Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

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A nossa fauna: a bicicleta


A bicicleta é umha das espécies mais fascinantes do reino animal. Tem mais dentes que um crocodrilo, pinhons como as coníferas e algums indivíduos, um timbre para marcar território, advertir dos perigos e articular cantos de apareamento.

As bicicletas vivem normalmente sobre rodas, e som animais diurnos, aínda que se podem chegar a ver bicicletas que, como os vagalumes, desenvolverom umha luz para ver de noite.

As bicicletas som originariamente nómadas e, como os camelos e dromedários, portam uns pequenos depósitos de água.

A bicicleta chama-se bicicleta a nom ser que haja confianza e entom pode-se-lhe dicer bice.

As bices som animais mui livres e necessitam quilómetros e quilómetros de território. Tenhem-se dado casos de bicicletas que derom a volta ao mundo. As bicicletas fam mais quilómetros ao ano que os nhus do Serengueti. Umha bice sem viages oxida-se e queixa-se com um particular laído, nhic, nhic, semelhante ao choro do lobato.

Hai bicicletas de montanha, como os osos pardos, e bicicletas de estrada, como os sinais de tráfico. As de montanha pessam mais porque necessitam mais graxa para adaptar-se melhor ás duras condiçóns da vida selvagem.

As bicicletas parecem-se ás abelhas em que pincham. E quando umha bicicleta pincha hai pouco que fazer: perde-se todo o ar e a única soluçom é fazer umha transfusom com um inflador.

A espécie mais hostil por autonomasia para a bicicleta é o automóbil. Um automóbil pode atacar umha bice no momento menos pensado e destroza-la num visto e nom visto. Nas cidades, por exemplo, nom é raro ver as bicicletas fazer ágeis movimentos para fugir in extremis dos ataques dos sanguinários automóbeis.

A bicicleta é umha dessas espécies que servem como indicadores do benestar social e biológico. Quantas mais bicicletas em liberdade hai num território mais avanzada é a sua sociedade.

Os eco-sistemas onde as bicicletas convivem harmoniosamente com outras espécies goçam dos melhosres indices de saúde animal, vegetal e mineral.

Ademais, as bicicletas permitem identificar os políticos mais incompetentes, estúpidos e corruptos -nom se salvam nem os que melhor o sabem disimular- pois quanto mais inútil é um alcalde menos quilometros de carril-bice hai na cidade.

A bicicleta é um animal fascinante.
Comentários (1) - Categoria: Geral - Publicado o 03-07-2008 12:23
# Ligazóm permanente a este artigo
Ecolíngua


Defender a natureza é defender a língua. E viceversa.

Somos milheiros hoje na Galiza a defender e construír, reconstruír, criar e desenvolver o nosso habitat socio-cultural. E somos milheiros a defender o nosso contorno biológico.

Estamos a defender a terra e estamos a defender umha forma de sermos, ser comunidade e comunicar: em galego.

Anos e anos de evoluçom trouxerom-nos umha cultura e umha natura que hoje muita gente vivimos com a conciéncia de que queremos compartir um bem comum.

Gailza é um bem comum.

O inimigo som as persoas ou colectivos que agridem esse bem comum e, em nome do seu próprio benestar persoal, individual, actuam contra a própria sociedade e a natureza.

O colonialismo é umha dessas expresons de violéncia. Galiza sofre dese hai bem anos um processo colonizador que vem agredindo a nossa cultura e a nossa natura com o simple objectivo do benefício alheo: a explotaçom económica nom sustentável pola metrópole dos nossos recursos naturais; e a substituçom da nossa língua pola do Estado.

O Capitalismo é outra forma de violaçom incesante.

Nem Espanha nem o Capitalismo -seja de onde for, mesmo o galego- nom vam defender os nossos montes da super-explotaçom eólica nem as nossas montanhas das letais canteiras. Temos que faze-lo nós, berrando, saíndo á rua, defendendo o nosso território com as nossas palavras e os nossos próprios corpos como obstáculos no caminho.

E ao mesmo tempo, como nom, Espanha mantem na sua própria Constituçom um dos principais instrumentos da substituçom lingüística: nem juridicamente a nossa língua está em pé de igualdade com o espanhol.

Mas o processo de resisténcia, criatividade e enfrontamento á destruçom é permanente nas nossas vidas. Pais e nais que transmitem a língua como garante de riqueza cultural e ao tempo transmitem a conciéncia da defensa dos recursos da terra como garantia de riqueza natural.

Ambos os dous som compromisos com a vida e tenhem muito de luita pola supervivéncia numha época histórica na que a civilizaçom humana conduce cara á 5º extinçom e nós, nesta parte do planeta que chamamos Galiza, temos o dever de combater.

A língua é a construçom social que nos mantem unidos no mais importante projecto colectivo da nossa historia, porque é agora e aqui: sermos umha sociedade sustentavelmente relacionada com o seu contorno, tanto biológica como culturalmente.

A nossa língua é umha ferramenta que nos mantem apegados á nossa terra e ao mundo numha actitude activa, participativa, insubmisa, rebelde, criativa.

E assi como o nosso contorno natural é como qualquer outro do planeta, nem mais nem menos, -único, valioso, aberto- a enriquecer o puzle mundial com outros milheiros de peças, assi a nossa língua ?com a que construímos o nosso pensamento- é a nossa aportaçom mais valiosa á cultura universal.

Se nos roubam a terra roubam-nos a língua. E viceversa. Se destruem a terra, destruem a nossa cultura.

Porque a perda da língua afasta-nos do nosso contorno natural.

A língua defende a nossa sociedade das agresons. A língua construe sustentavelmente o país.

A língua, como principal construçom socio-cultural, fai-nos mais sensíveis socialmente.

A língua, como a natureza, fai-nos avanzar socialmente.

A língua e a natureza som as chaves do desenvolvemento da Galiza.

Só temos que utiliza-las.



.........

Ecolíngua



Aínda hai gente que quando ve umha píntega
amarela e negra
esmaga-a com o pé.
Gente que pesca troitas com lixívia
e de noite mata os jabarins no laço
com o machado.
E o governo permite canteiras no Courel
e umha planta de gas ao pé do mar
e das nossas casas.

Devemos proteger os rios de palavras
e as montanhas de significados.
O infinitivo conjugado é um porco teixo
que se agocha no bosque.
Colocar alumínio nas janelas de madeira
e deixar de falar-lhe a língua própria aos filhos.

Se a lei nom protege a nossa terra nem a nossa língua
devemos faze-lo nós.
Conhece a fauna do nosso idioma:
a culher garça, o verme parafuso,
os lobos montarom um grupo punk
manifestaçom de ouriços cacho este domingo:
Galiza nom se vende.

El País despreça o galego e da-lhe voz
ao Clúster da Madeira.
La Voz defende a Reganosa
e discrimina o nosso idioma.
Na TVG nom hai programas de hip hop,
rock, tecno para gente nova
nem, que coincidéncia, nemgum programa ecologista.
O presidente e o vicepresidente do governo
falam mal a nossa língua
porque tenhem piscifactorias e parques eólicos na boca.

A gente pom-se diante das máquinas excavadoras
que ameaçam o nosso idioma.
Nom damos nem um passo atrás.
Um poema pode ser como um esquio
esmagado na estrada
ou como o ouveo dum lobo.
Juntemos as nossas palavras para ser mais fortes.
Nom lhe botes sulfato ás tuas cordas vogais.
Nom lhe vendas os teus traços dialectais
aos especuladores.
Nom tires cigarros entre os libros.
Transmite-lhes aos teus o amor pola vida.
A nossa língua é o nosso médio ambiente.


....


Galiza non se vende
Comentários (15) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 01-07-2008 12:03
# Ligazóm permanente a este artigo
Led Zeppelin em Vila de Cruces


Guitarras: Yael e Irene
Voz: Yago
Bateria: Puga
Comentários (4) - Categoria: Geral - Publicado o 01-07-2008 10:26
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