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Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

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Bombonas de butano polas janelas


A cousa era assi, tio. Seria 1978 mais ou menos. Em Santiago havia um mogolhom de bulhas entre os estudantes e a policia.

Pero nom era como agora, olho. Daquela case todo o mundo estava metido em politica. Todo o mundo, digo, muita gente que estudava. Era todo mui combativo, sabes. A gente era mui consciente dos abusos. E protestava. Arrea.

Eu falo-che de 1978, que já morrera Franco e estavamos com a transiçom e os ánimos mui caldeados. Era impressionante. Umha vez quedamos em ir a Simago. Daquela Simago era a óstia, claro, como agora o Corte Inglés, sabes, um súper grande, enorme, moderno e guai, sabes?.

Entom quedávamos e alá apareciamos de repente douscentos estudantes em Simago. Faciamos a compra e quando nos tocava pagar deixavamos o tiquet e diciamos Isto vai a conta da Universidade. E assi, pum, pum, pum, um a um. Paga a Universidade, Paga a Universidade. Umhas colas...!

Alá os douscentos colapsando o rolho com a movida e de súbito vemos os antidistúrbios á porta de Simago. Um monte deles, claro. Fechando a saída. E eu recordo ali todo o mundo dos nervos, A ver, como saímos, e pam, óstia, por onde saímos agora, cabróns, e tal e tumba.

Nom sei como fixemos mais atravessamos a barreira de antidistúrbios, pum, pum pum, somanta de óstias, e já estavamos do outro lado. Uf...

Umha vez na rua de Santiago de Chile. Alucinante, tio. Umha mani bastante grande, petada, e de repente, plas, plas, a policia corta todas as saídas. Furgonas, escudos, pelotas de goma. Encerrados. Aí venhem. Todas as saídas fechadas, tio, nom havia escapatória.

E alá começam a repartir porrazos e pelotazos, a discreçom, e a gente chamando aos timbres, piii, piiii, piiiiii, por favor, por favor, entrando nos portais, subindo polas escaleiras a lume de caroço, pa, pa, pa, e alá todos apretados no descanso do último andar. Alguns entraban nos pisos, abriam-lhes a porta, os que viviam ali metiam gente dentro, e eu tenho gravada na cabeça a imagem das bombonas de butano, bombonas de butano!, a gente tirando-lhe bombonas de butano desde os pisos á policia. Bombonas de butano!

...


A Miguel de Lira, que estivo ali.


(Publicado em Grial, 2005)
Comentários (3) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 10-10-2007 19:16
# Ligazóm permanente a este artigo
Chuza! Meneame
3 Comentário(s)
1 #blgtk08#
Comentário por http://www.restaurantdelabbaye.fr (02-06-2015 10:06)
2 thanks for #blgtk08#your post !
Comentário por http://www.restaurantdelabbaye.fr (02-06-2015 10:06)
3 ce encanto #blgtk08#atrajo Oh!
Comentário por http://www.businessfranchise.fr (29-08-2015 03:03)
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