Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

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O Pregom da Festa do Queijo!
Diante da queija e mal humor de quem califica a leitura como "obscena, morbosa, degradante, vergoñenta e desonrosa (sic)" aqui vai o texto original para compartir o pregom que, com muita emoçom, respeito pola gente da comarca e admiraçom pola Festa do Queijo, lim na inauguraçom oficial do evento.

Honra-me ter como referentes poéticos nesta composiçom popular grandes modelos -aos que nom chego á altura dos nocelhos- como Pessoa, Shakespeare, Rosalia ou a Bruja Averia.

Em fim, semelha que nom toda a gente -especialmente algumha gente da órbita do Partido Popular- tem o suficiente sentido do humor como para encaixar a retranca e o espírito lúdico da literatura...

...especialmente quando se utiliza a retranca para fazer umha achega crítica sobre o tema da língua.

Por certo, agradeço de coraçom os aplausos, sorrisos e gargalhadas que dinamizarom a leitura do pregom por parte do público asistente.

E como sempre fixem e farei, desde aqui todas as minhas louvanças, respeito e admiraçom para o Queijo de Arçua e as persoas que, apesar dos muitos obstáculos, querem viver dignamente do seu trabalho no rural.

Para incrédul@s, aqui vai a notícia sobre a polémica de Feijoo e os nomes das vacas, apartir da que me documentei para enriquecer o texto com um exemplo surrealista, absurdo e trágico sobre o conhecemento que do rural tenhem alguns dos nossos responsáveis políticos.

Ás vezes a realidade é mais obscena, morbosa, degradante, vergoñenta e desonrosa (sic) que a própria literatura.

Saúde.



...


Pregóm da Festa do Queijo de Arçua 2010




É para mim umha honra
compartir com vós este pregom,
com emoçom fonda
e um pouco de sentido do humor.

Parabéns a toda a gente
que com muito trabalho
conseguiu que a Festa cumprisse
35 anos.

Ule a frescura
o queijo de Arçua,
é cousa boa
o queijo da Ulhoa

É parte da cultura
que vivim desde neno:
a proba do queijo
na ponta do coitelo
e o sorriso da mulher
a falar galego

Este queijo é bom amigo
do pam e do vinho.
É um queijo companheiro
do mel, as noces e o marmelo

E ademais é um queijo elegante,
um queijo pret-á-porter
com o seu pano cinguido
que nom tem o de gruyere

É mui bom o requeijo
da parróquia de Brandeso.
Do queijo nom te aburres
se vas a Burres.
O queijo sabe a crema
na parróquia de Lema
e em Maroxo
o queijo é mui cremoso

Que rico em Melha
o queijo com o mel das abelhas.
E com marmelo de maçá
na parróquia de Branzá,
e com mel com filhoas
em Figueiroa,
e com anchoas e pam
em Dombodám

Que nom sobre
o queijo em Pantinhobre!
Comim queijo com mazá
na parróquia de Branzá.
Em Tronceda e Castanheda
o queijo o corpo aleda,
e en Rendal
ningum queijo sabe mal.

Casam os queijos com os vinhos
na parróquia de Vinhós
De bom queijo e melhor dente,
a gente de Boente.
Prados de queijos mil
os de Viladavil.

Chegam a todos os confins
os queijos de Oíns.
Em Vilantime,
proba o queijo e di-me.
Em Campos e Calvos
o queijo fai-nos bravos
Em Santa Maria
o quejo é cousa fina.
E em Sam Martinho,
queijos ao caminho

Nas terras do Ulha,
nas duas ribeiras,
fai-se um queijo de primeira.
O queijo é a melhor marca
de toda a comarca

De Arçua ao Pino,
de Antas a Mesia,
de Taboada a Boimorto,
de Boqueijom a Touro,
o queijo é de ouro.

Este nosso queijo
com denominaçom de origem
já se vende
em mais de vinte países.

E com cabaça caramelizada,
com foie-grass ou com sardinhas
chegou á alta cozinha.



Quem sabe muito de vacas
é o presidente da Xunta,
em Noia visitou umha granja
e recorda-lo aínda me asusta:

O gandeiro apresentou-lhe
ás vacas Maruxa e Paca
e Feijoo perguntou:
Por que som femininos
todos os nomes das vacas?

O gandeiro ante tal inteligéncia
explicou-lho com a boca aberta:
Porque todas as vacas som fémias

Se esta vaca fosse macho
seria boi
e chamaria-se Paco

Feijoo pom-me medo.
Se estudasse primária
suspenderia Conhecemento do Médio.


Quando vaias mercar
quando vaias eligir
pensa no trabalhinho
que vai da vaca ao tetrabric

Há muito gasto, sabede-lo bem
o penso, o mantemento
da granja
e o gasoil para o John Deere.

Baixam os ingresos,
baixam os salários
dos gandeiros,
nunca dos empresários

Aqui sabedes mui bem
quem rouba e mente:
a máfia que baixa e baixa
o preço do leite.

Isto nom tem cabeça nem pés
dizem que é leite galego
e vendem leite francés.

Orgulho e dignidade
enchem as estradas
quando a gente do leite
sae em tractorada

Merecem as nossas louvanzas:
quando vertem polo cham
o leite das marcas brancas
os gandeiros defendem o seu pam,
defendem o pam dos seus filhos.

Passa no cine e nos livros
e passa na vida real
para cambiar as cousas
há que se revoltar.

Parece que nom interesa falar
da crise do sector leiteiro,
o siléncio dalguns jornais
compra-se com dinheiro

Nom me creo nada eu
da sua objectividade,
muita prensa obedece
a quem paga a publicidade

Muito olho com os jornais
que dim defender causas justas
e vivem de subvençons
por ser a voz da Xunta


E agora quero-vos falar
doutro tema de actualidade
com denominaçom de origem,
produto galego de qualidade

Tenhem mais em comum
do que parece
a crise da língua
e a crise do leite.

Eu petisco do queijo castelhano
e do que vem de Londres ou Paris,
mas sempre estará primeiro
o queijo do país.

Baixam o preço do leite
e queriam rebaixar o galego,
por certo,
no ensino ao 33 por cento.

E agora vou falar do passado,
vou ponher-me um pouco sério,
Dixo hai muitos anos Nebrija:
La lengua es compañera del imperio

E tiverom muita perícia
Isabel e Fernando
na sua “Doma y castración
del Reino de Galicia”

-Por donde empezamos el castigo?
-Producem mucho aceite…
cortemos sus olivos

Derom-nos bem com a estaca
menos mal que nom lhes deu
por proibir-nos as vacas...

Nom estava nos seus planos
que seguissemos a falar galego
despois de 500 anos.

Mas a gente do campo
contra toda adversidade
falou a nossa língua
com fidelidade

O idioma nom só é umha herdanza
que recibimos dos antergos,
é tamem um empréstimo
que lhes devemos aos netos.

A língua une
e se nom a falas
tu mesm@ te exclues,
tu mesmo te separas

Há quem leva toda a vida aqui
e dim he dicho, había hecho,
com tempos compostos,
em castelán de Madrid.

Há quem vive em Vigo
no bárrio do Berbés
e quer falar
como se vivisse em Lavapies.

E aínda hai gentes por aqui
que lhe dim El Carbalhino ao Carbalhinho,
como nos tempos de Paquinho,
e a Melide, chamam-lhe Milli,

Aos que dim que o galego é inútil
digamos-lhes Si, ho, si ,
se nom falas a língua da sociedade onde vives
inútil es ti.


Se nom lhes falas galego
ás nenas e nenos
das-lhes a entender
que o nosso vale menos.

Estava o outro dia no súper
com a minha filha Estrela
e dixem-lhe á fruteira:
-Vou levar um quilo de mandarinas
Ela dixo mui cantarina
-Ai que bonita é a nena,
Hola, y como te llamas, cuchi, cuchi
Eu nom me puidem reprimir:
- Señora, fale-lhe galego
que a nena nom é de Madrid


Mas o pior de todo isto
é que é o próprio governo
quem difunde os prejuíços,
arre demo!

O conselheiro de cultura
dixo que a nossa língua limita,
e mais de 200 escritores dixerom-lhe
Dimita!

Os idiomas nom limitam
limitam as persoas
que pensam que valem mais
umhas línguas que outras.

Dim que querem o equilíbrio
e rim como se fosse umha broma
mas no Parlamento aprobam leis
que debilitam o idioma.

Isto vai de mal em pior
a Xunta deu eliminado
a proba de galego
nas oposiçons a professor.


E num hospital da Corunha
o médico dixo-lhe á paciente
Si no me hablas en castellano
no te entiendo.

Se nom é imprescindível
que os médicos saibam a língua de aqui
que apliquem essa norma
tamém em Madrid.

Nom pedimos nada estrafalário:
médico, juíza ou policia,
tem a obriga de saber galego
quem seja funcionário.


A quem vides de fora
vou-vos dicer umha cousa
está ao alcance da mao
a nossa língua é vossa.

Se queres conhecer
a nossa forma de ser,
de rir, cantar e pensar
a nossa língua has de falar.

Isso é assi
na China e mais aqui,
porque afortunadamente
as culturas fam-nos diferentes


Já o dicia Manuel António:
a gente nova deve eligir:
ir costa abaixo pola história
ou erguer-se cara ao porvir.

Faram-vos sentir estranhos
porque falades galego
e recibiredes presions
para falar castelhano

sobre todo se es rapaza...
aínda há muito tópico,
muito machismo
muita ignoráncia.

Estás mas guapa si hablas castellano
dixo-lhe um tipo em Santiago
a umha rapaza de Merza
e ela: Ti es parvo ou comes merda.

É umha aventura emocionante
ser galego-falante

Conheço umha moza
que fai umha cousa mui rara
fala sempre em galego
agás em Berska e em Zara

E hoje quero dicer-vos
que @ mais importante
de tod@s @s responsáveis políticos
é cada um de nós.

Somos os responsáveis,
eu, tu, ela, todas e todos,
do presente e do futuro
da língua do nosso povo.

por isso cumpre participar
na escola, na rua, no trabalho,
na festa, na asociaçom
e no movemento social.

No caminho do idioma
se tivese que elegir
prefiro menos poemas
e mais galego nos cinemas.

Está mui bem a poesia
mas a língua precisa mais
das novas tecnologias.

E tam bom como umha novela
com toda seguridade
é escreber em galego
a nossa publicidade.

E tan útil como um ensaio
pode ser atopar
o tíquet de compra
do supermercado

Tamém se fai cultura
se fazemos em galego
as nossas facturas


Levemos a língua a internet,
ao twenty, ao facebook
aos emails e aos blogs.

Fagamos em galego
pintadas com spray,
poesia,
banda desenhada, audiovisual,
pop, punk ou rap.

A força provém da unióm
e para pular polo nosso
a palavra clave é
colaboraçom.

Aqui vai a despedida
aqui vai a derradeira,
viva o queijo da Ulhoa
e que vaia bem na feira

Arde-lhe o eijo!
Viva a Festa do Queijo!
A festa continua
Viva o Queijo de Arçua!


Comentários (24) - Categoria: Desenhos - Publicado o 08-03-2010 22:29
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