 ouh a aldeia
fragrâncias a favos de mel alentadas da janela
[silo estrume poço negro rebordante]
ouh a aldeia
vacas a pastejar
[suíças leiteiras milheiros de litros nos tetos]
ouh a aldeia
caminhar no lusco-fusco numha penumbra de vagalumes
[fios eléctricos céu de antenas virotes no horizonte]
ouh a aldeia
vacas a pastejar na chouça
[fertilizantes fitosanitários encefalopatia espongiforme]
ouh a aldeia
noites de invernada no rexo escano da lareira
[soidade na casa pelejas por marcos calefacçom central]
ouh a aldeia
vacas lentas a pastejar na chouça
[nom / já nom restam / quota láctea modernizaçom do agro]
ouh a aldeia
ir aos grilos enrestrar amoras entre o milho e o centeio
[crianças na vila xadrez informática nataçom]
ouh a aldeia
lentas vacas a pastejar na verdura da chouça
[que nom / que já nom há
que som selecionadas no embriom
sem semental boi ao que enjugar-se
que mudam a marquesa por fanny
a ruiva marela por pintada
que vivem estabuladas
longe da corte que quece a casa
sem gastar coxas na passeada
que comem proteínas descompostas
rapazes alimentadas de si próprias
que nom as toca mao mungideira
e leiteiam com eléctricas descargas
que recibem no matadoiro
com perfecçom cirúrgica
a morte]
e como as vacas ouh a aldeia
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