Um blogue sobre a terra dos bascos, Nafarroa - Blog bat euskal herriari buruz, Nafarroa
"Dende o País Basco" é o blogue dum galego em Donostia. Falaremos aquí de política, de língua, de música, de história e de cultura dos sete territorios bascos: Biscaia, Guipúscoa, Álava, Navarra a Alta, Navarra a Baixa, Lapurdi e Zuberoa.
Não me fago responsável dos comentários vertidos neste blogue. Ademais, os textos e outros materiais como videos que não esteam feitos pelo autor do blogue não reflictem necesariamente a vissão do mesmo.
A «caça de meigas» do Concelho de Iruñea contra a esquerda abertzale acada agora à plataforma Gora Iruñea, formada por mais de 40 associações, entre elas a Federação de Penas da cidade. A alcaldesa, Yolanda Barcina, argumentou onte que Gora Iruñea «vai da mão de ANV» para justificar o veto a 400 actos de São Fermim convocados na Taconera. A plataforma vem de recever apoio de toda a oposição e levará o tema ao pleno do día 3.
A atitude do Concelho de Iruñea, governado por UPN, tensa de novo as vésperas são-ferminheiras. Trala cessão de diversos escenários da cidade a uma campanha publicitária da empressa Red Bull, que começou onte a instalar o seu "motor home" na Praça do Castelo, na noite do joves notificou à plataforma Gora Iruñea que não tem permisso para celebrar mais de 400 actividades festivas populares no Parque da Taconera nas vindeiras festas.
Logo de que a denegação do permisso tentara-se justificar alegando que o programa previsto «não aporta nada novo», Yolanda Barcina confesou onte o motivo real do veto. A preguntas dos jornalistas, a alcaldesa esgrimiu que Gora Iruñea, conformada por 40 colectivos muito diversos, «vai da mão de pessoas que ían na lista de ANV, ilegalizada [sic] pelo juíz Garzón».
Junto a tudo, Barcina aferrou-se ao motivo técnico esgrimido na denegação do permisso. Asegurou que «a cidade já está saturada».
O veto municipal materialiça-se muitos meses despois de que Gora Iruñea pedise o permisso (as conversações começarom em febreiro). O Concelho só dixo não logo de que o martes os vozeiros da plataforma publicitasem um programa muito ambicioso, com jantares, actuações infantis (incháveis, magos, teatro…), concertos de todo tipo com grupos locais e foráneos (Txarrena, Governors, Etsaiak, Deskontrol, Zikuta…), verbenas, filmes, monólogos, campeonato de mus… Reclamara-se permisso para instalar uma carpa de 25x15 metros, e se encargaram já 60.000 vasos reutilizáveis para evitar ensuxar o entorno (o Concelho anunciara o mesmo, pero o pospuxo). Tudo isto está a difundirse já a travês de 40.000 cartaces em éuscaro e castelão, que inclúem um protocolo contra as agressões sexistas.
Recurso e pleno
Os representantes de Gora Iruñea não se quedarom parados, e onte mesmo lograrom reunirse no Concelho com os três grupos da oposição: PSN, Nafarroa Bai e ANV. En princípio, todos lhe derom o seu apoio, polo que a plataforma decidiu levar o tema ao pleno do día 3, a apenas três días do arranque festivo. A intenção é reivindicar alí a cessão da Taconera, para o que tomará a palavra Endika Lakuei, presidente da Federação de Penas.
PSN, Nafarroa Bai e ANV contam com maioria no Concelho, o que permitiría aprovar alguma moção neste senso. NaBai apuntou onte que, contra o que di a equipa de governo, os actos propostos «aportam, e muito», já que se situam maioritariamente no tramo da tarde que coincide com a corrida de touros e queda vazío no programa oficial.
Gora Iruñea apelará mentres tanto aos tribunais, a travês de um recurso de reposição contra o veto municipal que se presentará hoje mesmo. Tildam de «cínico» que o Consistório lhes inste a concurrir a concursos de ideias quando «não somos nenhuma empresa, mas parte activa da cidade» e quando ao mesmo tempo cede-se espaço público a marcas comerciais.
Neste senso, el parlamentário do EAJ-PNV JoseBa Egibar asegurou que o grupo parlamentar Ezker Abertzalea (onde estão os deputados de EHAK) nunca opuxo-se a que o Parlamento Basco manifestase de jeito unánime a sua posição em contra da violência de ETA a diferença de Batasuna, "que não só se opunha, senão que defendia uma postura distinta à que mantém agora EHAK". Ele explicou que EHAK "não tem impedido em nenhum momento que houbese um pronunciamento por unanimidade no Parlamento por muito escabroso que fose o tema". Egibar redundou na ideia de que EHAK e Batasuna são duas coisas diferentes.
Outro parlamentário que compareceu como testigo e secundou as declarações de Egibar foi Rafa Larreina, parlamentário de Eusko Alkartasuna. O portavoz abertzale, quem começou asegurando que não tem um "interesse pessoal" nesta causa, insistiu nas diferenças existentes entre Batasuna e EHAK: "Agás em intres concretos, há uma diferença evidente entre ambos partidos". Ademais Larreina lembrou que a declaração institucional do Parlamento Basco em relação à morte a mãos de ETA do concelheiro socialista Isaías Carrasco saliu adiante com o apoio de EHAK. "A postura em contra da política penitenciaria e o afastamento dos presos não é uma coisa que faga de jeito exclusivo EHAK, mas também partidos como IU, PNV ou EA sem que ninguém lhes obrigue", engadiu.
O terzeiro dos parlamentários que declarou foi Oskar Matute (Ezker Batua), quem também coincidiu com os argumentos dos seus dois predecesores à hora de destacar as diferenças entre Batasuna e a formação liderada por Nekane Erauskin.
Na longa estrategia de criminalização e repressão emprendida já faz tempo contra a esquerda abertzale, temos visto de tudo.
Temos visto a juízes actuando tal e como dita o governo espanhol, e isso que Espanha é (supostamente) um estado onde há separação de poderes. Temos visto policias que, tras torturar a detidos, são absoltos. Temos visto terrorismo de estado, temos visto criminalização de músicos, de jornais, etc.
Pero o que eu nunca vira é a uma alcaldesa usurpando as funções a um grupo de concelheiros polo simples feito de pertenzer a um determinado partido político.
Estamos a falar da nossa "querida" Yolanda Barcina, de profissão trepa e alacaldesa da capital do País Basco, Iruñea. Resulta que Barcina (que nem tam sequer é navarra, mas de Burgos) tem emprendido um projecto para ilegalizar por etapas ao grupo municipal intependentista, de Eusko Abertzale Ekintza - Acción Nacionalista Vasca. Primeiro proibiu-lhes empregar a sala de prensa, logo botou-lhes fora dos organismos de representação municipal, mais tarde suspendeu ao grupo sem que nenhum juíz o tenha ordeado, logo impediu-lhes celebrar vodas civís e lhes retirou o correio electrónico.
Despois de tudo isto, a alcaldesa Barcina vem de quitar-lhes o despacho aos membros da formação. Um passo mais na estrategia de apartar aos que não pensam como ela das instituções. Quando Mikel Gastesi tentava entrar ao despacho, a policia municipal, ás ordes de já sabemos quem, lanzou-se contra ele e contra os que o acompanhavam.
Cronache basche - Euskal Kronikak (Crónicas Bascas) é um documentário realizado polos italianos Matteo Scanni e Angelo Miotto em 2007 sobre o Conflito Basco.
A Universidade de Navarra vem de rotular parte do seu campus incluindo também o éuscaro nos carteis junto ao castelão, o franzês, o inglês e o alemão.
O Instituto de Idiomas da Universidade de Navarra puxo em marcha fai tres cursos dois novos programas, de russo e éuscaro. Em ambos imparte-se um nivel para aqueles que começam com a linguagem e outr para os que já a conhezem.
A língua e a cultura bascas começarom a impartir-se na Universidade de Navarra nos anos 60, da mão do professor José Miguel de Barandiarán. Mais recentemente, o éuscaro foi incluido como matéria dentro do Diploma de Estudos Bascos, mas sua re-ubicação dentro do Instituto de Idiomas permite um ensino mais ajeitado. Também oferta-se como optativa.
Velaquí uma apressentação que vem a respostar ás críticas feitas dende certos meios de comunicaçao à consulta prantejada pelo presidente do Governo Basco que propõe um acordo entre partidos bascos para acadar um novo marco jurídico, sob a condição da fim da violência. Esta em castelão.
Alí en cima tedes o mapa das visitas a este blogue dende o seu começo, já fai uns meses. Queria saudar-vos a todos.
Saudos para ti, o que me visitas dende o Japão!
Saudos ao que vive em Nova Celandia, ao de Perú, ao dos Estados Unidos, ao de México, ao de...!
Saudos também às numerosas comunidades brasileira e portuguesa, e saudos aos catalãos, bascos, canários e galegos que de quando em vez passan por aqui.
Queria pedir-vos que comentedes mais, já que polo de agora comentades puquinho, pouquinho... Se tedes qualquera dúvida preguntade, eu tentarei respostar as vossas questões o mas cedo possível.
Também esou aberto a sugerências temáticas, sempre e quando tenham algo que ver com o País Basco, Euskal Herria.
E especialmente aos membros da lusofonia, vos agradeceria correições ortográficas, já que como podedes ver, ao meu português ainda restan-lhe melhoras.
Há muita gente que estrana-se disso de que aquí, no País Basco, a gente não quera um comboio de alta velocidade que passe por diante da sua casa. Haberá gente que pense que é um projecto que trae o progresso e não sei que. Pero o certo é que aquí já há progresso sem TAV. Então não é para que progressemos (eu, malia não ser basco, vivo aquí), mas que para outras coisas. Porém, dizimos que não. E dizimos que não polos seguintes motivos:
1. O TAV causará danos irreparáveis ao meio ambiente
Efeito barreira, brutal impacto sonoro, brutal impacto visual, ocupação de terras, destruição de aquíferos, aumento do consumo energético, infinidade de escombreras, afecção a ecossistemas de alto valor ecológico…
2. O TAV acentuará o desequilíbrio territorial
Contempla unicamente a conexão rápida entre capitais, incrementará a aglomeração de população em grandes zonas macro-urbanas e ocasionará graves prejuízos à agricultura e ao modo e qualidade de vida dos municípios e comarcas intermédias, que lhe servirão de mero suporte físico.
3. O TAV acaba com o conceito de transporte ferroviário como serviço público e universal
O pagaremos entre todos mas, em função dos percursos e o preço do bilhete previstos, tão só poderão utilizá-lo uns poucos.
4. O TAV terá um efeito regressivo na distribuição da renda e o gasto social
E é que se trata da maior e mais cara infra-estrutura jamais projetada neste país. O gasto final da “Y basca” rondará os 6.000 milhões de euros, isto é; o orçamento do departamento de Moradia do Governo Basco para 24 anos; o de Cultura para 25; o de Agricultura, Pesca e Alimentação para 40… Com esse denheiral poderia financiar-se um transporte público de qualidade para o conjunto da população, bem como responder a muitas outras necessidades sociais. Necessidades que, de levar-se a cabo este projeto, continuarão desatendidas.
5. O TAV não solucionará os graves problemas de tráfico e transporte existentes
Por uma parte, desatiende os deslocamentos intracomarcales, que são o 97% dos deslocamentos diários motorizados, e por outra, nem sequer defronta ao crescimento anual do número de caminhões que circulam diariamente por nossas carreteiras. Mais bem ao invés, o TAV faz parte de um gigantesco plano de infra-estruturas de transporte que inclui auto-estradas, superpuertos, plataformas logísticas e um longo etc. e cujo objetivo não é outro que o aumento do transporte de mercadorias como negócio. Pelo que o TAV não só não contribuirá a descongestionar as carreteiras, senão que contribuirá a agravá-lo.
6. O TAV fomentará a precariedad trabalhista e facilitará a deslocalización industrial
Tanto o TAV como o conjunto de grandes infra-estruturas de transporte estão diretamente relacionados com a internacionalização e a globalização dos mercados e a economia bem como com o incremento da precariedade trabalhista e a deslocalização industrial derivada das mesmas. O TAV contribuirá a apuntalar a hegemonia do setor serviços em detrimento do primeiro e segundo setor e converterá a nosso país em zona de passagem de mercadorias. Com isso acentuará a situação de dependência estrutural que padece Euskal Herria e afastará a possibilidade de um desenvolvimento auto-centrado.
7. O TAV é o mais claro exponente do neoliberalismo
O TAV vem reforçar um modelo social e econômico que gera um crescente desequilíbrio ecológico e cada vez maiores desigualdades sociais e de gênero.
8. O TAV é sinónimo de imposición
Estão desenvolvendo o projeto do TAV sem transparência informativa alguma e a costas dos interesses, os desejos e a vontade dos municípios e a cidadania. Uma vez mais, substituíram a informação pela propaganda, e limitado a participação e capacidade de decisão da cidadania à possibilidade de apresentar alegações que são automaticamente recusadas. A maioria social e sindical exige a paralisação do TAV, mas as administrações geridas por PNV, UPN, UMP e PSOE continuam fazendo ouvidos surdos. Com o começo das obras da “Y basca”, o relançamento do projeto de nova linha em Lapurdi e a aposta cega pelo Corredor Navarro de Alta Velocidade, tanto os estados espanhol e francês, como os governos de Gasteiz e Iruñea, optaram, uma vez mais, pela prova de força, a política de fatos consumados e a imposição.
O lehendakari (presidente do Governo Basco) Juan José Ibarretxe já anunciara fai tempo a celebração duma consulta popular aos cidadãos da Comunidade Autónoma do País Basco.
O referendo, sem validez jurídica (mas sim política e democrática) servirá para determinar o futuro status jurídico da CAB.
Já temos data: o 25 de outubro de 2008. E já temos preguntas:
*Primeira pregunta: Está voçê de acordo em apoiar um processo de final dialogado da violência se previamente ETA manifesta de jeito inequívoco a sua vontade de pôr fim à mesma duma vez e para sempre?
*Segunda pregunta: Está voçê de acordo com que os partidos bascos, sem exclusões, inicien um processo de negociação para acadar um acordo democrâtico sobor o exercício do direito a decidir do povo basco, e que o devandito acordo se someta a referendo antes de que remate o ano 2010?
Por suposto, já sairom os espanholinhos do caralho a dizer que é um referendo ilegal, que vão recurrir ante o Tribunal Constitucional, etc. Pero haber, que vos pasa?? Tedes medo de que o povo fale?? Não sodes demócratas???
Eu não lhes comprendo. Ogalhá saia tudo bem, e se celebre a consulta tal e como estaba previsto.
é um propósito cidadão que, com o referente de 1512-2012 -da invassão, conquista, privação da independência, partição, suplantação da soberania e desmantelamento estatal de Navarra-, tem por objeto promover e desenvolver na sociedade navarra as seguintes metas:
• Reconhecer a variedade das situações vividas na Memória Histórica de Navarra e o que cada corrente de pensamento contribuiu a nossa realidade.
• Desenmascarar o negacionismo sobre os genocídios, a destruição do patrimônio e a subordinação, padecidos por Navarra.
• Desenvolver a liberdade individual e coletiva, as instituções de participação da sociedade civil, os valores cívicos da rês pública e da democracia, como o direito à diferença e o respeito do pluralismo.
• Igualdade de todas as pessoas, sem exeção.
• Convicção de todos somos filhos de imigrantes, seja da primeira ou da treszentas geração.
• Presença das raízes culturais e históricas para conseguir entender a complementaridade de cada grupo numa sociedade laica e multicultural.
• Paz e reconciliação da sociedade navarra, baseada na justiça, a verdade e o mútuo reconhecimento entre vencidos e vencedores, navarros e espanhóis ou franzeses.
• Pôr fim à partição de Navarra, eliminando as fronteiras impostas.
• Exercer todos os direitos pessoais e recuperar a soberania de Navarra.
Tudo isso, mediante a atuação nos campos econômico, social, cultural e político, através da intervenção em meios de comunicação, artigos jornalísticos, organização e colaboração em eventos e atividades que favoreçam a união e cooperação de entidades e associações, para atingir os objetivos propostos.
Há que partir do entendimento da sociedade civil coma um tudo, ainda em a sua pluralidade extrema, pois tratá-la parcialmente trará como efeito diminuí-la e subordiná-la. Todos os seus aspectos -economia, política, cultura- se acham interrelacionados, nenhum deles pode entender-se isolado. Se falta algum deles, o conjunto da sociedade como sistema, não se acha em a sua plenitude e carece de liberdade.
O poder dominante, ante a pressão que a sociedade civil subordinada chega a exercer, vê-se obrigado as vezes a consentir -pondo toda classe de limitações e entrabes- o uso de alguns aspectos do acervo negado, sempre de forma inconexa e desmembrada.
Assim, por exemplo, se a sociedade subordinada reivindica utilizar sua língua própria, o éuscaro, frente ao monopólio imposto da língua do poder, se chegará a permitir-lhe que, com grande esforço, possa ter escolas em seu idioma, mas sempre limitando os contidos docentes e de forma supeditada à língua dominante do Estado grande-nacional. Sobretudo sem que se lhe permita relacioná-la com os outros aspectos do sistema, e nunca entendido como direito irrenunciável da sociedade civil subordinada.
A subordinação política se plasma na muralha que se fecha frente aos direitos democráticos dos navarros, e impede que se cumpra sua vontade política, quando estes manifestam democraticamente sua decisão.
Em realidade estamos imersos num conflito de direitos, mais do que num conflito de identidades. Ouve-se com freqüência o do "conflito identitario", como uma muletilla empregada sem precisão e demasiado alegremente. Não faz muito, para referir-se a esta mesma sociedade plural, se propaló orquestadamente aquilo de duas comunidades: a vasca e a navarra. Falsa dicotomia que já começou a desmoronar-se. Tão equívoco foi falar de raças, etnias ou povos, para referir-se a sociedades jurídico-politicamente estruturadas, como o é agora fazê-lo em referência a identidades.
E como passo mais imediato, precisamos participar na inauguração do Parque da Memória, em Sartaguda, Povo das Viúvas , o dia 10 de maio, para que a sociedade navarra conheça e assuma o último genocídio sofrido por ela, e possamos conseguir uma sociedade soberana, democrática, justa e plural.
(Um artigo de Tomás Urzainqui Mina, avogado e historiador)