Palabras de Pedra


O blogue, cultural e divertido de Palabras de Pedra / Proxecto Mámoas do IES Marco do Camballón de Vila de Cruces Este proxecto foi recoñecido cun Premio á Innovación no Fomento da Lingua

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Mámoas de Oirós, lendas possíveis



O mestre Ramón Taboada Montoto cedeunos este texto con recreacións sobre lendas populares relacionadas coa Necrópole Megalítica de Oirós, no monte do Camballón. Agradecémoslle moito a súa xenerosidade!!!





GALOS NAS BRANHAS DO CAMBALHOM

Na chaira do Cambalhom de Oirós, onde está o campo de mámoas, hai sítios onde a auga empoça.Nessas branhas é possível olhar a brava avefria nos invernos mais crus. Seica aí está mergulhada toda umha freguesia. Por isso, na noite do 24 de de dezembro,cantam alá debaixo os galos. E nom só se ouvem essa noite, também voltam repenicar no alvorecer do 24 de junho. Neste amanhecer som eles os que acordam o sol, e nom deixam de cantar até que se pom a dançar, num puro ouro brilhante, alá no cume do castrinho da Goleta.




A CHAIRA E O SUBLIME.

Se calhar, aqueles homes e mulheres do Neolítico, escolherom estas paragens para os seus túmulos, pola beleza. Olhariam a curva grandiosa do céu estrelecido numha noite limpa e ficariam gozosos, mesmo impressionados. A comba, ou camba, ou superficie curvada do céu nocturno, esse imenso cambalhom do espaço, abria-se sublime e poderoso alá no alto, e sentia-se com emoçom neste nom tam pequeno cambalhom da terra.

Esta larga e longa chaira teria frecuentes visitas nocturnas de persoas que aqui experimentariam a pequena humildade humana diante dos absolutos cósmicos. Sagrado local este planalto, com o infinito escintilante nas alturas, com a presença mítica das linhagens dos antepassados agochada nos úteros abrigados das mámoas, relíquias funerárias no ventre materno da Terra Nai.




OS POLDROS DO VENTO.

Na belida serra do Cárrio que fica bem à beira do Cambalhom de Oirós, trotarom, non hai moitos anos, bestas silvestres. Moitas dessas éguas bravas dos montes eram fecundadas polo mesmíssimo vento. Os seus filhos baixariam até o cambalhom das mámoas e entre eles rinchariam de prazer, ao beberem puro ar limpo, entranha da sua própria genética condiçom.

E os poldros, filhos do vento e das alturas, mistura de terra mortal e hálito perene, amistariam com esta paisagem da memória acendida, e seriam por anos os seus heraldos certos.



A GALINHA DOS PITOS DE OURO

Um dia um home passava polo caminho do Cambalhom e, ao pé das mámoas, viu umha
Galinha toda de ouro que ia cacarejando e levando detrás sete pintinhos ou pitinhos, também de ouro puro. Era um encanto. Antes de sumirse na terra, deixou um envoltório de lenço atado con três nós.

O encanto comunicou-lhe ao caminhante que aquilo era um presente para toda a sua família, e que só na casa, diante dos seus, o teria que desligar. Apanhou o fardinho e baixou a costa dos Carvalhinhos de Cerca, já em Pedroso, a curiosidade venceu a sua sensatez, desfixo os nós do pano e atopou um murico de sementes de milho. Decepcionado e com fúria, espalhou as sementes no chao e agochou o lenço no bolso. Na casa, entretanto lhe relatava aos achegados o acontecido, esticou bem a teia e, numha das dobras, atopou dous graocinhos, nom de milho, de ouro maciço.


A TRAVE DE OUTRO E A TRAVE DE ALCATRÁM


Bem sabido é que hai duas traves, umha de ouro e a outra de alcatrám. Estám soterradas e vam do castro de Oirós até o da Goleta, passando polo campo de mámoas do Cambalhom. As traves estám debaixo da terra desde hai séculos. Desde sempre se sabe que nalguns sítios vam bem profundas, noutros, estám perto da flor da terra. Quem atope a trave de ouro será rico, e nom moverá um chisco a de alcatrám, ou arderá o mundo.


A MOURINDANDE

Certo vizinho de Oirós voltava para a casa e olhou, ao pé dumha mámoa ou madorra do Cambalhom, um home alto e elegante. Era um mouro. Um dos habitantes da Mourindade, esse mundo de gentes especiais, com poderes mágicos,que moram debaixo da terra, ou detrás mesmo do que nós pensamos que é a relidade.

O mouro deu-lhe dinheiro para que lhe criasse, cada ano, uns poucos animais domésticos. Os mouros tenhem riquezas infinitas. Todo ia bem, o vizinho entregava-lhe cada ano os animais bem nutridos e, em troca, o mouro concedia-lhe grandes cantidades de moedas. O humano nom contava a ninguém a causa da sua boa ventura. O mouro cumpria com o prometido.

Um ano o humano deixou de ser discreto e com fachenda espalhou que era um mouro bem requintado o que lhe dava a prosperidade. Nunca mais voltou a ver o mouro. Desde esse dia, o vizinho insensato foi ficando pobre, necessitado e mesmo indigente. O infeliz botou-se a pedir esmola polos caminhos.






SABER ESCOLHER

Um dia de primavera, moi cedinho, o sol começava a riscar além dos montes, um moço caminhava apressado polo cambalhom e, de supeto, viu umha mulher nova, belíssima.

Tinha diante dela umha mesa com cousas de ouro. A olhada daquela mulher loira e misteriosa, pousou-se nos olhos do rapaz e este ficou mudo de espanto e admiraçom. Escolhe o que queiras e será teu, falou a fada.

O sol novinho da primavera tirava faíscas do tesouro da mesa e dos olhos azuis da moça. Se tenho que escolher, escolho-te a ti, ti es o mais fermoso, com certeza.

O moço gaguejou as palavras com sinceridade e preocupaçom. Temia a resposta da beldade. Escolhi-ches bem, volta outro dia e eu hei-me de mostrar a ti em forma de serpente, se me dás dous beijos, sem nojo, has ter recompensa. Parou de falar o encanto, e nesse mesmo momento, desapareceu.

Voltou outro dia o moço e apareceu a cobra. Era enorme, longa, verdosa. Olhava-o com olhos que apavoravam. Aproximava-se ameaçadora. Quixo colhelo, o rapaz safou-se. O animal tentou outra aperta mortal e conseguiu meter ao moço entre dous dos seus aneis poderosos.

Foi nessa que o rapaz beijou por primeira vez ao réptil. A cobra, irritada, assobiou mais forte. O atrapado, num derradeiro esforço, deu-lhe o segundo ósculo. E de súpeto, já nom abraçava umha cobra, era a fada moça bonita a que lhe sorria entre os braços.

A CURVA DO TESOURO

A curva da mámoa, a curva do outeiro, a curva do monte, a curva do horizonte, é a mesma linha amável que forma também a curva do olho. A curva da mámoa encerra o olho do tempo. A curva da mámoa encerra o tesouro. O tesouro sempre soubo ocultar-se. A sabedoria do tesouro cresce cada ano no seu esconderijo. Quem procure tesouros com verdadeiro interesse sonhará com eles, será perseverante durante anos e anos. E chegará a saber que o tesouro verdadeiro tem cumplicidade essencial com a terra. Quem chegue a amistar com a terra logrará um dia o seu sorriso. E no sorriso honesto e franco da terra brilhará o fio do tesouro. O tesouro certo nom é de pedra, nom é de metal, nom é de material feitio. O tesouro es ti... que o procuras.


Ramón Taboada Montoto

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O logo, de Manel Cráneo
Comentarios (11) - Categoría: Actualidade - Publicado o 13-05-2013 10:28
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Palabras de Pedra / Mámoas do Camballón: O logo!

Manel Cráneo é un crack!
Este é o logo que nos enviou para o noso proxecto! Bravísimo!

Como podedes ver, é unha mámoa cun dolmen no seu interior, un dolmen sen pedra de arriba.

Manel Cráneo é un dos máis importantes deseñadores de banda deseñada do país e tivemos a sorte de telo con nós no instituto, a falarnos da súa obra e, entre outras cousas, da súa experiencia creativa no proxecto de arqueoloxía comunitaria A torre dos mouros, para a que escribiu e deseñou unha maxistral banda deseñada.

Graciñas! Contamos contigo, Manel!

Aquí podedes ollar a Manel Cráneo a deseñar o día que visitou o noso instituto:





Comentarios (6) - Categoría: Actualidade - Publicado o 07-05-2013 09:14
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