Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

O autor solicita comunicar-lhe qualquer uso ou modificaçom da sua obra no email de contacto aqui sinalado.

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Manuel Antonio: 13 olhadas na sua casa-museu!


Umha casa cheia de sorpresas e emoçons!
Umha visita mui recomendável!!!
Comentários (11) - Categoria: Desenhos - Publicado o 31-03-2011 11:16
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13 culherinhas numha caixinha negra


Luísa tem umha colecçom mui especial. De culherinhas. Dentro dumha caixinha forrada com veludo negro. Mostrou-mas na sua casa.

-Nom tenho demasiadas, afortunadamente. E digo afortunadamente porque cada vez que consigo umha é como se medrasse a minha tristeza... ás vezes, outras, a raiva. Já perdim a conta delas, tenho-as nesta caixinha negra, olha. Ves, som culherinhas pequenas, prateadas, todas som diferentes.

Contei-nas. Brilhavam. Havia doce culherinhas.

-Esta foi a primeira, -dixo Luísa colhendo umha-. A mim encantava-me jogar de nena com ela e um dia dixo-me minha avoa, recordo-o perfeitamente, dixo: Esta culher agora é tua. Coida-a bem e limpa-a com limóm, que é de prata. Recordo-o como se fosse hoje: Esta culher... agora é tua. Esta culher... dixo. Guardei-na como um tesouro até hoje. Despois minha avoa puxo-se a pelar umha laranja.

Luísa tem duas nenas. Umha de cinco anos, Inés, e outra de dez meses, Maruxa. Saímos dar umha volta e entramos num bar, na Rua do Príncipe. Pedimos duas cervejas. Maruxa começou a chorar no carrinho e Luísa colheu-na no colo.

- Tem fame, dixo.

Sacou um tarrinho do bolso, mostrou-lho á nena, que deixou de choromicar, e dixo-lhe:

- Hoje preparei-cho de laranja e pera.

E dixo-me a mim:

- Nunca levo culherinha no bolso.

Ergueu-se e achegou-se á barra com a nena no colo.

- Olá, poderia deixar-me umha culherinha?

A camareira dixo: Que?

- Umha culher, -repetiu Luísa..

- Que?, -repetiu a camareira. Teria uns trinta anos.

- Umha culher, repetiu.

- Eh?, repetiu a camareira.

- Umha culher, -repetiu Luísa sinalando com o dedo umha culherinha que havia sobre a barra um pouco mais alá.

- Ah!, exclamou a camareira.

Luísa voltou com a culher e dixo enfadada, indignada:

- Outra para a colecçom.

E dixo:

- É triste que haja alguém que nom te entenda no teu próprio país quando pides umha simple culher.

E dixo:

- Por isso é triste a minha colecçom, porque medra com a ignoráncia da gente... E da-me raiva.

Quando Maruxa acabou a pera com laranja e nós, as cervejas, Luísa guardou a culherinha no bolso, paguei e marchamos. Na rua Inés prendeu-se da mao de sua mai e dixo-lhe:

- Mamá, sabes, vou começar umha colecçom de garfos.

Comentários (19) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 25-03-2011 14:17
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Um raposo no caseto de Ernesto e Sofia...


















...com um livro na boca, ao sol de março.
Comentários (20) - Categoria: Desenhos - Publicado o 19-03-2011 23:47
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Uff, em Fala Londres!




John e Tamara cursam 6º de Primaria e venhem de publicar estas bandas desenhadas inspiradas no relato Uff, do Made in Galiza, no blog Fala Londres

Um blog do grupo de alun@s de língua e literatura galega do I.E. Vicente Cañada Blanch de Londres. "

"Uns somos galeg@s nacid@s en Galicia. Outros somos galeg@s nacid@s en Londres. E outr@s queremos saber máis de Galicia. Somos de distintos niveis, dende Primaria ata Bacharelato. Algúns somos galego-falantes e outr@ habemos de selo."

Um abraço, John e Tamara!
Comentários (12) - Categoria: Desenhos - Publicado o 17-03-2011 16:19
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Pobrinh@, nom sabe falar galego!


A minha filha está aprendendo a falar. Na rua, no parque ou na biblioteca alguns nenos e nenas falam-lhe galego, muitos, castelám e quando estamos fora falam-lhe inglés, turco, croata… Na última viagem a minha filha chegou saudando em kurdo: Roj bas, spas! Com menos de dous anos já fala o kurdo melhor que seu pai e sua mai juntos!

É habitual observar nenos e nenas galego-falantes que quando falam com um castelám falante cámbiam de língua. Ao final acabam reproducindo comportamentos que aínda muitos adultos padecem como qualquer outra afecçom psicológica.

-Ui, que bonita é a nena…, -dixo-me hai uns dias umha senhora na rua-. E como se chama?
-Estrela…
-Ay, Estrella, que bonita, y que ojos tan grandes, cuchi, cuchi!
-Senhora, -sorrim-, fale-lhe galego que a nena é de aqui.

Por aquilo das curiosidades sociolingüísticas, na casa anotamos num papelinho as vezes que lhe cámbiam o nome á nossa filha. De Estrela para Estrella. Pensei que podia ser um bom agasalho de aniversário para quando cumprise os 18. De momento, em 23 meses, duas semanas e 1 dia já lhe mudarom o nome 47 vezes, -que nós saibamos-.

A activista pola língua mais nova que conheço tem cinco anos. Cansa de que lhe chamaram por um nome que nom era o seu, quando umha senhora lhe dixo por enésima vez: Ui, que bonita me eres, Marina… ela ergueu a voz: Eu som Marinha!, Nha! Nha! Nha!

Como neno eu tamém vivim baixo a norma social que, condicionada polos prejuíços, obriga a muita gente maior –mesmo a galego-falante- a falar em castelám com a gente nova. Existe essa lei que vem ditar que quantos menos anos tem um galego ou galega menos posibilidades tem de que lhe falem em galego e, ao tempo, quanto maior é a persoa, maior é a posibilidade de que lhe falem na língua do país. No documentário Línguas Cruzadas, de Maria Yáñez e Mónica Ares, um rapaz castelam-falante verbaliza este comportamento exótico: Si me habla gallego un señor mayor yo a lo mejor si que le hablo en gallego. Eu chamo-lhe a Lei de Matusalém, porque Matusalém seria esse velhinho que teria ganhado, por raçom de idade, o direito a que a gente lhe fale em galego. Ás vezes eu mesmo gostaria de ter noventa anos para gozar dessa situaçom…

Conheço o caso dalguém de minha idade, de Redondela, que prendia na língua. A mai, quando era um cativo, levou-no ao médico, que lhe dixo: Yo no le puedo arreglar el tartamudeo pero, si quiere disimular un poco, mejor que hable castellano. Talvez foi a primeira vez que alguém deixou de falar galego por prescriçom médica. Nom consta receita por escrito. Lástima, seria um documento histórico valiosíssimo!

Mas nom toda a gente obedece a Lei de Matusalém. E eu devo agradecer a todas essas persoas que me falarom galego quando fum neno e moço porque as suas palavras mantiverom-me unido ao idioma que hoje falo. Para todas as persoas maiores que lhes falades galego aos nenos e ás nenas, -faledes habitualmente em galego, ou mais em galego, ou mais em castelám,- um abraço entre estas palavras.

Quando umha persoa maior nom lhe fala galego a um neno está a excluí-lo da cultura que nos une. Quando um adulto nom lhe fala galego a umha nena está a expulsa-la da própria comunidade. Quando tu nom lhe falas galego a umha nena estás a impedir-lhe um desenvolvemento comunicativo livre. Quando nom lhe falas galego a um neno estás a priva-lo da liberdade de poder expresar-se na língua dos galegos e das galegas. Quando umha nena ou um neno medra sem contacto com a nossa língua converte-se num inadaptado.

Mas quando lhe falamos galego a um neno enriquecemo-lo. Fazemos-lhe entender que a pesar das diferéncias a língua nos une. Quando tu lhe falas galego a umha nena das-lhe umha chave para comprender o mundo que a rodea. Quando lhe falas galego estás a dar-lhe a posibilidade de que melhore as suas habilidades comunicativas. Quando lhe falas galego estás a abrir-lhe umha porta de desenvolvemento, progreso e felicidade.

Escrebim todo isto porque hoje me contarom que a filha doutra colega, de cinco anos, o outro dia quando chegou a casa contou-lhe á mai que atopara um neno mui simpático no parque…
-Pobrinho, dixo-lhe á mai.
-Por que?
-Porque nom sabia falar galego.
-Nom sabia falar galego?
-Nom, só sabia falar castelám. Pobrinho. Eu falei-lhe em galego, a ver se o vai aprendendo.

Comentários (10) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 16-03-2011 22:19
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A Volta Grande do Caurel


Na Casa do Cego, Soldom.




Vieiros



Janela



Janela



Visunha



Colmeias



A Seara, A casa dos Galhardos.

...

Dum projecto para umha Guia da Volta Grande do Caurel
Comentários (11) - Categoria: Desenhos - Publicado o 15-03-2011 13:53
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Lois Pereiro dentro dumha caixinha












Comentários (17) - Categoria: Desenhos - Publicado o 13-03-2011 17:51
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Sexplease + eu: Os cavalos estam a viver as nossas vidas


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Ajudai-nos.
Os cavalos estám a viver
as nossas vidas.

Ajudai-nos.
O mundo mudou.

Ajudai-nos.
Nom podemos fazer nada
para volver as cousas ao seu.

A nossa história
é dos cavalos.
As nossas sombras,
os nossos olhos,
o nosso respirar
som dos cavalos.

Ajudai-nos.
Umha estrela negra no céu.

Os cavalos estám a viver
as nossas vidas.

Baixa polo Val de Maceda
de volta á minha casa,
polo meu caminho,
um cavalo.

Um cavalo
está a viver a minha vida.

Ajudai-me.
A minha casa agora
é dum cavalo.

As minhas palavras,
a minha língua
nom som minhas.
Som dum cavalo.
Som relinchos
dum cavalo.

Ajudai-me.

Um cavalo está a viver
a minha vida.

E eu,
eu,
nom podo fazer nada
mais que esperar e,
talvez,
abrir os olhos
e acordar.

...

Editorial Anmastra-N-Gallar, Compostela, 2011
Comentários (13) - Categoria: Desenhos - Publicado o 13-03-2011 17:51
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O livro da vida. 3 D





















Auto-retrato dentro dumha caixinha.
Março, 2011.
Comentários (10) - Categoria: Desenhos - Publicado o 08-03-2011 18:27
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