Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

O autor solicita comunicar-lhe qualquer uso ou modificaçom da sua obra no email de contacto aqui sinalado.

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Acampada do Obradoiro














Comentários (15) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 29-06-2011 22:31
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E isto é o amor!


Da tua mao direita
á minha mao esquerda
tendemos um tendal de roupa
de todas as cores entre nós
e isto é o amor

Erguemos os braços
e com a roupa ao vento
vamos caminhar
secar a roupa ao sol
e isto é o amor

entre fábricas baleiras
dentes de león
e prados com bubelas
asubiamos esta cançom
e isto é o amor

E no tendal levamos calcetíns,
camisolas e bragas violetas
e o teu sostém
e a minha camisa negra
e isto é o amor

E a gente olha para nós
e pensa que é um sonho
e pensa: Isto é amor
e isto é o amor

E isto é o amor

...

A Rocio

Comentários (21) - Categoria: Geral - Publicado o 28-06-2011 06:26
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Tudo cámbia quando eu sonho


Tudo cámbia
quando eu sonho.
Quando eu sonho
cámbio de forma de ser,
e cada vez que abro os olhos
o mundo é diferente
porque eu cambiei.

Cámbiam os teus olhos,
os lagartos e os rios.
Cámbiam as ilhas de mar
e os paxaros, de ninho.
Cámbia de futuro o passado
e o meu país, de caminho.
Cámbiam os sons da minha língua
no teu embigo
e a cor do vestido da mulher
que cámbia as cousas de sítio.

Cambiar é inevitável,
sonhar é aprender a viver,
e eu podo viver outras vidas
ou sonhar que morro,
mas quando abro os olhos sei
que por muito que cámbie
eu sempre serei eu.
Comentários (28) - Categoria: Geral - Publicado o 28-06-2011 06:23
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Umha leituga das hortas de Belvis


A Marta, Joana e Bruno
Comentários (12) - Categoria: Desenhos - Publicado o 28-06-2011 00:50
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Perigo: aves de rapina!

















Comentários (12) - Categoria: Desenhos - Publicado o 25-06-2011 20:08
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Um lagarto arnau em Compostela











Comentários (10) - Categoria: Desenhos - Publicado o 25-06-2011 20:07
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Made in Galiza: teatro / rock!


No IES Aquis Celenis de Caldas de Reis!

Moita merda!

;)

Comentários (13) - Categoria: Desenhos - Publicado o 22-06-2011 06:39
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"Ás Voltas coa Lingua"


"Ás Voltas coa Lingua", umha obra de teatro sobre textos de Made in Galiza, Made in Porto do Som!

"Eles son Josito, Antía Vidal, Rubén Ventoso, Mareque, María González, Nazareth e Ángel Glez. Mariño.

Forman o Grupo de Teatro do instituto baixo a dirección de Ánxela Doval."
Comentários (8) - Categoria: Desenhos - Publicado o 22-06-2011 06:39
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Orixe



Um trabalho audiovisual com reguetóm, de 4º da ESO do IES Marco do Camballón, Vila de Cruces, apartir da novela Orixe, realizado por Regina Gorís e Laura Rubio em 2010.
Comentários (12) - Categoria: Geral - Publicado o 21-06-2011 22:25
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Um peto verdelho na cidade!










Compostela, maio, 2010
Comentários (15) - Categoria: Geral - Publicado o 21-06-2011 21:02
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Na banheira


Um abraço, Leandro!!!
Comentários (9) - Categoria: Desenhos - Publicado o 21-06-2011 15:09
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Castelao revisitado: Pippi









Numha caixinha para as aguarelas!
Comentários (15) - Categoria: Desenhos - Publicado o 18-06-2011 17:04
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Um carriço no machado









Para Ernesto
Comentários (13) - Categoria: Desenhos - Publicado o 18-06-2011 11:32
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Amigo Dobarro!














Um abraço forte, para ti, amigo, que erguias a casa com as maos e os livros, entre toxos e folhas de carvalho, na beira do Ulha e nos nossos coraçons, sempre.
Comentários (10) - Categoria: Desenhos - Publicado o 18-06-2011 08:22
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O monstro de Guatemala


Eu tinha vinteseis e eram as festas do verao. Fora viver áquela vila onde nom conhecia ninguém precisamente por isso, porque nom conhecia ninguém. Recordo que aquel dia merquei um livro num posto ambulante que havia ao lado dumha tómbola. O livro, de Jack London, tenho-o na mao, tantos anos despois. Uns desenhos preciosos.

Recordo que foi mercar o livro e apartar-me um pouco da festa para o começar a olhar, acheguei-me á praia e sentei na areia. E que essa noite durmira mal porque, como começava a ser habitual, tivera pesadelos violentos.

- Ola, gostas de ler?- Ela apareceu por detrás e falava portugués, devia ter os meus anos, algo menos talvez. Erguim o livro e ela exclamou Jack London, o meu favorito!

E assi foi como nos conhecemos a equilibrista e mais eu, com A Ilha das Focas na minha mao direita.

Chamava-se Estrela e caminhava sobre o arame desde os quatro anos. Viajava, como num circo, com a sua família de equilibristas, Os Solaris. Actuavam manhá a mediodia. Ao dia seguinte, quero dicer.

- E nunca cansas de viajar?

- E como se di Estrela em croata?

Eu sempre fum mais de fazer perguntas e escoitar que de resposta-las e falar. Som umha persoa pouco faladora.

-E ti viches o monstro de Guatemala, nom si?- perguntei-lhe.

O monstro de Guatemala era umha das atracçons das festas, a que mais intimidava as crianças: O mons-tro de Gua-te-ma-la!!!


-É amigo meu, dixo.

- Amigo teu?

- Ahá.

- E como é isso de ser amiga dum monstro?, perguntei-lhe.

- Bah, é umha pessoa como outra qualquer… Nom sei se poderia dizer o mesmo de todos os monstros… Se nom o viches, achegamo-nos á sua carpa e convido-te…

E alá fomos.

Nunca esquecim aquela voz a saír dos altofalantes, umha voz profunda como de voz em off de filme de série B de terror, grave e com ecos, anunciando-o misteriosamente: O monstro de Guatemala…mala, mala. Recem chegado do terremoto de Guatemala!, vomitado polas profundidades da terra! Aqui, entre nós, nom perdam a oportunidade de contemplar O monstro de Guatemala…mala, mala!

Ela colheu-me da mao e entrei da mao da equilibrista na carpa do monstro de Guatemala com umha seguridade que nem antes nem despois volvim ter.

Saímos da mao, rindo com lágrimas nos olhos, e daquela foi quando lhe perguntei se me deixava convidar a mim e se queria ir ao Safary Park, o da voz que anunciava Natureza selvagem, Lobos, osos e bestas feroces!.

Mas ela deu um passo atrás, e dixo Nom.

- Nom soporto a crueldade nem a violéncia. E aí dentro todo é inhumano. É a cousa mais inhumana que poidas imaginar. Animais em gaiolas, angústia, maus tratos… Entrei umha vez há anos e com o recordo vem umha náusea que se converte em rábia. Havia dous lobos e um oso, e vários mandris fechados e caminhando em círculo constantemente, loucos… O coidador é umha persoa ruín que bate seguido nos animais com umha barra de ferro… bate neles, bate, bate, a dor, sabes… Ao oso já lhe rompeu vários ósos… Esse si que é um monstro…

- Gostas das orquestras?, perguntei-lhe.

No campo da feira havia milheiros de persoas. Achegamo-nos ao palco da orquestra abrindo caminho entre a gente, a equilibrista levava-me da mao e avançavamos, com umha curiosa facilidade, como um coitelo a abrir caminho na manteiga.

Bailamos umha lenta e abraçamo-nos e voltamos á praia, ver a lua sobre o horizonte.

- Sabes, os nomes das persoas da minha família, desde hai muitas geraçons, som nomes de corpos celestes. Meu pai é Júpiter, como meu avó, e meus irmaos Sol, Libra, Plutom e Mars.

- Por que?

- Porque sabemos estar aí arriba… Se umha estrela caesse do céu seria a fim do mundo, nao é?

- E o perigo?

- Quase sempre actuamos com rede. Mas quando é preciso…, quando necesitamos demostrar quem somos, a rede sobra. Por isso minha mae aprendeu-me as sete palavras para nom cair… Antes de dar o primeiro passo no arame sempre as pronúncio: Eu nom som umha estrela. Som umha mulher. Adiante!

- …

- A noite que ela morreu, em Barcelona, era umha dessas noites especiais. E eu mirei-na cair como umha estrela fugaz…. Lembro a estela prateada do seu vestido de espelhos....

- …

- Só existe umha forma de me fazer perder o equilíbrio…,- dixo um pouco despois.- Vou-cho contar porque confio nas persoas que tenhem livros de Jack London… Se entre a gente do público, lá abaixo, alguém, umha só persoa, soprar com toda a sua força enchendo e vaciando os seus pulmons para a mim quando estou a caminhar no arame,… a força dessa brisa humana pode tumbar qualquer equilibrista… Esse sopro pode desquilibrar um funambulista com a força dumha turbuléncia que bate contra um aviom.

- Queres vir á minha biblioteca e escolher um livro e Jack London? Tenho 37.

- 37 livros de London! Meu bisavó foi o primeiro que cruçou de lado a lado numha corda tensa o salto de Iguazu. Penso que ir á tua biblioteca nom pode ser mais perigoso…

- Claro que há ofícios mais arriscados…,- explicou-me no elevador-. As estatísticas dizem que há mais mortes nas famílias de lançadores de coitelos… Por certo, tu em que trabalhas?

- O que?

- Em que trabalhas?

- Nom pareço um funcionário?

- Vaia, nom debe ser muito emocionante, nao e? Pronto! Só tes livros de Jack London!!!! -exclamou diante dos volumes.

Eu encolhim os ombros.

E ela escolheu Moolai, o leproso, umha ediçom com umhas ilustraçons magníficas á aguarela, e achegou-se ao balcom. Um décimo andar.

- Nom me explico como a gente pode viver a tanta altura… Nom é natural, dixo, e botou-se para atrás…-

- Tes vertige!?

- Tenho…, fora do arame.


A mediodia na alameda havia tanta gente para ver os funambulistas como na verbena da noite anterior. Sabiamos que probavelmente nunca voltaria pola nossa vila um espectáculo como aquel. O arame atravessava o paseo da alameda por riba das palmeiras, os plátanos e o jardim, e alá arriba a família de equilibristas Solaris, que cruçaram Manhattam caminhando sobre arames tendidos entre 24 prédios, saudavam-nos respectuosamente com as maos, a cámara lenta.

- Sabes quantos ósos rompím caíndo do arame?, - dixera-me antes de ficar durmida a noite anterior- O primeiro aos seis anos, este, -sinalou a tíbia da perna direita-.

- Seis? Sete? Mais?

- 17.

- A clavícula, 3 vezes. Se nom fosse equilibrista… Sempre sonhei com ser médico. Traumatóloga. Sempre que rompia um óso, em Roma, em Croácia, onde for, as persoas que me atendiam vestidas com batas branquíssimas convertiam-se nas persoas mais importantes da minha vida… Delas dependia que voltasse a caminhar ou a escreber ou a ser eu mesma, dixo levando a mao á cabeça. Em fim se tivesse a oportunidade gostaria de ser umha dessas persoas que arranjam os ósos rotos…


- E este livro… Como começa?, perguntou ela.

- Como?

- Como começa o livro? Sempre gostei mais dos princípios que dos finais…

- Daquela nom pensas que é melhor que nom che diga nada?



Ás doce vim como Estrela saudava no alto da andamiagem metálica a mais de vinte metros de altura, com um vestido vermelho, com as outras seis persoas da sua família que erguiam as maos para o céu. Juntos, vestidos de diferentes cores, era como se formassem um arco da velha.

Com os olhos entreabertos vim que antes de dar o primeiro passo Estrela livrava dos lábios aquel poema: Eu nom som umha estrela. Som umha mulher. Adiante!

O arame sobre o que pissou apenas era visível debaixo do seu pé esquerdo. E quando chegou a néboa, de súbito, Estrela com o seu vestido vermelho semelhava caminhar de veras sobre o ar, no céu azul e branco. Olhei a gente que, abraiada, fitava para arriba deixando entrar a néboa nas suas bocas abertas pola admiraçom.

E si, claro que o pensei, pensei, e se agora sopro? E se agora soprasse, pensei, poderia faze-la cair?

Olhei outra vez o público com medo de que a alguem, a um neno, por exemplo, se lhe ocorrese soprar.

Quando chegou ao outro lado do arame e recebeu os aplausos e bravos do público e olhou cara abaixo para saudar eu imaginei que me estava a buscar a mim entre a gente e por isso colhim o meu carro e marchei longe.

Imaginei-na esperando por mim despois do espectáculo e achegando-se ao meu edifício e chamando ao timbre repetidamente e olhando para arriba o balcom baleiro do décimo andar.

Nunca lim um livro de Jack London. Merco os livros polos desenhos de aventuras e violéncia. Eu nom leo.

E nunca mais voltei a ver a Estrela, fóra dos sonhos e dos pesadelos. Nos sonhos beijo-a delicadamente.

Nos pesadelos Estrela sempre é umha manifestante vestida de vermelho que aparece de súbito no médio dumha carga e eu bato nela, bato nela, bato nela nas pernas, nas costas, nos braços, e crac, rompo-lhe um óso.




...

Tominho, 2010
Comentários (13) - Categoria: Geral - Publicado o 13-06-2011 20:45
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Budismo e língua. Entrevista ao monge Martín Thupten Chophel


A língua tibetana é falada por mais de seis milhons de persoas, quase cento cincuenta mil exiladas do Tibete. O nosso interesse pola língua tibetana apareceu quando há menos dum ano puidemos olhar na rede manifestaçons de escolares tibetanos a protestar nas ruas em resposta ás medidas do governo chinés contra os livros de texto em tibetano.

Numha das páginas sobre a língua do Tibete demos com este texto dirigido aos falantes de tibetano:

Se nom respiras,

Nom há aire.

Se nom caminhas

Nom há terra.

Se nom falas

nom há mundo.

Assi que, por favor fala

A tua língua nativa.


Na viagem pola rede atopamos cousas sorprendentes, como umha guia com Dez Caminhos para promocionar a língua tibetana
. Ou a história dos mosteiros onde por cada palabra chinesa –chinesismo- pronunciada ao falar tibetano a gente paga voluntariamente um yuang.



Protesta a favor do tibetano no ensino

Ou vídeocreaçons mui emocionantes. Ou um movimento de professorado em defensa da língua própria

Importáncia da Língua

Mas, despois de continuar a nos documentar sobre o Tibete, tamém descobremos a importáncia que a língua e a linguagem tenhem na identidade daquel povo, fondamente espiritual.

E assi, por exemplo, como na espiritualidade cristiá se fala de corpo e alma, no budismo fala-se de corpo, alma e fala, triada que se relaciona com tres símbolos: o buda, a pagoda, e o livro. Os livros com darma, com ensinanzas, som mui respectados. Nom se podem deixar no chao, por exemplo. Por outro lado, cumpre saber que se acadam méritos espirituais escrebendo e que –como na espiritualidade japonesa- tamém no Tibete a caligrafia tem umha dimensom sagrada.

A exteriorizaçom da linguage através dos sons vibracionais dos mantras –em sánscrito- ou a importáncia que se lhe concede á veracidade na comunicaçom e o rejeitamento da charlatanaria som mostras da importáncia que o budismo atribue á linguagem.

Quem nom viu girar nos templos budistas os rolos quen contenhem os tantras? Pois nesse gira gira dos rolos estám a girar as palavras. Que contenhem as bandeirolas de cores que ondeam ao vento nas montanhas do Tibete? Palavras em tibetano.

A curiosidade levou-nos a achegar-nos a esta cultura que respecta a linguagem, a língua e as palavras dum jeito fundamental e, logo de descobrer um artigo em internet sobre Rosalía de Castro e o budismo, decidimos pór-nos em contacto com o autor dessa aproximaçom á obra rosaliana.



Com toda generosidade, o monge budista Martín Thupten Chophel, de Vigo, respostou ao nosso interese. Eis a entrevista:

P. Que lugar ocupa a língua, a linguagem, na espiritualidade budista?

R. A lingua é moi importante segundo o Budismo. Cando alguén escribe unha idea no seu idioma, utiliza as palabras máis axeitadas, se logo se traduce este texto, pódense perder matices moi importantes, que poden alterar a intención e a transmisión da idea orixinal. No Budismo, e por suposto entre o pobo tibetano, tamén se dá unha grande importancia á transmisión oral dun texto. Se un ser logra comprensións superiores da vida, do mundo, chamadas normalmente realizacións, débense transmitir coa palabra non só a través dos escritos. Deste modo, aínda que os futuros lectores non estean en contacto con este mestre e por tanto non poidan recibir a transmisión oral do texto d´El, poden recibila de alguén que a recibiu antes; e logo eles tamén poden transmitila. É como se a forza e as bendizóns da persoa que escribe o texto orixinal, se puidesse transmitir se se mantén unha liñaxe ininterrumpida, así por xeracións e incluso séculos. O Budismo e os tibetanos coidan moito isto que chaman a bendizón da liñaxe. A forza do mestre orixe chega a nós por medio da liñaxe. Isto é clave para entender a cultura tibetana, e a budista en xeral.

Rosalía e budismo

P. Escrebeu um artigo sobre Rosalia de Castro desde o ponto de vista do budismo. Que veu na poesia dessa mulher do século XIX um monge budista do século XXI?

R. Vexo unha persoa, sabia e sinxela, de moi bo corazón, que concentrou unha forza e enerxía inmensas nas súas palabras para poder facer disfrutar aos demáis e que chegará por moitas xeracións. As súas raíces eran cristiás, pero fala de conceptos e de formas de ver a vida que en moitos casos coinciden con moitas meditacións budistas clásicas. Conéctame co sentimento, máis que coa razón. Tamén me conecta coas miñas raíces galegas, nas que atopo moitos puntos en común co budismo e así me axuda a camiñar mellor.

P. Podes explicar-nos brevemente a situaçom actual da língua do Tibete?

R. Non son un experto no tema. As noticias que teño son que os rapaces non poden estudar tibetano nas escolas, que non utilizan textos tibetanos nas escolas. E nos mosteiros, onde estudan as ensinanzas de Buda e outros mestres, en textos tibetanos antiquísimos, o goberno chinés quere traducilos ao chinés mandarín, para que non estuden en Tibetano.

P. O doutor Lobsang Sangay acaba de ser eligido primeiro ministro para o governo tibetano no exílio logo que o Dalai Lama anunciara que renúncia a liderar o movimento tibetano. Que lugar ocupou e ocupam as reivindicaçons a favor da língua tibetana no movimento tibetanista?


R. Non che podo dicir qué lugar, pero si que é unha reivindicación importante.

Ocupación

P. Estiveches no Tibete? Tes algumha experiéncia, algumha anécdota em relaçom com o tibetano?

Non estiven no Tíbet agora ocupado por China, estiven nunha parte do Tíbet que os ingleses se anexionaron hai máis de 100 anos e que agora pertence á India, e goza de tranquilidade e liberdade para os tibetanos que viven alí. Tamén estiven en cidades e mosteiros onde viven tibetanos exiliados e convivín con eles varios meses. En relación ao tibetano, é interesante dicir que non existía a palabra aburrimento no seu dicionario. Supoño que xa terán unha palabra para isto agora. Iso era un indicativo de que era unha xente feliz e activa.

P. Está o chinés intentando desprazar o tibetano como língua do Tíbet?

R.Totalmente.

P. Gostei muito do poema A Fervença da Juventude, umha chamada á mocidade para o rexurdimento do Tibete, um canto á vitalidade, do poeta Dhondup Gyal. Num momento escrebe:

A fonte da fervenza fica nas neves profundas
e o seu final junta-se com o oceano
A tua historia é longa
e gera orgulho e dignidade
o teu coro de tempo tam melodioso
é a nossa inspiraçom e poténcia.

Podes escoita-la? A fervenza!


Conheces esse poema? Que che parece?

R. Non o coñecía. É bonito. Eu engadiría que debemos levar a xuventude sempre no noso interior independentemente dos anos. Talvez quere dicir iso pero me gostaría aclaralo máis.

Galego e tibetano

P. Som o tibetano e o galego, em certa medida, línguas irmás? Que compartimos @s galeg@s e @s tibetan@s?

R. Non son linguas irmás gramaticalmente. O alfabeto e a orde no que se escriben as palabras son totalmente diferentes. O alfabeto tibetano fíxose adaptando o sánscrito ás peculiaridades sonoras dos tibetanos.


Compartimos o que queiramos chegar a compartir, depende de cada quen. Eu comparto o Budismo en toda a súa amplitude. Outros, as poesías dos místicos. Outros, a fermosa natureza tanto alí como aquí. Recordando a Galicia rural predominante de hai tempo, vivíamos todos en contacto coa natureza, e con medios moi simples, valorando as cousas pequenas. Eu teño referencias por parte da miña nai sobre a aldea onde viviu moitos anos de pequena. Tamén Galicia é un pobo bastante relixioso, ao igual que o tibetano.

R. Na história do nosso país, a religiom maioritária tivo umha relaçom de oposiçom a respeito do desenvolvimento da língua galega –salvando as correntes galeguistas internas, mui febles-… É sensível o budismo galego com o proceso de revitalizaçom social da nossa língua?


Neste punto podo dicirche que o Budismo Galego somos un colectivo moi pequeno, e aínda non nos plantexamos este tema como colectivo. Non é fácil ser Budista en Galicia, en moitas ocasións, polo descoñecemento que amosa a xente sobre El. Penso que deberemos colaborar, e quizás estas palabras miñas son una mostra do meu interese por isto.

P. Desde o ponto de vista do budismo, quais seriam as vias para que a língua galega resista as contrariedades presentes?


R. Sempre o camiño medio, sen extremos, nin tensar demasiado a corda da arpa pois se pode romper, nin afrouxala demasiado pois non soaría. Nunca a violencia.

P. E, tamém, desde essa perspectiva filosófica, espiritual, quais pensas que seriam os caminhos mais criativos para a revitalizaçom social da nossa língua?


R. Os espazos sociais fora dos traballos e colexios. A xente está moi receptiva nas asociacións veciñais, centros cívicos, clubes deportivos, grupos de calquera clase. Crear grupos altruistamente para beneficiar a sociedade, falen galego ou castelán, e neses grupos falar en galego.

P. Que significa o teu nome, Thupten Chophel? Como mudarom a tua vida essas duas palavras?

R. Thupten Chophel, significa, que a miña cualidade principal para alcanzar a iluminación é incrementar o darma. O darma é todo o que move a sociedade e persoas cara á súa evolución e crecemento. As palabras, penso que en momentos de dúbidas me indican por onde tirar no camiño.
Comentários (8) - Categoria: Desenhos - Publicado o 12-06-2011 16:49
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A muller que cambiaba as cousas de sitio


Na casa da muller que cambiaba as cousas de sitio as culleres podían aparecer debaixo da almofada ou vagalumes no vertedeiro. As flores máis vermellas do cemiterio aparecían no taller de chapa e pintura e fieitos oxidados no Museo de Arte Contemporánea. Os tractores cruzaban o ceo. Din que un día ao fechar a porta da casa para saír e dar un paso adiante, volveu entrar. Tamén cambiaba os camiños. Unha vez fun con ela polo do matadoiro e o camiño levounos ao muíño. E din que cambiaba os soños de quen durmía con ela polos seus.

Quen falaba con ela cambiaba a súa forma de ordenar as palabras e era moi difícl seguir pensando igual. Descubrías que sempre hai un lugar mellor para algunhas das túas cousas e as túas ideas. Hai anos unha muller foi falar con ela e ao día seguinte cambiou de home para ser feliz.

A xente di que hai cousas que nunca cambiarán, que foron sempre igual e que deben seguir así. É certo que cambiar as cousas de sitio non é fácil. Custa traballo. Mais ela conseguiu que as pedras máis pesadas fosen dun lugar a outro. A néboa tamén. Empuxaba dela coas palmas das mans abertas e movíaa como se fose un globo gris de helio. Ela cambiaba as cousas. Sabía facelo. E nada podía resistírselle. Aí vén, dicía a xente, e mirábaa pasar cun sorriso amábel e un vestido azul.

Hai tempo, dicían, falou co ferreiro e ninguén sabe cómo mais din que lle mudou o futuro. Consegue que as cousas de ferro se movan de seu. E hai dous días cambioulle o pasado a Orlando, o portugués. “Custa traballo, -díxolle-, mas só com trabalho se tem direito ao sonho”. Din que Orlando tiña cousas esquecidas nalgún lugar e conseguiu recuperalas e que outras as levaron ao río e os dous miraron como marchaban cara ao mar. E que logo el botou un caravel vermello pola boca.

Rosa contoume que a ela lle cambiou de lugar a ilusión. Agora tena máis perto, no ombro esquerdo, xusto encima do corazón. E se te achegas, podes ver que Rosa aprendeu a mover de sitio cos ollos fechados o lunar que ten ao lado da boca. Hai moitas cousas por cambiar de lugar, dicía. Vós tamén podedes facelo.

Custa traballo mais é posíbel. A resignación, por exemplo, resístese a moverse case tanto como as pedras. Mais se en vez de mirar cara abaixo erguedes os ollos e a descubrides, podedes collela cos dedos como se fose un insecto e deixala noutro lugar. E o mesmo sucede coa liberdade, dixo onte a muller que cambiaba as cousas de sitio á beira do Ulha antes de marchar. Se credes nela, podedes traela dos soños entre moitos e moitas á vosa forma de ollar.



Séchu Sende, Orixe, Ed. Galaxia, 2004


...


Ás mulheres da Casa Encantada, a Rozio, e hoje, a Estrela e a Andrea Nunes
Comentários (8) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 12-06-2011 09:47
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Filminuto: "Rexime especial de pesca"


Um flminuto realizado em 2007 polo alunado do IES Marco do Camballón, Vila de Cruces, Galiza, Europa. Gracinhas a Carlos Meixide e a Tomás Lijó.
Comentários (9) - Categoria: Geral - Publicado o 09-06-2011 16:08
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Papamoscas


Um filminuto realizado polo alunado do IES Marco do Camballón, Vila de Cruces. 2006
Comentários (9) - Categoria: Geral - Publicado o 06-06-2011 20:36
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Jornadas de portas abertas no Mosteiro de Oia


O Mosteiro de Oia abriu as suas portas ao público durante um fim de semana despois de cinco anos fechado.

Nestas Jornadas de portas abertas, organizadas por ACAMO, "Asociación Cultural de Amigos do Mosteiro de Oia", puidemos tirar umhas imagens que visibilizam a situaçom actual, ruinosa, do que foi um dos Mosteiros mais importantes da Europa.

Um home de mais de noventa anos achegou-se á gente da Asociaçom o primeiro dia emocionado: fora apresado em Catalunya e cumpriu os 18 anos no campo de concentraçom fascista em que se converteu o mosteiro baixo o regime de Franco.

Junho 2011.
Comentários (8) - Categoria: Desenhos - Publicado o 06-06-2011 13:40
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