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Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

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A denosinha


Eu era um neno. Gostava-me mirar as estrelas, escoitar as histórias que as mulheres contavam ás escondidas, correr e buscar bechos polo campo. Teria uns nove ou dez anos. Umha tarde estava colhendo ras na poza detrás da gasolineira quando o vim passar co seu chapeu negro mirando o chao.

Acheguei-me á sua casa e botei-lhe pola janela tres sapos e marchei correndo. Escondim-me detrás dumhas gestas e mirei-no saír cum pao na mao e umha sombra nos olhos buscando, buscando-me. Tirou os sapos mortos no chao e chuspiu.

Eu amava os animais. Eu amava-os. Mas sentia que aquilo era necessário. Um neno nom sabe explicar essas cousas. Umha noite botei-lhe pola porta médio aberta umha mao de vagalumes que colhera num prado e escondim-me um pouco mais perto para ve-lo saír com o pao na mao e poder mirar-lhe a ira nos olhos.


Despois foi um lagarto arnal que cacei metendo o brazo entre duas penas no monte e outro dia um gato negro como a sua olhada e outro um merlo cumha aza rota que pilhara onde a fábrica de coiro. Esse dia aguardei-no fóra.

Saiu co pao, mirou-me e viu quem era e botou o merlo contra o chao e chuspiu e berrou-me como eu imaginara que faria: Vou-te matar! E saiu correndo atrás minha com a ira nas maos e eu saim correndo sabendo que nunca me colheria.

El conhecia-me. Sabia quem era eu. E nunca foi falar com minha mai. Nunca se atreveu. Os dous sabiamos que era umha cousa entre el e mais eu.


Achegava-me á sua casa e tirava dentro tres vacalouras ou umha bubela ou um frasco de saltóns ou umha sacabeira e el saia atrás de mim berrando que me ia matar. El conhecia-me.
Chamava-me polo apelido de meu pai.


Um dia cacei umha denosinha cumha trampa para gatos. Rebulia e fum com ela á sua casa, revirou-se e mordeu-me numha mao e fixo-me sangue e manchou o focinho e eu deixei-na dentro pola janela da cocinha e aguardei-no fóra.

Saiu com a denosinha esganada numha mao e o pao na outra e chuspiu e berrou outra vez que me ia matar e perseguiu-me pola rua abaixo, berrando por dentro que me ia matar, pola beira do rio, e berrando com os olhos que me ia matar seguiu-me até o pé do monte.

Os dous sabiamos que nom me ia apanhar. Os dous sabiamos que a mim nunca me apanharia. Ao pé do monte deu volta, atafegado, sem aire, no caminho, justo onde a cuneta. Deu volta e eu fum detrás de vagar.

Caminhamos em siléncio, o sol ponhia-se, laranja, el diante e eu atrás, pisando-lhe a sombra.

Escoitei-no chorar. Tirou o pao, entrou na casa e fechou para sempre as portas e as janelas. Para sempre. El conhecia-me. El bem sabia de quem era filho aquel neno de nove ou dez anos.
E sabia que eu sabia que el fora um daqueles que
levaram a meu pai ao pé do monte e lhe meteram um tiro no peito de madrugada na cuneta.



Arraianos nº 3, primavera 2005.

MONOGRÁFICO SOBRE REPRESIÓN E RESISTENCIA ANTIFRANQUISTA
Comentários (2) - Categoria: Desenhos - Publicado o 18-09-2007 12:44
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2 Comentário(s)
1
http://www#blgtk08#.mes-serruriers.fr
Comentário por http://www.mes-serruriers.fr (21-11-2014 09:09)
2 Acheguei-me á sua casa e botei-lhe pola janela tres sapos e marchei correndo. Escondim-me detrás dumhas gestas e mi#blgtk08#rei-no saír cum pao na mao e umha sombra nos olhos buscando, buscando-me. Tirou os sapos mortos no chao e chuspiu.
Comentário por http://www.ifoa-osteopathe-animalier.fr (07-09-2015 11:24)
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