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<title>dedoscomovermes</title> 
<link>http://www.blogoteca.com/dedoscomovermes/</link> 
<description>os dedoscomovermes ceivam o roupeiro de todos os casulos que acumulam de tempos, algo cheirosos a humidade. os dedoscomovermes depositam tais casulos nesta pota de água a ferver, matando a crisálida para nom rachar o fio de palavras. só assim poderám urdir novas tapeçarias.



Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
	
		
	
	
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<language>ga</language> 
<managingEditor> susarinsarrobayahoopontocompontobr</managingEditor> 
<webMaster>soporte@blogoteca.com</webMaster> 
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   <title>casulo 61. sabucedo.</title>
   <description><![CDATA[<br />
<br />
Canto um mar<br />
que nom possuo<br />
umhas águas que nom tenho<br />
rapariga que som de terra adentro<br />
mocinha da montanha / montanhesa.<br />
<br />
Deveria cantar<br />
fragas e veigas<br />
encostas e abas de montes pardos<br />
os cúmios que encirram horizontes<br />
domeados como bestas e rapados.<br />
<br />
Deveria cantar <br />
o som do vento<br />
entremetido entre árvores e gestas<br />
e nom a brisa azul que arrinca as velas<br />
do cerne de si mesmas e das conchas.<br />
<br />
Esse ar mareiro <br />
que canto<br />
esse ar que canto e desconheço.<br />
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   <category>Geral</category>
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   <pubDate>Fri, 04 Jul 2008 19:17:00 +0100</pubDate>
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   <title>casulo 60. leixaprém</title>
   <description><![CDATA[<i>ouh a aldeia<br />
fragrâncias a favos de mel alentadas da janela</i><br />
<div align=right>[silo estrume poço negro rebordante]</div><br />
<br />
<i>ouh a aldeia<br />
vacas a pastejar</i><br />
<div align=right>[suíças leiteiras milheiros de litros nos tetos] </div><br />
<br />
<i>ouh a aldeia<br />
caminhar no lusco-fusco numha penumbra de vagalumes</i><br />
<div align=right>[fios eléctricos céu de antenas <b>virotes no horizonte</b>]</div><br />
<br />
<i>ouh a aldeia<br />
vacas a pastejar na chouça</i><br />
<div align=right>[fertilizantes fitosanitários encefalopatia espongiforme]</div><br />
<br />
<i>ouh a aldeia<br />
noites de invernada no rexo escano da lareira</i><br />
<div align=right>[soidade na casa pelejas por marcos calefacçom central]</div><br />
<br />
<i>ouh a aldeia<br />
vacas lentas a pastejar na chouça</i><br />
         <div align=right>[nom   /  já nom restam  /    quota láctea modernizaçom do agro]</div><br />
<br />
<i>ouh a aldeia<br />
ir aos grilos enrestrar amoras entre o milho e o centeio </i><br />
<div align=right>[crianças na vila xadrez informática nataçom]</div><br />
<i><br />
ouh a aldeia<br />
lentas vacas a pastejar na verdura da chouça</i><br />
<div align=right>[que nom   /    que já nom há<br />
que som selecionadas no embriom<br />
sem semental boi ao que enjugar-se  <br />
que mudam a marquesa por fanny<br />
a ruiva marela por pintada<br />
que vivem estabuladas <br />
longe da corte que quece a casa<br />
sem gastar coxas na passeada<br />
que comem proteínas descompostas<br />
rapazes alimentadas de si próprias<br />
que nom as toca mao mungideira<br />
e leiteiam com eléctricas descargas<br />
que recibem no matadoiro <br />
com perfecçom cirúrgica <br />
a morte]</div><br />
<br />
e como as vacas ouh a aldeia<br />
<br />
]]></description>
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   <category>Geral</category>
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   <pubDate>Wed, 18 Jun 2008 15:42:00 +0100</pubDate>
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   <title>casulo 59. do extravio.</title>
   <description><![CDATA[<br />
Eu som o resto o cascalho<br />
deste naufrágio universal<br />
a última quebra<br />
abandonada por aqueles<br />
mareantes<br />
que escolhem afogar<br />
eles mesmos entupindo as ventas<br />
que recusam dar braçadas<br />
comigo até o findeterra.   <br />
<br />
e fico só<br />
sentada na areia<br />
estonteada sacudindo argaços.<br />
<br />
Eu som a sobra o resíduo<br />
desta fugida deste degredo<br />
a cadela doente<br />
desamparada por aqueles<br />
respeitáveis<br />
que escolheu de fogar<br />
acovilhada na gaiva da estrada<br />
que ladra à nada ao vento<br />
que linda o atropelho a morte lenta.<br />
<br />
e fico só <br />
lambendo feridas <br />
de patas pousadas no asfalto.<br />
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   <category>Geral</category>
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   <pubDate>Thu, 12 Jun 2008 16:11:00 +0100</pubDate>
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 <item>
   <title>casulo 58. sindicalista</title>
   <description><![CDATA[<br />
fundo desde já o sindicato das eiras <br />
das mulheres muitas e sem nome<br />
que lavram o quotidiano<br />
da paisagem<br />
<br />
que tendem a roupa mais branca<br />
nas traseiras da casa <br />
que limpam cozem escabecham <br />
sardinhas colhidas no mar <br />
que tecem panos lilás com restos<br />
da ventura de outros<br />
<br />
costura das eiras cerzindo na noite<br />
leite das eiras anunciando o almoço<br />
ramo das eiras lavando lascívias<br />
<br />
eiras que me acompanham <br />
e para quem reclamo <br />
o cumprimento <br />
deste convénio colectivo:<br />
<br />
que quero que guardem um nome <br />
no rueiro da cidade <br />
que quero que desfrutem <br />
um incremento percentual <br />
de sombra nos bancos da alameda <br />
que sentem a descansar <br />
que quero lhe computem para a antigüidade<br />
as estrias cavadas en cada gravidez <br />
que quero que tenham um feriado<br />
que seja domingo sem cozinha nem vassoira <br />
que quero a contrataçom indefinida<br />
da dignidade arrebatada<br />
<br />
o diálogo é possível.<br />
também a greve.<br />
]]></description>
   <link>http://www.blogoteca.com/dedoscomovermes/index.php?cod=40598</link>
   <category>Geral</category>
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   <pubDate>Tue, 03 Jun 2008 21:22:00 +0100</pubDate>
 </item> 
 <item>
   <title>casulo 57. história</title>
   <description><![CDATA[<br />
no início foi a palavra.<br />
<br />
seguírom-lhe lume e conversa<br />
vasilha que traz água guarda grão<br />
agulha que tece e rejunta feridas.<br />
<br />
só depois chegárom coitelos<br />
machadas lanças espingardas<br />
bestas fusís bombas em ácio.<br />
<br />
só depois. ]]></description>
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   <category>Geral</category>
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   <pubDate>Mon, 19 May 2008 22:39:00 +0100</pubDate>
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