Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

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O atracador ventrílocuo


Isto sucedeu um dia de fevereiro de finais dos 70 na capital do país. Daquela os bancos e caixas de aforro eram asaltadas esporádicamente, unhas vezes por delincuentes comúns, outras por organizaçons políticas revolucionárias. Foi umha época na que os nomes dalguns atracadores de bancos mesmo acadaram a fama em letras grandes nas portadas dos jornais.

Mas um capítulo pouco conhecido na história dos atracos a bancos na Galiza foi a do atracador ventrílocuo. Ou atracadora. A natureza excéntrica deste asalto foi tal que –salvando os protagonistas mais directos do episódio- pouca gente chegou a conhecer a história porque os médios de comunicaçom silenciarom os feitos, diante das presions da empresa bancaria, por umha cuestiom de discreçom.

Foi precisamente umha das testemunhas directas quem, com muita memória e organizaçom narrativa, nos narrou a história.

Esse dia morreu Sid Vicius, o cantante de Sex Pistols, ou isso dixeram na rádio aquela manhá.

A sucursal estava chea de gente e sobre o siléncio escoitou-se umha voz:

- Isto é um atrrraco. Tenho umha pistola e vai em sérrrio. Que ninguén se mova!

O fio de voz era extremadamente estranho, nem grave nem agudo, e grave e agudo ao mesmo tempo. Tinha, si, um sotaque estrangeiro, como imitando ao ruso. Daquela era mui estranho escoitar um acento assi. Talvez fosse fingido.

Em principio ninguém se moveu. Havia dezaseis persoas na oficina e dous empregados do outro lado do mostrador. A gente, sorprendida, começou a mirar-se aos olhos, entre si, com nerviosismo. Mas a voz voltou a falar com umha autoridade violenta, quase selvagem:

- Se ninguém fai tonterrrías nom haverrrá morrrtos nem ferrridos. E agora mirrrem ao lado do parrragüeirrro. Vem essa pistola? É umha astrrra semi-automática. Está descarrrrgada. Tenho outrrrra igual com 6 balas.

A voz resoava na oficina sem um rostro que lhe dera corpo. Umha señora tivo a intençom de mover-se cara á porta mas quando deu o primeiro passo a voz berrou sordidamente:

- Dixem que ninguém se mova, oooostia!

A voz nem era de home nem de mulher, ás vezes semelhava infantil, outras, de anciá.

- Maos arrrriba. Arrrriba!!

As persoas olhavam-se entre elas mas ninguém dava identificado o atracador. Asombradas e com medo, estavam a asimilar que um deles era um atracador ventrílocuo, ou atracadora. Mas em todos os olhos se percebia o nerviosismo. E todas as bocas permaneciam fechadas. Todos os labios selados.

- Obedeçam a minha voz e nom passarrrá nada, - voltou a falar a voz, que ás vezes chegava de longe e ás vezes de perto- E agorrra, os carrrtos!

O atracador ventrílocuo conseguia falar sem separar os lábios e projectava a sua voz, -fazendo uso dumha capacidade fora do comum, inédita- conseguindo, com umha impresionante habilidade e perfecçom, que o sons semelhassem saír de diferentes lugares. O engano acústico era extraordinário, como estar diante do melhor artista de circo em pleno espectáculo, o melhor ilusionista sonoro, o melhor mago de palavras do mundo.

A voz estomacal dirigiu-se aos empregados do banco:

- Juntem os carrrtos se nom querrrem levarrr um tirrro na boca!

Quando reunirom todos os cartos encima dumha mesa a voz berrou, com vibraçom afrautada:

- Agorrra fagam 16 montons e repartam-nos entrre a gente a parrrtes iguais. Já!

Como autómatas, suando, os dous empregados da sucursal saírom do mostrador e começarom a fazer o que o atracador ventrílocuo ordenara, em siléncio.

- Colham o dinheirrro!

Umha señora abriu o bolso, um senhor fixo espaço no colo do jersey, umha moza, na mochila, outra, no sostém, e assi, pouco a pouco, os bilhetes de dez e cinco mil pesetas forom repartidos entre os clientes e o mimetizado atracador. Ou atracadora.

- Agorrra vamos saírrr todos mui, mui despacio! Que ninguem olhe carrra atrrrás! E quando saiamos á rrrua, vamo-nos separrrarrr mui amodinho...

A gente foise achegando á porta da oficina com passos pequenos e a voz seguiu explicando ferridamente:

- Se alguém bota a corrrer jurrro que leva um tirrro nas costas!

Despois, justo quando a gente começava a saír, ouviu-se, num tom mais humano:

- E nom esquecam que som os bancos os que nos rrroubam todos os dias! Eles som os ladrrróns. E nós temos que nos defenderrr dos usuerrreirrros!

E assi foi!

Daquelas 16 persoas, 12 regresarom ao banco passados uns minutos e devolverom o dinheiro. O atracador ventrílocuo –ou atracadora- e tres persoas mais nunca voltarom, levando cada umha 5 milhons de pesetas.

E a astra semi-automática abandonada resultou ser umha pistola de joguete.
Comentários (6) - Categoria: Geral - Publicado o 27-04-2009 17:52
# Ligazóm permanente a este artigo
Chuza! Meneame
6 Comentário(s)
1 Este relato púxenllo hoxe aos meus alumnos e rironse moito. E mira que non le#blgtk08#n nada eh? jeejej
Tri-bico
P.D: Que ledicia volver a lerte! XD
Comentário por meu (28-04-2009 22:57)
2 Mágoa non ser eu un deses dezaseis -ou mellor dito deses tres-;)
Parabéns pola imaxinación#blgtk08#, mañá mesmo me matriculo na escola de ventriloquia e xa avisarei do día que atrrraco o banco.
Comentário por eumesmo (28-04-2009 23:39)
3 vaia,

um saúdo grrrr#blgtk08#andíssimo!

abrigado.
Comentário por madeingaliza (29-04-2009 15:18)
4 Grandérr#blgtk08#imo! :)
Comentário por Galeguzo (10-05-2009 18:51)
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