Made in Galiza


Eu nunca serei yo
Um caderno de trabalho de Séchu Sende

A minha obra neste caderno está licenciada baixo creative commons, copiceibe.

O autor solicita comunicar-lhe qualquer uso ou modificaçom da sua obra no email de contacto aqui sinalado.

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O Xabarín, sequestrado? Por que envia livros em castelám às sócias?





Hoje a minha filha maior recebeu um presente do Xabarin Club: dous livros em castelám!

A crtvg tem como fundamento a promoçom da nossa língua.

Para onde vai o dinheiro da normalizaçom do idioma? Para Hespanha.

Quanto dinheiro e que empresas recebem os cartos destinados a promocionar o nosso idioma? Quanto perdemos nós? E quanto as nossas filhas e filhos?

A nossa língua enriquece o nosso país. E eles mercam os presentes para as nossas filhas fora.

A editora dos livros agasalhados, Edebé, é umha editora espanhola católica.

Fora as vossas sujas maos do Xabarin Club!
Protesta: xabarin@crtvg.es

Eu já o figem:


Senhoras e senhores responsáveis do Xabarín Club:

A minha filha vem de receber dous livros em castelám como presente do Xabarín Club. A principal raçom de ser da TVG é a promoçom da nossa língua e a programaçom infantil da nossa televisom pública tem como finalidade fundamental achegar as nenas e nenos à língua galega. O Xabarín Club tem sido um referente histórico na promoçom da nossa língua entre a infáncia para combater prejuíços e promover o seu uso.

Sinto-me totalmente indignado porque os agasalhos do Xabarín Club nom estejam na nossa língua. Os nenos e nenas do Clube -sejam castelám-falantes ou galego-falantes- sabem que o porco bravo, o Xabarín, fala galego, vive em galego e está comprometido com a nossa língua desde as pezunhas até as orelhas, por fozinhos e por cacheiras.

Por isso, receber livros em castelám de parte do Xabarin Club só pode ter duas explicaçons:

1. Ou os responsáveis atuais do Club tenhem secuestrado a Xabarín (ou algo pior) e usurparom a sua identidade. Polo que solicito a sua imediata liberaçom.

2. Ou os responsáveis atuais do Xabarin Club estám a servir como agentes desgaleguizadores do Club sem que o Xabarín saiba da sua politica lingüistica contra o a normalizaçom do galego. Polo que solicito que os atuais responsáveis do Xabarin Club e da RTVG- retifiquem e cumpram algo lógico e justo: que o Club tenha um funcionamento em galego, sem comportamentos diglósicos, com normalidade.

Solicito que o Club de sócias e sócios do nosso querido porco bravo faga do galego a sua língua veicular, com total normalidade.

Atentamente:

séchu sende, papá


....

Dous dias despois...

Resposta dos responsáveis do Xabarin Club.
Às vezes protestar cámbia as cousas... ou isso esperamos:

Estimado Séchu,

Queremos antes que nada transmitirlle os nosos parabéns e agradecemento pola incorporación da súa filla ao Xabarín Club e indicarlle que o porco bravo se atopa ben, non foi secuestrado nin mudou o seu gusto conxénito polo galego.

Sentimos que o envío que lle fixemos á cativa lles provocase a inquedanza que nos traslada no seu mail, porque estamos moi lonxe diso e o que aconteceu simplemente foi que desde a nosa función entendemos o agasallo máis coma xoguetes que coma libros.

Desde o Xabarín Club levamos vinte anos facéndolles miles de agasallos aos socios e socias con produtos infantís e de entretemento en lingua galega, e pode estar tranquilo porque non temos pensado cambiar de criterio. Por iso, e tendo en conta a preocupación de que nos fai partícipes, procedemos ao envío doutro elemento inequivocamente en galego para a súa filla e para os rapaces e rapazas que recibiron envíos semellantes. Esperamos que lle guste á pequena!!!

Despedímonos por tanto lamentando as molestias que a primeira entrega lle puido causar e confirmándolle o compromiso de Xabarín coa lingua galega.

Asinado:

Alberto Casal

Dir. Xabarín Club
Comentários (20) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 20-02-2014 00:47
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Lançamento do Made in Galiza em euskera na Feira do Livro de Durango


Acompanhado polo tradutor e sociolingüista Txerra Rodríguez, em 2012.

Como podedes ver, o show tem umha primeira parte sentado num sofá, e polo tanto mais relaxada e explicativa, e umha segunda parte, -desde o minuto 14 segundo 20- de pé, mais ágil e deportiva.
Temos um pouco de humor, um pouco de conflito lingüístico, um pouco de mágia e muito, muito, muito de literatura.


Comentários (42) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 05-06-2013 18:46
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Falarás a nossa língua


Falarás a nossa língua

Falarás a nossa língua
porque estamos contigo,
minha filha.

Falaras a nossa língua
e as tuas palavras formarám parte
da natureza.
Serám estrelas nos dentes,
vagalumes frágeis,
sementes de algo
que nom conhecemos aínda.

Atravessarám o céu do teu padal
os nomes dos paxaros,
crescerám os nomes das árvores
na raíz da tua língua
e um dia despois da tormenta
sairá das tuas palavras
o arco da velha.
E falarás a nossa língua.

Como nesse conto infantil
no que ao final consegues superar os obstáculos
e vencer os inimigos
que querem roubar-che as palavras,
falarás a nossa língua.

Falarás a nossa língua
e aprenderás a fazer lume
chocando duas palavras
contra o frio.
Contra a fame
falarás a nossa língua.

Falarás a nossa língua
e moverás a terra com as vibraçons
das tuas cordas vocais
e aprenderás a cambiar o mundo
como a mulher que cambiava as cousas
de sítio.

Falarás a nossa língua
e quando as tuas palavras se sintam soas
-por todo o que sabemos-
procurarás outras vozes como a tua.
Escuita...
É mui emocionante.
Somos muita gente.
Acompanha-te o teu povo
e muitos outros povos como o nosso e
se o povo defende a língua
a língua protege o povo.
Adiante.

Falarás a nossa língua
e a música reventará as tuas palavras
como estalitroques nos dedos, globos de cores,
coqueteis molotov, bombas de palenque
no céu.

E falarás a nossa língua.
Recolherás as palavras que abandona algumha gente
no caminho
e ajudarás a outra gente a recuperar
as palavras perdidas.
Falarás a nossa língua
com homes, mulheres, nenas e nenos
do teu tempo,
do passado e do futuro
Falarás com o vento.

Falarás a nossa língua.
Perguntarás que significam as palavras desconhecidas
porque gostas das aventuras, dos dragons,
dos caroços das maçás,
dos vulcáns em erupçom, dos caracois.

Falarás a nossa língua.
Dormirás com o pijama do ouriço cacho
e um verso no peito
e sonharás que falas qualquer
dos 6.000 idiomas do planeta.

Falarás a nossa língua
com palavras como casas,
como baleas,
caixóns com culheres,
palavras como Pippi Langstrumpf a saltar
enriba da cama entre moedas de ouro,
e algum dia abraçaras-nos com elas.

Falarás a nossa língua
e as tuas palavras abrirám
os caminhos da vida.
Comentários (41) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 15-04-2013 14:36
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Se Galiza fosse um lugar de 100 habitantes…


...no 28 por cento dos fogares utilizaria-se a madeira como fonte de energia.
22 persoas estariam em risco de exclusom social e pobreza.
Mais do 21% da povoaçom activa estaria desempregada e o paro feminino duplicaria o masculino.
26 nunca teriam visto um ouriço cacho vivo ou morto numha estrada secundária.

…5 persoas tocariam um instrumento musical.
46 persoas teriam conexiom a Internet.
95 veriam habitualmente a TV
O número médio de tempo diante da TV seria de 2 horas e 34 minutos ao dia.
As 100 persoas tiverom ou terám sonhos eróticos.
6 sonharom ou ham sonhar algumha vez com ouriços cacho.

35 viviriam no rural. 60 trabalhariam no setor serviços. E 10 do agro e da pesca.
16 teriam menos de 20 anos. E 22 mais de 65.
7 persoas practicariam ciclismo de vez em quando.
3 atropelarom ou atropelarám um ouriço cacho na estrada nalgum momento da sua vida.

40 persoas leriam habitualmente revistas do coraçom e 7, revistas culturais.
41 persoas teriam lido um livro no último ano.
19 persoas viviriam em casas com menos de 10 livros e 8 em casas com mais de 500.
6 persoas leriam habitualmente em galego. 59 persoas leriam ocasionalmente em galego.
De cada 100 livros vendidos, 7 estariam escritos em galego.
6 persoas pensariam que os livros podem ser perigosos,
especialmente os que tenhem escritas as palavras
ouriço cacho.

O 7% dos nenos e nenas de 5 a 16 anos entenderiam pouco ou nada o galego falado.
O 16 % dos nenos e nenas de 5 a 16 anos saberiam falar galego pouco ou nada.
No 21 % dos fogares todos os habitantes falariam habitualmente só em galego.
No 10 % dos fogares falaria-se só em castelám.
27 persoas nunca pronunciarom estas duas palavras: ouriço cacho.

35 persoas nunca iriam ao cine e 11 persoas iriam ao cine cada mes.
21 persoas iriam ao teatro algumha vez ao ano.
64 persoas iriam a concertos de orquestras nas verbenas umha vez ao ano polo menos.
4 persoas nom bailarom nem bailarám nunca.

38 persoas pertenceriam a umha ou mais associaçons.
94 persoas estariam a favor de determinadas medidas para a proteçom do médio ambiente. 36 persoas estariam a favor de restringir o uso do transporte privado.
9 mulheres e 8 homes de 16 ou mais anos participarom en actividades relacionadas com o médio ambiente no último ano.

3 persoas saberiam que só morrem esmagados 1 de cada 500 ouriços cacho que cruzam as estradas

36 persoas nom votarom nas últimas eleiçons
e quem governa nesse lugar de 100 persoas
só tivo o voto do 24% do censo.

1 persoa cada vez que ve um ouriço cacho esmagado que nom conseguiu cruzar a estrada
entristece-se um pouco mas
sorri polos 499 que si o conseguirom.




séchu sende
Galiza, 2013

Fontes: IGE e outras.
Comentários (217) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 18-02-2013 21:33
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Nas bibliotecas!


Onde podes atopar um livro que chame por ti com a tua própria voz…?

Nas bibliotecas.

Onde umha banda desenhada sobre o home que nunca aprendeu a abraçar com os olhos fechados?

Onde está a Guia Completa das Borboletas do Estómago?

Nas bibliotecas.

Onde fica o livro sobre um corvo que pousa no teu ombro e fala?

Onde há um Manual para levitar cinco centímetros quando fas o amor?

Nas bibliotecas.

Onde estám os Mapas topográficos do interior das mulheres rebeldes?

Onde podo achar um livro para me librar do eu que nom quero ser?

Onde está o Manual de autoajuda para nos enfrontar coletivamente aos antidistúrbios soprando com o ar dos nossos pulmons?

Nas bibliotecas.

Onde há umha antologia dos teus melhores sonhos eróticos incluídos os que aínda nom sonhache?

Onde podo atopar um Ensaio sobre os graffitis nas portas dos banhos?

Onde o poema sobre a noite em que o Leo Campos e Garcia de Dios ke te Crew lhe entregarom a Public Enemy umha bandeira da Galiza no concerto de Castrelos e Chuck D e dixo Defendei o vosso país por todos os medios possíveis?

Nas bibliotecas.

Em que lugar pode haver um livro de Bukowsky com tres pingas de esperma?

Onde o libro de memórias com a marca de água das bágoas de Nelson Mandela o dia que foi liberado?

Onde a Enciclopédia Universal da Soidade?

E o Livro Negro das torturas da polícia espanhola?



Nas bibliotecas.

Onde está o livro das melhores fotografias tiradas desde os teus olhos?

Onde a Declaraçom dos Direitos dos Homes e das Mulheres Lobo?

Onde podes achar um livro sem palavras?

Onde podes ler o poema sobre a tua morte?

Nas bibliotecas.

Em que lugar está esse livro que te humidece?

Onde está o livro que cámbia o ritmo da tua respiraçom?

Onde o livro que cambiará a tua vida ainda que nom te deas conta
até que umha noite te cruzes com um lobo na estrada?

Nas bibliotecas.

Onde estám os jornais domesticados que estabelecem os quatro temas sobre os que a gente tem que falar o resto do dia?

Onde está o jornal com palavras libres e selvagens que ninguém pode domear
com umha entrevista a Maria Xosé Silvar, Sés, onde explica os seus problemas
com a justiça española por defender o nosso idioma com a sua voz e umha pandeireta?

Nas bibliotecas.

Em que lugar podes dar com o livro de Música techno para provocar infartos coletivos?

Onde com o folheto que explica como defender-se dos abusos á clase trabalhadora?

Onde está a colecçom de fascículos das tuas amigas e amigos?

E o livro que ninguém escreveu?

Nas bibliotecas.

Onde está o Sumário do juíço no que te declaram culpável por defender a liberdade,

dous anos e um dia?

Onde o livro que fala sobre a Resisténcia?

Onde o libro com receitas para cozinhar com nitroglicerina?

E a Guia de Bonsais de Eucaliptos?

Onde o livro com a história de amor entre o piloto do hidroaviom húngaro
e o pirómano do Courel?

Nas bibliotecas.

Em que lugar está o livro sobre o excelente futuro laboral do Ciclo Médio de Pompas Fúnebres?

Em que lugar podes achar o pregom do alcalde na Festa Gastronómica da Lata de Conservas

Onde um livro sobre Artesania com coiro

de cacique
?

Nas bibliotecas.

Em que lugar fica o livro com a história dos velhos que chegam á discoteca e botam á gente nova a bastonazos e a convertem em sala de baile da terceira idade?

Onde podes achar um ensaio sobre a poesia nos tatoos da mocidade galega do séc. XXI?

Onde um estudo sobre a composiçom química da sombra humana?

Onde umha entrevista a Carlinhos Gende na que fala dos seus sound-systems nos edificios abandoados de Vigo onde a gente baila com os olhos fechados e se transforma em lémures de Madagascar, gorilas na néboa, ouriços cacho a cruzar a estrada e tigres de Blake?

Nas bibliotecas

Em que lugar podes dar com umha revista sobre tractores violeta?

Nas bibliotecas!

E umha obra de teatro com as palavras de amor dumha mulher xorda, umha cega e umha muda?

Nas bibliotecas!

Onde estám os livros que eles nom querem que leias?

Nas bibliotecas!

Onde están as Instruçons para converter os sonhos em realidade?

Nas bibliotecas!

Em que lugar podes achar o livro que gosta de ler a gente que nom gosta de ler?

Nas bibliotecas!

Nas bibliotecas!



...

No Dia Internacional das Bibliotecas!

Para David Otero e a gente nova do IES da Estrada

Comentários (16) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 24-10-2012 16:51
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Sobre língua, activismo, papel higiénico e outras cousas.


Este texto é umha resposta á pergunta que foi lançada numha mesa redonda no Foro Social de Ferrol: Que há de novo no 15-M?

Umha das cousas novas: a relaçom do movimento social com a língua galega.

Um fragmento do texto:

Um dos discursos mais visíveis na rede foi o que se deu dentro desse sector do que podemos denominar como “galeguismo”. Dentro do “galeguismo” houbo um sector que mantivo umha actitude de rechazo á participaçom no movimento: “Eu nom participo porque o movimento nom se expresa em galego. É espanholista.”

Assi respondia alguém a esta actitude desde o twenti: “Hay un tipo que no se limpia el culo desde hace tres años porque el papel higiénico no viene etiquetado en gallego”

O texto completo no blog do Foro Social de Ferrol
Comentários (14) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 02-11-2011 11:58
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Acampada do Obradoiro














Comentários (15) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 29-06-2011 22:31
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A muller que cambiaba as cousas de sitio


Na casa da muller que cambiaba as cousas de sitio as culleres podían aparecer debaixo da almofada ou vagalumes no vertedeiro. As flores máis vermellas do cemiterio aparecían no taller de chapa e pintura e fieitos oxidados no Museo de Arte Contemporánea. Os tractores cruzaban o ceo. Din que un día ao fechar a porta da casa para saír e dar un paso adiante, volveu entrar. Tamén cambiaba os camiños. Unha vez fun con ela polo do matadoiro e o camiño levounos ao muíño. E din que cambiaba os soños de quen durmía con ela polos seus.

Quen falaba con ela cambiaba a súa forma de ordenar as palabras e era moi difícl seguir pensando igual. Descubrías que sempre hai un lugar mellor para algunhas das túas cousas e as túas ideas. Hai anos unha muller foi falar con ela e ao día seguinte cambiou de home para ser feliz.

A xente di que hai cousas que nunca cambiarán, que foron sempre igual e que deben seguir así. É certo que cambiar as cousas de sitio non é fácil. Custa traballo. Mais ela conseguiu que as pedras máis pesadas fosen dun lugar a outro. A néboa tamén. Empuxaba dela coas palmas das mans abertas e movíaa como se fose un globo gris de helio. Ela cambiaba as cousas. Sabía facelo. E nada podía resistírselle. Aí vén, dicía a xente, e mirábaa pasar cun sorriso amábel e un vestido azul.

Hai tempo, dicían, falou co ferreiro e ninguén sabe cómo mais din que lle mudou o futuro. Consegue que as cousas de ferro se movan de seu. E hai dous días cambioulle o pasado a Orlando, o portugués. “Custa traballo, -díxolle-, mas só com trabalho se tem direito ao sonho”. Din que Orlando tiña cousas esquecidas nalgún lugar e conseguiu recuperalas e que outras as levaron ao río e os dous miraron como marchaban cara ao mar. E que logo el botou un caravel vermello pola boca.

Rosa contoume que a ela lle cambiou de lugar a ilusión. Agora tena máis perto, no ombro esquerdo, xusto encima do corazón. E se te achegas, podes ver que Rosa aprendeu a mover de sitio cos ollos fechados o lunar que ten ao lado da boca. Hai moitas cousas por cambiar de lugar, dicía. Vós tamén podedes facelo.

Custa traballo mais é posíbel. A resignación, por exemplo, resístese a moverse case tanto como as pedras. Mais se en vez de mirar cara abaixo erguedes os ollos e a descubrides, podedes collela cos dedos como se fose un insecto e deixala noutro lugar. E o mesmo sucede coa liberdade, dixo onte a muller que cambiaba as cousas de sitio á beira do Ulha antes de marchar. Se credes nela, podedes traela dos soños entre moitos e moitas á vosa forma de ollar.



Séchu Sende, Orixe, Ed. Galaxia, 2004


...


Ás mulheres da Casa Encantada, a Rozio, e hoje, a Estrela e a Andrea Nunes
Comentários (8) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 12-06-2011 09:47
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Acampada do Obradoiro: fotos



Um símbolo: o círculo de gente






Reunióm informativa sobre feminismo








Umha asembleia pola manhá













Asembleia das 20.00





Na cozinha


Umha reuniom da comisiom político-legislativa








Obradoiro sobre actitudes lingüísticas: Método de hipnose para falar galego




















Fotos: Javi Valles

Obrigado, meu!

Comentários (11) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 27-05-2011 15:13
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David Copperfield nom tem nada que ver com isto
Olha esta foto. Um sinal borrado. Quem puido fazer desaparecer o topónimo e por que?



Num país como o nosso, onde o sinal dumha estrada poderia ser objecto dumha tese de doutoramento, que pensas tu ao olhar essa fotografia? Qual será a sua história?

Mais em galiciaconfidencial.com
Comentários (12) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 08-04-2011 14:40
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13 culherinhas numha caixinha negra


Luísa tem umha colecçom mui especial. De culherinhas. Dentro dumha caixinha forrada com veludo negro. Mostrou-mas na sua casa.

-Nom tenho demasiadas, afortunadamente. E digo afortunadamente porque cada vez que consigo umha é como se medrasse a minha tristeza... ás vezes, outras, a raiva. Já perdim a conta delas, tenho-as nesta caixinha negra, olha. Ves, som culherinhas pequenas, prateadas, todas som diferentes.

Contei-nas. Brilhavam. Havia doce culherinhas.

-Esta foi a primeira, -dixo Luísa colhendo umha-. A mim encantava-me jogar de nena com ela e um dia dixo-me minha avoa, recordo-o perfeitamente, dixo: Esta culher agora é tua. Coida-a bem e limpa-a com limóm, que é de prata. Recordo-o como se fosse hoje: Esta culher... agora é tua. Esta culher... dixo. Guardei-na como um tesouro até hoje. Despois minha avoa puxo-se a pelar umha laranja.

Luísa tem duas nenas. Umha de cinco anos, Inés, e outra de dez meses, Maruxa. Saímos dar umha volta e entramos num bar, na Rua do Príncipe. Pedimos duas cervejas. Maruxa começou a chorar no carrinho e Luísa colheu-na no colo.

- Tem fame, dixo.

Sacou um tarrinho do bolso, mostrou-lho á nena, que deixou de choromicar, e dixo-lhe:

- Hoje preparei-cho de laranja e pera.

E dixo-me a mim:

- Nunca levo culherinha no bolso.

Ergueu-se e achegou-se á barra com a nena no colo.

- Olá, poderia deixar-me umha culherinha?

A camareira dixo: Que?

- Umha culher, -repetiu Luísa..

- Que?, -repetiu a camareira. Teria uns trinta anos.

- Umha culher, repetiu.

- Eh?, repetiu a camareira.

- Umha culher, -repetiu Luísa sinalando com o dedo umha culherinha que havia sobre a barra um pouco mais alá.

- Ah!, exclamou a camareira.

Luísa voltou com a culher e dixo enfadada, indignada:

- Outra para a colecçom.

E dixo:

- É triste que haja alguém que nom te entenda no teu próprio país quando pides umha simple culher.

E dixo:

- Por isso é triste a minha colecçom, porque medra com a ignoráncia da gente... E da-me raiva.

Quando Maruxa acabou a pera com laranja e nós, as cervejas, Luísa guardou a culherinha no bolso, paguei e marchamos. Na rua Inés prendeu-se da mao de sua mai e dixo-lhe:

- Mamá, sabes, vou começar umha colecçom de garfos.

Comentários (19) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 25-03-2011 14:17
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Pobrinh@, nom sabe falar galego!


A minha filha está aprendendo a falar. Na rua, no parque ou na biblioteca alguns nenos e nenas falam-lhe galego, muitos, castelám e quando estamos fora falam-lhe inglés, turco, croata… Na última viagem a minha filha chegou saudando em kurdo: Roj bas, spas! Com menos de dous anos já fala o kurdo melhor que seu pai e sua mai juntos!

É habitual observar nenos e nenas galego-falantes que quando falam com um castelám falante cámbiam de língua. Ao final acabam reproducindo comportamentos que aínda muitos adultos padecem como qualquer outra afecçom psicológica.

-Ui, que bonita é a nena…, -dixo-me hai uns dias umha senhora na rua-. E como se chama?
-Estrela…
-Ay, Estrella, que bonita, y que ojos tan grandes, cuchi, cuchi!
-Senhora, -sorrim-, fale-lhe galego que a nena é de aqui.

Por aquilo das curiosidades sociolingüísticas, na casa anotamos num papelinho as vezes que lhe cámbiam o nome á nossa filha. De Estrela para Estrella. Pensei que podia ser um bom agasalho de aniversário para quando cumprise os 18. De momento, em 23 meses, duas semanas e 1 dia já lhe mudarom o nome 47 vezes, -que nós saibamos-.

A activista pola língua mais nova que conheço tem cinco anos. Cansa de que lhe chamaram por um nome que nom era o seu, quando umha senhora lhe dixo por enésima vez: Ui, que bonita me eres, Marina… ela ergueu a voz: Eu som Marinha!, Nha! Nha! Nha!

Como neno eu tamém vivim baixo a norma social que, condicionada polos prejuíços, obriga a muita gente maior –mesmo a galego-falante- a falar em castelám com a gente nova. Existe essa lei que vem ditar que quantos menos anos tem um galego ou galega menos posibilidades tem de que lhe falem em galego e, ao tempo, quanto maior é a persoa, maior é a posibilidade de que lhe falem na língua do país. No documentário Línguas Cruzadas, de Maria Yáñez e Mónica Ares, um rapaz castelam-falante verbaliza este comportamento exótico: Si me habla gallego un señor mayor yo a lo mejor si que le hablo en gallego. Eu chamo-lhe a Lei de Matusalém, porque Matusalém seria esse velhinho que teria ganhado, por raçom de idade, o direito a que a gente lhe fale em galego. Ás vezes eu mesmo gostaria de ter noventa anos para gozar dessa situaçom…

Conheço o caso dalguém de minha idade, de Redondela, que prendia na língua. A mai, quando era um cativo, levou-no ao médico, que lhe dixo: Yo no le puedo arreglar el tartamudeo pero, si quiere disimular un poco, mejor que hable castellano. Talvez foi a primeira vez que alguém deixou de falar galego por prescriçom médica. Nom consta receita por escrito. Lástima, seria um documento histórico valiosíssimo!

Mas nom toda a gente obedece a Lei de Matusalém. E eu devo agradecer a todas essas persoas que me falarom galego quando fum neno e moço porque as suas palavras mantiverom-me unido ao idioma que hoje falo. Para todas as persoas maiores que lhes falades galego aos nenos e ás nenas, -faledes habitualmente em galego, ou mais em galego, ou mais em castelám,- um abraço entre estas palavras.

Quando umha persoa maior nom lhe fala galego a um neno está a excluí-lo da cultura que nos une. Quando um adulto nom lhe fala galego a umha nena está a expulsa-la da própria comunidade. Quando tu nom lhe falas galego a umha nena estás a impedir-lhe um desenvolvemento comunicativo livre. Quando nom lhe falas galego a um neno estás a priva-lo da liberdade de poder expresar-se na língua dos galegos e das galegas. Quando umha nena ou um neno medra sem contacto com a nossa língua converte-se num inadaptado.

Mas quando lhe falamos galego a um neno enriquecemo-lo. Fazemos-lhe entender que a pesar das diferéncias a língua nos une. Quando tu lhe falas galego a umha nena das-lhe umha chave para comprender o mundo que a rodea. Quando lhe falas galego estás a dar-lhe a posibilidade de que melhore as suas habilidades comunicativas. Quando lhe falas galego estás a abrir-lhe umha porta de desenvolvemento, progreso e felicidade.

Escrebim todo isto porque hoje me contarom que a filha doutra colega, de cinco anos, o outro dia quando chegou a casa contou-lhe á mai que atopara um neno mui simpático no parque…
-Pobrinho, dixo-lhe á mai.
-Por que?
-Porque nom sabia falar galego.
-Nom sabia falar galego?
-Nom, só sabia falar castelám. Pobrinho. Eu falei-lhe em galego, a ver se o vai aprendendo.

Comentários (10) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 16-03-2011 22:19
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65

Despois de passar polo súper por leite, duas latas de sardinhas, um litro de cerveja e os iogures achegou-se á gasolineira por um litro de gasolina.

Manhá facia 65 anos e sorriu pensando que seguramente Lois a sorprenderia com um flam de ovo e umha velinha que apagar dum sopro.

Telefonou, Lois, si, Ola, Amália, Si, Lois, encontrei umha amiga que nom via desde há mais de trinta anos… Amália, chama-se Amália, Como tu! Si, que coincidéncia! Trabalhamos juntas há muitíssimo tempo e nom a vejo desde aquela… E convidou-me a cear… Vou tomar algo com ela e já vou para a casa… A recordar velhos tempos? Ahá. Mui bem, carinho, Um bico, Um beijinho.

Havia anos que nom lhe mentia a Lois. Nem sequera recordava qual fora a última. Talvez aquela que… Nom, nom recordava e isso que já se figera de noite e de noite sempre recordava essas cousas um pouco melhor.

Entrou a tomar um vaso de leite quente numha cafetaria e agradeceu que lhe pugeram duas galhetas para acompanhar. Apanhou o jornal, esse que levava atopando toda a sua vida em quase todos os bares, porque era o que melhor mentia, o que enganava mais disimuladamente. Chegou-lhe com ler os titulares da primeira página para recordar porque tinha aos seus pés o litro de gasolina.

Sacou um livro do peto do chaquetom e puxo-se a ler. Eram as memórias de Nelsom Mandela e puido le-las quase todas até que se deu conta de que apagaram o televisor e queriam fechar o bar. Já passaram tres horas!

Saiu do bar e deu umha volta pola cidade. Logo botou mao da botelha de cerveja e bebeu-na pouco a pouco, sem présa, sentada no parque que há detrás daquel edifício, baixo as magnólias. Ali acabou de ler o livro de Nelsom Mandela, á luz dumha farola.

Era o teléfono. Que tal todo, Amália? Bem, Lois, já vou para a casa, vou de volta. Recordei muitas cousas com Amália… Que curioso que se chame igual que tu… Si, e parecemo-nos muito… Bem, recorda que manhá é sábado e tes que erguer-te ás nove… Um bico, Lois, Um beijinho, Amália.

Encheu a litrona com a gasolina e tirou do pantalóm o seu pano branco com o A bordado numha esquina. Molhou-no no combustíbel. E ficou ali sentada com o cóctel molotov na mao. Era o primeiro cóctel molotov que fazia na sua vida. Era o seu próprio agasalho de sexagésimo quinto aniversário… Se-xa-gé-si-mo-quin-to, repetiu.
Esquecera algumhas cousas nos últimos tempos mas nas últimas semanas recordava a diário algo que sucedera havia já mais de trinta anos.

Aquel dia que, recordava-o perfeitamente, pensou que deveria saír á rua com um cóctel molotov junta aquela gente daquela manifestaçom contra a reforma do sistema de pensions e a idade de jubilaçom...

O que recordava perfeitamente era que ela nom figera nada. Nada mais que ler a notícia no jornal ao dia seguinte.

Ergueu-se, mais de trinta anos despois, ocultou o rostro com a bufanda, -sabia que havia cámaras espreitando as proximidades-, apanhou a litrona, prendeu o lume e, reunindo todas as forças que perdera nos últimos anos, guindou o cóctel molotov contra aquel edifício, com mais de trinta anos de retraso.

Logo afastou-se pasinho a pasinho. Tinha que descansar. Manhá havia que ir trabalhar.
Comentários (24) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 28-01-2011 01:54
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Manifesto de Galiza non se Vende a prol dumha folga geral


Desde a rede de colectivos “Galiza Non Se Vende” queremos sumar a nosa voz ao que xa vai sendo un clamor popular a prol dunha folga xeral urxente, que debe ser continuada con todo tipo de mobilizacións (paros, boicots, activismo…) até que se faga realidade un cambio de rumbo nas políticas sociais e económicas.

Mentres que desde o goberno central e a Xunta se subvencionan, como sempre e sen contar co pobo, ós bancos, ás grandes empresas e ás institucións como a eclesiástica e a militar, están a recortar todos os gastos sociais, en sanidade, educación e promovendo a exclusión social fomentando así graves dificultades as persoas con menos recursos. Recortes e privatizacións. Se tantas perdas provocan estes sectores, só entendemos un xeito de que ao seren privatizados dean beneficios, deixar de atender ás nosas necesidades.

Non contentos con isto, a Xunta está a desenvolver unha lexislación baseada na desprotección do noso territorio, que agrava a actual permisividade para consentir todo tipo de actuacións, urbanísticas, industriais comerciais ou infraestruturais en case calquera lugar da nosa terra.

Subordínase a preservación da natureza a cal pertencemos e que nos permite, cun uso racional e sustentable dos seus recursos, gozar dunha maior equidade social, ás necesidades do que nunca terá acougo mentres quede algo co que especular. O capitalismo globalizado, un sistema irracional, insustentable e depredador considera o territorio e a natureza unicamente como un medio de espolio, moi barato e inesgotable, polo que é unha fonte máis do seu lucro económico.

Se perdemos a autoxestión da nosa terra, con ela perdemos a propia identidade vital e cultural de Galiza como País e teremos dado un paso máis cara a perda dos nosos dereitos máis fundamentais como cidadás e cidadáns e como pobo, camiñando cara a escravitude.
Son normativas pensadas, ideadas e preparadas para entregar o que é patrimonio de todas e todos ás mans do capital, con todas as súas facianas.

O Plano de Ordenación do Litoral está redactado a medida das industrias da construción e do turismo. A conservación, recuperación e protección do espazo litoral queda nun segundo plano ante os intereses económicos e especulativos.

A modificación da Lei do Solo abre as portas á legalización de todo tipo de desfeitas e desprotexe o solo rústico para poder construír nel polígonos industriais, piscifactorias, infraestruturas e urbanizacións.

A nova Lei de Montes pretende acabar de facto coa secular propiedade comunal, privatizando a xestión dos montes comunais e priorizando os monocultivos de especies aloctonas e invasivas que sementan o monte de incendios e agora co novo Plano Eólico pretende tamén enchelos de tarabelas, incluso nas zonas protexidas, sen beneficio algún para o seu entorno directo e esquivando a avaliación ambiental.

Un Plano de Piscicultura que agasalla con 3,5 millóns de m2 de litoral ás empresas de engorde de peixe, e pretende construír piscifactorias en zonas protexidas e nas mellor conservadas da nosa costa.

O Plano de Infraestruturas Náuticas pretende ampliar os portos deportivos existentes con 16.000 novos amarres e construír novas infraestruturas, mediante recheos e privatizando tramos de costa, por todas as nosas rías.

O Plano Director de Estradas e o chamado Plan MOVE, que non foron legalmente aprobados, son completamente irracionais, baseados no trasporte privado. Saturan o territorio de estradas de alta capacidade, ignorando completamente o transporte público intermodal.

Coa aplicación da Lei da Minaría pretende eludirse a avaliación ambiental das explotacións mineiras, un dos máis importantes factores da degradación do territorio galego e implantalas incluso en chan rústico de especial protección.

As Directrices de Ordenación do Territorio, propoñen un modelo territorial que implica a expansión urbana sobre o rural e a súa desnaturalización. E agravan o xa enorme desequilibrio entre o interior e a costa.

O Plano Hidrolóxico Galiza-Costa, desprotexe os nosos ríos para facilitar a instalación a esgalla de minicentrais eléctricas. Prevé aprobar 33 novos encoros nos vindeiros 5 anos ignorando o veto á súa construción que saíra da iniciativa lexislativa popular “en defensa dos ríos” aprobada polo parlamento galego no 2005.

O Plano de xestión de residuos está baseado na contaminante incineración, emisora das perigosísimas dioxinas e na creación de monstruosos vertedoiros.

Os Planos portuarios están baseados en gañar terreos ao mar mediante recheos pagados con fondos públicos, para instalación de chan industrial privado en primeira liña de costa e atacando fortemente o ecosistema e a paisaxe das rías.

Os Planos xerais das vilas e cidades pretenden duplicar e incluso triplicar o número de vivendas que non son entendidas como unha necesidade social básica senón como un negocio especulativo. Mentres, recórtanse as axudas para vivenda protexida, aluguer ou rehabilitacións.

O decreto do galego menospreza a nosa lingua e toda a nosa cultura pretendendo acabar con ela.

A aplicación imposta destes documentos suporía a degradación ambiental, biolóxica, xeolóxica, hidrolóxica e paisaxística da nosa terra; a súa degradación etnográfica, patrimonial, e arqueolóxica; a degradación física e social das parroquias; a destrución dos modos de vida vencellados ao territorio, que hoxe son desprezados e que mañá, segundo todos os indicios, serán desesperadamente necesarios. O modelo territorial deste mal goberno suporía á destrución da cultura e dos sinais de identidade da nosa terra, pois provocaría a destrución do seu soporte material, da súa pegada histórica e da posibilidade da súa actualización e continuidade como sempre fixo.
Este modelo é inviábel. Precisamos outro modelo que poña no centro ó medio ambiente, a cultura e as persoas.

POLA DEFENSA DO TERRITORIO

POLA SOBERANÍA ENERXÉTICA E ALIMENTARIA

POR UN CAMBIO DE RUMO NAS POLÍTICAS ECONÓMICAS E SOCIAIS

CONTRA A PRIVATIZACIÓN DOS SERVIZOS SOCIAIS

CONTRA A PERDA DOS DEREITOS SOCIAIS

POLA POSTA EN VALOR DA NOSA CULTURA E SABERES

MOBILIZACIÓN ACTIVA INDEFINIDA XA
Comentários (12) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 04-01-2011 12:29
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Um poema e umha planta para o Presidente


Neste dia de dezembro, ás 12 menos um quarto, acheguei-me ao edifício da Xunta em Sam Caetano com umha planta e um poema para o Presidente. E entreguei-nos em Presidéncia. Este é o poema:


Senhor Presidente:

Pola presente aqui
lhe envio umha planta e mais um poema.
O poema é breve,
a planta, originária do Brasil.

Dieffenbachia é o seu nome,
aínda que a gente lhe chama
Comigo-Ninguém-Pode.

Vem do Amaçonas
e chegou a Europa como planta decorativa
de interior,
pola sua toleráncia ás sombras
e a sua cor sempre viva.

Senhor Presidente,
debe saber, porém,
que a planta é tóxica,
que as células do caule e das folhas
contenhem oxalato de cálcio
em cristais aciculares
que se afectam a gorja
podem provocar mudez,
nos casos graves.

Por isso se chama em inglés
Dumbcain
ou Cana do mudo.
Tem muito poder.

E isto nom o estou a inventar,
nom é lenda nem mitologia,
merquei-na por tres euros,
numha floristaria.

Debe saber tamém
que nos Estados Unidos
foi utilizada para punir os escravos:
enchiam-lhes a boca de folhas.
Muitos homes e mulheres ficarom
para sempre calados.

Esta planta deixou sem palavras
milheiros de persoas
que perderom para sempre a fala.

Por isso quixem eu
enviar-lhe esta planta,
Senhor Presidente,
recordou-me a sua forma de ser.

E agora vai a despedida,
mas devo dicer-lhe antes
que creo na justiça poética,
que a água nunca debe estar fria
e o rego há de ser abundante.

Um saúdo desde
a raíz dum toxo verde.

Séchu Sende

...



Mais sobre a Dieffenbachia, aqui.
Comentários (73) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 23-12-2010 18:30
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Aynur: Keçe Kurdan


Aynur é um dos simbolos do novo Kurdistam. Nas suas palavras: “A música kurda nutriu-me, gostaria que a música chegasse a um mundo mais amplo, e nom só a música, tamem a cultura que a veu nacer.

Tamém, como mulher que canta música kurda, som mui consciente da violéncia e a opresom que castigou as mulheres e nenos da minha comunidade e a minha esperanza é a paz”


O tema, Keçe Kurdan, original de Sivan Perwer, é todo um símbolo no Kurdistam, a cançom emblema do povo kurdo. Irfan Guler, tradutor do galego ao kurdo, di que Sivan Perwer poderia ser algo assi como um Castelao que hoje fosse músico, comparando cousas incomparáveis, evidentemente.

Keçe Kurdan significa "rapaza kurda". A letra, emocionante:

Erguei-vos, rapazas, fazei ouvir as vossas vozes no mundo.
Esperam-vos cousas difíceis nas alturas.
E é que as mulheres agora avançam, estudam.
Tomarom as plumas para subir mais alto.
Porque assi o queremos, rapazas, acudide á batalha.
Porque assi o queremos, rapazas, saíde á luz com nosoutras.
Si, somos rapazas kurdas.
Somos leoas, estamos vivas, somos a esperanza dos homes.
Somos a rosa dos kurdos.
Elevamo-nos desde a opresom dos ignorantes.
Ergue-te, rapaza kurda.
O meu coraçom derreteu-se.
Onde está a nossa pátria, a nossa liberdade?
Onde há umha mai para nós, as orfas?
Comentários (18) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 24-11-2010 19:49
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Pregom do Grelo Folc: Os Vampiros contra a língua


1.

Amigas e amigos
invadem-nos os vampiros!

Hoje vou ler
para o Grelo Folc
um manifesto friki,
de série B,
um pouco pop.

Abre-se a tapa
do féretro,
veludo rojo y gualda,
e aparece o Vampiro,
pálido, delgado
e cantando em castelhano
a sua cançom favorita:
La falda de Carolina.

Pom as gafas de sol
e sae da casa ligeiro
para chuchar sangue fresco
dalguém que fale galego.

Tem um ar
com Cristopher Lee,
os mesmos trajes,
o mesmo olhar
a gravata carmesí…

Abriu-se a veda
e os vampiros botarom-se
ás ruas da Galiza enteira.

Estám aí, disfrazados de gente normal,
som cálidos vizinhos, amaveis,
e aparentam ser boa gente…
para meter-che melhor o dente

Conhecia-os bem Lovercraft:
Sempre querem mais.

E tamém Baudelaire,
Estám sedentos de poder.

Escrebeu-no Bram Stoker:
A nossa debilidade fai-nos fortes.

Já o di Stephen King,
Os vampiros parecem-se a ti.

E tamém o conta Anne Rice,
semelham persoas normais.

Mas distinguem-se com facilidade
Polo seu complexo de superioridade.

Adoram o seu ego,
a sua própria vida.
Nom crem no bem social
nem no idioma galego.

Transmitem a peste, o carbunco,
a raiba, a porfíria, a diglósia,
estes seres do inframundo.

Quanto pior, melhor
como no filme Underworld.

Podes esperar deles
qualquer barbaridade
como em 30 dias de escuridade.

Pensam que Galiza é
como Salem´s Lot,
por isso andam a sementar
o terror.


2.

Sucionam as nossas palavras
com toda a força do mal
porque sabem que o idioma
é o nosso fluído vital.

A língua é o músculo
que move a nossa cultura
e eles querem arrincar-no-la,
como em Crepúsculo,
Lua Nova, Eclipse ou Amencer
fam com a carne crua:
fam-na desaparecer.

Este é o lema
da sua cultura:
O galego á sepultura.

O Vampiro chega ao Parlamento
senta na sua butaca
e, frio o seu alento,
preme o botom
para votar contra
o galego na educaçom.

Umha professora
morde de manhá
numha nena galego-falante
que chega á casa
falando castelám.

Sucede-lhes todos os dias
aos nossos filhos e filhas:
os vampiros chantam neles
o despreço pola nossa língua.

Podem modificar a tua vontade,
e chegar a fazer-che crer
que nom falar galego
é um acto de liberdade.

Na administraçom
quando um vampiro asoma
detrás do mostrador
nunca fala o nosso idioma.

Contra o galego,
na Xunta, nos concelhos, nas deputaçóns,
trabalham com o espenho
de Vlad, o Empalador.

Dam muito repelus!
para atacar a mocidade
com nocturnidade
suprimirom o Noitebus.

E ainda que adoram a Satám
nom gostam do rock nem do rap
em galego,
nem da música de Leo,
Zënzar ou Ultraquans.

Há muitos nos meios de comunicaçom:
é importante que os galegos
nom pareçam o que som.

Nom é cousa estranha
atopar vampiros a encher
La Voz de Transilvánia
ou El Faro de Bucarest.

Som famosas as suas orgias
nas festas de gastronomia.

Quando fam umha matança,
sempre há chouriços picantes
e filhoas de sangue de neo-falante.

Numha bacanal em Boqueixom
ao Príncipe das Tebras Sem Luz
faltou-lhe um tris
para saltar-lhe ao pescoço a umha actriz.
Podedes ve-lo em youtube.


3.

Chegarom no medievo
com espadas e escudos,
decapitarom os nobres galegos,
ocuparom os castelos
e impuxerom os Séculos Escuros.

O Padre Benito Feijoo
escrebeu na Ilustraçom
como dar com a sua tumba
com um cabalo garanhom.

Nom som cinco nem seis,
hoje hai-nos a centos,
como os vampiros de Blade.

Mas som menos do que parece
anque mostrem muito os dentes.

Nas grandes empresas
há muitos vampiros
e algumhas vampiresas.

Carlos Marx falou deles,
nom vos estranhedes:

“O Capital é trabalho morto
que como um vampiro
vive de sugar
o trabalho dos outros.

O vampiro nom nos há ceibar
em quanto houver um músculo,
um nervo, umha gota de sangue
que chuchar.”

Já o dicia o camarada
José Afonso:
Eles comem tudo,
eles comem tudo
e nom deixam nada.

Tenhem muito atractivo
para captar devotos,
tamém o intentarám contigo
por conseguir o teu voto.

Manipulam as emoçons
como umha seita
com o poder de seduçom
fatal da ultradireita.

Para o nosso espanto
vivem despois de mortos
como Francisco Franco

Para eles nunca é tarde,
semelham inmortais
como Fraga Iribarne.

Derom-lhe o Prémio Otero Pedrayo
por defender a nossa cultura
mas merece umha ristra de alhos
por somete-la a censura.

O seu governo de Sombras
foi violento e túrbio:
Que entren los antidisturbios!


4.

Antes era um rapaz normal,
licenciado em avogacia…
Até que foi mordido
por Romay Beccaria.

-Pide o que queiras:
Poder, fama, dinheiro…
-Quero sangue, sangue, sangue…
E passou a dirigir o Sergas,
e acadou o control
dos centros de transfusióm.

Manuel Fraga, o chefe do clam,
deu-lhe política territorial
e logo nomeou-no vicepresidente
porque tinha mui bom dente.

Puido aglutinar os diferentes clans
e com as artes da necrománcia
vencer em campanha eleitoral
com o apoio da prensa ráncia.

E assi começou a lenda:
O Vampiro dos Peares
contra a língua galega.

Fagamos, amigas e amigos,
como Buffy Cazavampiros.

Temem as nossas palavras
como ás balas de prata.

Fere-lhes a nossa unióm
como no coraçom umha estaca,

e o nosso trabalho
mais que as ristras de alho.

Ao final vamos vencer
se cremos em nós
como em Aberto até o amencer,
nós somos a luz do sol.

Viva a festa!
Viva o Grelo Folc!
Falemos galego!


Monfero, 24 de outubro de 2010
Comentários (10) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 24-10-2010 18:48
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¡No hables el gallego!


Para ler o texto, tira fora a publicidade.

Comentários (23) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 29-09-2010 17:43
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Coletivo Sintrom


Umha banheira num balcom?

É Serxio Landrove, o percusionista de bateria, vibrafono, marimba e banheiras do Coletivo Sintrom.

Assi começou a apresentaçom de Animais, no balcom da livraria Couceiro, em Compostela.

Música de altura.

Comentários (8) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 28-09-2010 00:03
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Sociolingüística extraterrestre


Pregóm do Festival da Terra e da Língua
Junho, 2010


Amigas e amigos,
que acabe a diversiom!
Por se alguém nom se enterou,
sofremos umha invasiom!

Devemos estar alerta,
um perigo inmundo
ameaça o planeta
e os povos do mundo.

As forças do mal
atentam contra a diversidade
cultural.
É umha ofensiva imperialista
contra a diversidade lingüística.

Umha invasióm alienígena
ameaça as línguas indígenas.
Aliens agresivos
agridem os idiomas nativos.

Vinherom do espaço exterior
Enviarom a Galiza
Umha nave nodriza

Aliens,
do latim alienus, significa alheios,
segundo o dicionário:
que estám afastados,
alheados, distantes, indiferentes,
que nom tenhem interese,
que nom posuem, que estám privados,
Inadaptados.

Extraterrestre é quem
vive aquém
como se vivisse além.

E quere acabar com a nossa cultura
e imponher a sua.

Os marcianos
nom acabam de chegar
levam com nós muito tempo,
mais de 500 anos.

Agora no Monte Pio tenhem umha base
de Encontros na Terceira Fase.

Chegarom do espaço em pratos voadores
cheios de políticos conservadores.

Nos filmes aprendemos o guióm:
para disimular
levam traxe e garavata,
como em Men in Black.

Nós nom nos confiamos,
em V eram lagartos
que levavam carautas
de ser humano.

Como Predetor
som expertos mimetistas,
chegam a fazer-se passar
por galeguistas

Expertos em colonizaçom
querem converter Galiza
numha Alien Nation.

Querem-nos dominar
e tirar-nos a língua,
como em Mars Attack.

Nom aguardemos mais.
Loitemos como Will Smith
Em Independence Day.

Abre os olhos
ou passara-che como lhe passou á gente
na Invasiom dos Ladróns de Corpos.

E digo mais,
nom pode ser inútil,
que a força do vosso amor
vos acompanhe!
em Star Wars
Novoneyra seria um honorável jedai.

O colonizador
quer deixar-nos sem defensas,
sabe que a língua é
o nosso escudo protector.

Guardam o arsenal no Parlamento.
A sua arma mais violenta
É o decreto.

Disparam a discreçom
contra a língua no ensino
e na administraçom.

Já lançarom um misil
contra o galego em infantil.

Com as suas armas desintegradoras
fam desaparecer a nossa língua
das escolas.

E quando os nossos filhos e filhas
voltam da escola
já nom falam o nosso idioma.

Nos liceus
tomarom medidas traumáticas:
proibirom o galego das matemáticas,
da fisica e química e da tecnologia,
contra toda a pedagogia.

O ataque é furibundo,
disparam contra o nosso idioma
estes seres doutro mundo
desde as páginas do DOG.

Querem mudar com leis
a nossa forma de ser.

Com os seus raios ultrasónicos
disparam contra os nossos topónimos.

A sua arma mais perigosa
vai directa á conciéncia:
é o emisor de indiferéncia,

Procuram o sometemento
do pensamento.
Gostam muito os extraterrestres
da gente obediente.

Tenhem armas de destruçom maciça
que vaciam de contido
o significado das palavras
Liberdade ou Justiça.

E com total impunidade
atacam a nossa língua
em nome da liberdade.

E com um sorriso insensível
e a olhada fria
dim-nos que nom nos preocupemos
que assi é a vida!

É mui dificil identifica-los
á primeira olhada,
mas quando começam a falar
Nom podem disimular.

A sua frase preferida:
El gallego si pero...
El gallego si pero...
Sempre tenhem peros para a nossa língua.

El gallego si peeeeero...
e despois nom já há quem os pare:
Con el gallego no se va a ninguna parte
dim eles que vinherom de Marte.

Há um prejuíço que difundem com fervor:
“O que vem de fora é melhor”.
O nosso nom o valoram,
começando polo idioma

Querem que pensemos
que a nossa língua vale menos
para que a abandonemos.

Aparece na tele
dum tempo a esta parte
muita gente a falar
com sotaque de Marte.

Dam-lhe tam pouco uso
que ve-los falar em galego
é um fenómeno UFO.

Ocultam a língua do país
como em Expediente Xis

Nos jornais há muito cronista
colaboracionista.
E na tele muito tertuliano
que parece marciano.

Nos seus médios de comunicaçom
repitem e repitem
que a invasióm nom existe.
Por isso perdem a paciéncia
com as manifestaçons da resisténcia

Que eles vinherom em som de paz,
e que nom se fale mais.
E consideram o movimento social
como extremista e radical

É mui próprio dos invasores
presentar os oprimidos
como opresores.

Debaixo da gomina
do Valedor do Povo
Hai um alien cabeça de cono.

É o mundo ao revés
querem-nos fazer crer
que perder a nossa língua
é polo nosso bem.

O colonizador coloniza,
e os intereses do Império
nom som os de Galiza.

Por isso fam esforços ímprobos
Para que nos identifiquemos
Com as suas cores e símbolos.


Mas que nom cunda o pánico,
os extreterrestres tenhem menos poder
do que parece, ánimo.

Porque apesar de todo
o que digam
o poder é do povo,
da cidadania.

Sabem que nada pode parar
a energia
dum forte movimento social.

Passa no cine e nos livros
e passa na vida real
para cambiar as cousas
há que se revoltar.

Se nom resistes
nom existes

Se nom te pos ergueito
perdes os direitos

Contra a invasiom extraterrestre
Fai-te insurgente.

Participa no movimento cidadán
polo idioma e suma
a tua criatividade
á rede social.

Suma a tua energia
á guerrilha do dia a dia.
A língua precisa
da lógica da acçom colectiva

A revoluçom começa,
irmás, irmáns,
polas cousas cotiás.

Fala, fala, fala!
Porque este país existe nas tuas palavras.

Contra a servidume
tu podes
pode ser umha faísca a prender o lume

Na comunicaçom está a soluçom,
cumpre falar com a gente
que pensa de forma diferente.
No lugar menos pensado
a nossa língua pode ter aliados.

E podedes cre-lo:
alguns extraterrestres
deixam de se-lo.

Tenho que confesar
que eu de neno
renegava do galego.

Estava confundido...
Até que um dia descobrim
que fora abducido.

Nom convirtas o próprio em alheio,
na tua própria terra
nom te sintas estrangeiro.

Os seus prejuíços
como um virus infectam
o planeta Guezeta.
E dificultam
que as nenas e os nenos
falem galego.

Temem a gente nova
porque sabem que a mocidade
pode cambiar a história

Nom tem discusiom:
mais que parte do problema
a mocidade
sodes parte da soluçom.

E se che di alguém
que os extraterrestres nom existem
tu nom perdas o sentido do humor
e recorda que a realidade
sempre supera a ficçom.

Um saúdo a dom Manuel
Que tem pior aspecto
Que o marciano de Roswell.

E agora já me despido,
outro dia falaremos
de sociolingüistica freak,
de zombis
e da língua dos vampiros.


Nom perdas o riso
na loita final.
Viva o ridiculismo
e viva o Festival

Terra e Língua!



Comentários (10) - Categoria: Nom serviam - Publicado o 27-06-2010 12:47
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