Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

O autor solicita comunicar-lhe qualquer uso ou modificaçom da sua obra no email de contacto aqui sinalado.

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Os Mutantes


Ela é a minha menina

Ela é minha menina
Eu sou o menino dela
Ela é o meu amor
E eu sou o amor todinho dela
A lua prateada se escondeu
E o sol dourado apareceu
Amanheceu um lindo dia
Cheirando a alegria
Pois eu sonhei
E acordei pensando nela
Pois ela é minha menina
E eu sou o menino dela
Ela é o meu amor
E eu sou o amor todinho dela

A roseira já deu rosas
E a rosa que eu ganhei foi ela
Por ela eu ponho o meu coração
Na frente da razão
E vou dizer
Pra todo mundo
Como eu gosto dela
Pois ela é minha menina
E eu sou o menino dela
Ela é o meu amor
E eu sou o amor todinho dela

Ela é minha menina
Eu sou o menino dela
Ela é o meu amor
E eu sou o amor todinho dela
A lua prateada se escondeu
E o sol dourado apareceu
Amanheceu um lindo dia
Cheirando a alegria
Pois eu sonhei
E acordei pensando nela
Pois ela é minha menina
E eu sou o menino dela
Ela é o meu amor
E eu sou o amor todinho dela

A roseira já deu rosas
E a rosa que eu ganhei foi ela
Por ela eu ponho o meu coração
Na frente da razão
E vou dizer
Pra todo mundo
Como eu gosto dela
Pois ela é minha menina
E eu sou o menino dela Ela é o meu amor
E eu sou o amor todinho dela
Minha menina,
Minha menina...

...

Mais sobre Os Mutantes
Comentários (5) - Categoria: Geral - Publicado o 28-04-2009 20:43
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O atracador ventrílocuo


Isto sucedeu um dia de fevereiro de finais dos 70 na capital do país. Daquela os bancos e caixas de aforro eram asaltadas esporádicamente, unhas vezes por delincuentes comúns, outras por organizaçons políticas revolucionárias. Foi umha época na que os nomes dalguns atracadores de bancos mesmo acadaram a fama em letras grandes nas portadas dos jornais.

Mas um capítulo pouco conhecido na história dos atracos a bancos na Galiza foi a do atracador ventrílocuo. Ou atracadora. A natureza excéntrica deste asalto foi tal que –salvando os protagonistas mais directos do episódio- pouca gente chegou a conhecer a história porque os médios de comunicaçom silenciarom os feitos, diante das presions da empresa bancaria, por umha cuestiom de discreçom.

Foi precisamente umha das testemunhas directas quem, com muita memória e organizaçom narrativa, nos narrou a história.

Esse dia morreu Sid Vicius, o cantante de Sex Pistols, ou isso dixeram na rádio aquela manhá.

A sucursal estava chea de gente e sobre o siléncio escoitou-se umha voz:

- Isto é um atrrraco. Tenho umha pistola e vai em sérrrio. Que ninguén se mova!

O fio de voz era extremadamente estranho, nem grave nem agudo, e grave e agudo ao mesmo tempo. Tinha, si, um sotaque estrangeiro, como imitando ao ruso. Daquela era mui estranho escoitar um acento assi. Talvez fosse fingido.

Em principio ninguém se moveu. Havia dezaseis persoas na oficina e dous empregados do outro lado do mostrador. A gente, sorprendida, começou a mirar-se aos olhos, entre si, com nerviosismo. Mas a voz voltou a falar com umha autoridade violenta, quase selvagem:

- Se ninguém fai tonterrrías nom haverrrá morrrtos nem ferrridos. E agora mirrrem ao lado do parrragüeirrro. Vem essa pistola? É umha astrrra semi-automática. Está descarrrrgada. Tenho outrrrra igual com 6 balas.

A voz resoava na oficina sem um rostro que lhe dera corpo. Umha señora tivo a intençom de mover-se cara á porta mas quando deu o primeiro passo a voz berrou sordidamente:

- Dixem que ninguém se mova, oooostia!

A voz nem era de home nem de mulher, ás vezes semelhava infantil, outras, de anciá.

- Maos arrrriba. Arrrriba!!

As persoas olhavam-se entre elas mas ninguém dava identificado o atracador. Asombradas e com medo, estavam a asimilar que um deles era um atracador ventrílocuo, ou atracadora. Mas em todos os olhos se percebia o nerviosismo. E todas as bocas permaneciam fechadas. Todos os labios selados.

- Obedeçam a minha voz e nom passarrrá nada, - voltou a falar a voz, que ás vezes chegava de longe e ás vezes de perto- E agorrra, os carrrtos!

O atracador ventrílocuo conseguia falar sem separar os lábios e projectava a sua voz, -fazendo uso dumha capacidade fora do comum, inédita- conseguindo, com umha impresionante habilidade e perfecçom, que o sons semelhassem saír de diferentes lugares. O engano acústico era extraordinário, como estar diante do melhor artista de circo em pleno espectáculo, o melhor ilusionista sonoro, o melhor mago de palavras do mundo.

A voz estomacal dirigiu-se aos empregados do banco:

- Juntem os carrrtos se nom querrrem levarrr um tirrro na boca!

Quando reunirom todos os cartos encima dumha mesa a voz berrou, com vibraçom afrautada:

- Agorrra fagam 16 montons e repartam-nos entrre a gente a parrrtes iguais. Já!

Como autómatas, suando, os dous empregados da sucursal saírom do mostrador e começarom a fazer o que o atracador ventrílocuo ordenara, em siléncio.

- Colham o dinheirrro!

Umha señora abriu o bolso, um senhor fixo espaço no colo do jersey, umha moza, na mochila, outra, no sostém, e assi, pouco a pouco, os bilhetes de dez e cinco mil pesetas forom repartidos entre os clientes e o mimetizado atracador. Ou atracadora.

- Agorrra vamos saírrr todos mui, mui despacio! Que ninguem olhe carrra atrrrás! E quando saiamos á rrrua, vamo-nos separrrarrr mui amodinho...

A gente foise achegando á porta da oficina com passos pequenos e a voz seguiu explicando ferridamente:

- Se alguém bota a corrrer jurrro que leva um tirrro nas costas!

Despois, justo quando a gente começava a saír, ouviu-se, num tom mais humano:

- E nom esquecam que som os bancos os que nos rrroubam todos os dias! Eles som os ladrrróns. E nós temos que nos defenderrr dos usuerrreirrros!

E assi foi!

Daquelas 16 persoas, 12 regresarom ao banco passados uns minutos e devolverom o dinheiro. O atracador ventrílocuo –ou atracadora- e tres persoas mais nunca voltarom, levando cada umha 5 milhons de pesetas.

E a astra semi-automática abandonada resultou ser umha pistola de joguete.
Comentários (6) - Categoria: Geral - Publicado o 27-04-2009 17:52
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A viagem de Pancho Lapeña


De súbito aparece umha bolsa azul
no vento.
O vento vai recolhendo as bolsas azuis abandonadas.
Vemo-las passar de vez em quando
movendo-se em forma de oito ou em espiral.
Descansam derriba dos prados,
nos arames de espinho
ou em árvores frutais
atraídas por esses pedaços de espelhos
que penduram das ponlas.

Hai milhons de bolsas azuis a voarem no vento.
Se esperas um pouco nom tardará
em passar umha.
A gente pensa que as bolsas de plástico
vagam sem rumbo.
Todo o contrário, sempre vam cara a algures,
a morte.
Descobreu-no o mimetista Pancho Lapeña
que viajou vários anos detrás dumha bolsa azul
no vento.

Agora Pancho Lapeña está sentado
numha bombona de butano
e a bolsa azul de plástico descansa aos seus pés
entre umhas galinhas.
Quando volte soprar o vento ponheram-se em caminho.

Pola noite Pancho Lapeña enfoca a bolsa
com a lanterna que leva na fronte.
Quando dorme persegue a bolsa de sonho em sonho.
As bolsas azuis baleiras voam
lentamente cara á morte
como os elefantes aos seus cemitérios.

Muitas das bolsas que caem no mar
acabam nas gorjas das tartarugas.
E muitos corvos morrem com a cabeça dentro
de bolsas de plástico abandonadas.
Nom se sabe que buscam aí dentro.
As bolsas som grandes depredadoras.
Pancho Lapeña gravou em vídeo
como umha bolsa de plástico afoga um jílgaro
na beira dum rio.
Durante a sua viagem, a bolsa azul
intentou várias vezes
entrar na boca de Pancho Lapeña mentres durmia.

A raíz do estudo de Pancho Lapeña
sobre o comportamento das bolsas de plástico
famosos biólogos defendem que som seres vivos
e reclamam incluí-las
na família dos invertebrados.

Hai milhons de bolsas azuis a voarem no vento.
Se esperas um pouco nom tardará
em passar umha.
Comentários (5) - Categoria: Geral - Publicado o 23-04-2009 20:49
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O monstro de Guatemala


Eu tinha vinteseis e eram as festas do verao. Fora viver áquela vila onde nom conhecia ninguém precisamente por isso, porque nom conhecia ninguém. Recordo que aquel dia merquei um livro num posto ambulante que havia ao lado dumha tómbola. O livro, Contos fantásticos, de Jack London, tenho-o na mao, tantos anos despois.

Recordo que foi mercar o livro e apartar-me um pouco da festa para o começar a ler, acheguei-me á praia e sentei na areia. E que essa noite durmira mal porque, como começava a ser habitual, tivera um pesadelo violento.

- Ola, gostas de ler?- Ela apareceu por detrás e falava portugués com sotaque do Brasil, devia ter os meus anos, algo menos talvez. Erguim o livro e ela exclamou Jack London, o meu favorito!

E assi foi como nos conhecemos a Equilibrista e mais eu, falando da Ilha das Focas e do bisté do boxeador e da aldeia da gente cega.

Chamava-se Estrela e caminhava sobre o arame desde os quatro anos. Viajava, como num circo, com a sua família de equilibristas, Os Solaris. Actuavam manhá a mediodia. Ao dia seguinte, quero dicer.

- E nunca cansas de viajar?
- Como é o Amazonas?
- Quantas línguas falas?

Eu sempre fum mais de fazer perguntas e escoitar que de resposta-las e falar. É que som umha persoa reservada. E as perguntas prefiro faze-las eu. Sinto-me mais seguro. Nunca sabes o que che podem perguntar e menos o que deves contestar. Eu som dos que resposta de forma diferente segundo a persoa que faga a pergunta. E quando me fam umha pergunta intento responder com outra. Em fim.

-E ti viches o monstro de Guatemala, nom si?- perguntei-lhe.

O monstro de Guatemala era umha das atracçons das festas, umha pequena carpa na que...

-É amigo meu, dixo.

- Amigo teu?

- Ahá.

- E como é isso de ser amiga dum monstro?, perguntei-lhe.

- Bah, é uma pessoa como outra qualquer... Nao sei se poderia dizer o mesmo de todos os monstros... AVamos lá, achegamo-nos á sua carpa e convido-te...

E alá fomos.

Nunca esquecim aquela voz a saír dos altofalantes, umha voz profunda como de voz em off de filme de série B de terror, grave e com ecos, anunciando-o misteriosamente: O monstro de Guatemala…mala, mala. Recem chegado do terremoto de Guatemala!, vomitado polas profundidades da terra! Aquí, entre nós, nom perdam a oportunidade de contemplar O monstro de Guatemala…mala, mala!

Ela colheu-me da mao e entrei da mao da equilibrista na carpa do monstro de Guatemala com umha seguridade que nem antes nem despois volvim ter.

Saímos da mao, rindo com lágrimas nos olhos, ela explicou-me a técnica de efectos ópticos com espelhos e daquela foi quando lhe dixem que agora convidava eu e que podiamos ir ao Safary Park, o da voz que anunciava Natureza selvagem, Lobos, osos e bestas feroces!.

Mas ela deu um passo atrás, e dixo Nom.

- Nao soporto a crueldade nem a violéncia. E aí dentro só há dor. É a coisa mais desgraçada que poidas imaginar. Animais em gaiolas, suciedade, angústia… Entrei uma vez e com o recordo vem uma náusea que se converte em rábia. Havia dois lobos e umha osa, e vários mandris encerrados e caminhando em círculo, desequilibrados mentalmente... O coidador é uma pessoa ruím que bate seguido nos animais com uma barra de ferro... Bate neles a dor, sabes... Á osa, que de vez em quando se poe de pé diante dele porque, claro, quer ser livre, já lhe rompeu vários óssos... Os lobos vivem aterrados com o rabo entre as pernas. Esse sim que é um monstro…

- Vamos, -dixem-lhe-, queres bailar? – Havia que cambiar de tema. Nom era a noite mais adecuada para falar de golpes e óssos rotos. Escoitavam-se os milheiros de vátios da orquestra a vibrar no vento.

No campo da festa havia milheiros de persoas. Achegamo-nos ao palco da orquestra abrindo caminho entre a gente, a Equilibrista levava-me da mao e avanzavamos em linha recta, com umha curiosa facilidade, como um coitelo a abrir caminho na manteiga.

Bailamos umha lenta e abraçamo-nos e voltamos á praia, olhar a lua na corda do horizonte.

- Sabes, os nomes das pessoas da minha família, desde há muitas geraçoes, sao nomes de corpos celestes. Meu pai é Júpiter, como meu avó, e meus irmaos Sol, Libra, Plutao e Marte.

- Por que?

- Porque sabemos estar aí arriba... Se uma estrela caesse do céu seria a fim do mundo, nao é?

- E o perigo?

- Quase sempre actuamos com rede. Mas nas ocasións especiais, quando necessitamos demostrar quem somos, a rede sobra. Por isso minha mae aprendeu-me as dez palavras para nao cair… Antes de dar o primeiro passo no arame sempre as pronúncio: Eu nom sou uma estrela. Eu sou uma mulher. Adiante!

- ...

- A noite que ela morreu, em Barcelona, era uma dessas noites especiais. E eu mirei-na cair como uma estrela fugaz.... Lembro a estela prateada do seu vestido de espelhos… Afastei a olhada para imaginar que, como as estrelas fugaces, ia desaparecer antes de dar com o chao.

- Só existe umha forma de me fazer perder o equilíbrio...- dixo um pouco despois.- Vou-cho contar porque confio nas persoas que comprendem a Jack London…

- Ssssh, -dixo-, é um segredo. Se entre a gente do público, lá abaixo, alguém, umha só pessoa, soprar com toda a sua força enchendo e vaciando os seus pulmoes cara a mim quando estou a caminhar no arame... a força dessa brisa, de raíz humana, pode fazer-me perder o equilíbrio, pode tumbar qualquer equilibrista... Esse sopro pode desquilibrar um funambulista com a força duma turbuléncia que bate contra dum aviom.


- Queres vir ao meu piso e escolher um livro e Jack London? - Perguntei.

- Meu bisavó foi o primeiro que cruçou de lado a lado numa corda tensa o Salto de Iguazu. Penso que ir ao teu piso nao pode ser mais perigoso…


- Claro que há ofícios mais arriscados... - explicou-me no elevador-. As estatísticas dizem que há mais mortes nas famílias de lançadores de cutelos… Por certo, tu em que trabalhas?

- O que?

- Em que trabalhas?

- Ah..., som funcionário...

- Isso nom debe ser muito emocionante, nao e? Vaia! Só tes livros de Jack London...? -asentiu diante dos meus dezasete volumes. Eu encolhim os ombros. Que vou fazer se é o único escritor que admiro?

E ela escolheu Koolau, o leproso, e achegou-se ao balcom. Um décimo andar.

- Nao me explico como a gente pode viver a tanta altura... Nao é natural, -dixo- , e botou-se para atrás...

- Tes vertige!?

- Tenho... fora do arame.


A mediodia na alameda havia tanta gente para ver os funambulistas como na verbena da noite anterior. Sabiamos que probavelmente nunca voltaria pola nossa vila um espectáculo como aquel. O arame atravessava o paseo da alameda por riba das palmeiras e o jardim, e alá arriba a família de equilibristas Solaris, que cruçaram Manhattam caminhando sobre arames tendidos entre 24 prédios, saudavam-nos respectuosamente com as maos a cámara lenta.

- Nao, nao, normalmente adestramos num arame a dois metros do chao. .. Sabes quantos óssos rompí caíndo do arame?, - dixera-me antes de ficar durmida a noite anterior.

- Seis? Sete? Mais?

- 17. - O primeiro aos seis anos, este, -sinalou a tíbia da perna direita-. A clavícula, 3 vezes. Se nom fosse equilibrista… Sempre sonhei com ser doutora. Traumatóloga. Sempre que rompia um ósso, crac, em Roma, em Croácia, na Índia, onde for, as pessoas que me atendiam vestidas com batas branquíssimas convertiam-se nas persoas mais importantes da minha vida... Delas dependia que voltasse a caminhar ou a escreber ou a ser eu mesma, -dixo levando a mao á cabeça-. Em fim, se tivesse outra vida gostaria de ser uma dessas persoas que arranjam os óssos rotos…

Ao mediodia vim como Estrela saudava no alto da andamiagem metálica a mais de vinte metros de altura, com um vestido vermelho, com as outras seis persoas da sua família que erguiam as maos cara ao céu. Juntos, vestidos de diferentes cores, era como se formassem um arco da velha.

Com os olhos entreabertos puidem ver como antes de dar o primeiro passo Estrela livrava dos lábios aquel poema: Eu nao sou uma estrela. Eu sou uma mulher. Adiante!

O arame sobre o que pissou apenas era visível debaixo do seu pé esquerdo. E quando chegou a néboa, de súbito, Estrela com o seu vestido vermelho semelhava caminhar de veras sobre o ar, no céu azul e branco. Olhei a gente que, abraiada, fitava cara arriba deixando entrar a néboa nas suas bocas abertas pola admiraçom.

E si, claro que o pensei, pensei, e se agora sopro? E se agora soprasse, pensei, poderei faze-la cair?... Poderá realmente umha persoa faze-la cair fazendo vento com a boca?

Olhei o público com medo de que a alguém, a um neno, por exemplo, se lhe ocorrese soprar.

Quando chegou ao outro lado do arame e recebeu os aplausos e bravos do público e olhou cara abaixo para saudar eu imaginei que me estava a buscar a mim entre a gente e por isso colhim o meu citroem e marchei longe.

Fugim.

Atravessando o país a 120, imaginei-na esperando por mim despois do espectáculo e achegando-se ao meu edifício e chamando ao timbre repetidamente e olhando cara arriba o balcom baleiro do décimo andar.

Nunca mais voltei a ve-la, fóra dos sonhos e dos pesadelos. Nos sonhos beijo-a delicadamente. Nos pesadelos Estrela sempre é umha manifestante vestida de vermelho que aparece de súbito no médio dumha carga e eu bato nela e, crac, rompo-lhe um ósso.






Comentários (5) - Categoria: Geral - Publicado o 23-04-2009 16:47
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