dedoscomovermes


[roubo o nome de um poema de marilar aleixandre]
os dedoscomovermes ceivam o roupeiro de todos os casulos que acumulam de tempos, algo cheirosos a humidade. os dedoscomovermes depositam tais casulos nesta pota de água a ferver, matando a crisálida para nom rachar o fio de palavras. só assim poderám urdir novas tapeçarias.



Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Esta blogueira quer que lhe corrijam as gralhas - gralhas.gzpt.org
O meu perfil
susarinsarrobayahoopontocompontobr
 CATEGORIAS
 FOTOBLOGOTECA
 CASULOS DOUTROS VERMES
 BUSCADOR
 PESQUISAR CASULOS GALEGOS
 ARQUIVO
 ANTERIORES

casulo 31. desculpas
Hoje cumprem-se 70 anos do fusilamento da última corporaçom estradense republicana. O alcalde e os seus concelheiros só nos pedirom à povoaçom estradense, em umha derradeira carta, duas cousas: que os lembrássemos dando-lhe o nome de Mártires da Estrada a umha rua e que incorporássemos essa carta ao livro de actas do Concelho quando fosse recuperada a normalidade democrática. A dia de hoje nom lhes temos cumprida nem umha petiçom nem a outra.







desde aqui quero pedir-vos desculpas
a todos vós
amigos mortos passeados assassinados

por nom cumprirmos hoje o vosso legado
por arrombar-vos como trastes
no faio do esquecido
tam abandonados

por nom aprendermos os vossos olhos
as vossas faces as enrugas todas
da vossa pele

por nom desenhar cem socos que vos adignem
os pés espidos / esses que vos descalçárom
por nom cozer-vos um pam que amamentasse
os fracos filhos e famintos

por nom encher com os vossos nomes
todos os silêncios obrigados
por deixar crescer o ermo em hortas e veigas
sem lograr umha maceira no esterco
que vós abrolhastes

nom temos escusa

maos que tanto construirom
a vós pido que nos absolvades
por nom recomeçar a pontelha
que a enchente vos arruinou

por deixar que o verme a couça
faga serraduras
das traves compridas que vós cinzelastes
e que nós deviamos ter telhado
com cravos rosas flores de arrecendo

desculpai

por fazer do vosso futuro
tam aginha derrubado
um novo vertedoiro incontrolado
por nom fazermos nada dos cascalhos

assim estamos agora
dormindo ao relento

sem o abrigo da memória


a foto é de nhakosa
Comentários (1) - Categoria: Geral - Publicado o 05-06-2007 21:30
# Ligaçom permanente a este artigo
Chuza! Meneame del.icio.us digg Fresqui
1 Comentário(s)
1 Não sabia disto. Obrigada, cara. Bo#blgtk08#m poema. Ainda há muito por fazer.
Comentário por Isa (07-06-2007 17:35)
Deixa o teu comentário
Nome:
Mail: (Nom aparecerá publicado)
URL: (Deve começar por http://)
Comentário:
 
Ligaçons desde outras webs
© by Abertal
susarins