dedoscomovermes


[roubo o nome de um poema de marilar aleixandre]
os dedoscomovermes ceivam o roupeiro de todos os casulos que acumulam de tempos, algo cheirosos a humidade. os dedoscomovermes depositam tais casulos nesta pota de água a ferver, matando a crisálida para nom rachar o fio de palavras. só assim poderám urdir novas tapeçarias.



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seda.12. debandadoras de seda.


Há bem de tempos escuitei marilar aleixandre recitar um poema do que gostei imenso. tanto que deu nome a este blogue. nunca o coloquei aqui porque era inédito. mas já está publicado. e adicado a mulheres luitadoras de myanmar, país arrasado pola ditadura, a climatologia, a injustiça. eis o vai agora. marilar me desculpe.


A Pauline Khng


dedos como vermes
das debandadoras de seda en Suzhou
é a auga quente a que enruga a pel
suave como auga
as coxas dunha rapaza de trece anos
suave como o sangue
do decrú
Yes, Mister, she is a virgin

as debandadoras matan aos vermes da seda
arrolándoos na auga fervendo
con agarimo
antes de debandar o fío
dous mil chi de fío nun casulo
cen dólares
para mercarlle aos pais unha rapaza
en Cheng-Mai:

logo que o verme morre
nun delirio de calores
cómpre debandar o fío axiña
apurar, apurar, en poucos minutos
antes de que a podremia lixe a seda
estrague a súa brancura
neste clima dos trópicos todo acontece rápido
a madureza das mulleres
ten dezaseis anos, xa non é unha nena
non vale ese prezo

o verme da seda
corroído por unha fame ancestral
en poucas semanas
devora cincuenta mil veces o seu peso
nalgures, as debandadoras comen os vermes
corroídas pola fame
ou lembranzas da fame
nalgures, pola fame
cincuenta mil rapazas
devoradas polo comercio sexual
nalgures, corroídos desde dentro
homes que comercian coa carne
como vermes

o verme da seda
ennobela as súas babas
cisma oitos sobre oitos de fío
leve mortalla da que non sairá voando
oitos deitados, un tempo infinito
fío negro debandado polas Parcas
infinitas as baballas do estranxeiro
sobre a túa lingua de nena
tradeando nun corpo miúdo
todo un continente
riscando de novo na pel
as fronteiras dun imperio
descomposto
Comentários (0) - Categoria: sedas doutr@s bich@s - Publicado o 13-05-2008 00:31
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Chuza! Meneame del.icio.us digg Fresqui
casulo 56. mwanza



queimo naves até agora refugio
templos de acolhida e abrigo

as melhores vestes adereço
tranço cabelos lavo memórias

sinto o lume calcinar morrinhas
varro na cinza o padecimento

rompe o dia ando o caminho


e a casa volve do exílio



[Esta é a nota a rodapé da fotografia inspiradora: Como simbologia do nao-retorno, uma família de refugiados moçambicanos queima a sua casa antes de regresar ao seu país. mwanza, malawi ocidental, 1994. Sebastiao Salgado: África]



a foto é de sebastiao salgado
Comentários (0) - Categoria: Geral - Publicado o 30-04-2008 21:32
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Chuza! Meneame del.icio.us digg Fresqui
sophia em abril


25 de ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E Livres habitamos a substância do tempo.



CON FÚRIA E RAIVA

Con fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo de palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pola palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra.
Junho de 1974


Os dous n'O nome das coisas [1977]
Comentários (0) - Categoria: sedas doutr@s bich@s - Publicado o 25-04-2008 15:48
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Chuza! Meneame del.icio.us digg Fresqui
casulo 55. aposentos



na cama das vacas pace entre alfombras o meu sofá
lá onde a avó botava lavaduras masseira de porco
regurgita branca roupa e pura máquina lavandeira
onde a mesa de formica mantel de hule / disputas
papeis e livros sustentam os andeis da biblioteca.

é na mudança que a casa ressurge. como água de rio.

Comentários (0) - Categoria: Geral - Publicado o 09-04-2008 00:36
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Chuza! Meneame del.icio.us digg Fresqui
casulo 54. enxoval


quando o mundo sobra
os lençóis som útero
o nom-lugar sob o que descorpo
e renasço só consciência.
espiral de pensamentos.

quando tu es o mundo
sob os lençóis há um jardim
em que este lírio agroma
deita aromas e abre pétalas
por vir gozar do sol.

quando tu es o mundo e o mundo sobra
os lençóis som simples lenços
a enxugar todos os quebrantos.

Comentários (1) - Categoria: Geral - Publicado o 27-03-2008 22:26
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Chuza! Meneame del.icio.us digg Fresqui
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