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Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

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SEGUROS DE LÍNGUA, S.L.



- Ola, bom dia!

- Ola, encantado, chamo-me Marcos, Marcos González, e queria um seguro...

- Ahá, eu som Sofia, Sofia Verde, diga-me... Que tipo de seguro?

- Pois verá, resulta que escoitei na rádio que Jeniffer López..., pois que Jennifer López asegurou o seu, ehem, o seu traseiro por umha milhonada e..., em fim, e que Keith Richards, o dos Rolling Stones, o dedo de tocar a guitarra, e Madonna e Springsteen, a sua voz e, em fim, eu queria asegurar umha língua...

- Desculpe, como di?

- Quero um seguro de língua.

- A ver, a ver, a ver, nom vaia tam rápido, poderia repetir?

- Ehem, quero saber se é posíbel asegurar umha língua.

- Umha língua?

- Ahá.

- A sua língua?

- Oh, nom, a minha língua já nom me preocupa, eu já passei por muitas e... Nom, eu quero asegurar a língua da minha filha Lídia.

- A sua filha?

- Si, tem tres anos, está aprendendo a falar e...

- A ver, espere aqui, penso que a minha jefa... Espere um minuto, por favor.

(...)

- Ahá, pode passar...

- Bom dia, ola, chamo-me Marcos, Marcos González, e queria...

- Si, si, encantada, eu, Rosa, Rosa Salgueiro... Assi que quere asegurar a língua de sua filha... A língua?

- Si, o idioma, vaia.

- Ahá, o idioma. Pois nom sei, penso que é o primeiro caso que, ehem...

- Sempre hai umha primeira vez. Era o que vinha pensando eu. Dicia-me eu: Aínda se che me ocorreu umha cousa bem rara, um seguro de língua!, com o pouco imaginativo que sempre fuches. Pero já ve, hai ideias que.., pois, pois isso.

- Já, já. Em fim. E por que quere...?

- Pois pensei eu: o carro asegurado, o seguro da casa, o seguro de vida. E se tenho um seguro de casa polo que poida passar, por se arde ou eu que sei, por que nom vou asegurar a língua de Lídia, que é bem mais valiosa que a casa. Sabe, a língua da minha filha nom tem preço.

- Pero, pero nom se pode comparar umha casa com umha língua.

- Pois depende.

- Depende?

- Pois. Tem algum filho?

- Nom.

- Claro.

- Claro que.

- Que assi nom o pode entender. É, como lhe diría, é que eu quero que a minha filha fale como falamos na casa, sabe, a nossa língua. Quero que a minha filha nunca perda a sua própria língua.

- Já, já.

- E por isso queria o seguro, por se lhe pasa algo e perde a língua ou, eu que sei, por fazer umha metáfora, por se lha roubam.

- Ahá.

- Pois.

- E se ela decide abandona-la voluntariamente?

- Ah! Conhece alguém que decidira abandonar voluntariamente o seu nariz?, o seu coraçom? Ou, eu que sei, os seus olhos?

- Aum...

- Mire, a nena comeza o ano que vem no cole e eu quero asegurar-lhe a língua, porque tal como estám as cousas...

- Humm, pois isto é um serviço mui especial, e suponho que lhe vai saír um pouco caro. A ver, deixe-me pensar. Pode aguardar um pouco na sala de espera? Vou consultar umhas cousas. Tenho que fazer umhas chamadas, informar-me bem. Cubra este papel com os seus datos.

(...)

- Pase, pase...

- ...

- Tivem que consultar a prima, consultar os riscos.

- ...

- O índice de sinistralidade, bastante alto...

- ...

- Os factores de seguridade, pouca seguridade...

- ...

- Exposiçom ao perigo..., elevada...

- ...

- A quanto tempo quer o seguro?

- Até os dezaoito anos.

- E que quantidade está disposto a asegurar?

- Diga-me?

- O capital do seguro... Que valor lhe dá á língua? Dependendo desse valor terá que pagar umha prima mensual mais ou menos alta.

- Pois...

- Isso si, em caso de que a língua de sua filha, em fim, em caso de que sucedesse o pior, nom o queiramos, toco madeira, cobraria todo esse valor.

- Isto.

- Isto?

- Ahá.

- Pois a cota mensual sería esta.

- Esta?

- Ahá.

- Bem. Pois é-che o que hai.

- Entóm deixe-me um minuto que preparo os papeis do precontrato.

- ...

- Antes de preparar o contrato definitivo um dos nossos peritos passará a reconhecer, ehem, perdóm, a conhecer a sua filha, para comprobar, para peritar a sua língua.

- Por suposto, por suposto.

- E despois desta proposta contractual básica, em dous ou tres días, já poderá vostede asinar.

- Mui bem.

- Pois, em fim. Toda umha experiéncia.

- Já sabe, algumha vez tinha que ser a primeira.

- Pois parece que si.

- Pois é-che o que hai.

- E digo eu, nom conhecerá ninguén mais nas suas circunstáncias? Assi, com esta preocupaçom?, com esta demanda?

- Umm, pois eu suponho que si. Hai-lhe bem de gente que estaria disposta, digo eu, si, a fazer, a fazer o que fixera falta para asegurar a língua de seus filhos e filhas.

- Pois... que interessante.

- Pois estou-lhe bem agradecido.

- Em fim, é o nosso trabalho, vai ser toda umha experiéncia, todo um risco empresarial, a ver...

- Pois nada, polo menos, se vém umha desgraça... Em fim, melhor nom pensar nisso, a ver se a nena medra com sorte e nom passa nada.

- Diga-mo a mim, a quem se lhe conte! Asegurar a língua da nena!

- Pois encantada.

- Igualmente.

- Muita sorte.

- Falta fai!

- Pois chau.

- Pois abur.


........


Courel, 2007
Comentários (3) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 06-03-2009 21:27
# Ligazóm permanente a este artigo
Chuza! Meneame
3 Comentário(s)
1 O 17 de maio a Santiago para facer o se#blgtk08#guro da lingua.

Un saúdo
Comentário por Milprimaveras (06-03-2009 21:29)
2 au sintome moi identificada con esta historia,

teño unha nena e seguramente teña que marcar unha casilla onde teña que decir si a miña filla entra dentro do cupo dos pais concienciados coa lingua, normalmente rojos de esquerdas e nacialistas recalcitantes que queren separa a Galiza de Hespaña ... ou pola contra deixar ir á nena con moitos dos seus amiguiños de rúa nos que os seus pais por aquelo de quedar ben e de q#blgtk08#ue non queren que os acusen de todo o que citei antes deciden "non facerlle dano aos seus nenos" e marcar outro recadro en Castelán.

Ao final eu creo que o decreto do 50% non foi ben entendido, ou foi manipulado ou simplemente non se explicou ben, pero a min xa me empeza a gustar a idea de que polo menos nos deixen unha casilliña na que nos deixen escoller metade metade.

en fin, noraboa pola reflexión
Comentário por ana (09-03-2009 13:49)
3 pois vam ter queponher casilhar a vontade, começado pola casilha de "yo no quiero saber nada del galllego que luego los niños se trabucan con las dos lenguas" até a casilha de "yo hab#blgtk08#lo habitualmente en castellano per quiero que mi hijo aprenda el gallego y solo va a poder hacerlo en la escuela y quiero la mayoria de las materias en gallego" e asi infitivamente...
Comentário por madeingaliza (09-03-2009 22:03)
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