Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

O autor solicita comunicar-lhe qualquer uso ou modificaçom da sua obra no email de contacto aqui sinalado.

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Com Sex Please: Eu som contigo



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Eu, eu, eu, eu som
Eu, eu, eu, eu nós

Eu som contigo, quando sonho
Eu som contigo se abro os olhos,
Eu som contigo quando cuspo,
Eu som contigo e Pippi Langstrumpf
Eu som contigo e o senhor Nelson
Mandela.

Eu som contigo e mais as pedras
Eu som contigo entre cadeias,
Eu som contigo e me liberas,
Eu som contigo se abro os olhos
Eu som contigo e os arredistas

Eu som contigo e com os dragóns
Eu som contigo e a natureza,
Eu som contigo e a resisténcia,
Eu som contigo e os tractores
Eu som contigo, independéncia.

Eu som contigo no estrangeiro
Eu som contigo e os estrangeiros
Eu som contigo e mais com V,
Eu som contigo e mais o lume,
Eu som contigo e ti es comigo
Eu som contigo e das-me a vida
Eu som contigo, minha língua.
Eu som contigo, independéncia.

Eu, eu, eu, eu som
Eu, eu, eu, eu nós

...

Improvisando, abril, 2011.
Comentários (10) - Categoria: Geral - Publicado o 29-05-2011 00:04
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Acampada do Obradoiro: fotos



Um símbolo: o círculo de gente






Reunióm informativa sobre feminismo








Umha asembleia pola manhá













Asembleia das 20.00





Na cozinha


Umha reuniom da comisiom político-legislativa








Obradoiro sobre actitudes lingüísticas: Método de hipnose para falar galego




















Fotos: Javi Valles

Obrigado, meu!

Comentários (12) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 27-05-2011 15:13
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Sex Please: a música da besta


Sex Please nom é um grupo nada habitual. Os seus integrantes celebram este ano que levam 10 reunindo-se para fazer música. Som colegas, amig@s, que se juntam umha, duas, tres, quatro vezes ao ano para estar junt@s com a música como um elemento mais da sua identidade grupal.

Segundo Santi, Sex Please é “um entramado metálico-orgánico multiforme, que se nutre das nossas ideias e vomita umha bastarda mestura de alcohol, rock, poesia, raiva e comunhom entre colegas.”

”Todo começa com umha tímida invocaçom, já pode ser um rasgueo repetitivo dumha guitarra, umha nota tocada ao azar num teclado ou simplemente, o tangido dumha litrona acústica. A partir de aí, qualquer cousa pode passar, a besta começa a tomar o control e a retroalimentaçom dispara-se. De repente, TODO tem sentido: cada nota, cada palavra, cada percusom encaixa perfectamente no tapiz que tecemos entre todos.“

“Todos formamos parte de Sex Please! –continua Santi- e durante um tempo nom existe ningumha outra banda em todo o universo, só nós com os nossos aditivos e cíclicos cánticos, aditivos e cíclicos cánticos… Pouco a pouco a tensiom diminue, os músculos relaxam-se e os gritos volvem-se susurros case inaudíveis. Umha nova sesiom acabou e todos estamos fatigados, satisfeitos. Mas a besta quer máis e nom se contenta facilmente. Alguém golpea accidentalmente umha litrona e o mecanismo volve pór-se em marcha mais umha vez e outra...”


Carlos, avante hermético, recorda-nos que “Sex Please está a piques de sacar o último disco, Inner Tour, e o recompilatório destes dez últimos anos que se chama A ten-year night.

Para el, “Sex Please é sobretodo um veículo de creaçom, onde todos os membros pedaleam cara a outros mundos mais alá do racional. Um estado de comunhom entre várias persoas ao que nom se pode chegar por outros médios. É um ritual improvisado onde a comunicaçom brota sem passar polos caminhos já transitados.”

Christian di que "Sex Please é um "momento", um momento para evadir-se sem deixar de estar acompanhado."

Para Iago, "Sex Please significa moitas cousas... Amiçade, criatividade, ser capaz de evadir-te de todo durante uns minutos, sentir a extase coletiva quando uns sonidos se convertem em melodia, em música, incluso em boa música."

Um dos instrumentos que afirmam a identidade do grupo é a litrona eléctrica. A litrona eléctrica foi criada e incorporada como instrumento em dezembro de 2008 ao seu Inner Tour.



Na foto, o virtuoso da litrona eléctrica, Mon Mourelle.

"Como evoluçom artificial da litrona acústica, um dos instrumentos clave de Sex Please, a litrona eléctrica foi criada por Jimmy com a inestimável ajuda de Vitocho. A litrona é um engendro visionário, artefacto sonoro que pode conectar-se a um ampli e incluso ser filtrado por toda clase de distorsóns habitualmente usadas na sua irmá, a guitarra eléctrica", explicam.

Este é um dos temas fundacionais do grupo: Pass me the join

Um saúdo desde aqui a Noa, por aquela inesquecível versom da B.S.O do Tetris.

...

Aqui o seu myspace

E podedes ver umha sesiom de Sex Please, com a participaçom dum servidor como colega convidado, sobre um texto do poeta Xan Castro Huerga aqui,

Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 25-05-2011 23:15
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Os 100 corvos faladores



















Umha mulher vivia soa na Chaira da Névoa com 100 corvos faladores.

Criara 100 corvos umha mulher e aos 100 corvos cortara-lhes o músculo do siléncio, que está por baixo da língua, e os corvos aprenderam a dizer palavras.

A mulher vivia com 100 corvos no seu labradio. E os corvos viviam com ela. Nom vivia com 100 gatos nem com 100 cans nem com 100 vacas, nom: vivia com 100 corvos, 100 corvos faladores.

Falava a mulher com os 100 corvos na Chaira que Vai Cambiando de Nome.
100 corvos negros pousados na neve da Chaira dos 100 Corvos Faladores no inverno.
100 corvos negros a voarem no reflexo das poças da Chaira das Ras em primavera.

Adestrou 100 corvos aquela mulher na Chaira Cha e aprendeu-lhes a falar. A cada corvo, as suas palavras.

Caminhava pola Chaira dos Mil Rios aquela mulher com 100 corvos a voar á sua beira.
E os corvos faladores da mulher falavam e o vento levava e traía as palavras dos corvos no ar.

Caminhava cara á cidade, a mulher, de vez em quando, com um vestido vermelho de cotio, e 100 corvos faladores sobre dela no céu.

-Aí chegam os 100 corvos faladores, berravam os nenos.
-Vem com eles a mulher, a mulher vem com eles, a mulher de vermelho! anunciavam as nenas.
-Rápido, que as palavras venhem a favor do vento e chegam antes!, diziam os velhos.
-Tapai os ouvidos, avisavam as velhas, para nom ouvir as verdades.
-As verdades, as verdades!, corria espaventado um senhor de gris pola rua do méio.
-Nom creades as verdades, som mentira!, berrava umha senhora de chapeu negro com as maos nas orelhas.

E a mulher de vermelho cruzava lentamente a cidade, lentamente através, lentamente, e os corvos faladores falavam. Alguns falavam pousados nos telhados, nos ciprestes da alameda, na fonte da praça, na torre da igreja, no relógio do concelho, ou voavam a dizer as verdades no ar. Ás vezes os corvos reuniam-se todos juntos na praça.

E todo o mundo sabia.

Que os corvos ceivavam as verdades. Os granhidos eram palavras. As palavras caiam do céu. E muita gente, aínda que fazia que nom, ponhia o ouvido para as recolher.

Dava a impresiom de que havia gente que tinha medo do que podia escoitar. Alguns fechavam-se na casa. Outros cantavam em alto para nom ouvir outra cousa que a si mesmos.

A gente sabia que se escoitavam aquelas verdades a sua vida podia cambiar. Já tinha sucedido. Desde que os 100 corvos faladores começaram a vir á cidade, algumhas cousas mudaram dum dia para outro sem explicaçom... Umha mulher espetara-lhe ao xastre umhas tesouras na mao direita, por exemplo.

E havia ruas que cambiavam de nome, caminhos que mudavam de lugar, gente que cambiava de língua. Um velho mudou de passado e umha nena, de futuro. E havia cousas que nunca cambiavam que tamém cambiarom.

E quando os corvos cansavam de falar, a mulher e os 100 corvos voadores regressavam á Chaira Sem Nome.

-Isto nom se pode permitir, berrou um dia um velho.
-Essa mulher é perigosa!, dixo alguém,
-Umha tola!, cuspiu umha mulher.
-Umha bruxa!, berrou outra.
-Só nos trae desgraças!, dixo um home de gravata.
-Há que acabar com os 100 corvos faladores, dixo outro, de traje gris.
-Os jornais dim que está tola, dixo umha mulher erguendo um periódico de letras vermelhas.

Daquela dixo umha nena: Mas, se acabades com os 100 corvos faladores quem nos vai dizer as verdades?

Quem vai dizer as verdades se acabades com os 100 corvos faladores?, perguntou.

Dizem que de vez em quando aparece polo caminho que vem da Chaira dos 100 Corvos Faladores umha mulher com 100 corvos faladores.

E que ás vezes pousam nos telhados ou gralham nas praças.

Tamém dizem que se chegas a escoitar as palavras que ceivam os 100 corvos faladores e olhas os seus olhos já nunca volver ser a mesma persoa que eras antes, nunca mais.

Comentários (5) - Categoria: Desenhos - Publicado o 25-05-2011 10:58
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Expo: Resisténcia Animal!
Resisténcia Animal:

A minha primeira exposiçom!!!

Os animais fazem
um chamamento à acçom coletiva,
porque as cousas podem cambiar.

Animais
que lutam no caminho da vida,
em defensa própria.

Contra a destruiçom meioambiental
na Galiza.

Umha olhada surrealista e
social-realista ao mesmo tempo.

Com tenrura e violéncia, amor e rebeldia.

Cores, beleza e poesia contra o poder.
































Despois dumha intervençom lúdico-educativa com alunado de Educaçom Ambiental, de Pedagogia Social, na Faculdade de Educaçom da Universidade da Corunha, intitulada Conflitos sociais, Arte e Educaçom, inauguramos a exposiçom das aguarelas que protagonizam o livro Animais (Através, 2010)

A Expo pode-se olhar no Pavilhom de Estudantes, no Campus de Elvinha, na Corunha.

Um abraço mui grande á professora Araceli Serantes e ás estudantes que compartistes este dia comigo!
Comentários (7) - Categoria: Desenhos - Publicado o 10-05-2011 22:38
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O músculo da língua


Tem-se falado muito sobre a língua mas pouco sobre a sua condiçom muscular. O músculo que levamos na boca é o grande esquecido do debate sociolingüístico.

Diremos de entrada, e com poder metafórico mas com precisom científica, que a língua é o único músculo de movimento voluntário que nunca se fatiga. Tem-se dito que a língua é o músculo mais forte, aínda que realmente esse é um mérito que lhe corresponde ao glúteo máximo –as nádegas- sem o qual nom poderiamos caminhar de pé.

Vaia, a língua é um dos músculos mais elásticos e enérgicos e ademais o único que se move em qualquer direcçom. Um músculo práctico e valioso. Mas qual é a importáncia deste músculo no debate sociolingüístico?

Falar qualquer língua requer um adestramento muscular muitas vezes inconsciente mas fundamental para a correcta reproduçom dos sons. O ser humano nasce com os órgaos preparados para produzir sons de qualquer língua. Quando começamos a falar nem nos damos conta do processo polo qual esse músculo que temos na boca adquire destreza lingüística. Mas este treinamento múscular fai-se mais consciente quando aprendemos outras línguas ao medrar.

Muitas vezes perguntamo-nos Que curioso, Maria leva aquí toda a vida e nom dá falado galego e ás vezes responde alguém: Es que no se le dá. Este texto vai dirigido para toda essa gente, porque vamos basear-nos nos exercícios estruturais (ou “Pattern drills”) para umha aprendizagem lingúística acelerativa.

Por meio da repetiçom sistemática sobre um modelo (ou “pattern”) adestraremos os movimentos anatómicos mais acaídos ao nosso idioma e superaremos essa dificuldade de saída articulatória: “Es que no me sale”

Quando umha persoa sente que o galego “nom lhe sae” podemos pensar num problema cultural, psicológico ou ideológico mas nunca que detrás desse deficit pode haver um problema anatómico. Si, anatómico. Ou de articulaçom. E muitas vezes identificamos a aprendizagem do galego com actividades morfo-sintácticas ou léxico-semánticas quando o que realmente se precisam som exercícios de treinamento muscular.

Acordo-me agora de Carmen, umha profe de história que chegou de Madrid e me contratou como professor particular de língua para poder impartir as aulas em galego. Recordo que gastavamos o mais do tempo em treinamento da língua: caixxxa, xxxa, xxxa. Repite: Ai-la-lei-lo, ai-la-lai-la. Se vou a Bueu num bou, vou, se nom vou a Bueu num bou, nom vou! Mais que um professor de língua ás vezes sentia-me como um monitor num ginásio: Mui bem,, agora mais arriba, mais abaixo, no padal! um pouco mais, venha, agora com a ponta da língua! Assi, si, siiii!

Para a gente que tem dificultades para falar galego –porque nom lhe dá saído ou pensa que nom lhe senta bem ou porque lhe custa fala-lo- é mui recomendável o treinamento muscular da língua. Familiarizará o seu músculo com o nosso idioma até que a sua pronúncia seja natural e nada estranha., como própria, até sentir como seu o nosso idioma.

Por isso, como iniciaçom indicada para persoas ás que lhes custa falar galego –levem aquí toda a vida ou acabem de chegar- estes som alguns exercícios para agilizar a língua:

- Abrir a boca, sacar a língua e levanta-la muito e despois baixa-la muito.

- Mover a ponta da língua lateralmente, de esquerda á direita, fora da boca.

- Repetir os movimentos anteriores en dous, tres e quatro tempos.

- Descreber umha circunferéncia fora da boca com a ponta da língua, lentamente primeiro, logo mui rapidíssimo.

- Facer como que se limpam os dentes com a língua.
Sacar e meter a língua na boca, lenta e rapidamente.

- Intentar tocar com a ponta da língua a ponta do naris.

Podo asegurar que os resultados chegam ao pouco tempo, por própria experiéncia: eu comecei a falar galego na adolescéncia movendo a língua diante do espelho. Afazendo-me. Porque ao principio fazia-se-me raro… mas com um pouco de práctica e algo de ginásio… solta-se a falar a nom para! Já sabedes: temos umha língua que nunca se fatiga, forte, enérgica, ágil, práctica, valiosa, que se move em qualquer direcçom.
Comentários (6) - Categoria: Geral - Publicado o 08-05-2011 16:34
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Galiza na Feira do Livro em Braga


No dia Galaico-Minhoto!

O sábado 7 de maio, as escritoras Andrea Nunes Brións, Belém de Andrade, Carlos Quiroga, Lucía Novas, Marilar Aleixandre, Mario Regueira, Marta Dacosta, Raquel Miragaia, Román Raña, Séchu Sende, Teresa Moure participarám numha mesa que tem como objectivo dar visibilidade á literatura galega na Feira. Tamém participarám o professor Elías Torres e, na criaçom musical, Uxía Senlle, Sérgio Tannus e Xurxo Martins.

Este é o programa:

Día Galaico-Minhoto na Feira do Livro de Braga

15h Lançamento da obra Ayes de mi País, o primeiro e até agora inédito cancioneiro de música popular galega, uma compliação feita por Marcial de Valladares a meados do século XIX. Por José Luis do Pico Orjais e Isabel Rei Sanmartin.

16h Mesa de escritoras e escritores da Galiza, que darão visibilidade à literatura galega na Feira com uma intervenção musical da cantora galega Uxía Senlle e o músico brasileiro Sérgio Tannus

20h Encontro de escritoras e escritores da Galiza e do Minho num jantar oferecido pela Feira do Livro e que permitirá estabelecer relações aos dois lados da Raia. Neste encontro participarão os professores Elias Torres Feijóo pela Universidade de Santiago de Compostela e Carlos Cunha pela Universidade do Minho.


Parque de Exposições de Braga.
Comentários (7) - Categoria: Geral - Publicado o 05-05-2011 22:58
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A língua de Daniel Martínez Mariño


Sexamos esquíos

Abxuro
do software, do hardware e do tupperware
do esperanto e do kdamos?

Renego das linguas francas
que imposibilitan
a licencia poética das mentiras

Quero transitar por
palabras con vida,
vellas e agradecidas,
afeitas á dimensión cativa da miña existencia.

Palabras con alma de abrigo vello,
de zapato axustado ó tamaño do meu pé.

Pido para min
palabras usadas
pero que conserven intacta a súa dignidade,
como a conservan as beiras dos chanzos de pedra
comestos polos pasos dos que me precederon.

Só pido palabras.
Palabras nas que habite o alento doutras bocas
e o eco doutras vidas.

Só iso, palabras.

Porque sen as nosas palabras
seremos formigas sen norte,
plantas sen raíces,
cegos sen caiado.
A nosa condena ha ser andar polo mundo
inseguros e medorentos,
a atoutiñar con mans inexpertas
o que nos vaia saíndo ó paso.

Renunciar ás nosas palabras
é renunciar ó cinesmascope
no que se proxectan os nosos soños.
Será como regresar ás proxeccións en branco e negro,
mudas e co acompañamento ronco dunha pianola.

Mais, para que isto non aconteza
fagamos coma os esquíos,
que ás veces esquecen
onde soterran as noces,
e dese esquecemento
agroma anos máis tarde unha nogueira.

Para preservar a lingua,
soterraremos coas nosas mans
no máis escuro da fraga,
alá onde a terra sexa máis fértil,
unha morea de palabras
(alustro, chirlomirlo, remorso)

Sementes que un día han xermolar
no acubillo morno do humus.

Linguas de lava e de lume
que só deixan cinza na boca.

Lingua de can e de ovella
a medrar na beira dos camiños.

O costro da lingua materna
mesturada para sempre coa miña saliva.

Fame atrasada
de bicos con lingua.

Linguas viperinas
a esbazunchar veleno.

Andar nas linguas
por dicir o que pensas
e facer o que debes.

Perdoa, (Ana, Uxía, Sabela?)
teño o teu nome na punta da lingua.

Mudiñas
ás que lles comeu a lingua un gato lambón.

Irmáns, en pé,
para rogar a deus polo descanso eterno
da lingua morta.

Non é só a lingua de Rosalía,
de Castelao ou de O´Rivas,
de Ferrín, de Casares ou Blanco Amor;
das longas noites de pedra de Gayoso
todos os venres na TVG,
ou das desmemorias dun neno labrego
ó que nunca felicitaron os do Xabarín Club
polo seu aniversario.

Tampouco non é a lingua exclusiva
dos que, enchidos de poder,
redactan decretos sen creto
e sentenzas que absolven a Barrabás.
Non é unha lingua sintetizada
nas retortas dun sinistro laboratorio,
nin o eructo dun académico a facer chatolas
despois do xantar.

Non é iso.

É, por enriba de todo,
a miña lingua,
coa que insulto, minto e rogo.
Lingua coa que son.

Mais tamén a do avó Ramón
a nomear cun dedo tinguido de nicotina
as árbores e os paxaros que nelas viven.

E a lingua da miña nai
cando a súa man
aliviaba a febre na miña fronte de neno.

Lingua coa que o mundo
foi tirando os seus veos.

Non podo,
non quero renunciar a ela.
É canto teño.



...



A sedicción dos paxaros

Se aspiramos a acadar unha soa lingua
única, exclusiva e sen ambigüidades,
unha lingua
precisa, científica e, por suposto, compartida,
nese caso,
o mellor que podemos facer é calar.

Membros de pleno dereito
da Real Academia do Silencio,
fiquemos mudos para sempre,
xa que só o silencio
ten o privilexio da unanimidade...

(sempre e cando non veña o asubío do chirlomirlo
a disentir, claro)

...


Daniel Martínez Mariño, natural de Ares, recoñece que le de todo, desde Harry Potter á parte de atrás dos paquetes de cereais. Foi premiado por estes textos no certame Minerva 2010.


De paxaros e outros minerais: autor@s premiad@s nos XXXVIII Premios Literarios Minerva, Colexio Peleteiro, 2011

Comentários (6) - Categoria: Geral - Publicado o 29-04-2011 09:26
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Um pica-peixes sobre a almofada!






e mais umha libelinha azul...

Para Candela!



Comentários (20) - Categoria: Desenhos - Publicado o 28-04-2011 20:31
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David Copperfield nom tem nada que ver com isto
Olha esta foto. Um sinal borrado. Quem puido fazer desaparecer o topónimo e por que?



Num país como o nosso, onde o sinal dumha estrada poderia ser objecto dumha tese de doutoramento, que pensas tu ao olhar essa fotografia? Qual será a sua história?

Mais em galiciaconfidencial.com
Comentários (12) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 08-04-2011 14:40
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As culheres de Javier Valles








Javier Valles enviou estas fotos e estas palavras desde Asturies, criadas a partir do relato das 13 culheres numha caixinha negra:

"Só teño na miña mente mestura de culleres...deformes e de madeira.
Con elas vai unha culler que soña con ser garfo.

Estou facendo rochas...pedras baleiras por dentro...tamén de madeira."

...

Javi Valles é escultor, e tem um braço galego e outro asturianu. "11 pedras de cores" é o título da sua vindeira exposiçom, em julho.
Comentários (7) - Categoria: Desenhos - Publicado o 04-04-2011 22:42
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Manuel Antonio: 13 olhadas na sua casa-museu!


Umha casa cheia de sorpresas e emoçons!
Umha visita mui recomendável!!!
Comentários (11) - Categoria: Desenhos - Publicado o 31-03-2011 11:16
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13 culherinhas numha caixinha negra


Luísa tem umha colecçom mui especial. De culherinhas. Dentro dumha caixinha forrada com veludo negro. Mostrou-mas na sua casa.

-Nom tenho demasiadas, afortunadamente. E digo afortunadamente porque cada vez que consigo umha é como se medrasse a minha tristeza... ás vezes, outras, a raiva. Já perdim a conta delas, tenho-as nesta caixinha negra, olha. Ves, som culherinhas pequenas, prateadas, todas som diferentes.

Contei-nas. Brilhavam. Havia doce culherinhas.

-Esta foi a primeira, -dixo Luísa colhendo umha-. A mim encantava-me jogar de nena com ela e um dia dixo-me minha avoa, recordo-o perfeitamente, dixo: Esta culher agora é tua. Coida-a bem e limpa-a com limóm, que é de prata. Recordo-o como se fosse hoje: Esta culher... agora é tua. Esta culher... dixo. Guardei-na como um tesouro até hoje. Despois minha avoa puxo-se a pelar umha laranja.

Luísa tem duas nenas. Umha de cinco anos, Inés, e outra de dez meses, Maruxa. Saímos dar umha volta e entramos num bar, na Rua do Príncipe. Pedimos duas cervejas. Maruxa começou a chorar no carrinho e Luísa colheu-na no colo.

- Tem fame, dixo.

Sacou um tarrinho do bolso, mostrou-lho á nena, que deixou de choromicar, e dixo-lhe:

- Hoje preparei-cho de laranja e pera.

E dixo-me a mim:

- Nunca levo culherinha no bolso.

Ergueu-se e achegou-se á barra com a nena no colo.

- Olá, poderia deixar-me umha culherinha?

A camareira dixo: Que?

- Umha culher, -repetiu Luísa..

- Que?, -repetiu a camareira. Teria uns trinta anos.

- Umha culher, repetiu.

- Eh?, repetiu a camareira.

- Umha culher, -repetiu Luísa sinalando com o dedo umha culherinha que havia sobre a barra um pouco mais alá.

- Ah!, exclamou a camareira.

Luísa voltou com a culher e dixo enfadada, indignada:

- Outra para a colecçom.

E dixo:

- É triste que haja alguém que nom te entenda no teu próprio país quando pides umha simple culher.

E dixo:

- Por isso é triste a minha colecçom, porque medra com a ignoráncia da gente... E da-me raiva.

Quando Maruxa acabou a pera com laranja e nós, as cervejas, Luísa guardou a culherinha no bolso, paguei e marchamos. Na rua Inés prendeu-se da mao de sua mai e dixo-lhe:

- Mamá, sabes, vou começar umha colecçom de garfos.

Comentários (19) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 25-03-2011 14:17
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Um raposo no caseto de Ernesto e Sofia...


















...com um livro na boca, ao sol de março.
Comentários (20) - Categoria: Desenhos - Publicado o 19-03-2011 23:47
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Uff, em Fala Londres!




John e Tamara cursam 6º de Primaria e venhem de publicar estas bandas desenhadas inspiradas no relato Uff, do Made in Galiza, no blog Fala Londres

Um blog do grupo de alun@s de língua e literatura galega do I.E. Vicente Cañada Blanch de Londres. "

"Uns somos galeg@s nacid@s en Galicia. Outros somos galeg@s nacid@s en Londres. E outr@s queremos saber máis de Galicia. Somos de distintos niveis, dende Primaria ata Bacharelato. Algúns somos galego-falantes e outr@ habemos de selo."

Um abraço, John e Tamara!
Comentários (12) - Categoria: Desenhos - Publicado o 17-03-2011 16:19
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Pobrinh@, nom sabe falar galego!


A minha filha está aprendendo a falar. Na rua, no parque ou na biblioteca alguns nenos e nenas falam-lhe galego, muitos, castelám e quando estamos fora falam-lhe inglés, turco, croata… Na última viagem a minha filha chegou saudando em kurdo: Roj bas, spas! Com menos de dous anos já fala o kurdo melhor que seu pai e sua mai juntos!

É habitual observar nenos e nenas galego-falantes que quando falam com um castelám falante cámbiam de língua. Ao final acabam reproducindo comportamentos que aínda muitos adultos padecem como qualquer outra afecçom psicológica.

-Ui, que bonita é a nena…, -dixo-me hai uns dias umha senhora na rua-. E como se chama?
-Estrela…
-Ay, Estrella, que bonita, y que ojos tan grandes, cuchi, cuchi!
-Senhora, -sorrim-, fale-lhe galego que a nena é de aqui.

Por aquilo das curiosidades sociolingüísticas, na casa anotamos num papelinho as vezes que lhe cámbiam o nome á nossa filha. De Estrela para Estrella. Pensei que podia ser um bom agasalho de aniversário para quando cumprise os 18. De momento, em 23 meses, duas semanas e 1 dia já lhe mudarom o nome 47 vezes, -que nós saibamos-.

A activista pola língua mais nova que conheço tem cinco anos. Cansa de que lhe chamaram por um nome que nom era o seu, quando umha senhora lhe dixo por enésima vez: Ui, que bonita me eres, Marina… ela ergueu a voz: Eu som Marinha!, Nha! Nha! Nha!

Como neno eu tamém vivim baixo a norma social que, condicionada polos prejuíços, obriga a muita gente maior –mesmo a galego-falante- a falar em castelám com a gente nova. Existe essa lei que vem ditar que quantos menos anos tem um galego ou galega menos posibilidades tem de que lhe falem em galego e, ao tempo, quanto maior é a persoa, maior é a posibilidade de que lhe falem na língua do país. No documentário Línguas Cruzadas, de Maria Yáñez e Mónica Ares, um rapaz castelam-falante verbaliza este comportamento exótico: Si me habla gallego un señor mayor yo a lo mejor si que le hablo en gallego. Eu chamo-lhe a Lei de Matusalém, porque Matusalém seria esse velhinho que teria ganhado, por raçom de idade, o direito a que a gente lhe fale em galego. Ás vezes eu mesmo gostaria de ter noventa anos para gozar dessa situaçom…

Conheço o caso dalguém de minha idade, de Redondela, que prendia na língua. A mai, quando era um cativo, levou-no ao médico, que lhe dixo: Yo no le puedo arreglar el tartamudeo pero, si quiere disimular un poco, mejor que hable castellano. Talvez foi a primeira vez que alguém deixou de falar galego por prescriçom médica. Nom consta receita por escrito. Lástima, seria um documento histórico valiosíssimo!

Mas nom toda a gente obedece a Lei de Matusalém. E eu devo agradecer a todas essas persoas que me falarom galego quando fum neno e moço porque as suas palavras mantiverom-me unido ao idioma que hoje falo. Para todas as persoas maiores que lhes falades galego aos nenos e ás nenas, -faledes habitualmente em galego, ou mais em galego, ou mais em castelám,- um abraço entre estas palavras.

Quando umha persoa maior nom lhe fala galego a um neno está a excluí-lo da cultura que nos une. Quando um adulto nom lhe fala galego a umha nena está a expulsa-la da própria comunidade. Quando tu nom lhe falas galego a umha nena estás a impedir-lhe um desenvolvemento comunicativo livre. Quando nom lhe falas galego a um neno estás a priva-lo da liberdade de poder expresar-se na língua dos galegos e das galegas. Quando umha nena ou um neno medra sem contacto com a nossa língua converte-se num inadaptado.

Mas quando lhe falamos galego a um neno enriquecemo-lo. Fazemos-lhe entender que a pesar das diferéncias a língua nos une. Quando tu lhe falas galego a umha nena das-lhe umha chave para comprender o mundo que a rodea. Quando lhe falas galego estás a dar-lhe a posibilidade de que melhore as suas habilidades comunicativas. Quando lhe falas galego estás a abrir-lhe umha porta de desenvolvemento, progreso e felicidade.

Escrebim todo isto porque hoje me contarom que a filha doutra colega, de cinco anos, o outro dia quando chegou a casa contou-lhe á mai que atopara um neno mui simpático no parque…
-Pobrinho, dixo-lhe á mai.
-Por que?
-Porque nom sabia falar galego.
-Nom sabia falar galego?
-Nom, só sabia falar castelám. Pobrinho. Eu falei-lhe em galego, a ver se o vai aprendendo.

Comentários (10) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 16-03-2011 22:19
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A Volta Grande do Caurel


Na Casa do Cego, Soldom.




Vieiros



Janela



Janela



Visunha



Colmeias



A Seara, A casa dos Galhardos.

...

Dum projecto para umha Guia da Volta Grande do Caurel
Comentários (12) - Categoria: Desenhos - Publicado o 15-03-2011 13:53
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Lois Pereiro dentro dumha caixinha












Comentários (17) - Categoria: Desenhos - Publicado o 13-03-2011 17:51
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Sexplease + eu: Os cavalos estam a viver as nossas vidas


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Ajudai-nos.
Os cavalos estám a viver
as nossas vidas.

Ajudai-nos.
O mundo mudou.

Ajudai-nos.
Nom podemos fazer nada
para volver as cousas ao seu.

A nossa história
é dos cavalos.
As nossas sombras,
os nossos olhos,
o nosso respirar
som dos cavalos.

Ajudai-nos.
Umha estrela negra no céu.

Os cavalos estám a viver
as nossas vidas.

Baixa polo Val de Maceda
de volta á minha casa,
polo meu caminho,
um cavalo.

Um cavalo
está a viver a minha vida.

Ajudai-me.
A minha casa agora
é dum cavalo.

As minhas palavras,
a minha língua
nom som minhas.
Som dum cavalo.
Som relinchos
dum cavalo.

Ajudai-me.

Um cavalo está a viver
a minha vida.

E eu,
eu,
nom podo fazer nada
mais que esperar e,
talvez,
abrir os olhos
e acordar.

...

Editorial Anmastra-N-Gallar, Compostela, 2011
Comentários (13) - Categoria: Desenhos - Publicado o 13-03-2011 17:51
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O livro da vida. 3 D





















Auto-retrato dentro dumha caixinha.
Março, 2011.
Comentários (10) - Categoria: Desenhos - Publicado o 08-03-2011 18:27
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