Todo o referente o Navegante João da Nova |
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O navegante João da Nova (orixinalmente Joan de Nóvoa) nacido en Maceda-Ourense mostrase como un galego universal, o máis relevante do seculo XVI. |
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O meu perfil |
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ILHA DA TRINDADE DESCUBERTA POR JOÃO DA NOVA |
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Situada a 1.090km da costa do estado do Espírito Santo, no oceano Atlântico, a ilha de Trindade é muito montanhosa e de difícil acesso por causa do mar agitado naquela região. A ilha desabitada tem cerca de sete quilômetros de extensão por quatro quilômetros de largura, sendo toda cercada de rochedos, com exceção de uma pequena praia em seu lado sudeste (ilustração), de areia muito branca e fina, onde existe um morro em forma de pirâmide, com 390 metros de altura, ao qual se dá o nome de Pão de Açúcar. Na extremidade meridional da ilha, em um rochedo com 70 metros de altura, encontra-se um túnel com cerca de 140 metros de extensão, por onde as águas do mar penetram naturalmente, fazendo grande ruído.
Descoberta pelos navegadores portugueses na época do descobrimento do Brasil, ela foi ocupada pelos ingleses, no século 18, depois restituída a Portugal e finalmente passou ao domínio brasileiro quando a independência foi proclamada em 1822. Durante todo esse tempo a ilha de Trindade permaneceu sem ter habitantes, até que em janeiro de 1895 o governo inglês considerou-a apropriada para a instalação dos equipamentos de uma companhia telegráfica transatlântica e por isso enviou para lá o navio Barracouta, cujos tripulantes desembarcaram em solo ilhéu e nele hastearam a bandeira inglesa. Esse fato chegou ao conhecimento das autoridades brasileiras em 16 de julho do mesmo ano, e estas solicitaram a imediata devolução da ilha, mas a Grã-Bretanha apegou-se à circunstância de que ela estava abandonada e por isso propôs arbitramento internacional para solucionar a pendência. Como o Brasil não aceitou a proposta inglesa, o governo português se ofereceu como intermediário para a tentat iva de encontrar uma forma de resolver amigavelmente o impasse entre as duas nações, o que veio a acontecer quando a Inglaterra reconheceu o direito de plena soberania do Brasil sobre a ilha da qual havia se apossado indevidamente.
Descrevendo a história da ilha de Trindade, em Folha Online, o jornalista Lucas Cembranelli informa que ela surgiu há aproximadamente 3 milhões de anos depois de uma série de explosões vulcânicas na extremidade oriental da cadeia de montanhas submarinas localizadas na mesma latitude de Vitória, no Espírito Santo. E esclarece: ?O descobrimento da ilha é atribuído ao navegante espanhol João da Nova, que viajava a serviço de Portugal. Em março de 1501 o navegante partiu de Lisboa com destino à Índia, mas o mau tempo e os fortes ventos do Atlântico Sul, próximo da costa africana, obrigaram-no a mudar de rota, o que resultou na descoberta de uma nova porção de terra, que foi chamada Ilha de Assunção. Um ano após a descoberta, o português Estevão da Gama, durante uma viagem para a Índia, visitou a ilha, mas ignorando a passagem de João da Nova, deu o nome para as terras de Ilha da Trindade, mantido até hoje. Em 22 de agosto de 1539, o rei de Portugal, Dom João 3º, doou o território para o fidalgo da Casa Real, Belchior de Carvalho, que entretanto jamais tomou posse?.
Continuando, diz o jornalista que ?em 1700, o astrônomo inglês Edmond Halley, durante uma expedição para realizar medições magnéticas no Atlântico, para o governo inglês, teria se deslumbrado com os contornos e formas impressionantes da ilha, e resolveu tomar posse, desconhecendo a descoberta de Portugal. Em 1781, a Inglaterra ocupou a ilha com tropas militares. Sabendo da ocupação, Portugal protestou em Londres. Enquanto o assunto se resolvia pelos canais diplomáticos, em 1783, o vice-rei do Brasil, Luís de Vasconcelos, enviou 150 militares de artilharia de desembarque a bordo da nau ?Nossa Senhora dos Prazeres? para expulsar os ingleses. Porém, quando as tropas de portuguesas chegaram, os ingleses já haviam abandonado a ilha, deixando materiais de guerra, como 12 canhões intactos. Depois da retirada inglesa, Portugal resolveu colonizar a ilha enviando casais de açorianos ao local, munidos de sementes e instrumentos agrícolas. Porém, logo verificaram que o solo era improduti vo e não prestava para a lavoura. Trindade passou a ficar ocupada somente por militares, e serviu de presídio a réus incendiários. A ocupação perdurou até 1795, quando o Conde de Resende determinou a desocupação da ilha, que voltou a ficar abandonada?.
E conclui sua descrição: ?Em 1895, a Inglaterra voltou a ocupar Trindade, declarando-a território britânico. Depois de várias tentativas de mediação, os ingleses re-solveram recuar e, em agosto de 1896, retirou os sinais de sua posse. No ano seguinte, o cruzador brasileiro Benjamin Constant dirigiu-se à ilha para a ocupação oficial e definitiva. Foi construído um marco na encosta do morro do Pão de Açúcar, com duas placas comemorativas. Durante a Primeira Guerra Mundial, o território serviu de guarnições militares, e logo após ao término dos conflitos foi novamente abandonado. Entre os anos de 1924 e 26, o presidente Artur Bernardes transformou Trindade em um presídio político. Nessa época, foi colocada a imagem Nossa Senhora de Lourdes na gruta que recebe o mesmo nome. Estiveram entre os presos na ilha o patrono da força aérea brasileira, Marechal-do-Ar Eduardo Gomes, e Juarez Távora. Deflagrada a Segunda Guerra Mundial, a Marinha do Brasil voltou a ocupar Trindade militarme nte, devido à sua localização estratégica. A ocupação da Marinha durou até 13 de junho de 1945. Em 1950, a ilha foi visitada por uma importante expedição científica, sob a orientação do ministro João Alberto, com a finalidade de planejar uma colonização e construir uma base aeronaval. Em 1957, a Ilha da Trindade foi ocupada por brasileiros da Marinha com a criação do Poit (Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade), que até hoje protege o território?.
FERNANDO KITZINGER DANNEMANN |
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MACEDA, A TERRA PRIMIXENIA |
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Maceda de Limia. A xénese primixenia. Dende esta histórica vila aínda se pode acadar a fortaleza medieval por unha agredida fraga. No que, no seu día foi a torre de homenaxe e co orballo da mañá, contemplamos -impoñente- a Serra de San Mamede. O Rodicio de seixo cristalizado. A inmensa gándara regada por afluentes do Arnoia. Tamén fumegantes aldeas diseminadas nas ladeiras. Terra de orixe do mariño, guerreiro e descobridor. Eis João da Nova , a páxina máis sobranceira, ao servizo da Coroa de Portugal.
Boa parte da historia do señorío de Maceda -condado dende 1654- transcorre forzosamente ao redor do seu castelo, datado entre o primeiro e segundo terzo do século XII. Semella que, de fundación e orixe reais, como a maioría dos que se edificaban naquela época de conflictos fronteirizos co viciño condado de Portugal, formaba parte daquel proxecto que, dende mediados do XII fora obsesivo para os gobernantes galegos -maiormente do bispado de Ourense- e portugueses. Inicialmente defendían intereses comúns. Pouco a pouco, artellaron unha fronteira artificial. Construíron fortalezas defensivas para non deixar ao bispado e burgo ourensá desprotexidos das embestidas dos viciños do sul que anceiaban anexionar territorios da Limia que coidaban lles pertencían. A expulsión definitiva dos mouros de Galiza, permitíu o afloramento de moitas aldeas chamadas vilanova e a criación de bastións estratéxicamente ubicados para axudarse perante as ameazas de fóra.
(Fragmento do libro "João da Nova, un mariño galego ao servizo da Coroa de Portugal. Autor: Santiago Prol, 2002) |
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VESTIXIOS DE JOÃO DA NOVA |
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Hogano existen varios vestixios que lembran ao mariño galego en Portugal. En Lisboa atópase unha rúa denominada João da Nova, na freguesía de São Francisco Xavier, no bairro do Restelo (perto de Belém). En Oeiras, vila situada no distrito de Lisboa, existe a rúa João da Nova non moi lonxe da anterior. En Cascais áchase ao carón da Av. Pedro Álvares Cabral. En Moita (Setúbal) tamén hai unha rúa que leva o nome do nauta galego. No Seixal (Setúbal) outrosí consta a rúa João da Nova. No Algarve, na Vila Real de Santo Antonio (Faro), existe a rúa João da Nova, paralela á de Francisco de Almeida e á Avenida do Infante Dom Henrique. En Galiza tamén dispón dunha rúa á súa memoria na vila de Maceda dende comezos de 1996 e unha exposición permanente; a fase inicial dun proxecto museístico que agromou en 2002. En Ourense capital existe unha xenérica rúa Xoán de Nóvoa, que mesmo podería abranguer á recua de homónimos e que, se desexan personalizala no navegante, debería levar polo nome polo que se lle coñece universalmente, que é o que consta en Maceda, Lisboa, Oeiras, Cascais, Moita, Seixal e Vila Real de Santo António. Cobizamos que esta iniciativa que agromou no noso concello, se espalle por todo o País denantes de que se cumpra o V Centenario do seu pasamento.
A historiografía lusa -abondo cargada de nacionalismo- debe revisar e restituír a João da Nova ao lugar que lle corresponde polos servizos prestados, algo que xa estamos a facer dende a súa terra de orixe (Prol, 2002). A propaganda manuelina e os que o sucederon, centráronse en Afonso de Albuquerque e con profusión case obsesiva en Vasco da Gama, que utilizaron como contrapeso do mito de Colón. A figura de Vasco da Gama -hogano presente en todos os currunchos do país veciño- servíu para afoutar a identidade nacional, política e cultural de Portugal.
A historiografía galega debe incorporar ao descubridor vencellado coa casa nobiliaria de Maceda, á nómina dos nosos Grandes Persoeiros da Nosa Historia [que pasaría se Pondal ?o bardo de Ponteceso- tivese coñecemento da súa apaixoante biografía cando elaborou o inacabado Os Eoas?]. Entre todos debemos enxertalo na memoria colectiva do País, xa que logo João da Nova é un galego universal, o máis relevante do século XVI, do que colectivamente deberiamos fachendear. Se nos deixamos roubar o pasado, deixarémonos roubar o futuro.
(Adianto editorial. Fragmento do libro "Nobres vencellados ao Castelo de Maceda", por Santiago Prol. Capítulo: "João da Nova, o descubridor do século XVI").
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1502.- JOÃO DA NOVA DESCOBRE AS ILHAS ASCENSÃO E SANTA HELENA |
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Fidalgo da Galiza que veio servir para Portugal, onde el-rei D. Manuel o fez alcaide de Lisboa.
Pouco depois do descobrimento da índia, e depois de ter partido para o Oriente a esquadra de Pedro Alvares Cabral, el-rei D. Manuel entendeu que devia contratar com alguns mercadores o armarem e carregarem também navios para a Índia, proposta que logo vários negociantes estrangeiros residentes em Lisboa aceitaram com alegria, sendo o primeiro que fez esse contrato um florentino chamado Bartolomeu Manhione. Armou ele um navio, o rei armou três, e a esquadra composta destas quatro embarcações, foi confiada ao comando de João da Nova, saindo de Lisboa a 5 de Março de 1501. Era a terceira esquadra que partia para a índia, considerando-se como primeira a da descoberta.
No caminho seguiu rumo muito ao ocidente como fizera Alvares Cabral, e assim descobriu a ilha da Ascensão. João da Nova primeiro deu-lhe o nome de ilha da Conceição, e foi Afonso de Albuquerque quem depois o mudou para o de ilha da Ascensão.
Chegando à Índia fundou uma nova feitoria, em Cananor, alegrou muito os por tugueses que Álvares Cabral deixara na índia e que não esperavam tão cedo navios da Europa, porque não supunham que partisse de Lisboa uma nova esquadra antes do ter regressado a de Alvares Cabral, e derrotou a esquadra de Calecut que se quisera opor à sua passagem, e que João da Nova levou adiante de si varejando a com a sua artilharia, afundando-lhe um ou dois navios a cada descarga, e maravilhando e aterrando esses pobres orientais, que não supunham que uma pequena esquadra de quatro navios pudesse praticar semelhantes façanhas.
Voltando a Portugal com uma boa carregação de pimenta e de outras especiarias, João da Nova descobriu um caminho nos mares da Africa Ocidental, uma nova ilha, a de Santa Helena, que depois se tornou tão afamada, por estar ali cativo o grande Napoleão. Em 1505 partiu do novo para a índia com o vice-rei D. Francisco de Almeida.
Apenas chegou a Cochim, porém, teve serias desavenças com D. Francisco, porque este lhe não quis reconhecer a nomeação que l evava para capitão-mor da primeira esquadra que tivesse do se fazer ao mar. Pediu então licença para voltar ao reino, e chegou a Lisboa ainda a tempo de tornar à índia como capitão de um dos navios da esquadra do Afonso de Albuquerque, esquadra que foi de conserva com a de Tristão da Cunha até Socotorá. O navio comandado por João da Nova era um dos melhores desse tempo, e chamava-se Flor de la mar. Em Socotorá separaram-se as duas esquadras, seguindo Tristão da Cunha para a índia, e Afonso de Albuquerque para o Mar Vermelho, afim de cruzar no estreito do Bal-el-Mandeb e assaltar as naus de Meca. Era essa uma nova empresa lucrativa que sorria muito aos seus capitães, mas Afonso de Albuquerque tinha outra empresa em mente, mil vezes mais gloriosa, a da conquista de Ormuz.
Tristão da Cunha, ao separar-se, devia deixar-lhe mantimentos suficientes, mas não deixou, e Afonso de Albuquerque aproveitou esse facto de menos lealdade do capitão-mor, para começar a pôr em execução os seus projectos. Declarou que precisava de ir procurar mantimentos à Arábia, e, como os não podia obter senão à viva força, assaltou vitoriosamente com esse pretexto Calayate, Curiate e Mascate. Os capitães não estranharam isso muito, e acompanharam-no sem murmurar, mas quando viram que ele prosseguia nessa empresa de assaltar as cidades da Arábia (porque o seu plano era o de chegar a Ormuz precedido duma reputação terrível) começaram a recalcitrar, e João da Nova, o mais orgulhoso e o mais insubordinado de todos, pediu-lhe licença para partir para a Índia. Afonso de Albuquerque declarou-lhe que não podia prescindir do seu navio. João da Nova mostrou-se descontente, soltando palavras descomedidas, e Afonso de Albuquerque prendeu-o, dando-lhe por menagem a sua nau. Em seguida foi tomar Orcafate, e nesse ataque resgatou João da Nova com a sua bravura a sua insubordinação.
Apareceu enfim diante de Ormuz, e ali estabeleceu o nosso domínio. (V. Albuquerque, Afonso de, Portugal, vol. I, pag. 130 e seguintes). Os capitães mostravam-se descontentes, e esperavam ansiosos que Afonso de Albuquerque se resolvesse a ir em busca das naus de Meca, que em tal não pensava, tratando placidamente de construir a sua fortaleza. O descontentamento foi aumentando até que se transformou quase em revolta aberta. Os capitães mostravam-se insolentes e eram os primeiros a incitar as tripulações a sublevar-se. João da Nova era um dos chefes deste movimento revolucionário. Um dia Afonso de Albuquerque ordenou-lhe que fosse a uma expedição à terra firme, e João da Nova respondeu que não ia.
Intimado para dizer a razão daquela recusa, replicou que a tripulação não queria ir, e ele não havia de ir sozinho. Então Afonso de Albuquerque, num ímpeto de cólera, foi à nau de João da Nova, onde a tripulação estava efectivamente revoltada, e pegando na espada dum grumete obrigou os tripulantes a embarcarem nos escaleres, e como João da Nova hesitava, puxou-lhe pelas barbas e também o obrigou a embarcar. João da Nova chorava de raiva e de vergonha ao lembrar-se de semelhante insulto, mas naquele momento não fez senão obedecer, e corno ele obedeceram os marinheiros, tal era o prestigio da energia de Afonso de Albuquerque, tal foi a influencia quase sobre-humana que Afonso de Albuquerque soube exercer naquele momento verdadeiramente terrível, em que jogava a sua vida e a sua autoridade.
Os capitães não pensaram mais em se revoltarem, mas pensaram em desertar; contudo, João da Nova ficara por tal maneira subjugado pela energia do seu comandante, que não foi o primeiro que desertou, apesar de ser o mais queixoso.
Desertaram os seus três colegas mesmo de Ormuz, e ficaram sós ele e Afonso de Albuquerque. Vendo o grande capitão a impossibilidade de continuar com dois navios em Ormuz, foi então cruzar para o cabo Guardafui. Dali lhe fugiu João da Nova, que foi levar as suas queixas ao vice-rei D. Francisco de Almeida. A intriga foi formidável; conseguiu semear no espírit o daqueles dois importantes vultos a discórdia e a desconfiança. D. Francisco de Almeida chegou a prender Afonso de Albuquerque, apesar dele estar nomeado governador da índia. Foi preciso que D. Fernando Coutinho, indo do reino, fizesse reconhecer a autoridade de Afonso de Albuquerque para D. Francisco de Almeida ceder.
João da Nova já então não tomava parte na luta que se travara entre o vice-rei e o governador; adoecera gravemente, vindo a falecer em Cochim em 1509. Afonso de Albuquerque, apesar dos muitos agravos que dele tinha, acompanhou o seu enterro com sinais de grande sentimento.
Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume Y, págs. 130-131 . Edição em papel © 1904-1915 João Romano Torres ? Editor |
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PRIMEIRA BATALHA NAVAL DA IDADE MODERNA |
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Cananor - 31 de Dezembro de 1501 a 2 de Janeiro de 1502
A terceira armada da Índia que largou de Lisboa em princípios de Março de 1501, sob o comando de João da Nova, compunha-se apenas de quatro naus guarnecidas com cerca de trezentos e cinquenta homens dos quais somente oitenta eram soldados, já que D. Manuel estava convencido de que a armada que havia enviado no ano anterior, sob o comando de Pedro Álvares Cabral, teria conseguido fazer a paz com o Samorim de Calicut.
Encontrava-se João da Nova em Cananor ultimando os preparativos para a viagem de regresso quando, a 30 de Dezembro, ao entardecer, apareceu à vista uma armada que o Samorim de Calicut organizara com o propósito de dar combate à sua, composta por cerca de quarenta naus e cento e oitenta paraus e zambucos (embarcações de remo e vela semelhantes às fustas) em que iam embarcados para cima de sete mil homens.
Na manhã do dia seguinte puderam os portugueses constatar que estavam rodeados pelos navios malabares e que estes se preparavam para os abordar. Aproveitando o terral (brisa da terra) João da Nova fez-se ao mar com as suas quatro naus disparando furiosamente a artilharia por ambos os bordos. Rota a cintura de navios que os envolvia, os portugueses formaram em coluna e continuaram a navegar para o largo perseguidos pela matilha de paraus e naus malabares que faziam todos os esforços para os aferrar. Mas, a navegar no alto mar, as naus, dispondo de maior bordo livre (maior altura), tinham clara vantagem sobre os paraus e os zambucos. No duelo de artilharia a vantagem estava também do lado dos portugueses uma vez que dispunham de navios mais robustos e de canhões mais potentes.
Durou a batalha dois dias e duas noite sofrendo os navios malabares muitos estragos e baixas sem terem conseguido nunca abordar qualquer das naus portuguesas. Ao amanhecer do dia 2 de Janeiro tendo os malabares perdido já três naus e nove navios de remo, afundados pela nossa artilharia, e tendo muitos outros gravemente avariados, puseram termo à luta batendo em retirada para sul. Perseguidos pela armada portuguesa durante algum tempo perderam ainda mais duas naus e três navios de remo. Soube-se mais tarde que tiveram para cima de quatrocentos mortos e muitos mais feridos. Da parte dos portugueses houve apenas uma dezena de feridos ligeiros.
A batalha naval de Cananor de 1501/1502 é um marco importante na História Naval por várias razões. Pela primeira vez foi utilizada em combate de uma forma sistemática e consciente a formatura em coluna que havia de durar até à 2ª Guerra Mundial; foi a primeira vez que uma batalha naval se resolveu apenas com o uso da artilharia, o que marca a transição do navio guarnecido com soldados para o navio armado com canhões; através dela ficou inequivocamente demonstrada a superioridade da tecnologia naval europeia sobre a tecnologia naval dos povos do Oriente, o que marca o início do domínio do Mundo, durante quase cinco séculos, pelos Europeus. Por tudo isso nos parece que a batalha naval de Cananor de 1501/1502 poderá ser considerada a primeira batalha naval da Idade Moderna. |
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O MAR DA PALHA [LISBOA] |
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 No país viciño, os navegantes lusos estaban a conquerir transcendentais incursións no Atlántico. Lisboa era o lugar axeitado para un nobre con iniciativas, interesado por aquelas informacións que chegaban sobre os descobrimentos na costa africana.
A capital, unha cidade moi activa, era tamén un compendio de case todas as virtudes e miserias humanas. En verbas do historiador brasileiro Paulo Miceli, um lugar de passagem, espaço onde a riqueza e pobreza cruzaram-se para desenhar fortes contrastes. Lugar da coroa reluzente que atraía e da peste tenebrosa que ameaçava continuamente esvaizar ruas e casas. Lugar do comércio, da cobiça e da luxúria, da fé desesperada e da religiosidade onipotente. Lugar do espetáculo e dos rituais, das procissões, das solenidades fúnebres e da violência colectiva. Lisboa, lugar da historia.
A fusión do río e do que os portugueses denominaron Mar da Palha, axudou a que se asentase unha urbe naquel ponto xeográfico a medio camiño entre o norte e o sul. Os outeiros do redor amparábana de potenciais ataques. A capital, estableceuse alí no 1255. Amosábase estratéxica dende o ponto de vista político, militar e comercial. Lugar privilexiado para cimentar rotas cara todas direccións. Dende o século XVI transformaríase nun dos maiores emporios comerciais de Europa e, por ende, nun centro de poder moi influínte. Chegarían seducidas camadas de toda extracción social en busca de fortuna. Infestada de pobres fascinados pola imaxe da riqueza que se podía visualizar nos navíos que arribaban cargados de África e, pouco despois, de Oriente. Semellaba que todos atoparían fortuna. Con eles viñan as enfermidades e as súas consecuencias. A Coroa tivera que regular enterros con cemiterios improvisados fóra da cidade. A peste -unha enfermidade contaxiosa moi grave producida polo bacilo de Yersin- asolabao todo. Foi a que máis mortos provocou ao lon go da Historia da Humanidade. A peste bubónica (negra), que comezou en Constantinopla, arrasou Occidente entre o 1334 e o 1353. Chegou a desaparecer boa parte da poboación europea. O bacilo transmítese no home polas pulgas das ratas que poboaban maioritariamente a Lisboa de fins do medievo. Non só se aloxa nos roedores. Tamén persiste no chan polo que se emprega o lume como profiláctico.
(Fragmento do libro "João da Nova, un mariño galego ao servizo da Coroa de Portugal". Autor: Santiago Prol, 2002)
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O RESTELO [LISBOA] |
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 A expedición de João da Nova foi de financiación mixta: coroa e banqueiros portugueses e trasalpinos, nomeadamente florentinos que procuraron novas filiais naquela Lisboa que emerxía como o grande emporio europeo no Atlántico. D. Manuel, Tristão da Cunha, Bartolomeu Marchionni -o florentino, amigo dos Médicis, ao que os monarcas lusos entregaron parte da organización financeira dos descubrimentos- xunto con D. Álvaro, o irmán do duque de Brangança, foron os que armaron as catro caravelas [non naos como referencian os cronistas da época e algúns historiadores] baixo o mando de João da Nova. Esta foi a expedición máis discreta das realizadas no primeiro decenio do século. Para máis inri, desapareceu case toda a documentación que sobre esta viaxe existía na Torre do Tombo [Lisboa], por intereses que, conxunturalmente, semellan máis espurios que accidentais [en 1775 un terremoto tamén axudou na tarefa, xa que logo deixou esquilmada boa parte dos documentos de chancelería daquel i ndispensábel arquivo nacional portugués].
Desaferrou o nauta galego, ao carón da praia do Restelo lisboeta [fronte ao actual Padrão dos Descobrimentos], despois dunha noite de oración na capela de Belém, na segunda semana de marzo de 1501. As fontes máis fiábeis indican que a súa viaxe tivo como finalidade experimentar as técnicas navais da Rota da India cun tipo de navío especial [unha caravela renovada e revolucionaria], tentar a explotación dunha mina de ouro que Vasco da Gama localizara no sul de Mozambique e ir na procura dos reinos asiáticos e na descuberta de novas terras. As deshabitadas illas volcánicas Ascensión e Santa Helena [no Atlántico Austral] mesmo aparecen vencelladas -dende aquela- a este nauta galego. A primeira, consonte os cronistas, na viaxe de ida, aínda que relevantes historiadores [Luís de Albuquerque / G. Bouchon], coidan que foi achada na viaxe de regreso en 1502.
Adianto editorial "Nobres Vencellados ao Castello de Maceda? por Santiago Prol., Fragmento do capítulo "João da Nova, o descubridor do século XVI" |
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