Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

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O caçador de bruxas



Dous fragmentos do meu novo livrinho:




Mulheres com livros na cabeça

As mulheres apanharom os cestos e saírom à noite em silêncio. Havia doce mulheres. Poderia dizer-che os seus nomes. Todos os nomes levavam a letra A.

Havia livros, revistas, jornais, e muitos papeis. Eu escoitei que havia que esconde-los porque em todos aparecia escrita a palavra liberdade.

Nom podiam sacar um carro e carrega-lo porque nom era seguro. O fungar do carro! Tu escoitaches algumha vez um carro fungar?

Pois a biblioteca havia que saca-la de ali em segredo. Havia que faze-la desaparecer.

E as mulheres eram silenciosas.

Pugerom panos nas cabeças, os cestos sobre os panos e nos cestos, livros. Um encima de outro. Acordo-me bem. As colunas de livros sobre as cabeças das mulheres.

Eu era um meninho e lembro-as com as colunas de livros, em fila, atravessando a noite. Era como um sonho. Doce mulhees caminhando em silêncio com cestos de livros na cabeça. Nom sei como podiam manter o equilíbrio, os livros sobre as mulheres. E as mulheres debaixo dos livros.

Trasladarom os livros durante toda a noite. Figerom muitas viagens, as doce mulheres com colunas de livros na cabeça. Os livros erguiam-se cara ao céu.

Ninguém mais que elas soubo nunca onde enterraram a biblioteca. A biblioteca que levaram na cabeça.

Eu, que era mui meninha, aquele ano quigem aprender a levar cestos na cabeça e a ler.



...



No 45 conhecim um polaco que tinha um papagaio na casa. Era um polaco que levava poucos anos aqui. Um dia acabamos a noite na sua casa, tinha um whisky... mmm, e ali conhecim o seu papagaio.

- Nom há muitos polacos na Costa Oeste, -dixo-me-, e com o paxaro podo falar em polaco.

Pareceu-me umha ideia fantástica! Assi que figem o mesmo. Olha: Esta da foto é Rosalia. Ai! Rosalia... Por certo, sabes quanto pode chegar a viver um papagaio?

- Nom sei... vinte, trinta anos?

- Rosalia passou comigo cincuenta anos. Cincuenta anos juntos, eh, companheira! Morreu em 1995. Essa foto é de... deve ser de 1980, mais ou menos. Durante esses cincuenta anos puidem falar galego todos os dias... Certo é que Rosalia, aínda que era mui paroleira, nom tinha muita conversa... Repetia-se muito! Mas, polo menos, eu tinha com quem falar quando acordava pola manhá ou quando me deitava á noite...

Milo ficou olhando o céu com um sorriso alegre e encantador, quase infantil. Dixem-lhe:

- Pois, Milo, esta história lembra-me a do papagaio de Humboldt... Conhece-la?

- Humboldt, o naturalista?

- Ahá... É que eu, á parte de poeta, som-che professor de língua e um dia preparando umhas aulas achei num livro esta história que... - E contei-lhe.

Resulta que numha das suas expediçons o cientista Alexander von Humboldt adentrou-se nas ribeiras do Orinoco, no que hoje seria Venezuela. Num daqueles povoados Humboldt ficou encantado com os papagaios domésticos dos índios, de penas rechamantes, púrpuras, azuis, amarelas... Num momento, a Humboldt mostrarom-lhe um papagaio falador. Era um paxaro velho. Que di?, perguntou Humboldt. Mas naquel povoado ninguém comprendia as palavras do paxaro. Quando Humboldt perguntou por que?, por que ninguem o comprende? dixerom-lhe que o papagaio falava outra língua, a língua dos atures, um povo que fora exterminado numha das últimas guerras. O papagaio era o último falante daquela língua. E Humboldt foi dos últimos em escoita-la, a saír do peteiro dum paxaro.


....

O lapis do taberneiro, 2011

Apresentaçom: 27 de dezembro de 2011. Café Bar 13, Rua de Santa Clara, Compostela.
Comentários (91) - Categoria: Geral - Publicado o 25-12-2011 12:28
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Na oficina de obxectos perdidos


Umha curta realizada por Édelingua, Producións Audiovisuais do ENDL do IES O Mosteirón, de Sada.

Protagonizado por: Miriam Gudiña Esmorís, Damian España Vieito.

Baseado num relato de Made in Galiza

Parabéns!

Comentários (11) - Categoria: Desenhos - Publicado o 03-12-2011 10:42
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Um bom curso de sociolingüística numha guia de leitura sobre Made in Galiza


Na web da Coordenadora de Equipos de Normalización acaba-se de publicar um trabalho de X.M. Moreno sobre sociolingüística. É muito mais que umha guia de leitura de Made in Galiza: umha boa ferramenta para achegar-se á dimensiom socio-cultural das línguas.
´
A mim pareceu-me mui interessante!

Aqui éstá!
Comentários (12) - Categoria: Desenhos - Publicado o 03-12-2011 10:38
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