Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

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A língua de Estrela
O primeiro dia na escola.

Um conto escrito para o Kurdistam, pensado desde Galiza. E viceversa.



Era-se umha vez umha nena que se chamava Estrela. Umha nena mui mui pequerrechinha. Do que mais gostava Estrela no mundo nom era do pam ou dos axóuxeres, da teta de sua mai ou das estrelas. Nom. Havia algo do que gostava por riba de todas as cousas: As palavras. Primeiro aprendeu a escoita-las, marabilhada, e despois começou a pronuncia-las com muito cuidado, com medo a rompe-las, pareciam frágeis, descobrendo cada umha delas com muita emoçom.

Descobreu que as palavras dominavam o mundo. Se ela dicia: Água, em seguida alguém lhe achegava um pouco de água. Se a ela lhe diciam: Quero-te, iluminavam-se-lhe os olhos e entrava-lhe um vento no peito. E dava-se conta de que o mundo cambiava ao ritmo em que a gente ia pronunciando palavras. As palavras podiam com todo. Eram poderosas.

Um dia todo o mundo começou a dicer: Que bem fala Estrela, Que pequeninha e quantas palavras sabe. Esta nena é mui lista!

Estrela juntava as palmas das maos e abria-as como se fosse um livro. Mira, um cam, dicia-lhe a sua mai. Mira, um lobo, dicia-lhe a seu pai. E mais adiante, aínda que nom sabia ler, colhia umha folha de jornal ou um livro e fazia que lia e contava-lhe a sua mai um conto dumha cabra que nom podia sonhar, e a seu pai umha história dum melom que tinha dentro um paxaro e á sua irmá, um conto dumha nena que dava a volta ao mundo em bicicleta.

“Manhá começas a escola, Estrela. E vas aprender a ler. E vas aprender a escreber.” Essa noite, com a emoçom, Estrela sentiu como se tragasse as palavras e as tivesse todas no estómago, a revoar como um milhom de bolboretas.



Mas o primeiro dia de escola sucedeu algo inesperado. Quando a mestra abriu a boca a palavra que pronunciou nom era umha das palavras de Estrela. E quando a mestra escrebeu a primeira palabra na pizarra e a leu em voz alta, Estrela descobreu que aquela tamem nom era umha das suas palavras. E as palavras do livro que leu a mestra tamem nom eram palavras do seu idioma.

Era como se as suas palavras nom puidessem entrar naquel lugar. Como se as palavras que levava dentro tivessem que ficar fora da escola. Ela podia entrar, mas as suas palavras nom.

Assi que o primeiro dia na escola Estrela aprendeu a esconder as suas palavras. As palavras do seu idioma. Essa foi a primeira lecçom.

Essa noite as palavras de Estrela moverom-se na sua barriga como bolboretas de todas as cores. E quando ficou durmida sonhou que milheiros de bolboretas saiam livres pola sua boca.

Ao dia seguinte, nada mais entrar na escola, Estrela abriu a boca e ceibou umha das palavras da sua língua, como umha bolboreta arco-iris... E daquela puido escoitar aqueles risos. Ao primeiro, em voz baixa.

Quando ceibou outra das palavras do seu idioma, os risos medrarom e ela deu-se de conta de que se estavam a rir dela.

Estavam-se a rir das suas palavras. E, sem saber mui bem porque, Estrela sentiu um pouco de vergonha. Por primeira vez na vida sentiu um pouco de vergonha das suas próprias palavras. Do seu idioma.

E daquela comprendeu.

Daquela Estrela descobreu por que havia gente que tinha vergonha de pronunciar as suas palavras, por que havia gente que se avergonzava de falar a sua própria língua: porque isso era o que lhes aprendiam na escola desde o primeiro dia. Essa era a segunda lecçom que se aprendia na escola: Avergonzar-se do seu próprio idioma.

...


A Irfan Guler.

...

1º Foto: nena kurda, Onnik Krikorian, arquivo UNICEF
2ª Foto: Nena montada numha bici na Pastoriza. Julio Rojas.

Comentários (6) - Categoria: Desenhos - Publicado o 21-11-2010 12:59
# Ligazóm permanente a este artigo
Chuza! Meneame
6 Comentário(s)
1 Así era nos anos 60 ou 70 , cando me mandaron a min á escola pola primeira vez. Eu tamén fiquei sorprendido. Agora xo non é así. Ti sábelo.
Por certo, cando se empezou a meter o ghallegho na escola nalghunhas escolas de parvulitas preghuntouselle ós pais de zonas rurais en que linghua crian que se lles falara ós rapaces. En moitos casos a resposta foi #blgtk08#"en castellano que'n ghallegho xó aprenden na casa". Aghora eses rapaces xa homes e mulleres que xa non viven n'aldea en moitos casos ó facerlles a mesma preghunta responden "en castellano porque es lo que hablan en casa".

Así é o conto, a literatura está moi ben, máis tan só é iso, literatura.

A realidade é como é. Ti sábelo.
Comentário por que mais ten (22-11-2010 13:54)
2 O conto foi escrito pensando em duas nenas:

Sterik, umha nena kurda que pode viver em Amed ou em Mardin.
Estrela, a minha filha, que, quando comece a escola, falando em galego, na cidade, pode, talvez, da-me a mim que pode chegar a sentir que a língua que ela fala, o galego, nom é a língua da escola.

Agora, como tu bem dis, a literatura é literatura. A realidade é como é... para cada quem.

E o que está a suceder nas cidades é que @s nen@s galego falantes quando começam a escola deixam de falar o galego, em diferentes graos. Desde o abandono total até a asunçom do galego como língua familiar, entre outros casos. Puf, tenho escoitado tantas histórias diferentes!

Daria para falar muito tempo, muitas linhas...

Sabias#blgtk08# que com o decreto do PP nas cidades só há infantil em galego num 15% das escolas?

POis imagina quantos nenos e nenas nom vam ter contacto com o galego quando entrem na escola em Vigo, A Corunha, Ferrol, Compostela...

Muitos nenos e nenas urbanos castelam-falantes vam começar a primária, aos seis anos, com um contacto mínimíssimo com a língua.

E esta é a minha realidade como papá dumha nena que começa a ser galego-falante, de 20 meses.

E o problema que temos muitos pais e nais que vemos como @s noss@s filh@s som vítimas dum sistema escolar desgaleguizador, espanholista.

Por suposto que Galiza e Kurdistam som povos diferentes... mas somos povos tam perecidos...

Gracinhas pola comunicaçom.

Comentário por made in galiza (22-11-2010 14:59)
3 Eu só podo falar do meu Leo que está nunha etapa de aprendizaxe total.
De sempre fora galegofalante e despóis botou uns meses de autotradución a un hiperespañol horroroso e agora fala galego conosco e español cos nenos. Iso si,o seu galego incorporou tempos compos#blgtk08#tos.
Nonsei como rematará o conto pero é difícil: so el e a profesora falan galego. Cando cambie de profe, que ?.

Por iso vas ter etapas coa túa filla que sentirás rabia e mágoa e non crerás vivir esas experiencias pero algo quedará...ou iso espero.
Comentário por paideleo (23-11-2010 23:55)
4 Favoriten lose Version und klassischen Streifen, nur richtige Version dieses Kleid alternative, ab#blgtk08#er nicht enge Taille, Fledermausärmel und runder Hals breite Schulter Fleisch arm MM beliebtesten
Comentário por Levis Online (08-11-2012 09:16)
5 denses. Les murs étaient recouverts d'un style graphique#blgtk08#. Contre rempli de dizaines de tissu de couleur pour les
Comentário por Moncler Doudoune (30-11-2012 01:34)
6 Mirad descebreu-nos como vive um rapaz novo kurdo-falante a situa#blgtk08#çóm actual do conflito lingüístico no Kurdistam no estado turco.
Comentário por http://www.daproject.fr (22-12-2015 09:28)
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