Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

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A mugideira


Tenho um colega no hospital. Telefonou-me chorando. Contou-me o que lhe passara chorando e suponho que aínda estará chorando e que seguirá chorando durante uns días. É Lucas.

Pobre Lucas.

Há momentos nos que a nossa vida deixa de parecer a nossa vida. Quero dizer que esta vida que vivemos, -durmir, erguer-se, fazer o que há que fazer, falar com a gente, pasá-lo bem, viajar e essas cousas- de súbito cámbiam e por um momento a nossa vida, pois isso, semelha outra vida, doutra persoa. É como se um dia sucedesse algo que, pensamos, nunca nos poderia ter ocorrido a nós. Suponho que isso foi o que pensou Lucas. Como me puido ter passado a mim algo assi? Em fim.

Todo começou aquel sábado no botelhom. Ali estavamos de noite, na alameda, dando-lhe á priva e fumando e falando das nossas cousas.

Puff, que mal rolho, em fim.

Ali estávamos os cinco fazendo-nos as palhas mentais de sempre, o Marcos, a Sabela, a Rosa, o Lucas e eu.

Acabamos confesando-nos virgens, -si, eu tamém, que passa?- e, umha cousa leva a outra, dando-lhe ao palique, num momento dado sacamos o tema das lendas urbanas.

- Que si, ho, dizia Marcos, umha tia meteu-se umha botelha de coca-cola por aí e colheu-lhe aire e quedou-lhe apegada a presom?

- O que!, isso é um desfase .- dixo Rosa.

- Eu sabia o do cao, o da senhora á que se lhe apegou o seu cadelo, que nom lhe saía, nem botando-lhe água fria nos colhóns, e quando chegou ao hospital por urgéncias meterom-nos no quirófano e tiverom que cortar-lhe todo, pobre cao?

- E vós credes que o da panca de cámbios pode ser posíbel?, dixo Lucas.

- O que?

- O da tia á que lhe meterom um calentom na coca-cola e chegou ao carro toda quente e colheu e meteu a panca de cámbios por aí...

Buá, em fim, e despois aínda contamos a lenda da coitela de afeitar e a da mugideira e a do rato dentro do calcetim de Richard Gere e nom sei quantas histórias dessas mais e tanto nos escaralhamos, tanto nos esmendrelhamos, e tanto choramos co riso que Rosa nom puido aguantar e escapou-se-lhe e molhou nas bragas e aí já tivemos que marchar.

Em fim, que ao dia seguinte estou acabando de jantar com umha resaca de tres pares e aí me soa a musiquinha do móbel. O mamom de Lucas. Mecagoem.

- Que passa, meu?

- Nada, que estou no hospital.

E vai e bota a chorar.

O tipo nom é mala gente. O tipo é como o pao. É o típico que fai as cousas sem pensar. Lucas é Lucas, um pouco jas, um pouco jam.

Ao tipo sempre lhe molou a electricidade e a mecánica e os chismes. Flipam-lhe mais os ruídos do motor dum buga que toda a música da história. Mola-lhe mais um ibiza tuneado que todos os museus de arte contemporánea do mundo. Em fim, que nom me estranha que a súa paixom polas máquinas o levasse ao hospital...

Resulta que o domingo pola manhá seus pais marcharom e el ficou só na casa. E resulta que o tipo espertou com um resacom do caralho e duchou-se e entrarom-lhe as ganas.

A mim dixo-mo por teléfono, chorando.

- Óstia, tio, sabes esses dias que tes ganas e queres probar algo diferente.

- Umm?, dixem eu. Oink? Eu estaba flipado. E o colega vai e di-me polo aparato:

- Estava aborrecido de me fazer palhas como sempre, dando-lhe á manivela, mirando as fotos das revistas do coraçom ou zapeando na tele, e comecei a pensar no que falaramos de noite, o das lendas urbanas, e aínda me quentei mais, imaginando o do cámbio de marchas e o da botelha e essas cousas e puxem-me doente. Mamá deixara-me umha nota na cocinha, que fosse limpar um pouco a corte, que lhe passasse umha mangueira, botar-lhe de comer ás vacas e listo. E alá fum.

E alá foi o mui imbécil. E vai e chega e pum, pum, pim, pam, a mangueira, a comida dos animais, se finí, e ali queda olhando para as vacas pasmado como um imbécil. Porque hai que ser mui imbécil, e já vam tres vezes, para pensar o que pensou. Eu já lho dixem:

- Óstia, tio, que as lendas urbanas som isso, lendas, que som verosímiles, porque podem parecer verdade, que semelha que puiderom passar em realidade nalgúm sítio?pero que nom, tío, que as lendas urbanas som lendas, len-das, que se o buscas no dicionário pom ?relato de ficçom?, óstia, de ficçom. Que a gente pode escoitar a lenda da boa constrítor que se lhe escapou a um circo e que se meteu polos sumidoiros e que saiu polo báter e comeu o tipo que estava cagando pero que a gente no fondo tamém sabe que as lendas nom som verdade, aínda que o poidam parecer.

Pois nada. O Lucas resultou ser mais tonto do que se podia pensar, mais tonto mesmo do que pensava el. Que esse dia levantou-se com um grao suficiente de estupidez como para intentar superar a ficçom.

O tipo vai e di-me, chorando:

- Óstia, tío, já sabes que eu controlo, que eu sempre me levei bem com as máquinas, que as conheço, tio.

Vale, tio, vale, pensei eu, que desfase, a ver que caralho fixo este tipo. E o Lucas a chorar. E di-me:

- Assi que me dixem, E por que nom?

E contou-me chorando perdido que prendera a mugideira e que meteu um dedo para probar o que se sentia.

E eu pensando: óstia, óstia, eu nom tenho nem ideia de mugideiras eléctricas mas suponho que farám algo assi como chup, chup, assi como sucionando e que tenhem umha goma suave por onde se metem os tetos da vaca e chup, chup, vai chuchando o leite e assi. Vale, o mecanismo é doado de entender...

Assi que é fácil de imaginar o Lucas probando com os dedos o aparato, chup, chup, e logo, tirando a roupa e ficando em bolas ali diante das vacas. Surrealista.

O tipo queria ter umha dessas experiéncias que só se podem imaginar sem dar-se conta de que esse tipo de experiéncias só se podem imaginar, como a própria expresom indica, óstia. Só-se-po-dem-i-ma-gi-nar.

Assi que ali está o Lucas com a pirola dura frente á mugideira. E as vacas, suponho, a mira-lo de esguelho e pensando com o seu pensamento bovino Este tipo deve estar mal da cabeça.

Vale, si, está esse rolho chungo da zoofília, que na história de humanidade dim que houvo tipos que o figerom com cabras e burros e assi, mas todo o mundo sabe que esse tipo de gente é gente trastornada, gente enferma, desfasados, pirados, de camisa de força. E Lucas, si, Lucas sempre foi um tipo algo raro, um pouco inconsciente, mas eu sempre pensei que era dos que sabem parar o carro.

Em fim, ali estava o Lucas na corte das vacas, com a sua deméncia sexual transitória na cabeça e o caralho teso na mao pensando se si ou se nom, se si, se nom, se se enchufava ou se nom na mugideira...

- Óstia, tio, enchufei-me ?dixo-me chorando polo teléfono- enchufei-me ali e dava gusto, tio. Nada comparable, que passada meu, via as estrelas, estava no ceu, eu ali de pé com a ventosa a mamar-me a pirola, um minuto, dous, tres, com os olhos fechados, a imaginar a tal e a tumba como nos melhores sonhos, de fantasia, tio, que aquilo era um descontrol, um superpracer que se me metia no espinhazo e me sacava um gusto como nada no mundo, umha super-mamada, umha super-mamadaza!


E o Lucas dizia-me todo isto chorando, o cabrom, chorando e chorando dizendo que vira as estrelas, que vira destelhos de luz e que se escoitava a si mesmo suspirando e fazendo ruídos desfazendo-se de gusto, e que el chegou um momento no que já nom podia mais e, claro, ras, correu-se.

O tipo foi-se na mugideira. E como já nem podia ter-se de pé ageonlhou-se primeiro e despois sentou e botou todo o aire que levava dentro e colheu aire como se acabasse de estar cinco minutos mergulhado no fondo do mar e saísse de súbito a respirar. E que ali quedou, derreado, flipado, alucinado, recuperando o alento, com as vacas pasmadas a mirar para el com os seus olhos grandes.

E claro, vai o tipo e di-me:

- Entom quixem saca-la? E quedara atascada, tio! Nom me saía. A mugideira trincara-me polo pito, tio. Quedara ali dentro, atrapado. Apaguei a máquina, desenchufei-na, e puxem-me a dar-lhe com os dedos á ventosa a ver se me deixava livre e nada. Estava enganchado, tio. Quedara ali enganchado na merda da mugideira pola pirola. Encendi-na, voltei-na desconectar, voltei mirar, tirei da mangueira, forcei as gomas, dei-lhe com todas as minhas forças á ventosa, tirei da pirola e nada. Nom saía. E assi botei umha hora e quando me dei conta já estava chorando sem escapatória com as cabronas da vacas a bruar de quando em vez passando de mim, tio, como se nada.

Lucas contou-me que intentara romper os cables, que tirara polas correas, que golpeara com os pés a máquina, que despelexara as mans turrando a ver se arrincaba o tubo que o tinha preso e que nada e que seguia chorando ali, em pelotas, ali, em coiros, enchufado á mugideira quando escoitou chegar o 4x4 de seus pais duas horas despois.

E buá, o tipo seguia chorando polo telefone porque suponho que o que buscava era alguém que o escoitasse, que o comprendesse, alguém que lhe dixesse Tranquilo, Lucas, que isso pode pasar-lhe a qualquera, e eu dixem-lhe Tranquilo, tio, nom te preocupes, já verás com o tempo que risas nos botamos, venha, home, nom chores...

E o tipo, nada, desesperado, seguia chorando, porque ademais nom acabara de contar a história. Porque seu pai e sua mai, claro, fliparom. Que sua mai botou a chorar, Ai, meu filho, ai, meu filho pero ti! E seu pai começou a berrar-lhe Mecagoemtodo!, mecagoemcristobendito!, e arreou-lhe tal óstia que mesmo as vacas sentirom pena, que para bruto o pai de Lucas, que se puxo com o desparafusador e com a chave inglesa e nada.

E alá foi a mai desesperada e claro, colheu e..., porque chegou um momento no que o Lucas se puxo a chorar já doutra maneira porque a pirola lhe doía de tantas horas ali trincada, e digo, ali foi a mai desesperada e chamou os bombeiros.

E chegarom os bombeiros, com a sirena e todo, ni-no, ni-no, e buá, fliparom com o panorama. O besta do pai dicindo que ía malha-lo a óstias quando quedasse ceivo, que que vergonha, que já veria el, e os bombeiros vam e dizem Aqui nom se pode tocar nada sem um médico.

E alá chamam ao 061 e chega a ambuláncia, ni-no!, ni-no!, dous médicos, dous enfermeiros, que alucinarom, claro, e a gente toda ali metida na corte, uns com as maos na cabeça, a mai chorando, o pai cagando-se no filho, outros com a boca aberta, outros numha esquina escaralhando-se de risa e disimulando, e o Lucas, em fim, pobre Lucas?, até que si, ao final, conseguirom desenchufa-lo e mete-lo na ambuláncia e para o hospital.

Que resulta que ao final em urgéncias mirarom-no bem de arriba abaixo e dixerom que nada, que nom passara nada, que nom havia que preocupar-se, que passasse a noite ali, baixo observaçom, que nom parecia grave, e que, em tal caso, o Lucas podia necessitar ajuda psicológica e tal.

E ali quedou o pobre Lucas no hospital, que quando o deixarom só com a súa desgraça o pobre já me telefonou, porque o tipo devia necessitar um colega que o comprendesse ou algo assi, e quando falou comigo já me dizia Por favor, por favor, nom lho contes a ninguém, e eu E que tal estás?, Tes que tranquilizar-te, Venha, ánimo, tio, e el chorando e chorando e dizendo Na vida volto fazer-me umha palha e eu Home nom é para tanto, e el choraba e choraba e nom parava de chorar.

Comentários (9) - Categoria: Geral - Publicado o 23-12-2007 18:29
# Ligazóm permanente a este artigo
Chuza! Meneame
9 Comentário(s)
1 Un relato que rezuma espíritu navideño :-)#blgtk08# /> ¡Pasao ben e non mires con quen!
Comentário por Paco Penas (25-12-2007 03:35)
2 saúdos, paco!
e coidado com a mugideira!

açinda #blgtk08#que..., já che gustaria ter umha mugidira por aí!

bks!
Comentário por madeingaliza (25-12-2007 12:06)
3 Esto, di a minha companheira que mentras ela #blgtk08#poda muxir á man que nin me preocupe, jajaja.
Comentário por Paco Penas (25-12-2007 22:24)
4 alaa#blgtk08#aa!
Comentário por madeingaliza (26-12-2007 10:22)
5 Hola! Son Diana, a túa prima. Só quer#blgtk08#ía desearte felices festas. Un bico.
Comentário por Diana (26-12-2007 15:59)
6 bikos, diana,
e para iria, is#blgtk08#idro e lita, mais bikos nesta postal!
Comentário por madeingaliza (28-12-2007 22:51)
7 Da túa parte ;)
Por ce#blgtk08#rto, é moi bo Made in Galiza
Comentário por Diana (29-12-2007 01:21)
8 moi bo, moi bo jajaja a saber cantos qedaron así :D quero dicirche qe vo#blgtk08#u lendo cosiñas túas e encántasme, Orixe é fantástico, graciñas. Bikos¡
Comentário por Z (02-01-2008 16:16)
9 me he reído mucho#blgtk08# con el relato ^^
Comentário por tono (13-02-2010 18:56)
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