Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

O autor solicita comunicar-lhe qualquer uso ou modificaçom da sua obra no email de contacto aqui sinalado.

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No autobus


E que fazemos esta tarde? Vamos à biblioteca? Vale! Coloquei à pequena, de 15 meses, na mochila canguru. A grande, de 4 anos, abrigou-se bem, porque fazia muito frio. E saímos com dous guardachuvas, a mochila com as cousas das nenas e mais o saquinho com a merenda. Chovia. Eram as 17.00. Vaia, chove muito!

Podemos ir em bus! E aló fomos, à parada que temos ao lado da casa, no Instituto Antón Fráguas. Subiimos ao número 11 e acomodamo-nos bem, ao fondo, e adiante. Rrrruuuummm!

Mas Estrela começou a bocejar... E ao pouco, Maré. E, aínda nom acabara Maré, eu tamém.

À altura da Avenida de Lugo Estrela fechou os olhos... Abriu-nos. Fechou-nos, abriu-nos, fechou-nos...

E ficou durmida. Umm. Vaia. E agora? Nom vou esperta-la... Precisa descansar... Coloquei-lhe um gorro que levava entre a cabeça e o cristal, para que estivesse mais cómoda. E antes de chegar à Praça da Galiza, Maré já estava a sonhar tamém, contra o meu peito, dentro do canguru.

Demos umha volta ao trajeto circular da linha número 11 e as nenas seguiam durmidas. A segunda volta passou mais rápido, porque eu tamém fiquei a durmir... Acordei para a terceira volta. Foram-se prendendo as luzes de neom da cidade, muitíssima gente subiu e baixou do autobus, eu nom tinha ningum livro para ler... Três voltas enteiras a Compostela. E era noite!

Estrela acordou às oito menos vinte, à altura do novo centro comercial. E pouco despois, abriu os olhos Maré.

Às oito baixamos do bus, ao lado da casa. Nom chovia.

- Tenho fame... Das-me a merenda, papá?

- Já é tarde, agora vamos ceiar...
Comentários (23) - Categoria: Geral - Publicado o 23-02-2014 20:48
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Heidi no supermercado / 18 anos de Xabarín Club


Aqui em Vigo mui pouca gente fala comigo na minha língua. Eu às vezes imagino que quando vou à farmácia com mamá quem nos dá o bom dia e nos vende aspirinas e logo nos di adeeeeeeeuuusss com seu sorriso bonito é a abelha Maia.

Despois mercamos-lhe o jornal à formiga atómica no quiosko e na carniceria os bistés vende-os o oso Iogui, uh, uh, uh! Imagino que pola rua a gente é de cores e sorri e com toda a naturalidade do mundo falam a minha língua.



Imagino que no cole o meu profe é Beakman, que me explica matemáticas na nossa língua e às vezes tamém imagino que a companheira que senta ao meu lado é Arale e fala como eu falo.

Mui pouca gente fala comigo em galego aqui em Vigo. Por isso imagino... E hoje quando voltava do cole com papá atopamos a Viky o vikingo na livraria. Dixo-me que el era do Celta de toda a vida. E despois de comer baixei ao parque com mamá e mais o neno do terceiro A, Daniel, o Fedelho. Tamém veu com nós Hattori, o Ninja, que vive no edifício do lado, aqui em Teis. É curioso, falam melhor a nossa língua alguns desenhos animados japoneses que muita gente que leva vivindo aqui toda a sua vida.

De caminho ao parque atopamos a Garfield. Dizem que aqui em Vigo falamos galego quatro gatos mas ali arredor daquel tobogám juntamo-nos com Jerry e Dom Gato e Doraemon e o Gatocám e comigo já eramos seis. Nom todo é o que parece, amigos... Eu penso que em Vigo fala-se mais galego do que parece... Hai muita gente que fala galego na casa e que nom saca a língua a passear, nom a leva ao trabalho, nom lha fala aos nenos e nenas... Como se tivessem vergonha ou algo assi. Por isso eu, que som umha nena e falo galego, imagino que si, imagino que a gente me fala galego...

O outro dia fomos ao centro médico porque tinha muita tose e, tachám!, por vez primeira demos com um doutor que falava galego, era o doutor Slump! E sabedes quem nos atendeu no restaurante ao que fomos jantar o domingo? O Gran Sushi! O seu deve ser um dos poucos restaurantes de aqui de Vigo que tem a carta na nossa língua. No súper da esquina trabalha Heidi, que fala um galego que em vez de dizer ti di tu e em vez de dizer catro di quatro e em vez de dizer pantalóns di pantalois... Que meu pai me dixo que era o galego que se fala nas montanhas do Courel.

Esta semana tamém conhecim um senhor norteamericano que se chama Peter, Peter Parker, é fotógrafo e trabalha para um jornal de aqui. Fala um galego mui divertido com acento inglés. Lástima que no jornal, que é o jornal da nossa cidade, a nossa língua apareça só um pouco mais que no Daily Planet: quase nada!

Ai, e sabedes com quem me atopei o outro dia pola rua do Príncipe? Com os Bolechas!! Esses si que falam galego, mesmo Chispa que ladra bau, bau... E a Tatá pouco lhe deve faltar para dizer as suas primeiras palavras na nossa língua... Isso, claro, se nom lhe passa como a muitas nenas e nenos que, misteriosamente, nom dam falado galego aqui em Vigo.



Aqui em Vigo hai gente que aprendeu a falar galego, gente que aínda nom aprendeu a falar galego e gente que aprendeu a nom falar galego. Aprender a nom falar galego é o pior de todo. Sei-no porque na minha escola hai muitos nenos e nenas que estám aprendendo a nom falar galego. Eu penso que é porque nom tenhem muitos amigos e amigas que falem galego e porque a maioria da gente maior nom lhes fala a nossa língua... Minha mai di que tem que ver com o governo...



O meu melhor amigo é o Xabarín, Xaba, Xaba, Xabarín!. Bem, o meu melhor amigo daquela maneira claro... Porque a minha melhor amiga de verdade chama-se Rosa e senta comigo no cole.

Ela dixo-me um dia que quere aprender a falar como falo eu. Perguntou-me se o que eu falava era inglés. Ela só sabe falar castelhano. É umha dessas persoas que aprendeu a nom falar galego... E isso que leva vivindo em Galiza toda a sua vida!

A ver se aprendes a falar a nossa língua, mulher, digo-lhe eu. E eu falo-lhe sempre em galego para que vaia aprendendo... Eu dixem-lhe: Sócia, tes que ver mais o Xabarín!


...

Publicado no livro "Xabarín 18, 18 anos dun proxecto normalizador", do CEIP Monte Sequelo de Marín e o Colexio Monte da Guía de Vigo, 2013
Comentários (21) - Categoria: Desenhos - Publicado o 20-02-2014 09:32
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O Xabarín, sequestrado? Por que envia livros em castelám às sócias?





Hoje a minha filha maior recebeu um presente do Xabarin Club: dous livros em castelám!

A crtvg tem como fundamento a promoçom da nossa língua.

Para onde vai o dinheiro da normalizaçom do idioma? Para Hespanha.

Quanto dinheiro e que empresas recebem os cartos destinados a promocionar o nosso idioma? Quanto perdemos nós? E quanto as nossas filhas e filhos?

A nossa língua enriquece o nosso país. E eles mercam os presentes para as nossas filhas fora.

A editora dos livros agasalhados, Edebé, é umha editora espanhola católica.

Fora as vossas sujas maos do Xabarin Club!
Protesta: xabarin@crtvg.es

Eu já o figem:


Senhoras e senhores responsáveis do Xabarín Club:

A minha filha vem de receber dous livros em castelám como presente do Xabarín Club. A principal raçom de ser da TVG é a promoçom da nossa língua e a programaçom infantil da nossa televisom pública tem como finalidade fundamental achegar as nenas e nenos à língua galega. O Xabarín Club tem sido um referente histórico na promoçom da nossa língua entre a infáncia para combater prejuíços e promover o seu uso.

Sinto-me totalmente indignado porque os agasalhos do Xabarín Club nom estejam na nossa língua. Os nenos e nenas do Clube -sejam castelám-falantes ou galego-falantes- sabem que o porco bravo, o Xabarín, fala galego, vive em galego e está comprometido com a nossa língua desde as pezunhas até as orelhas, por fozinhos e por cacheiras.

Por isso, receber livros em castelám de parte do Xabarin Club só pode ter duas explicaçons:

1. Ou os responsáveis atuais do Club tenhem secuestrado a Xabarín (ou algo pior) e usurparom a sua identidade. Polo que solicito a sua imediata liberaçom.

2. Ou os responsáveis atuais do Xabarin Club estám a servir como agentes desgaleguizadores do Club sem que o Xabarín saiba da sua politica lingüistica contra o a normalizaçom do galego. Polo que solicito que os atuais responsáveis do Xabarin Club e da RTVG- retifiquem e cumpram algo lógico e justo: que o Club tenha um funcionamento em galego, sem comportamentos diglósicos, com normalidade.

Solicito que o Club de sócias e sócios do nosso querido porco bravo faga do galego a sua língua veicular, com total normalidade.

Atentamente:

séchu sende, papá


....

Dous dias despois...

Resposta dos responsáveis do Xabarin Club.
Às vezes protestar cámbia as cousas... ou isso esperamos:

Estimado Séchu,

Queremos antes que nada transmitirlle os nosos parabéns e agradecemento pola incorporación da súa filla ao Xabarín Club e indicarlle que o porco bravo se atopa ben, non foi secuestrado nin mudou o seu gusto conxénito polo galego.

Sentimos que o envío que lle fixemos á cativa lles provocase a inquedanza que nos traslada no seu mail, porque estamos moi lonxe diso e o que aconteceu simplemente foi que desde a nosa función entendemos o agasallo máis coma xoguetes que coma libros.

Desde o Xabarín Club levamos vinte anos facéndolles miles de agasallos aos socios e socias con produtos infantís e de entretemento en lingua galega, e pode estar tranquilo porque non temos pensado cambiar de criterio. Por iso, e tendo en conta a preocupación de que nos fai partícipes, procedemos ao envío doutro elemento inequivocamente en galego para a súa filla e para os rapaces e rapazas que recibiron envíos semellantes. Esperamos que lle guste á pequena!!!

Despedímonos por tanto lamentando as molestias que a primeira entrega lle puido causar e confirmándolle o compromiso de Xabarín coa lingua galega.

Asinado:

Alberto Casal

Dir. Xabarín Club
Comentários (20) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 20-02-2014 00:47
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