, e eu sou um deles :)

Um Falante Recuperado tem família galegofalante, e também amigos galegofalantes. É educado principalmente em castelhano, bem na escola, bem na casa, bem mirando a TV ou jogando com seus amigos na rua... hojendia também jogando a videojogos; mas sem excluir algo de TV em galego, algum livro e diversas aulas na escola. E um dia, por X motivo -sim, a postura política principalmente- decide que deveria falar mais galego... e vaia galego! Tem a capacidade de se desenvolver em galego de quem toda a vida o escuitou na família e/ou com os amigos somada ao neo-léxico adquirido na escola. E mais ainda, sabe escrever em normativa ILG-RAG.

Alguns ficam aí, outros continuamos o processo... mas quase que o deixo para outro artigo que isto já vai longo demais.


E logo... por que deches agora em escrever este artigo?
Pois porque vejo que se abriu -por fim- o debate sobre a dialectalizaçom do galego. E porque venho de ler aqui este despropósito:
Son los gallegohablantes de a pie los que dicen "jueves" y "acera", pero también los que mantienen la sintaxis propia y los que crean o adaptan los neologismos que demandan los tiempos (como se puede comprobar, y de paso partirse de risa, en la web Disionario da Revolusionaria Academia Morracense da Lingua). Los neohablantes de gallego (y los que lo han aprendido aunque no lo usen) saben que se dice "xoves" y "beirarrúa", pero en la mayoría de los casos suena como si emplearan un traductor informático del castellano.

Seica na mente bipolar do senhor Xosé Manuel Pereiro só existem paleofalantes castelhanizados ou neofalantes castelhanizados... aviados estaríamos!!
Comentários (0) - Secçom: Língua - Publicado o 25-08-2010 00:45
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Umha superlíngua... para quem a quiger
Calcula-se que existam 4.000 línguas no mundo, cobrindo um amplo abano entre a língua franca em que se tornou o inglês até códigos de pequenas comunidades com dezenas de falantes. Todas elas tenhem um poder, o de ser a língua própria de um coletivo, é isso o que as torna imprescindíveis e o que lhes dá valor.

É comum, no entanto, ouvir e ler discursos emanados de Madri no sentido de valorizar as línguas em funçom do número de falantes. Neste sentido haveria superlínguas e línguas normais e seria um absurdo que comunidades e pessoas renunciassem à primeira (o castelhano) para ficarem com umha das segundas (galego, catalám, basco...).

Aqui seria pertinente fazer a estas pessoas umha pergunta: e se o castelhano tivesse umha sorte histórica diferente? E se ficasse reduzido à sua extensom original? Enfim, se nom se saísse de Castela... os seus inflamados valedores deixariam de a falar, de a escrever, de a promover? Tenho a certeza de que nom.

Perguntemo-nos também nós: qual foi e qual é a nossa história? O galego nasceu no extremo noroeste da Península Ibérica no sul da Europa. Foi umha das primeiras variedades do latim que passou à escrita. Do seu berço avançou para sul, num processo paralelo com o castelhano e o catalám. E da Europa, cruzando os oceanos, chegou a África, Ásia e América onde ainda reside. Hoje podemos ver no youtube pessoas com os mais variados traços raciais falarem a mesma língua que as nossas avós e os nossos avôs.

Se tudo isto nom tivesse acontecido, o galego nom teria menos valor porque seria a língua criada pola nossa comunidade, polo nosso país mas o certo é que sucedeu. A nossa língua nom é apenas nossa e compartilhamo-la com outros países, com outras sociedades. É umha super-língua.

Ora, todo o Super acarreta a sua kryptonita. Na Galiza os efeitos do mineral verde evidenciam-se de duas formas. Por um lado, um governo que foca a nossa língua como um problema e que investe as suas energias em esvaziá-la de valor para a tornar inútil. Por outro lado, umha visom da língua como sendo minoritária, isolada das variantes que som oficiais nos países onde som faladas com toda a riqueza que isso implica.

Para além de escrever como escrevamos, de falar como falemos, de pensar o que pensemos sobre a sua identidade, o certo é que possuímos umha super-língua. Agora o que se trata é de ser consequentes com este facto... e desfrutá-la.


Um artigo de Valentim R. Fagim.
Comentários (1) - Secçom: Língua - Publicado o 26-07-2010 18:16
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"Se aínda somos galegos é por obra e gracia do idioma"
(Castelao)


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