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Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

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A mulher que era outra


Um dia a gente começou a para-la pola rua, a sauda-la como se fosse outra persoa, Ola, que tal, quanto tempo. E ela encolhia os ombros, Nom, nom, nom som eu, e marchava pensando Confundirom-me com outra.

Chamavam ao seu telefone frecuentemente, Ola, como estás, ves hoje ao cine?, por exemplo. E ela cansava-se de explicar que nom, que se equivocaram de número, que deviam estar chamando a outra persoa.

Nom som eu, eu som outra, dixo-lhe asustada, quando um neno de cinco ou seis anos lhe chamou mamá na alameda. E Desculpe, eu som outra, quando um home de traxe azul na cola do cine a colheu da mao e lhe dixo Boa noite, amor.

Era como se a sua vida fosse a vida doutra mulher. Aquel home perseguiu-na vários dias agasalhando-a com flores e bombons e livros e deixando-lhe notas no buzom e no parabrisas do coche, Quero-te, Nom me deixes, Sempre contigo, e cousas desesperadas desse estilo, como se nom comprendesse que ela realmente era outra.

Alá onde fosse gente desconhecida saudava-a e tendia-lhe a mao e dicia-lhe Estás um pouco delgada ou Tes mala cara e ela dava média volta e fugia farta daquela sensaçom, como se nom tivesse vida própria.

A mulher que era outra um dia mirou-se no espelho e viu-se um pouco diferente, mais loira, com os olhos mais alegres do que sentia por dentro, mais alta talvez.

E quando entrou no fotomatom e despois do flash mirou as fotos tivo a impresom de que parecia outra mulher, como se essa do retrato nom fosse ela. E ao mirar, tamém semelhava outra a da foto do carné de conducir e a do carné de identidade.

Era como se alguém se estivesse apoderando da sua vida, do seu corpo, do seu nome e apelidos.

Por dentro estava chorando e sem embargo ao falar com a gente escoitava-se rir. Sentia-se desgraçada e nos espelhos via-se feliz. E umha tarde quando quixo dizer Nom, ouviu um Si pronunciado na sua gorxa por umha voz estranha.

Á noite o home do traxe azul deitou-se enriba dela dicindo-lhe cousas bonitas e ela quixo afasta-lo e as suas maos apertarom-no forte sem querer. A mulher que era outra tamém escoitou que a outra dicia Quero-te, e que o deixava entrar suspirando.

Pola manhá acabou pensando que talvez se equivocara, e que era difícil de explicar mas que talvez ela nunca fora como pensara, que durante toda a sua vida ela pensara que era assi e era assado, e que ela realmente era outra mulher moi diferente do que imaginara...


2006
Comentários (5) - Categoria: Geral - Publicado o 29-04-2008 15:14
# Ligazóm permanente a este artigo
Chuza! Meneame
5 Comentário(s)
1 #blgtk08#
Comentário por Ask Jeees Com (15-06-2008 20:12)
2 #blgtk08#
Comentário por fisting anal (04-07-2008 22:39)
3 #blgtk08#
Comentário por Harri Potter.it (13-07-2008 12:04)
4 #blgtk08#
Comentário por Assyrian Church Music (31-07-2008 02:29)
5 #blgtk08#
Comentário por Juneau Icefield (31-07-2008 04:41)
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