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| Buscando'fátima' |
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| 13 de maio |
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Nas questões de fé é usual dizer que quem não a tem deve se abster de criticar, comentar ou opinar. Talvez à maneira do tema dos "gostos": não são para discutir. Cada um com a sua fé.
Até pode ser indício de tolerância, de aceitação e convívio com outras crenças ou ideias. Infelizmente, não me parece: em Portugal não descubro esse respeito pela liberdade de pensamento nas tradições e na história do país.
Entendo mesmo que estas afirmações exprimem muito mais o inverso: não deves interpelar-questionar-discutir-duvidar-contrapor-e não sei que mais. Ou seja, o oposto ao pensamento, ao diálogo e à crítica, essas ferramentas da liberdade e do civismo.

Sempre que vejo aqueles grupos de peregrinos para Fátima, apetece-me parar o carro e avisa-los:
Vejam lá, há quem diga que afinal tudo não passou dum disco voador que pousou sobre a azinheira...
Não é que ache mais credível esta hipótese do que a consagrada, mas só que por outra ordem de razões. Muito mais fascinante, na verdade, é a tese de que "as visões da Cova da Iria são comuns à teologia dos fatimidas dos séculos IX-XII."
Crenças à parte, sempre me fascinou a "economia do Sagrado" que estas peregrinações evidenciam, ou seja, o sistema de trocas entre o pagador de promessas e o seu credor: em pagamento da "graça recebida", faço-te uma visita ao santuário pelo meu próprio pé.
A avaliar pela quantidade de "pagadores de promessas" o sistema de trocas funciona espantosamente bem.
Em vez da caminhada ou das voltas ao santuário (é verdade, se for de joelhos até é penoso), olha lá se a santa exigia ao devedor a prestação de algum tipo de trabalho comunitário, uma temporada de voluntariado em alguma ONG ...
Fosse assim tudo tão fácil de obter.
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