Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

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Abrir caminhos públicos


Qualquer persoa pode abrir um caminho. Nunca abriste um caminho abandonado?

É duro, muito trabalho. E quanto mais abandonado está o caminho mais devagar se avança. O mais difícil é abrir um caminho perdido. Primeiro hai que encontrá-lo. Hai que falar com a gente que algum dia o transitou e aínda assi ás vezes fai-se necessário variar a rota originária. Cuidado com as cousas oxidadas, os vidros rotos, os animais venenosos, os caborcos, os desprendementos, os arames de espinho ou as persoas que nom querem livres os caminhos públicos.

Muito cuidado com a própria ferramenta. A fouce é umha arte perigosa para gente nom iniciada. A desbroçadora pode enviar-nos umha pedra aos olhos; a motoserra, virar-se contra nós. Cuidado com nom mancar ninguém. Hai muito trabalho por diante.

Mede as tuas forças porque um caminho pode rebentar-nos, e nom é cousa de baldar-se um dia se amanhá nom podes nem erguer o braço. O melhor é ir acompanhad@s. A soidade fai o caminho mais selvagem e duro. E som necessárias as palavras, nom só as que andam na cabeça, tamém as que atopamos nas revoltas, nos saúdos, nas cançons, nas conversas compartidas. Abrir um caminho pode ser umha festa alegre. Umha reuniom emocionante.

O caminho público nom é de ninguem e é de toda a gente. Qualquer caminho é teu aqui e mais alá. É público e isso significa que é caminho livre, de nosso e sem propriedade nengumha mais que a colectiva, de toda a gente. Tamém temos direitos geográficos, o espaço do caminho é nosso, porque é comum, e debe ser sempre accesíbel, nunca privado. O tránsito, livre, o acceso, livre, e livres os pasos, sem cerres, sem valados, sem obstáculos para ir adiante no caminho. Por isso é necessário liberar qualquer caminho, apropiar-se do que é nosso e de ninguém ao mesmo tempo.

Porque fechar um caminho público é um delito. Os cerres, ilegais. Ninguem pode cortar o passo. Arames fóra. Hai casos de grandes roubadores de caminhos, ladrons que coutam o passo ao horizonte. Hai que juntar-se para enfrontar-se a eles e afastar qualquer obstáculo do caminho. Porque o caminho é nosso. E, claro, de ninguém ao mesmo tempo.

O nosso é um país com grandes abridores de caminhos, gente humilde, discreta, generosa, as mais das vezes. Numha montanha conhecim um que se chama Orlando que abre os caminhos melhor que os jabalis. É maravilhoso ver como converte o longe em perto, como abre passo entre as giestas e as queirugas, como pode atravessar a brêtema com a desbrozadora e fazer um túnel nas nuves.

Galiza tem mil vezes mais caminhos que rios. Muitos mais caminhos que persoas. E todos e cada um desses caminhos públicos devem estar abertos. Nós temos o direito de escolher o caminho que quigermos ou necessitarmos. Caminho aberto, caminho sem arames. Ninguem pode impedir-nos o passo polo caminho público. O caminho deve ser livre. E Galiza é um caminho público.





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Publicado no jornal O Pedroso, nº 31.


A foto -de Carlos- é na aldeia de Hórreos, O Courel.

Comentários (1) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 03-02-2008 20:42
# Ligazóm permanente a este artigo
Chuza! Meneame
1 Comentário(s)
1 certo é. non hai pobo sen camiños, haberá q#blgtk08#ue limpar os camiños pero tamén as leiras.
Comentário por manel vazquez (03-02-2008 20:54)
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