Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

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Made in Galiza: prólogo da ediçom turca



Amigos e amigas, ola. Bem-vindos a este livro. Há muito tempo tamem caiu nas minhas maos um livro em que comecei a conhecer-vos.

Vivíades dentro, nas palavras impressas. Porque era um livro que falava de vós, si, de vós, de gente da Turquia e de gente do Curdistám. Curiosamente descobrim que os homes, as mulheres e nenos e nenas que apareciam naquelas páginas se pareciam muito aos homes, mulheres e nenos e nenas do meu país, Galiza.

Foi duro ler aquel livro porque era um desses livros que falam da injustiça. A gente falava, explicava, descrevia, narrava a vivência dum conflito que precisavam comunicar, compartir.

Curiosamente, há gente que nom tem essa vivéncia da opressom e nom pode nem imaginar o que significa, entre outras cousas, ser falante dumha língua castigada pola história passada e pola história viva do presente.

Naquel livro conhecim a Fatma. Fatma era umha nena, umha nena que eu imaginei como minha mai quando era nena. Quase com as mesmas palavras que Fatma deixara naquel livro escrevim um poema que gostaria de compartir comvosco.

Fatma

O primeiro día
o mestre pintou unha árbore
con mazás brancas
ao lado da xanela.
Cada un de nós tiña a súa mazá.
Tiñas que aprender a falar turco,
a ser turco.
Ás veces pegábanos.
Ás veces traía caramelos.
Ao final do ano todas as mazás
eran vermellas.
Agás a miña.
Eu son kurda.

Agora que som papá dumha nena de quinze meses, temo que o que lhe sucedeu a Fatma no Curdistám poida chegar a vivi-lo tamém a minha filha Estrela em Galiza e deixe de falar a nossa língua quando chegue á escola.

E a primeira parte deste prólogo já acabou. E a segunda parte começa com umha chamada à Irmandade.

Todos os povos do mundo, todas as línguas do planeta, deveríamos reconhecer-nos como irmaos, como irmás. E o meu irmao de Madrid ou de Istambul deveria pôr-se, por um minuto, no lugar do irmao galego, da irmá curda, e compreender que as funçons que desenvolve com normalidade a sua língua –na educaçom, nos media, nas ruas, nas empresas,...- som as mesmas utilidades que nós queremos, necesitamos para o nosso idioma. Nem mais nem menos.

Segundo a Declaraçom Universal dos Directos Lingüístico, da UNESCO, "Todas as línguas som a expressom dumha identidade colectiva e dumha maneira distinta de apreender e descrever a realidade polo que devem poder beneficiar-se das condiçons necesárias para o seu desenvolvimento em todas as funçons" e "Todas as comunidades lingüísticas som iguais em directo" e "Devem ser tomadas as medidas para que esta igualdade seja real e efectiva".

No título 2º, a Declaraçom sinala que "Todas as comunidades lingüísticas tenhem direito a que a sua língua seja utilizada como língua oficial". E tamém se di que todas as línguas "Tenhem o direito ao ensino da própria língua e da própria cultura" e que "Todas as comunidades lingüísticas tenhem o direito de dispor dos meios necessários para assegurarem a transmissom e projecçom futuras da língua".

Existe, polo geral, umha tendência unificadora dos Estados para reduzir a diversidade e favorecer as actitudes contrárias ao pluralismo lingüístico. E em culturas como a galega e a curda provocou umha tensom continua entre lealdade lingüistica e submissom lingüística, entre fidelidade e deserçom. Durante muito tempo, na Galiza e no Curdistám, muita gente assumiu como norma social que a língua do Estado –o espanhol, o turco- é a língua importante, culta, de progresso enquanto se chegava a crer que as nossas línguas –o galego, o curdo- nom eram –nom som- línguas para a ciência, a cultura ou o desenvolvimento económico e social. Mas todo isso só som crenças irracionais, ficçom.

No meu país fazemos cine, música punk ou techno, blogs, temos empresas, telemóveis redes sociais que vivem em galego com absoluta normalidade. Somos milheiros que, contra a opressom dumha história e um presente agressivo, vivemos e construímos a nossa vida no nosso idioma, dia a dia. Sem complexos.

As valoraçons e atitudes negativas, os preconceitos, que sofrem as nossas línguas nom deixam de ser o resultado dum processo de agressom cultural –e nom só cultural- que levou muita gente a assumir que falava –que fala- umha língua de segunda. Som cousas que passam. Eu mesmo passei os meus primeiros 16 anos sem falar galego porque cheguei a crer –assi mo transmitiu o meu entorno- que nom era importante que eu falasse galego. Que a minha língua nom era importante.

Mas as cousas cámbiam. E um dia chegamos á conclusom de que si, de que a língua do nosso país é, deve ser, como qualquer outra língua do mundo. E que todo deve cambiar. E outro dia começamos a viver a nossa língua com conciência lingüística, somando as nosas palavras ao processo de criaçom social do nosso idioma. E outro dia damo-nos conta do importante que é ter auto-estima. Valorar no próprio. E outro dia fazemo-nos umha pergunta que muda a nossa forma de pensar: Se o nosso povo se foi empobrecendo por umha história que foi debilitando estrategicamente a nossa língua, que sucederia, entom, se conseguimos fortalecer, entre todos e todas, num proceso de criatividade social o nosso idioma?

E esse dia damo-nos conta de que a vitalidade do nosso idioma é inseparável da vitalidade da nossa sociedade, do nosso povo. Porque a nossa língua é a chave do nosso desenvolvimento social, económico e cultural.

E quando tu falas a língua do teu povo, o teu povo medra, porque o teu povo vive nas tuas palavras.


Ruyalarimda bile dilimi kaybetmeyecegim, Ed. Avesta, 2010, Istambul.
Comentários (8) - Categoria: Geral - Publicado o 04-11-2010 16:39
# Ligazóm permanente a este artigo
Chuza! Meneame
8 Comentário(s)
1 Este prólogo non só debería estar en curdo, deberían#blgtk08#o traducir a todas as linguas minorizadas do mundo.
Comentário por Dores (11-11-2010 12:17)
2 Xunto co Made in Ga#blgtk08#liza, por suposto!
Comentário por Dores (12-11-2010 09:14)
3 Eu concordo com #blgtk08#tudo aqui dito.
Comentário por viagra generico (18-10-2011 22:55)
4 Cufflinks is one of the most import#blgtk08#ant accessories for men's clothing.
Comentário por Tiffany Jewelry (08-11-2012 09:14)
5 til å Hussein "never".Igjen uttrykt vilje til å str#blgtk08#eike i Beijing-OL. "Noen ganger mer som et korps."A
Comentário por Nike Free Run (30-11-2012 01:34)
6 Foi duro ler aquel livro porque era um desses livros que falam da injustiça. A gente falava,#blgtk08# explicava, descrevia, narrava a vivência dum conflito que precisavam comunicar, compartir.
Comentário por Repliki zegarków (18-03-2014 10:02)
7 Tenho a impresiom de que esta entrevista poderiam ter-ma fei#blgtk08#to a mim quando tinha 13 anos e haveria muitas semelhanzas.
Comentário por http://www.lagrenouillere-frise.fr (30-11-2015 07:59)
8 Mirad descebreu-nos como vive um rapaz novo kurdo-falante a situa#blgtk08#çóm actual do conflito lingüístico no Kurdistam no estado turco.
Comentário por http://www.designmust.fr (22-12-2015 09:28)
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