Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

O autor solicita comunicar-lhe qualquer uso ou modificaçom da sua obra no email de contacto aqui sinalado.

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Corrubedo: emocionante!


"Dende a Plataforma Medioambiental de Corrubedo, un dos moitos colectivos que onte, 4 de novembro, marcharon en Corrubedo contra a desfeita irreversíbel que pode supor o Plano Acuícola da Xunta, queremos manifestar o noso orgullo por formarmos parte da Galiza digna, da mesma que se move polo amor a terra e da mesma que se ergue por fin e para sempre nun berro colectivo contra a violación do mellor de nós, que son as nosas paisaxes, os nosos mares, os nosos cantís, as nosas tradicións, a terra galega toda.

Non imos entrar na tradicional danza de cifras post-mobilización porque calquera pode percibir que onte, en Corrubedo, no cabo verde, houbo milleiros de persoas. Foi un éxito sen precedentes nunha vila tan pequena como esta que onte, dalgún xeito, foi a capital da dignidade dun país. Todas e todos os que se achegaron onte a Corrubedo, os que encheron de orgullo térreo as rúas desta pequena vila mariñeira, eran galegas e galegos dignos cuio único obxectivo é amosar que cando o poder político non cumpre co pobo, sexa cal for a súa cor, cando os apoltronados do Hórreo traizoan o país, aí está o poder popular, a nación, para lembrarlles que é en nós, nos do común, onde reside a soberanía desta Galiza nosa. Sen nós, non hai goberno e sen nós non hai país.

E nós, o pobo soberano, o que vive a pé de rúa, dixemos onte en Corrubedo non só que o Plano Acuícola da Xunta é inaceptábel, indecente e indigno, senón que o camiño autodestrutivo emprendido polo noso goberno, non é o noso camiño. Cando milleiros de persoas de todo o país, dende Ribadeo á Guarda e dende O Courel a Corrubedo, conflúen nun afastado cabo como o noso; cando tanta xente gasta horas e horas do seu tempo en ir berrar a un dos fins da terra nosa, é que algo acontece. Cando asociacións veciñais, pobos enteiros, sindicatos, colectivos ecoloxistas, confrarías de pescadores, asociacións de mariscadoras e mergulladores, intelectuais e artistas, marchan xuntos e sen fisuras nunha causa común, é que algo moi grave acontece.

E abofé que algo moi grave acontece. O ritmo de destrución de ecosistemas, paisaxes e mesmo aldeas e tradicións é escandaloso. Nada xustifica roubar a terra ao pobo para entregarlla a empresas depredadoras. Nada xustifica privatizar o litoral ao máis puro estilo colonialista. Nada xustifica ir contra a vontade de todo un pobo.

Onte, en Corrubedo, o país galego díxolles aos seus gobernantes que xa abonda, que queremos outro modelo de desenvolvemento, que queremos conservar o pouco que nos queda, que antes cás siglas políticas, antes cós intereses económicos, está a vontade da nación, a dignidade deste curruncho do noroeste peninsular que onte, para ben ou para mal, comezou unha loita unitaria pola dignidade porque aqueles en quen confiou o seu goberno mudaron en cegos e xordos. Si, este 4 de novembro, no afastado cabo do ollar largacío que é Corrubedo, o pobo galego dixo: Galiza non se vende. E xa non pararemos, por dignidade. Parabéns a todas e todos e adiante, pois este é o camiño."


Valoración da Plataforma Medioambiental de Corrubedo ao respecto da Marcha Nacional pola Defensa do Litoral do 4 de novembro
Comentários (1) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 07-11-2007 21:12
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O Caralho 29


Um clasico
Comentários (6) - Categoria: Geral - Publicado o 07-11-2007 12:49
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Manfred


Vai ser o aniversário.

Ira pro nobis
Comentários (0) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 06-11-2007 21:41
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Sobre Made in Galiza


Como já puidemos ler antes nos Muitos Papeis, o lugar onde a vida é mentira, ás vezes aparece gente que escrebe sobre Made in Galiza.

A primeira, plafff!.
Despois, flores..
Outra hai nada, caput!
E agora aparece mais umha: Compromiso coa palabras

Ehem...

"No ronsel de Castelao, aínda que salvando as obvias distancias, cómpre situar esta peza narrativa de Séchu Sende, merecedora dun xuízo crítico semellante ao que Carballo Calero (sic) escribiu no seu dia verbo do libro abraiante, conmovedor e sempre cheo de compromisocoa terra e coa Lingua que é a obra mestra de Castelao."

"...segue a súa mesma técnica narrativa: pequenos cadros, brevísimas historias, moi orixinais case que todas, que interveñen de xeito decisivo na realidade. E tamén un semellante grao de narratividade, a axilidade para encerrar en dúas ou tres páxinas unha ensinanza útil, a impagable mensaxe da valoración da lingua."

"...e outros relatos (...) nos que non está ausente nin o compromiso nin o humor e a ironía e que nos fan lembrar os nosos clásicos, malia a súa feitura fragmentaria e as súas trazas postmodernas."


Ponho-me colorado...
Ah, e que eu saiba, juro que a este senhor nom o conheço.

Por se nom se nota, estou moi contento polo livro. Obrigado a todas e a todos os que participades nel.

.......

"Feito de nós", Francisco Martínez Bouzas
Suplemento Faro da Cultura, 1 nov 2007
Faro de Vigo.
Comentários (2) - Categoria: Geral - Publicado o 06-11-2007 21:29
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Toca um instrumento exótico on line


Como soa umha gota, um balafom, um jembé, umha tambura, um cymbalum?

Pois move o rato e pom a orelha: aqui

.....

Abrigado pola parola entre castanhas a Che, d´Os trasnos de Moscoso
Comentários (1) - Categoria: Geral - Publicado o 06-11-2007 12:33
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Aprender gozando!

Create Your Own

Quando trabalhas com a gente jovem, podes chegar a ver toda a poténcia da mocidade para mudar o mundo encima dum cabalo.

Ensino obrigatório até os 65
Comentários (1) - Categoria: Fotografia - Publicado o 05-11-2007 21:29
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Calcetíns de gas butano

...Ver o touro colher o matador

isso é o melhor

as lámpadas em caixas

um cao velho escarbando

os cacahuetes numha bolsa de papel

isso é o melhor

matar cascudas

un par de calcetíns limpos

o valor natural que vence o talento natural

isso é o melhor...



Charles Bukowsky

........

Um agasalho Made in Galiza
Muac!

De aqui.

Comentários (0) - Categoria: Geral - Publicado o 05-11-2007 21:22
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Spray

....

A Pánchez, e umha aperta.
Comentários (0) - Categoria: Desenhos - Publicado o 04-11-2007 21:30
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Marina Colasanti, um texto


Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma.

Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.

E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos.

E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.

Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.


..............

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis.

Outros textos aqui.

E este, aconselhado por Puri a Rocio e por Ro a mim, sobre mulheres que tecem e destecem: A moça tecelá
Comentários (0) - Categoria: Geral - Publicado o 04-11-2007 19:08
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O acompanhador


Eu som acompanhador e, que queres que che diga, cobro um tanto fixo e logo as dietas, e gusta-me porque ando dum lado para outro e vejo mundo e assi.

Som um bo acompanhador. Recolho a alma no cemitério, digo-lhe Vem comigo e chamo-lhe polo nome, Vem comigo, e já nos ponhemos em caminho.

Onte por exemplo acompanhei umha alma desde Santiago. Chegamos á estaçom de bus, merquei dous bilhetes e viaxei com o defunto, case sempre deixo que o morto vaia ao caróm da janela para que veja um pouco de mundo e assi.

Suponho que á gente lhe estranhará ver-me falando com o asento vacio, é o meu trabalho. Conto-lhes cousas, digo-lhes os lugares polos que passamos quando me dá tempo a ler os nomes, falo-lhes de como está o mundo, que se vai chover, e assi.

Ao chegar a Cedeira falo com um taxista que já me conhece de moitas vezes ter feito esta viage comigo e os defuntos e o taxi leva-nos despacinho, eu digo-lhe Despacinho, por favor, e o taxi leva-nos despacinho a San Andrés de Teixido, Vai de morto quem nom foi de vivo, e gusta-me ver as égoas e os poldros na montanha e guardo siléncio porque a alma já está chegando ao seu destino e porque um acompanhador tamém tem que saber calar.

Quando chegamos eu digo-lhes Sorte, adeus e fago-lhes um sorriso e assi. O venres que vem tenho que ir buscar umha alma perto de Portugal, agora nom me acordo do nome do sítio, ali um dia derom-me a comer umha fruta riquísima que se chama mirabel e que dim que trouxerom de Alemanha.

Agora estou aforrando para um coche, se todo vai bem, e aprobo o carné de conducir, em abril já o tenho, já me vejo falando-lhe ás almas com a música do cd de fondo.


Comentários (2) - Categoria: Geral - Publicado o 02-11-2007 13:48
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