Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

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Maite zaitut



Ehun aldiz idazten dut gaur Maite zaitut
ehun aldiz idazten dut Maite zaitut maite zaitudalako
eta Maite zaitut idazten dut barruan sentitzen zaitudalako
eta hitzetatik kanpora eta isiltasunean ere.

Nire hizkuntzan idazten dut Maite zaitut
zure hizkuntzan, gurean.
Esku ahurrean idazten dut Maite zaitut
eta zure lepoan idazten dut Maite zaitut lo zauden bitartean
eta gaur eramaten duzun arropetako
etiketetan idazten ditut Maite zaitut txikiak.

Eta Maite zaitut idazten dudanean iragana denez,
gaur ere idazten dut Maite zaitut etorkizunean,
eta kaleetan espraiarekin idazten dut Maite zaitut,
pasatzen zaren eta inoiz pasatzen ez zaren kaleetan,
eta Maite zaitut idazten dut zure itzalaren barruan
eta zure zapatetan eta zure txorietan.

Maite zaitut idazten dizut morse kodean
zuk eskatzen didazun lekuan mihiaren puntarekin
-- .- .. - . --.. .- .. - ..- -

Maite zaitut mamut bat bezain handi,
hamaika letrako konstelazioa bezain txiki,
bi haranen arteko arroa bezain luze,
eta, inperfekzioa bezala, perfektua.

Maite zaitut idazten dut nire hizkuntza maitalean
batzuetan errealite bihurtzen diren
ametsetan miazkatu zaitzaten.
Eta idazten dut Maite zaitut ez naizelako beldur,
eta mundua aldatzeko idazten dut Maite zaitut.

Maite zaitut idazten dut leku komunetan
eta sekretuetan.
Maite zaitut ere idazten dut
ahosabaiarekin.

Maite zaitut idazten dut zure aterki morean,
eta Maite zaitut idazten dudan lekuan jaiotzen da ortzadarra.
Erosketa zerrendan idazten dut Maite zaitut
hitz laranja eta hitz artazien artean
eta idazten dut Maite zaitut botila baten barruan.

Pertsona asko gara gaur
Maite zaitut idazten dugunak Maite zaitut-en herrian,
mila Maite zaitut gure hizkuntzan,
larruan, zuhaitzetan edo hormetan idatziak.

Nire hizkuntzan inork idazten duen
Maite zaitut bakoitzean
dago nire Maite zaitut,
dagoen lekuan dagoela.

Maite zaitut-ek distira egiten du,
horregatik idazten dut Maite zaitut,
nik beste pertsona askorekin batera
gaur ere idazten ditugu
miloika Maite zaitut lurreko bost mila hizkuntzetan egunero.


...


Traduçom ao euskera de Txerra Rodríguez


...

QUERO-TE

Escrevo Quero-te cem vezes hoje
cem vezes escrevo Quero-te porque te quero
e escrevo Quero-te porque te sinto dentro
e fora das palavras e no siléncio.

Na minha língua escrevo Quero-te
na tua língua, nossa.
Na palma de minha mao escrevo Quero-te
e escrevo Quero-te no teu ombro quando dormes
e Quero-tes pequenos nas etiquetas
da roupa que levas hoje.

E porque quando escrevo Quero-te já é passado
hoje escrevo tamém Quero-te no futuro,
e escrevo Quero-te com sprays nas ruas
polas que passas sempre ou nom passas nunca,
e escrevo Quero-te dentro da tua sombra
e dos teus zapatos e dos teus paxaros.

Escrevo Quero-te em código morse
com a ponta da língua onde me pidas
-.- . .-. ---- - .

Um quero-te como um mamut de grande,
pequeno como umha constelaçom de sete letras,
longo como um arró entre dous vales
e, como a imperfecçom, perfecto.


Escrevo Quero-te na minha língua amante
que te lambe nos sonhos
que ás vezes se volvem realidade.
E escrevo Quero-te porque nom tenho medo,
e para cambiar o mundo escrevo Quero-te


Escrevo Quero-te nos lugares comuns
e nos segredos.
E escrevo Quero-che tamém
palatalmente.

Escrevo Quero-te no teu paráguas violeta,
e onde escrevo Quero-te nace o arco da velha.
Na lista da compra escrevo Quero-te
entre a palavra laranjas e a palavra tesoiras,
e escrevo Quero-te dentro dumha botelha.

Somos muita gente hoje
a escrever Quero-tes no país dos Quero-tes,
milheiros de Quero-tes na nossa língua
escritos na pel, nas árvores ou nas paredes.

Em cada Quero-te
que escreve alguém na minha língua
está o meu Quero-te
alá onde esteja.

E porque um Quero-te é umha palavra que brilha
escrevo Quero-te,
tamém eu com toda a gente
que hoje escrevemos
milhons de Quero-tes nas cinco mil línguas do planeta cada dia.

Comentários (49) - Categoria: Geral - Publicado o 30-05-2012 15:23
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A língua mais difícil do mundo


Umha leitura emocionante da gente nova de 6º no Colégio Luis Vives de Ourense.

Comentários (27) - Categoria: Desenhos - Publicado o 25-05-2012 20:36
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Os mouchos de porcelana nos telhados, entre as antenas


Forom aparecendo pouco a pouco nos telhados da minha vila e agora podo contar 23 desde a janela do meu cuarto: mouchos, avelaionas e curuxas de louça. 23 mouchos de porcelana com a olhada opaca.

Erguem-se inmóveis entre as antenas, sobre as telhas e as cheminés, com os seus olhos grandes cheios de siléncio.

Pugerom-nos para as pombas e as gaivotas fugirem deles, para manter limpas de excrementos as terraças, os carros, as janelas, a roupa tendida e, em fim, a vida.

Os 23 mouchos de porcelana de olhada opaca no teso dos telhados vigiam a vila desde o alto e lograrom asombrar os paxaros vivos.

Numha casa baixa, -minha mai dixo-me que ali vivia um professor de biologia-, o moucho é de louça de Sargadelos.

Houvo um tempo no que muitos dos comércios da vila tinham na montra mouchos de porcelana. Ter um moucho no telhado converteu-se numha espécie de necessidade. Minha mai tamém pensou em mercar um, como toda a gente.

- Podes mercar um dálmata, mamá, e ponhe-lo ao lado das antenas.

Mas as olhadas baleiras e presas dos mouchos de louça, de ali a um tempo, forom descubertas polo instinto dos paxaros livres. E finalmente, pouco a pouco, as pombas e as gaivotas regressarom. E começarom a cubrir com os seus excrementos os 23 mouchos de porcelana.

Agora ás vezes as gaivotas e as pombas pousam sobre a cabeça dalgumha das aves que a gente fora mercando na tenda dos chineses e descansam sobre o depredador sem vida.

Mouchos com pombas na cabeça.

Hoje estava a olhar os mouchos desde a janela quando sucedeu algo asombroso e irreal, no lusco-fusco: Um dos mouchos dum telhado á minha esquerda de súbito moveu-se e, numha pulsaçom rápida e violenta, caçou umha pomba branca.

Com a pomba nas poutas ergueu-se e, a voar silencioso e com a sua olhada brilhante, desapareceu cara á montanha.

Manhá talvez regrese.
Comentários (35) - Categoria: Desenhos - Publicado o 23-05-2012 15:09
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Decálogo d@ profe de língua



1. Tu es umha persoa e cada umha das tuas alunas e alunos som persoas. Sodes, pois, persoas. Sodes iguais...e diferentes. Tu tes mais anos e pode que leras mais livros que muit@s alun@s..., ademais tu es @ profe, e cobras por isso. Sodes iguais e sodes diferentes mas este curso tedes algo em comum, entre outras cousas: a língua galega.

2. Um dos teus obxectivos principais será que pareça que os 50 minutos de cada aula durem muito menos. Aprender goçando. A formaçom em dinamizaçom de grupos é fundamental para qualquer profe. @s profes guais formarom-se, fixerom cursos e lerom livros de animaçom sociocultural. A língua galega necesita profes facilitadores, dinamizadores, animadores que facilitem a adquisiçom, dinamicem a aprendizagem e animem ao uso. @s profes list@s sabem que adquirir destrezas em dinamizaçom de grupos resolve muitos problemas.

3. O trabalho com actitudes, valores e normas sociolingüísticas é fundamentalíssimo! Pode ser mais importante que um aluno ou aluna reconheça e supere um prejuíço que que escreva um exame sem faltas de ortografia, porque um prejuíço pode fazer que um aluno deixe de escrever em galego quando já nom tenha que fazer exames.

Neste momento histórico é prioritário que o alunado seja sensível e consciente do conflito lingüístico e vaia construíndo umha perspectiva crítica com a realidade social, da que forma parte. Que sejam menores de idade nom significa que nom sejam cidadás. A primeira liçom: som as persoas as que prestígiam ou desprestígiam umha língua, nom som as línguas as que dam mais ou menos prestígio ás persoas.

4. A gente nova mais que ser parte do problema actual da língua é parte da soluçom.

5. O preço do azúcar, o sexismo, usar a bicicleta, as leis contra o tabaco, a destruçom da natureza, a sanidade pública, a maioria de idade, a língua... todo é política. Política é qualquer cousa que nos afeta como cidadáns e cidadás que formamos parte dumha sociedade. Ninguém é apolítico porque vivemos em sociedade. Outra cousa é ser partidista ou apartidista. E estamos a falar da área de língua e sociedade. Por isso é importante, por exemplo, debater na aula: Que importáncia tivo e tem o Xabarim Club? Porquê nom há um programa de música rock na TVG? Quem nom pode ligar em galego?

6. É importante botar-lhe um olho a algum livro de psicologia social. A língua é um factor vital de identidade persoal e de socializaçom. Há algumha gente inadaptada social e culturalmente por questiom de língua que mesmo está em contra do nosso idioma. Facilitemos que o nosso alunado -fale mais em castelám ou mais em galego, só em galego ou sempre em castelám- participe da dimensiom socializadora da língua sentindo-se parte da comunidade d@s galego-falantes. Facilitemos que o nosso alunado enriqueza a sua identidade persoal em galego.

7. Se lhes pedes respeito, deves respeitar, se lhes pedes criatividade deves ser criativ@, se lhes pedes trabalho, deves ser trabalhador/@, se lhes pedes participaçom, deves ser participativ@, se lhes pedes comunicaçom, deves ser comunicativ@, se lhes pedes que aprendam, deves aprender com el@s, se lhes pedes que cámbiem, deves cambiar tu tamém, se queres que confiem em ti, deves confiar nel@s, etc.

8. Se pensas que o que fazes nom cámbia o mundo, @ alunado nom aprenderá de ti a cambiar as cousas. Nem sequera um b por um v. Se pensas que o que fazes nom cámbia a situaçom da nossa língua, o teu alunado nom aprenderá de ti a mudar a situaçom da nossa língua. Recorda que o pesimismo paralisa e destrue. Nom é educativo. As normas sociais –invisíveis, tácitas- ditam o que é normal ou nom é normal. Mas essas normas podem cambiar. A forma em que cada profe dá as aulas pode perpetuar normas sociais injustas ou pode ajudar a cambia-las.

9. Os livros de texto podem servir de ajuda. Mas os melhores modelos lingüísticos estám nas ruas, na tele, nos livros, nos dicionários, nos jornais, nas etiquetas dos alimentos, nas guias telefónicas, nos cds, nos dvds, em internet, nas nossas conversas. O melhor material é que elabora cada um/ha de nós.

10. Deves levar a escola ás ruas e fazer entrar a sociedade na escola. A língua vive na sociedade. A aula nom pode ser umha borbulha. Sae da aula com os teus alunos e alunas. Sae da aula e vivide a língua com a gente que a fala ou a despreça, com a gente que a aprende ou a ignora, com a gente que a construe ou a destrue. Há milheiros e milheiros de persoas que inzam de vitalidade a nossa língua na sua vida diária. A exposiçom a modelos reais é fundamental.

Anima-te. Sempre há dias piores e dias melhores. Lembra os bons momentos e colhe força porque há muito trabalhinho por diante e a gente nova necessita-te.


....


Publicado em 2009, na revista do STEG.
Comentários (24) - Categoria: Desenhos - Publicado o 22-05-2012 20:07
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O fósforo que aínda arde

Estavamos a jantar no Refuge du Passe a uns metros da Université Sorbonne e, logo de que nos falasse da sua primeira viagem á Galiza, perguntei-lhe a Bernardo Atxaga, o escritor basco: E a José Afonso… naquela altura chegaches a ver cantar a José Afonso?Atxaga sorriu e dixo: José Afonso durmiu na minha casa duas noites. Que? Si, deveu de ser no 77 ou 78… quando foi a Bilbao, cantar num concerto com Oskorri. Foi numha sala ao final da rua Iturribide… Tenho a sua discografia enteira. E Bernardo Atxaga botou-se a cantar A garrafa vacia de Manuel Maria!

Celso Fernández e mais eu foramos a Paris convidados por Martinha Varela, do Centro de Estudos Galegos. Eu compartira essa manhá, com Bernardo Atxaga e a valenciana Isabel Garcia Canet, umha mesa redonda sobre a literatura das línguas minorizadas no estado espanhol. E Celso ao dia seguinte tinha duas sesions de conta-contos. Tes que escrever um conto que se chame O Paxaro Quase-Quase, dixo-me despois da sobremesa. E o Corvo Talvez.

Com Marcos Giadás, que nos acolheu na sua casa de Alfortville, um dos bairros das banlieues que arderom de raiba no 2010, descobrim em internet que no 1969 o Zeca participou no concerto Le chançon de combat portugaise, na sala da Mutualité de Paris. E que no 81 cantou no Théâtre de la Ville.

Assi que cambiei de plans para aqueles dias, adeus Pompidou, e a sexta, 13 de abril de 2012, comecei a procurar o rasto de José Afonso em Paris. A primeira parada foi perto do Pantheon, na Librairie Portugaise- Brasilienne. Ali merquei o livro Vingt chansons de mai, traduzidas por Dominique Stoenesco, da Association Memória Viva de Paris . E logo de comer um bocata de porco vietnamita ao pé do Sena, entrei no metro para achegar-me, no Boulevard la Tour Maubourg, ao Centro Calouste-Gulbenkian e ali…

Ali achei o rosto da utopia. O rosto da utopia foi o livro que me trouxo amavelmente a bibliotecária da Gulbenkian, escrito por José A. Salvador em 1994, com referéncia 929 Afonso, ETN, 340, Sociologia.

Molhei os dedos nos lábios para passar as páginas. De entrada descobrim que o Zeca escreveu, nos seus tempos no Colégio Mangualde, em Setubal, umha tese sobre Sartre e que um tal Padre Miguel lhe dixo: “O senhor pelo que li apresenta inequívocos indícios de poeira mental”.

Molhei outra vez os dedos e ao passar a página achei, sorprendendo-me, a foto do cartaz do concerto de 1981 em Paris, colado no metro. Tirei-lhe três fotos.






No meu terceiro dia em Paris acheguei-me ao mercado de Poisy, um dos bairros de forte inmigraçom portuguesa, e entrei no bar Coímbra. Celso achegou-se ao Marché des Puces de Clignancourt, olhar fotos e postais antigas.

Faltava-me o final da história e havia que intenta-lo. Assi que quando aquela mulher, olhos negros, sesenta anos, me serviu a ginginha, eu falei-lhe: Olá, bom dia, venho da Galiza, de Santiago de Compostela, e estou a procurar informaçom sobre a presença do Zeca Afonso em Paris… Sabe quem me poderia ajudar?

Ela dixo simplesmente: Eu. E foi-se embora. E regresou com mais um copo e serviu-se ginginha e dixo: Em 1981 veu cantar ao Théâtre de la Ville, e despois do concerto eu esperei por ele. Queria dar-lhe dois beijinhos, eu adorava ao Zeca. Havia muita gente. Ele tirou um cigarro, levou-no á boca, mas nom tinha lume. Eu, ligeira, prendim um fósforo e protegendo-o assi, com esta mao, acheguei-lho a arder. E assi foi… Eu dei-lhe lume a José Afonso, dixo orgulhosa aquela mulher, a sorrir com muito ar no peito.

Tenho-o ca, dixo, o fósforo. Vou por ele. E foi-se e voltou com um envelope de papel amarelecido, quase transparente. A mulher que lhe deu lume a José Afonso em Paris abriu o envelope, tirou o fósforo, mostrou-mo termando del com o índice e o polegar, pousou-no em siléncio na mesa, dentro dum dos olhos da madeira, e eu tirei-lhe umha foto.





Parece que aínda arde…, dixo mui em baixinho.

Chama-se Patrícia Maria Verde Vilar. Antes de despedir-me perguntei-lhe: De que cançom do Zeca gosta mais? E ela dixo: Enquanto há força.
E eu saím a asubiar… Seremos muitos, seremos alguém.


...

Oublicado na revista do festival Terra da Fraternidade, em homenagem ao Zeca Afonso
Comentários (25) - Categoria: Desenhos - Publicado o 20-05-2012 13:34
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Quero-te



Escrevo Quero-te cem vezes hoje
cem vezes escrevo Quero-te porque te quero
e escrevo Quero-te porque te sinto dentro
e fora das palavras e no siléncio.

Na minha língua escrevo Quero-te
na tua língua, nossa.
Na palma de minha mao escrevo Quero-te
e escrevo Quero-te no teu ombro quando dormes
e Quero-tes pequenos nas etiquetas
da roupa que levas hoje.

E porque quando escrevo Quero-te já é passado
hoje escrevo tamém Quero-te no futuro,
e escrevo Quero-te com sprays nas ruas
polas que passas sempre ou nom passas nunca,
e escrevo Quero-te dentro da tua sombra
e dos teus zapatos e dos teus paxaros.

Escrevo Quero-te em código morse
com a ponta da língua onde me pidas
-.- . .-. ---- - .

Um quero-te como um mamut de grande,
pequeno como umha constelaçom de sete letras,
longo como um arró entre dous vales
e, como a imperfecçom, perfecto.


Escrevo Quero-te na minha língua amante
que te lambe nos sonhos
que ás vezes se volvem realidade.
E escrevo Quero-te porque nom tenho medo,
e para cambiar o mundo escrevo Quero-te


Escrevo Quero-te nos lugares comuns
e nos segredos.
E escrevo Quero-che tamém
palatalmente.

Escrevo Quero-te no teu paráguas violeta,
e onde escrevo Quero-te nace o arco da velha.
Na lista da compra escrevo Quero-te
entre a palavra laranjas e a palavra tesoiras,
e escrevo Quero-te dentro dumha botelha.

Somos muita gente hoje
a escrever Quero-tes no país dos Quero-tes,
milheiros de Quero-tes na nossa língua
escritos na pel, nas árvores ou nas paredes.

Em cada Quero-te
que escreve alguém na minha língua
está o meu Quero-te
alá onde esteja.

E porque um Quero-te é umha palavra que brilha
escrevo Quero-te,
tamém eu com toda a gente
que hoje escrevemos
milhons de Quero-tes nas cinco mil línguas do planeta cada dia.
Comentários (19) - Categoria: Desenhos - Publicado o 16-05-2012 11:38
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